mercredi 9 juillet 2014

Necks gin

Não sou Nelson Rodrigues, então sequer deveria estar escrevendo isso aqui. Só que.

Só que talvez eu deva isso aos filhos e netos que nunca vou ter. Ou porque daqui a 4, 8, 12, 16 anos etc. alguém ainda vai recuperar essa conversa de onde-você-estava-no-Brasil-e-Alemanha-de-2014.

Vejam: eu cresci com a lenda do Maracanazo. Não sei quando foi a primeira vez que ouvi falar da final entre Brasil e Uruguai. Deve ter sido durante a Copa de 90. Não vi o tri. Não vi a Grande Seleção de 82. Não tenho lembrança alguma de 86. Minha primeira lembrança de Copa do Mundo é da Copa de 90: me lembro só da eliminação do Brasil (pela Argentina) e da final entre Alemanha e Argentina. Torci para a Alemanha -- no Brasil, afinal, a gente aprende a torcer contra a Argentina desde bem cedo e, em 90, foi ainda mais fácil; fiquei contente com a vitória de uma Alemanha que, embora já unificada, ainda jogava como Ocidental.

Eu cresci com a lenda do Maracanazo. Acho que meu avô me contou que estava no Maracanã naquela final (que não foi uma final strico sensu). Ou eu inventei isso, porque gostaria de ter conhecido alguém que estava lá, pra ter certeza de que aquilo realmente aconteceu, do contrário talvez não acreditasse. Como não acreditei que o Brasil seria campeão em 94, depois daquele doloroso jogo contra os EUA. Voltei a acreditar depois do gol do Branco, contra a Holanda. Quem esquece do Brasil x Holanda de 94? Fomos a um casamento de um primo do meu pai nesse dia. Meus pais eram padrinhos. Eu me lembro de ter emprestado um mini-radinho amarelo de braço (com uma banda elástica) para meu pai usar por baixo do paletó do terno e poder escutar o final do segundo tempo do jogo na igreja (Q: Quem marca um casamento para dia de jogo de quartas-de final? A: Gente que não acredita.). A final de 94? Dessa todo mundo lembra. Ela foi quase tão grande quando o Maracanazo. Acabou, Baggio. Acabou, Galvão. É tetra. A primeira vez que vi o Brasil ser campeão em Copa do Mundo. Nunca se comemorou tanto uma vitória. O país que tinha acabado de perder o Senna era o primeiro tetra da história. Márcio Santos foi esquecido. Taffarel virou herói. Em 94, Baggio, nosso herói italiano, virou um nome tão grande como o Maracanazo.

Eu cresci com a lenda do Maracanazo. Ainda assim, o jogo mais inexplicável de uma final de Copa foi o de 98, quando passamos tão perto e tão, tão longe. Quando, da janela do hotel em que estava hospedada em Copacabana, no dia da final -- 12 de julho, Zagallo passou raspando! --, vi o palco que estava montado na areia da praia para a festa do penta ser desmontado ao som fraco do show de axé marcado para a comemoração que não existiu. Perderíamos (mas mais cedo) para a França novamente em 2006, quando eu teria de lidar com meus colegas de trabalho (franceses, nessa época em que eu trabalhava para uma multinacional gaulesa) indo às forras com o resultado do jogo. Naquele ano, eu torceria para a Itália, que, finalmente, seria tetra. Mas o Brasil foi primeiro.

Eu cresci com a lenda do Maracanazo, mas a verdade é que não sei bem como ele foi. Assim como não sei como foi a Copa de 2002, o Penta. Não madruguei para ver os jogos. Na final, que terminou bem cedo numa manhã de domingo, só soube que tinha dado Brasil porque acordei com os fogos e rojões -- na casa da minha avó, em uma cidade onde fogos e rojões só são vistos e ouvidos, usualmente, em festa de São João. Copa do Mundo na Ásia foi um fiasco. Mas não foi um Maracanazo.

Eu cresci com a lenda do Maracanazo. E, apesar disso, aprendi a torcer para o Uruguai como quem torce para a pátria-amada-idolatrada-salve-salve, porque em 2010 o Uruguai veio para a Copa como o Globo Repórter e mostraram "Futebol: o que é, como se faz, de que se alimenta". Nunca haverá jogo como Uruguai x Gana em 2010. Nunca. Se houve uma seleção melhor que o Uruguai de 2010? Não sei. Certamente Holanda e Espanha não eram. Talvez o Uruguai do Maracanazo?

