vendredi 28 février 2014

Jamais deux sans trois

Uma coisa que a gente aprende depois de 6 anos de Goethe-Institut, 13 anos de filosofia e amor por Michael Ende é que a sabedoria alemã é inestimável.

Nada resume melhor a semana (a vida?) que esse provérbio:

Der Teufel scheisst auf den grössten Haufen.

Bom Carnaval para quem está na Terra do Pecado!


Para ouvir:

...and I'll keep it like a burning longing from a distance...

lundi 24 février 2014

Paradoxal système

Momentos em que a vida da gente muda. Para mim, foram vários: mudar de escola na infância, viajar sozinha pela primeira vez, entrar na faculdade, mudar pra NY, ler Kripke, mudar pra Montreal e... comprar um computador com Windows 8.

O Windows 8 é uma sistema operacional tão ofensivamente ruim que me pôs determinada a virar usuária de Linux. Só que: e medo? Como faz? Por onde começo?

Felizmente, tenho um amigo que me deu várias dicas. De início, eu sequer entendia as palavras que ele usava nos e-mails, mas Santo Google me ajudou a decifrar e eu fui me preparando. Para completar, porque, às vezes, minha vida consegue ser um incrível embolado de coinciências, a cooperativa do meu bairro estava oferecendo um ateliê gratuito de Linux, com uns voluntários que iam nos ajudar a instalá-lo no computador, rodar etc. Óbvio que a empolgada foi.

Só que, como não tinha ainda meu computador naquele dia, trouxe o DVD do live disk pra casa, para instalar o Mint 16 (MATE) sozinha.

E começou a aventura!

Primeiro passo: fazer um disco de recuperação do meu sistema operacional original (essa bosta de Windows 8), só por segurança. Comprei um pen drive de 32GB pra isso. E cadê a opção de fazer o disco de recuperação em um pen drive? É claro que não tinha. A opção de fazer com 5 DVDs? É claro que tinha. E é claro que eu recusei (apaputaqueopariu). E porque tem esse monte de gente cheia de amor na minha vida, recebi um link mágico no meu e-mail, de um programa que eu teria de baixar para fazer o disco de recuperação USB. Só que é lógico que, para baixar esse programa, eu antes tive que baixar um outro etc. Amo vocês, ASUS. Valeu por simplificar minha vida. Põe aí mais uma hora e o disco de recuperação ficou pronto. Bora eliminar o Windows 8 da minha vida.

Segundo passo: fazer meu computador re-bootear a partir do live disk. Seria ótimo se o Windows 8 desse essa opção. Mas ele foi feito para foder o usuário. O problema principal é que mudar as configurações da BiOS (para fazer o computador iniciar a partir do DVD e não do OS) é a coisa mais contra-intuitiva. Não tinha a menor idéia de como começar a fazer isso. Com um outro computador (rodando Windows 7) ao lado, fui tentar descobrir como acessar a BiOS. Tem alguns tutoriais do YouTube que são cheios de amor, também. Esse aqui foi um deles. BiOS devidamente ajustada.

Terceiro passo: ligar o computador rodando o live disk do Mint 16, em vez do Windows 8. Demorou um pouquinho (live disk sempre é mais lento que OS instalado), mas foi. Testei algumas configurações de base (conexão internet sem fio, vídeo e som, principalmente), só para me certificar de que eu não teria problemas depois da instalação.

rodando do live disk

Quarto passo: preparação da instalação do Mint 16. Aí, a coisa encrespou um pouco. Porque ele deveria reconhecer que eu já tinha um OS (Win8) instalado e me oferecer as opções de deletá-lo e instalar o Mint "por cima" ou de deixar o Win8 lá, quietinho, e instalar o Linux paralelamente. Só que ele não reconheceu que eu já tinha um OS, e só me deu a opção de eliminar qualquer coisa que estivesse no caminho e instalar o Linux ou fazer a instalação customizada. Fiquei com medo de escolher a primeira opção, e escolhi customizar. Só que, aí, me deu mais medo ainda: abriu um menu onde eu poderia escolher como eu queria compartimentar meu HD e onde e como queria que o Mint fosse instalado. Não tinha a menor idéia de por onde começar a entender isso. Voltei e toquei o foda-se completo para o Win8. (Na verdade, acho que, porque tenho um Ultrabook, o Win8 fica guardado em um outro HD, e por isso o Linux não reconheceu o OS -- mas isso é só suposição, talvez eu tenha fodido tudo). Confesso que essa parte me exigiu um controle de ansiedade e um desapego excepcionais, mas, quando comparados ao stress de ter de usar o Win8, vi que era um bom acordo. E a mágica começou!



