vendredi 22 mai 2015

C'est écrit

Lá no blog da Ana Rüsche, ela está propondo uns exercícios para dar um empurrãozinho pra gente escrever. Aqui vai um tentativa de responder à primeira atividade proposta: como eu gostaria de escrever?

Como estou redigindo uma tese, eu passo meu tempo todo pensando no que vou escrever. Mas queria poder escrever sem pensar. Escrever dia, tarde e noite, até dormir com a cabeça pressionando as letras do teclado do laptop: queria escrever até osçfgosugvoçus çagegh8rhogijo.

Queria escrever textos que refletissem a temperatura do meu corpo, minhas vontades de comer, as maiores preguiças de uma manhã com um pouco de sol. Textos que contassem tudo isso sem eu precisar escrever nenhuma dessas palavras.

Não queria escrever como "Virginia" ou "Simone" ou todas essas de quem a gente tenta se aproximar ignorando seus sobrenomes, mas queria que minha escrita fosse tão forte quanto a delas, sim. Queria que vissem nos meus textos que eu volto para casa com as chaves entre os dedos, que eu nunca saía à noite em São Paulo sem um guarda-chuva, que eu sempre espero as pessoas abrirem o portão e entrarem em casa quando dou carona, que eu sempre fico de olho quando vejo gente gritando na rua, e fico mais de olho ainda se vejo que tem polícia no meio (e fico mais de olho na polícia que no "bandido").

Queria escrever como se o ofício fosse um exercício de crudivorismo: textos crus, mas elaborados. Uma mistura de muita coisa estranha, mas que, no final, funciona -- ou deixa a gente com indigestão. Aceito os dois.

Queria escrever todos os dias, de cabeça para cima ou cabeça para baixo, sem ter de pensar, sem ter de fazer referências, sem pretensões, mas com leitores e leitoras. Scribere est legi.

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