Eu cresci com a lenda do Maracanazo. E ela voltou com tudo esse ano. Para mim, com saudosismo clariceano (saudades do que não vivi etc.): eu queria ~my own private Maracanazo~, um Maracanazo pra chamar de meu. Queria Brasil na final, porque sou brasileira, com muito orgulho e não desisto nunca.... Queria Uruguai na final, porque o melhor time merece estar na final, E ganhar. Só que o Maracanazo de 50 não foi construído com mordida (nem com chute de Subzero colombiano, aliás). Caiu a Celeste. Acabou o sonho de Maracanazo Redux.

Eu cresci com a lenda do Maracanazo. Mas aí, teve hoje. E é essa a história que eu contaria à minha prole. Como, depois de um dia dos infernos em outro hemisfério, em um país cuja seleção sequer conseguiu se classificar para a Copa, terminei uma avaliação às 15h30 (hora local) sem a menor vontade de assistir a esse jogo, mas fui cooptada pelos colegas animados. Fomos a um bar, onde sentei, estrategicamente, ao lado do meu colega alemão. Também estavam lá uma colega e um colega finlandeses, um colega polonês, duas colegas americanas, um colega britânico e um colega italiano; 16h00 hora local; o nome do bar era Foxes Den (que fiquem registrados esses dados para a posteridade). O jogo começou bem, mesmo sem Neymar e Thiago Silva. O Brasil no ataque. Passados poucos minutos, gol. O time ruim que vinha jogando já não era mais reconhecível. Mais alguns minutos, gol. E foi aí que começou a roleta-russa do desespero. Esperávamos 2x0. Já estava 0x2. Os jogadores em campo não sabiam o que fazer. Eu sabia: pedi meu segundo gin-tônica. Foram mais 3 gols em 5 minutos. Meu colega alemão já não comemorava. Ele estava atônito, esperando ver cada replay para ter certeza de que era verdade. Minha colega argentina, sentada à minha frente não acreditava. Ela estava torcendo pelo Brasil. O que estava em jogo aqui não era rivalidade Brasil-Argentina. Era América do Sul-Europa. Em 2014, isso faz muito mais sentido que a rivalidade antiga, boba. No segundo tempo, seriam mais 2 gols. Mais um gin-tônica. A Alemanha já não comemorava. As pessoas no bar ainda gritavam, mas só os americanos ou canadenses. Os alemães só batiam palmas fracas, por respeito à vergonha pela qual o Brasil passava. Um gol "de honra", com todas as aspas que ele merece (não há honra possível em 1x7), só veio aos 45 do segundo tempo. Todo mundo no bar comemorou: meio que por ironia, meio que como se comemora um gol de um café-com-leite (ver: Coréia do Norte, Irã etc.). Saldo final do jogo: Brasil 1 x 7 Alemanha, 3 gins, um ravióli que desceu mal, um alemão incrédulo, e uma argentina desolada, que chorou com a derrota brasileira.

E quando a argentina chora nossa derrota é quando temos a certeza de que temos nosso novo Maracanazo.

vendredi 6 juin 2014

Vitelliani

Eu escrevo, escrevo, escrevo. Depois vou e edito tudo, para ficar mais bonito. Aí, eu deleto e começo tudo de novo. Aí, acho a o vídeo perfeito, a frase perfeita, o comentário perfeito. Ótimo. Feito. Clique.

E aí, fica tudo perfeito demais. E eu penso duas vezes. Um clique, dois. Fico morrendo de raiva. Apago tudo. Não, não vai ter nada. Nada. E foda-se. Vai, sim. Vai ter alguma coisa, e vai ser horrível, e é o que tem, porque eu sou essa pessoa horrível e tudo é um grande rascunho do que eu queria que as coisas fossem.

No final, não digo o que eu queria, e vai ficando tudo entalado. Sobra só um título vazio e, no cantinho, duas palavras murmuradas.