Quinto passo: a instalação em si. A primeira tela que abriu me pedia para escolher o idioma; depois, a cidade. Ele me deu Toronto. Eu troquei pra Montreal e mandei bala. Só que eu acho que o Mint é anti-Quebec ou algo assim, porque aí, a instalação parou. Sem saber muito o que fazer, desliguei o computador e comecei de novo (comecei rodando o live disk etc.). Os mesmo passos anteriores, mas, dessa vez, deixei Toronto como cidade de base. Em coisa de alguns minutinhos (depois de algumas outras escolhas simples), a instalação terminou, eu tirei o DVD de instalação e reiniciei o computador. Perfeito! Tudo funcionando direitinho.

...um pouquinho de medo e ansiedade e...

...alívio!

Sexto passo: instalação de software. Tinha ficado com um pouco de medo dessa parte, mas foi mais fácil que imaginei. Como já tinha pesquisado se os programas que eu queria usar eram compatíveis com Linux, já sabia exatamente aonde ir. A única dificuldade foi escolher a versão que eu preferia instalar de cada programa (Ubuntu? Debian? Fui no chute...). Com o Chrome, um "pacote office" e Skype devidamente instalados, já pude começar a usar o computador como eu queria bem rapidamente.

Sétimo passo: ajustes. É claro que eu precisei alterar algumas preferências do OS. A mais importante, para mim: o idioma do teclado. Ele vem configurado para inglês e eu queria acrescentar português, pra não ficar sem acentos e outras marcas. Quis também ajustar algumas configurações do touchpad. Tudo isso foi bastante simples e intuitivo e, a melhor notícia: consegui deixar tudo como EU queria, não como os caras que desenvolveram o OS acham que é "otimizado para o usuário".

Como fazer o Windows 8 funcionar a seu favor:

Não o use. Substitua por Windows 7 e/ou Linux

Veredito: sou uma usuária iniciante feliz de Linux. É claro que ainda não sei mexer em tudo e ainda tenho um pouco de medo em fazer alguns testes, mas, por enquanto, sucesso absoluto. Os passos aí acima parecem longos, mas tudo foi feito em uma questão de umas duas horas e meia (incluindo o backup do Win8, que foi a parte mais longa -- demorou mais de UMA hora -- e a instalação dos software). Qualquer pessoa que já teve de re-instalar o Windows e todos os componentes básicos para trabalho (MS Office et al.) sabe que, em uma plataforma Microsoft, esse tipo de instalação é um projeto hercúleo de dias (meio dia, se você tiver sorte). E, se eu bem me lembro, dá um pavor desesperador. No final das contas, o Linux me deu sensação de mais controle, liberdade, confiança (eu não sei se eu toparia instalar um Windows sozinha, com meus conhecimentos limitados de informática), menos ansiedade e, o que é mais importante, eu tenho um sistema operacional que funciona a meu favor, diferentemente do Win8, que é tipo aquele tio mala que a gente é obrigado a suportar no Natal porque "família não se escolhe, tolera-se".

lundi 17 février 2014

Menthe

No inverno, qualquer desculpa que eu possa vir a ter para sair de casa, é o pretexto para uma grande aventura. Mas aí, é claro que eu me faço o favor de foder o ligamento do joelho e ter de ficar de cama naquele esquema gelo-perna-pra-cima-e-imobilizada-antiinflamatório-etc.

E era justamente hoje que tinha o workshop do Linux, a que eu tanto queria ir. Por sorte, como era aqui do ladinho de casa, consegui ir me arrastando (ponto-e-vírgula, ponto-e-vírgula...). Chegando lá, como eu esperava, vários caras (só homens) com seus computadores que aparentavam ser laptops da década de 90, mas que funcionavam bem mais rápido que o meu de 4 anos atrás.

Eu cheguei lá sem computador, porque essa coisa de conseguir comprar um computador já virou uma novela na minha vida, mas queria me informar direitinho sobre o Linux, pra saber se eu estava pronta para me converter. Como não tinha mais ninguém lá, todo os 6 caras se encarregaram de me mostrar todas as mágicas do Linux. Eu testei várias versões diferentes: KDE, Ubuntu (Kubuntu? Lubuntu?), Gnome 3, Xfce etc.

