jeudi 21 mai 2015

Ces bottes sont faites pour marcher

Parece que ontem foi o último programa do Letterman, e parece que teve um flashback de #momentos Letterman ao som de "Everlong", do Foo Fighters. Digo "parece que", porque não trabalho com TV, mas meus meios de comunicação visual foram floodados com links com pedaços de informação que, quando montados em um quebra-cabeça à la exquisite corpse me deram essa história aí, que pode ser falsa.

Eu nunca gostei muito de Foo Fighters, não, mas gosto bem dessa música. Nirvana --> Foo Fighters pra mim é pior que Joy Division --> New Order. New Order desce. Foo Fighters não. Mas essa música. Eu tinha meus 14 anos quando ela foi lançada. E aí, tinha o clipe! Naquela época, ainda tinha MTV, e a MTV ainda passava clipes! Se não me engano, essa era uma época em que o clipe de "Everlong" disputava espaço com um do Savage Garden, um ou outro do Aerosmith e, se pá, até com alguma coisa do Offspring (?). (O final dos anos 90 realmente foi um período tenebroso para a música.) Mas, enfim, um clipe do Michel Gondry! E aquele riff. E só.

Daí, virou o século. Mudei de continente. Passei a marcar o "x" numa faixa etária diferente nas pesquisas e todas essas coisas. E nunca mais pensei nessa música.

E em algum momento no início dos anos 2010 (2012?), no não-lugar mais não-lugar possível, em um dia de nada a e de trívia e de fome: If everything could ever feel this real forever, if anything could ever be this good again... Nada nunca seria tão confortável quanto aquela hora. Breathe out so I can breathe you in... E aquela música tocando. E eu, surda para música em lugares públicos, consegui ouvir. Come down and waste away with me... Ali, me dei conta que nunca tinha parado para prestar atenção na letra da música, provavelmente porque o clipe era tão genial que eu bloqueei o resto. The only thing I'll ever ask of you, you gotta promise not to stop when I say when... Eu queria ter colocado aqueles minutos em um globo de Natal.

E eis que me esqueci disso tudo, assim que passou. Da música, e do globinho que ficou lá no fundo da minha cabeça.

E aí, alguns 3 anos depois: Hello, I've waited here for you, everlong...

Todas essas coisas estão aí, sempre, esperando a gente prestar atenção a elas. Só para, aí então, não durarem mais de quatro ou cinco minutos. Porque, quando a gente percebe, a gente também percebe que pode estar no finzinho. E é tão bom e tão cruel. É um pouco como tomar sorvete: a gente pode tomar devargarzinho para apreciar mais cada colherada, mas, quanto mais devagar formos, menos vamos aproveitar o sorvete, que vai se desmanchar em um líquido pegajoso açucarado. E, se formos muito avidamente, é bom também, mas vai dando aquela dorzinha que vai subindo por dentro da cabeça. Tem um jeito certo de fazer isso, um jeitinho goldilocks, que a gente nunca sabe qual é, mas que a gente teoriza em retrospecto -- só para viver errando igual.

...And this is what gives us heavy boots.

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