Filed under: two_out_of_three_ain't_bad

mercredi 4 juin 2014

Lunellum

Cena: cozinha da casa na hora do café da manhã. Eu estou ajudando mãe e filha a arrumarem a louça, depois da refeição. A filha, de 5 anos, começa e me contar sobre a escola. Pergunto de que ela mais gosta (de tudo), de que ela não gosta (lição de casa), se ela vai à escola durante o verão etc. A mãe, que estava colocando a louça na máquina de lavar louça, levanta a cabeça e me pergunta sobre o doutorado. Me pergunta quantas páginas tem uma tese em filosofia. Quanto tempo leva, em média, a escrita de uma tese etc. Conversamos um pouco, até sermos abruptamente interrompidas pela filha:

- O que é uma tese?
- É a maior lição de casa que alguém já teve de fazer na vida.

I fucking nailed it, sem nem hesitar.

Até que pensei mesmo nisso: a maior lição de casa da vida.


lundi 2 juin 2014

Pugillares

Fui à manicure. Entrei no primeiro segundo terceiro salão que vi pela frente e marquei um horário. Chegando lá, a manicure falava só umas palavras básicas, em inglês (colour? pedicure too?). Durante todo o processo de fazer minha mão, ela ficou em silêncio. Quando terminou, ela até falou mais, apologética:

-- Sorry. I don't speak English. I just arrive here. I speak Portuguese. [sic]

Canadá: o paraíso dos portugueses (e chineses, e vietnamitas, e franceses, e indianos...). A partir daí, detectada a falha de comunicação, batemos o maior papo: ela, na maior fofura do sotaque da região do Porto e eu tão-obviamente paulistana.

Eu poderia tirar muitas conclusões dessa história, mas, no final das contas, essas coisas só me dão saudades de Portugal e do Porto, e fazem com que eu me questione, pela milionésima vez, o que estou fazendo por aqui. É preciso que as aulas comecem para eu ter certeza de que pelo menos uma parte de mim está em casa na América do Norte. Até lá, meus pensamentos ficam do outro lado do Atlântico.

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dimanche 1 juin 2014

Tabula cerata

Chegar à cidade onde a gente nem tem certeza de que quer estar.

Se instalar em uma nova casa: ver se e como a persiana funciona (funciona, e é normal), onde ficam os interruptores (um na entrada, um ao lado da porta do quarto, será que tem um na escada?), descobrir se o quarto pega o sol da manhã ou da tarde (da manhã, ainda bem!), se o chuveiro é bom (já vi melhores).

Ser recebida com um café da manhã de bacon, ovos e panquecas. Deitar na cama, porque a noite foi muito mal dormida, e pegar no sono com o solzinho da manhã batendo no rosto.

Ir explorar o bairro; fazer compras (azeite! o primeiro item da lista é sempre o azeite!).

Procurar um lugar para jantar: descobrir (por recomendação) um restaurante etíope ótimo, com porções generosas e preço que agrada bem ao meu bolso.

Conter a ansiedade e pensar na Primeira Semana. Essa é que é a parte difícil. O resto, aí de cima, é como se fosse quotidiano.

Filed under: só_falta_a_lona

samedi 31 mai 2014

The best of all the years have gone by

Hoje, em algum lugar muito distante de onde eu vou estar, "Total Eclipse of the Heart" estará sendo tocada, ao vivo, para mim.

Desses presentes que são iguais a deus: a gente não vê, não sabe se existem, amor define e dinheiro quase nenhum compra.

jeudi 1 mai 2014

Vingt ans

Não estou aqui para discutir o status de "herói" de ninguém. Stricto sensu, nem sei se entendo bem o conceito de herói (delego para os filósofos do século XIX). De todo modo, assim como 99% da internet, eu tenho algo a dizer sobre o dia de hoje.

No final dos anos 80, o Brasil estava tentando juntar os cacos e se reinventar a partir de um regime corrupto, destrutivo e injusto. Falhamos ao escolher nosso (re-)primeiro presidente eleito de maneira direta e democrática. As artes no país estavam entregues às traças. O esporte também não estava em situação muito melhor.

No final dos anos 80, já fazia quase 20 anos da conquista do "tri". O "tetra" ainda estava cozinhando em fogo bem baixo -- antes, ainda precisaria passar pelo fiasco de 90, na Itália, e se recuperar dele. O vôlei brasileiro ainda não tinha o status que tem: teríamos de esperar até Barcelona, em 1992, para termos uma equipe campeã. Gustavo Kuerten ainda era criança. A TV a cabo ou via satélite ainda estava engatinhando. Para assistirmos a eventos esportivos, tínhamos de ver o que a Globo se prestava a transmitir, ou então colocar um pedaço de Bombril na antena da TV para tentar pegar a TV Bandeirantes ou algum outro canal.