No final das contas, fui mais com a cara do Mint16 MATE. Um dos caras, que estava guiando meu tour pelo Linux, foi bastante solícito (todos eles foram, acho que, em parte, porque eu era a única mulher e todos estavam meio que querendo me impressionar com suas preferências linuxianas, blablá) e gravou o live disk dele num DVD pra mim, para eu depois poder instalar sozinha em casa (haha, instalar sozinha! Até parece! Vou morrer de medo!).

O engraçado é que foi tudo tão estereotípico nesse ateliê, que parecia pegadinha. Durante um bom tempo, só tinha eu lá, e cada um dos caras queria me convencer a usar a versão do Linux que ele usava. Foi uma competiçãozinha que durou uma meia hora. Depois, chegou mais uma pessoa querendo instalar o Linux. Um homem, claaaro (ronc). Só que esse cara que chegou mudou todo o tom da coisa de simulacro de Big Bang Theory para Arquivo X: ele começou a falar de várias teorias da conspiração envolvendo a morte do JFK, da Marilyn Monroe etc. etc. e de outros esquemas do governo. Ainda bem que eu não fui a única a ficar com um pouco de medo daquele papo. Só que, depois, a conversa desvirtuou para táticas de comunicação criptografada. Eu sei que, em tempos de Snowden, essas coisas estão longe de ser piada, mas me fizeram pensar, assim mesmo, nos 3 amigos do Mulder.

Resumo da ópera: se eu, finalmente, conseguir comprar um computador novo, acho que estou pronta para usar esse Mint16, sim. Só vou precisar de um guia espiritual para isso, já que mexer em OS está, possivelmente, no Top 5 da lista de coisas que me causam ansiedade extrema. Mas acho que, entre esse ateliê, a ajuda transatlântica virtual e o auxílio geek que eu posso ter na UQAM, tenho um ambiente bem seguro para a transição. Agora vai!

dimanche 16 février 2014

Patineuse

E tem aquele dia em que um amigo de um quase-ex-amigo-barra-amigo-de-um-amigo [redacted: it's just fucking weird] manda uma mensagem convidando geral para patinar no gelo. Você adora patinar no gelo e responde logo que vai; óbvio. As outras pessoas demoram dias a responder e declinam o convite por motivos de: bunda molice.

Parabéns! Você acabou de aceitar o compromisso de passar a tarde patinando no gelo com alguém que mal conhece (bom sábado para o pessoal aí de casa!). E você sofre de desconforto social mórbido. Piora? É c-l-a-ro que piora. Porque você obviamente também não sabe patinar no gelo. GREAT.

Por sorte, não é estranho. Depois de café-e-chá, Pulp, Pavement e fofocas sobre a vida alheia, ao laguinho congelado!

Já falei que eu não sei patinar no gelo? É. Então.

O dito amigo de um quase-ex-amigo-barra-amigo-de-um-amigo dessas pessoas que eu conheço patina SUPER bem. E eu lá, a menos dois por hora, com todos os meus movimentos graciosos de boa pseudo-filósofa descoordenada que sou. Acho que eu patino no gelo, sei lá, uma vez por ano, se isso. Basicamente, porque não tenho companhia e porque eu tenho essa coisa que é meio T.O.C. limítrofe e eu bloqueio (= tenho pensamentos obsessivos) nisso aqui de um jeito absurdamente paralisante.

Mas lá fui eu, fazer cosplay de atleta olímpica (aproveitando essa vibe Sochi, e esse pessoal no ~Brazyl~ achando ~lyndo~ essa coisa de esporte com gelo e neve) e praticar meu signature move: hipopótamo sobre o gelo. Sim, era exatamente essa imagem mental aí que eu queria que vocês tivessem. Grata.

Na uma hora de patinação-barra-soulsearching que foi essa aventura, eu consegui confirmar uma hipótese: eu sou incapaz de multi-task: ou bem eu patino, ou bem eu converso. Na hora em que eu tentei fazer os dois, caí. Mas caí não daquele jeito engraçado, Charlie Brown, como da outra vez que eu relatei. Dessa vez eu caí mais à la Anderson Silva versus Chris Weidman: foi feio. Deve ter doído até em quem assistiu à cena. Todo o peso do meu corpo em cima da parte interna do meu joelho esquerdo (ah, se eu tivesse dado ouvidos ao curandeiro sufi!).