Desde que eu era bem pequena, me lembro de acordar cedinho, ou no meio da madrugada, ou ir dormir super tarde, duas vezes por mês, aos domingos, durante uns seis ou sete anos, para ficar colada na frente da TV, com meu pai.

Eu lembro que ele quase sempre fazia pipoca. Mas pipoca de panela, comme il faut. Tenho quase certeza de que, nessa época (ou durante boa parte dela), não existia pipoca de microondas. Ia falar que a gente sequer tinha um microondas em casa, mas isso é mentira. A gente tinha um Panasonic (ou era Sanyo?) daqueles de rodar o botão para os minutos. Acho que o prato não era giratório.

O piso dos quartos de casa ainda era de carpete. A gente tinha uns edredons fofinhos que eu usava para forrar o chão (carpete é um troço from hell e dá coceira) do quarto de TV para assistir à TV mais comodamente. Nessa época, a gente sequer tinha TV nos quartos lá em casa. Tinha uma TV de umas 16 polegadas que ficava no quarto de TV. E tinha uma outra, preto e branco, na cozinha (para a gente assistir ao JN durante o jantar). Eu só ganharia uma TV para o meu quarto em 1994, acho. Meus pais só teriam uma TV no quarto deles alguns anos depois, no final da década de 90. O som da TV do quarto de TV daquela época provavelmente era mono, mas o "tema da vitória" na época me soava tão bem em mono quanto qualquer coisa digital stereo surround de hoje em dia.

Eu lembro de estar no Pré II e enrolar a língua ao máximo para conseguir pronunciar "Hockenheim" (a primeira palavra alemã que aprendi!). Aprendi que Spa ficava na Bélgica. Meu maior inimigo declarado nessa época se chamava Alain Prost. Foi o primeiro francês que eu odiei de verdade. Uma das coisas que eu mais queria -- e eu só tinha lá meus 5 ou 6 anos -- era conhecer Interlagos. Depois, o que eu passei a querer (mas aí eu já tinha meus 8 ou 10 anos) era aprender a pilotar kart. Não podendo fazer isso, eu me contentava em encher o saco dos meus pais toda vez em que a gente ia a um lugar que tinha uma pista de mini-buggy, para poder pilotar um pouquinho. Se bobear, deve ter tido uma época em que eu era capaz de reconhecer um motor McLaren pelo som.

Uma das primeiras coisas que meu pai me disse quando eu falei que me mudaria para Montreal foi: "Lembra do circuito de Montreal? Na ilha Notre-Dame? É um dos circuitos mais bonitos que tem, na minha opinião." (Meses depois, eu participaria de uma 5K que passava por parte do circuito: uma das coisas mais legais da vida.)

No final dos anos 80, início dos 90, não tinha tamagochi, celular, internet por toda parte. Tinha o circuito de rua de Adelaide, que era o mais legal, porque era justamente a vez em que eu podia ficar acordada até de madrugada. (Aprendi também sobre fusos horários.) O condomínio todo com as luzes apagadas. Você olhava para as outras janelas e via uma luzinha fraca vinda de cada uma: todo mundo só com a TV ligada. Minha mãe às vezes perdia a paciência ou ficava com sono e ia dormir. Mas eu ficava lá, vidrada na TV, com meu pai. E meu pai se empolgava: ele comemorava, xingava (bom carioca xinga sempre!), ficava ansioso com os tempos nos boxes, angustiado com algumas fechadas. Eu nunca dormia: sempre ficava acordada até o final. Eu adorava ver o pódio, as taças, os banhos de champagne.

Os tempos eram outros. Eu sequer torcia para um time de futebol. Não dava bola para a seleção brasileira. Acho que a maioria das crianças pequenas nem ligava tanto para a Copa do Mundo. Acho que eu nem assistia a jogos de futebol -- menos ainda a outros esportes. Como os tempos eram outros e eu era criança, eu não tinha preocupações ecológicas, políticas, sociais envolvendo eventos esportivos. Eu só gostava de poder compartilhar aqueles momentos com meu pai, empolgada, comendo pipoca, e de, depois, poder comentar com meus coleguinhas de escola, perguntar quem viu a largada, a chegada, aquela ultrapassagem incrível, o acidente grave.

Desde 1o. de maio de 1994 eu nunca mais assisti a uma corrida de Fórmula 1.

mercredi 23 avril 2014

Désistement

1. Amizades não correspondidas
2. Insistir em algo em que não se tem habilidade
3. Ouvir, na voz de quem a gente ama, um início de paixão por outra pessoa
4. Passar ridículo
5. Ser chamada de chata
6. Elogios de gente que fala demais
7. O incômodo que a gente pode causar quando insiste
8. Convites de última hora
9. A lista de coisas por fazer
10. Gente que complica

File under: coisas_para_as_quais_aprendi_a_tocar_o_foda-se

jeudi 10 avril 2014

Chiante

Ou: o dia em que eu quase virei um meme.


Porque no meu departamento, na universidade, as coisas nunca funcionam. E eu sempre reclamo. O problema é que as pessoas não entendem que, para que as coisas mudem, a gente tem de fazer alguma coisa.

Bom...

E aí que eu tive a brilhante idéia de ir à reunião do sindicato dos estudantes.

A assembléia atrasou horrores e aquele monte de ~gente de humanas~ super curtindo. Um amontoado de estudantes: a maioria, suponho, a julgar pelas atitudes durante a assembléia, sem nada melhor para fazer da vida. Todo mundo super curtindo fazer a íntima na assembléia e eu...

Aline is not amused

Bem, essa foto foi tirada pelo fotógrafo do sindicato e foi posta no Facebook. Eu obviamente só descobri isso quando, no dia seguinte à assembléia, meus colegas não paravam de falar de uma tal foto -- que depois eu descobri ser minha -- e apontaram o quão representativa ela era de tudo o que eu sentia naquele momento, em relação a estar lá, em relação àquela gente, em relação às propostas em votação...

Os melhores resumos da minha vida provêm justamente do tweet e da foto acima. Meu nome é Aline e eu sou um quase meme. Sem mais.

dimanche 16 mars 2014

Autoportrait sans moi

I. me convidou para ir ao cinema. Depois de comermos no Bombay Mahal Express e pegarmos uma sobremesa no Juliette & Chocolat, fomos ao Excentris assistir a Autoportrait Sans Moi.

O filme é bem interessante, mas um pouco longo, mas fiquei contente de ter ido vê-lo (e de I. ter me convidado; do contrário, eu nem saberia da existência do filme), ainda naquela onda de descobrir o cinema québécois.

Eu raramente tiro lições de vida assim, gratuitamente, das coisas, mas dado que a internet anda cheia de paulocoelhismos e auto-ajudismos pregando esse pseudo-nietzscheanismo de que "o que não mata fortalece", achei o filme um bom reality check.

Porque tem essas épocas da vida em que a gente passa por uma série de momentos horríveis. E todo mundo dizendo esses clichês de que você vai sair mais forte dessa, dar a volta por cima, aprender. Aí, quando você menos espera, a coisa piora, e as pessoas ainda tentando te convencer de que a vida não melhora, mas a gente fica mais preparada. E, quando você passa por tudo isso e não se sente mais preparada, não se sente mais forte, o sentimento de que você falhou se torna ainda maior. As pessoas querem ajudar, mas elas acabam não entendendo como essa positividade poliânica pode ser ainda mais nociva.

A verdade é que, às vezes, a gente leva uns golpes dos quais a gente não se recupera. Ou não facilmente, ao menos. E tudo bem. A gente perde alguma coisa, mas continua vivendo com o que tem. Mas a gente tem de aprender a parar de se enganar e aceitar isso. Aceitar que nem sempre vai ficar tudo bem. A gente vive mais em paz consigo mesma assim. Tem horas em que a gente tem de parar e dar um tempo. Porque a gente está, sim, cansada, esgotada, e tem de tomar um bom fôlego antes de tocar pra frente como pode. E quem diz que essas lutas que a gente trava com monstros gigantescos e invencíveis nos fazem bem não sabe o que fala. A real é que gente só faz perder um pouco do que a gente foi.