Outra hipótese que eu confirmei: eu sou completamente altiva no que diz respeito aos sinais de dor do meu corpo (vide: 2009, quando fui fazer ioga pra melhorar uma dor horrível nas costas quando, na verdade, estava com uma infecção renal...). Levantei (não sem precisar de ajuda) e continuei patinando por mais uma boa meia hora.

Ainda fui caminhando até a casa de um amigo, para, de lá irmos a um café etc. Foi só ao anoitecer que eu percebi que meu joelho não dobrava mais. E dá-lhe arrastar a perna, gelo e Voltaren!

Por sorte coincidência hipocondria, ainda tinha aqui uns antiinflamatórios da época em que minha dor no pescoço/nas costas/no ombro quase me aleijou. Eles não me ajudaram na época em que minhas vértebras cervicais se esmagaram e pinçaram um nervo, mas, agora que o problema era um rompimento (? ou quase?) do ligamento, o naproxen fez milagres! Consegui dobrar o joelho a quase trinta graus (!) e consegui até me arrastar até a farmácia para comprar antiinflamatórios tópicos e uma espécie de tala para o joelho. Os 800 metros que separam minha casa da farmácia (800 metros e uns 10 gloriosos degraus cobertos de neve e gelo) precisaram de 25 minutos para serem percorridos no meu ritmo de ponto-e-vírgula. Acho que nunca dei tanto valor a rampas na minha vida!

Mas a verdade é que eu gosto muito de patinar no gelo, e gostaria muito de ser mais hábil (no geral e no específico), então, se eu me recuperar dessa, ainda é bem capaz de eu foder meu joelho novamente em breve, por teimosia mesmo.

Tem gente me chamado de "trooper" por conta desse meu pique todo. Como eu bem respondi, "trooper, reckless, foolhardy: same difference."

Para ouvir:

one tryst with me and you'll be spinning like a gyroscope


Filed under: prowesslessness

vendredi 14 février 2014

C'est compliqué

No dia de hoje:





Bottomline:

Para ouvir, é claro:


you just get out what they put in and they never put in enough


File under: a_bottle_of_gin_is_NOT_like_love

dimanche 9 février 2014

L'orange

Porque não basta eu ter 2 ou 3 secadores de cabelo, chapinhas e ferros de passar roupa; precisava também de mais aspiradores de pó. Porque, sim, dinheiro dá em árvore na América do Norte eu sou uma pessoa cheia de manias. E também porque aqui em casa tem dois aspiradores de pó ruins e trambolhosos que me irritam profundamente. Tem um aspirador Shark pequeno (pequeno em potência, porque ele ocupa o espaço de um pequeno hipopótamo) que é uma vergonha. Aí, tem um Panasonic que consegue ser mais trambolho (possivelmente do tamanho de um hipopótamo adulto), faz um barulho dos infernos e -- glória, glória, aleluia! -- faz um incrível trabalho de espalhar toda a sujeira e poeira da casa, em vez de sugá-la. Deixa a gente surda, com dor nos braços e nas costas e vivendo numa imundície só.

Mas tem o porém: o porém é que os dois aspiradores são, segundo algum senso estético depravado, "bonitos". Bonito definitivamente não é um adjetivo que eu quero que determine a escolha do meu aspirador de pó.

E foi justamente por isso que, hoje, eu atravessei a cidade para comprar uma porra de um aspirador de pó la-ran-ja. A pessoa que teve essa idéia não devia estar bem no dia. Imagino que tenham feito o design e que, na hora de mandarem pra produção, faltou especificar a cor. Aí, o cara só queria bater o ponto e ir para casa, sem ter o pessoal do escritório aporrinhando com esses detalhes. "Mas, e aí, chefe? A gente manda rodar a bagaça com qual cor?" E aí o cara lembra que fez um estudo de mercado e tal, mas não tem a menor idéia de onde colocou o relatório, e só quer ir pra casa tomar uma cerveja. "Laranja! O pessoal tinha preferido o laranja; faz isso!" E completa mentalmente com um "e foda-se".

E foi assim que eu gastei meu rico dinheiro em um aspirador de pó muito mais portátil e leve que os outros dois que tenho, extremamente silencioso (hosana! hosana!), que aspira a sujeira e é... laranja.

Parabéns à Electrolux e a todos os envolvidos.