"On sort pas plus fort de ça; c'est pas vrai. On sort fatiguée, épuisée; on remonte tranquillement la pente..."

mardi 11 mars 2014

Colombie

Carnet de voyage: Colômbia

Transporte: mais aviões que eu gostaria de ter tomado em toda a minha vida, mas, essencialmente, a viagem foi um misto de vôos e atrasos com a AirCanada, Avianca e Copa + transfers + táxis + chivas + barcos

I. Bogotá

Acomodação: Crowne Plaza Tequendama (*****)

Rangos:
Andrés Carne de Res D.C. (nham-nham-nham-nham)
Club Colombia (nham-nham)
Casa Vieja (nham-nham)
Harry Sasson (nham-nham-nham-nham)

Passeio: Catedral de Sal













II. Cartagena

Acomodação: Capilla del Mar (****)

Rangos:
La Olla Cartagenera (nham-nham-nham)
El Santissimo (nham-nham-nham)

Passeio: Ilhas Rosário/Cocoliso












III. San Andrés

Acomodação: Sol Caribe Campo (****)

Rangos: todos no hotel, que era all inclusive (e a comida era horrível)













Apesar de todas as paisagens lindas, o veredito é que, dessa terra aí, eu não quero nem o pó.

vendredi 28 février 2014

Jamais deux sans trois

Uma coisa que a gente aprende depois de 6 anos de Goethe-Institut, 13 anos de filosofia e amor por Michael Ende é que a sabedoria alemã é inestimável.

Nada resume melhor a semana (a vida?) que esse provérbio:

Der Teufel scheisst auf den grössten Haufen.

Bom Carnaval para quem está na Terra do Pecado!


Para ouvir:

...and I'll keep it like a burning longing from a distance...

lundi 24 février 2014

Paradoxal système

Momentos em que a vida da gente muda. Para mim, foram vários: mudar de escola na infância, viajar sozinha pela primeira vez, entrar na faculdade, mudar pra NY, ler Kripke, mudar pra Montreal e... comprar um computador com Windows 8.

O Windows 8 é uma sistema operacional tão ofensivamente ruim que me pôs determinada a virar usuária de Linux. Só que: e medo? Como faz? Por onde começo?

Felizmente, tenho um amigo que me deu várias dicas. De início, eu sequer entendia as palavras que ele usava nos e-mails, mas Santo Google me ajudou a decifrar e eu fui me preparando. Para completar, porque, às vezes, minha vida consegue ser um incrível embolado de coinciências, a cooperativa do meu bairro estava oferecendo um ateliê gratuito de Linux, com uns voluntários que iam nos ajudar a instalá-lo no computador, rodar etc. Óbvio que a empolgada foi.

Só que, como não tinha ainda meu computador naquele dia, trouxe o DVD do live disk pra casa, para instalar o Mint 16 (MATE) sozinha.

E começou a aventura!

Primeiro passo: fazer um disco de recuperação do meu sistema operacional original (essa bosta de Windows 8), só por segurança. Comprei um pen drive de 32GB pra isso. E cadê a opção de fazer o disco de recuperação em um pen drive? É claro que não tinha. A opção de fazer com 5 DVDs? É claro que tinha. E é claro que eu recusei (apaputaqueopariu). E porque tem esse monte de gente cheia de amor na minha vida, recebi um link mágico no meu e-mail, de um programa que eu teria de baixar para fazer o disco de recuperação USB. Só que é lógico que, para baixar esse programa, eu antes tive que baixar um outro etc. Amo vocês, ASUS. Valeu por simplificar minha vida. Põe aí mais uma hora e o disco de recuperação ficou pronto. Bora eliminar o Windows 8 da minha vida.

Segundo passo: fazer meu computador re-bootear a partir do live disk. Seria ótimo se o Windows 8 desse essa opção. Mas ele foi feito para foder o usuário. O problema principal é que mudar as configurações da BiOS (para fazer o computador iniciar a partir do DVD e não do OS) é a coisa mais contra-intuitiva. Não tinha a menor idéia de como começar a fazer isso. Com um outro computador (rodando Windows 7) ao lado, fui tentar descobrir como acessar a BiOS. Tem alguns tutoriais do YouTube que são cheios de amor, também. Esse aqui foi um deles. BiOS devidamente ajustada.

Terceiro passo: ligar o computador rodando o live disk do Mint 16, em vez do Windows 8. Demorou um pouquinho (live disk sempre é mais lento que OS instalado), mas foi. Testei algumas configurações de base (conexão internet sem fio, vídeo e som, principalmente), só para me certificar de que eu não teria problemas depois da instalação.

rodando do live disk

Quarto passo: preparação da instalação do Mint 16. Aí, a coisa encrespou um pouco. Porque ele deveria reconhecer que eu já tinha um OS (Win8) instalado e me oferecer as opções de deletá-lo e instalar o Mint "por cima" ou de deixar o Win8 lá, quietinho, e instalar o Linux paralelamente. Só que ele não reconheceu que eu já tinha um OS, e só me deu a opção de eliminar qualquer coisa que estivesse no caminho e instalar o Linux ou fazer a instalação customizada. Fiquei com medo de escolher a primeira opção, e escolhi customizar. Só que, aí, me deu mais medo ainda: abriu um menu onde eu poderia escolher como eu queria compartimentar meu HD e onde e como queria que o Mint fosse instalado. Não tinha a menor idéia de por onde começar a entender isso. Voltei e toquei o foda-se completo para o Win8. (Na verdade, acho que, porque tenho um Ultrabook, o Win8 fica guardado em um outro HD, e por isso o Linux não reconheceu o OS -- mas isso é só suposição, talvez eu tenha fodido tudo). Confesso que essa parte me exigiu um controle de ansiedade e um desapego excepcionais, mas, quando comparados ao stress de ter de usar o Win8, vi que era um bom acordo. E a mágica começou!



Quinto passo: a instalação em si. A primeira tela que abriu me pedia para escolher o idioma; depois, a cidade. Ele me deu Toronto. Eu troquei pra Montreal e mandei bala. Só que eu acho que o Mint é anti-Quebec ou algo assim, porque aí, a instalação parou. Sem saber muito o que fazer, desliguei o computador e comecei de novo (comecei rodando o live disk etc.). Os mesmo passos anteriores, mas, dessa vez, deixei Toronto como cidade de base. Em coisa de alguns minutinhos (depois de algumas outras escolhas simples), a instalação terminou, eu tirei o DVD de instalação e reiniciei o computador. Perfeito! Tudo funcionando direitinho.

...um pouquinho de medo e ansiedade e...

...alívio!

Sexto passo: instalação de software. Tinha ficado com um pouco de medo dessa parte, mas foi mais fácil que imaginei. Como já tinha pesquisado se os programas que eu queria usar eram compatíveis com Linux, já sabia exatamente aonde ir. A única dificuldade foi escolher a versão que eu preferia instalar de cada programa (Ubuntu? Debian? Fui no chute...). Com o Chrome, um "pacote office" e Skype devidamente instalados, já pude começar a usar o computador como eu queria bem rapidamente.

Sétimo passo: ajustes. É claro que eu precisei alterar algumas preferências do OS. A mais importante, para mim: o idioma do teclado. Ele vem configurado para inglês e eu queria acrescentar português, pra não ficar sem acentos e outras marcas. Quis também ajustar algumas configurações do touchpad. Tudo isso foi bastante simples e intuitivo e, a melhor notícia: consegui deixar tudo como EU queria, não como os caras que desenvolveram o OS acham que é "otimizado para o usuário".

Como fazer o Windows 8 funcionar a seu favor:

Não o use. Substitua por Windows 7 e/ou Linux

Veredito: sou uma usuária iniciante feliz de Linux. É claro que ainda não sei mexer em tudo e ainda tenho um pouco de medo em fazer alguns testes, mas, por enquanto, sucesso absoluto. Os passos aí acima parecem longos, mas tudo foi feito em uma questão de umas duas horas e meia (incluindo o backup do Win8, que foi a parte mais longa -- demorou mais de UMA hora -- e a instalação dos software). Qualquer pessoa que já teve de re-instalar o Windows e todos os componentes básicos para trabalho (MS Office et al.) sabe que, em uma plataforma Microsoft, esse tipo de instalação é um projeto hercúleo de dias (meio dia, se você tiver sorte). E, se eu bem me lembro, dá um pavor desesperador. No final das contas, o Linux me deu sensação de mais controle, liberdade, confiança (eu não sei se eu toparia instalar um Windows sozinha, com meus conhecimentos limitados de informática), menos ansiedade e, o que é mais importante, eu tenho um sistema operacional que funciona a meu favor, diferentemente do Win8, que é tipo aquele tio mala que a gente é obrigado a suportar no Natal porque "família não se escolhe, tolera-se".

lundi 17 février 2014

Menthe

No inverno, qualquer desculpa que eu possa vir a ter para sair de casa, é o pretexto para uma grande aventura. Mas aí, é claro que eu me faço o favor de foder o ligamento do joelho e ter de ficar de cama naquele esquema gelo-perna-pra-cima-e-imobilizada-antiinflamatório-etc.

E era justamente hoje que tinha o workshop do Linux, a que eu tanto queria ir. Por sorte, como era aqui do ladinho de casa, consegui ir me arrastando (ponto-e-vírgula, ponto-e-vírgula...). Chegando lá, como eu esperava, vários caras (só homens) com seus computadores que aparentavam ser laptops da década de 90, mas que funcionavam bem mais rápido que o meu de 4 anos atrás.

Eu cheguei lá sem computador, porque essa coisa de conseguir comprar um computador já virou uma novela na minha vida, mas queria me informar direitinho sobre o Linux, pra saber se eu estava pronta para me converter. Como não tinha mais ninguém lá, todo os 6 caras se encarregaram de me mostrar todas as mágicas do Linux. Eu testei várias versões diferentes: KDE, Ubuntu (Kubuntu? Lubuntu?), Gnome 3, Xfce etc.

No final das contas, fui mais com a cara do Mint16 MATE. Um dos caras, que estava guiando meu tour pelo Linux, foi bastante solícito (todos eles foram, acho que, em parte, porque eu era a única mulher e todos estavam meio que querendo me impressionar com suas preferências linuxianas, blablá) e gravou o live disk dele num DVD pra mim, para eu depois poder instalar sozinha em casa (haha, instalar sozinha! Até parece! Vou morrer de medo!).

O engraçado é que foi tudo tão estereotípico nesse ateliê, que parecia pegadinha. Durante um bom tempo, só tinha eu lá, e cada um dos caras queria me convencer a usar a versão do Linux que ele usava. Foi uma competiçãozinha que durou uma meia hora. Depois, chegou mais uma pessoa querendo instalar o Linux. Um homem, claaaro (ronc). Só que esse cara que chegou mudou todo o tom da coisa de simulacro de Big Bang Theory para Arquivo X: ele começou a falar de várias teorias da conspiração envolvendo a morte do JFK, da Marilyn Monroe etc. etc. e de outros esquemas do governo. Ainda bem que eu não fui a única a ficar com um pouco de medo daquele papo. Só que, depois, a conversa desvirtuou para táticas de comunicação criptografada. Eu sei que, em tempos de Snowden, essas coisas estão longe de ser piada, mas me fizeram pensar, assim mesmo, nos 3 amigos do Mulder.

Resumo da ópera: se eu, finalmente, conseguir comprar um computador novo, acho que estou pronta para usar esse Mint16, sim. Só vou precisar de um guia espiritual para isso, já que mexer em OS está, possivelmente, no Top 5 da lista de coisas que me causam ansiedade extrema. Mas acho que, entre esse ateliê, a ajuda transatlântica virtual e o auxílio geek que eu posso ter na UQAM, tenho um ambiente bem seguro para a transição. Agora vai!

dimanche 16 février 2014

Patineuse

E tem aquele dia em que um amigo de um quase-ex-amigo-barra-amigo-de-um-amigo [redacted: it's just fucking weird] manda uma mensagem convidando geral para patinar no gelo. Você adora patinar no gelo e responde logo que vai; óbvio. As outras pessoas demoram dias a responder e declinam o convite por motivos de: bunda molice.

Parabéns! Você acabou de aceitar o compromisso de passar a tarde patinando no gelo com alguém que mal conhece (bom sábado para o pessoal aí de casa!). E você sofre de desconforto social mórbido. Piora? É c-l-a-ro que piora. Porque você obviamente também não sabe patinar no gelo. GREAT.

Por sorte, não é estranho. Depois de café-e-chá, Pulp, Pavement e fofocas sobre a vida alheia, ao laguinho congelado!

Já falei que eu não sei patinar no gelo? É. Então.

O dito amigo de um quase-ex-amigo-barra-amigo-de-um-amigo dessas pessoas que eu conheço patina SUPER bem. E eu lá, a menos dois por hora, com todos os meus movimentos graciosos de boa pseudo-filósofa descoordenada que sou. Acho que eu patino no gelo, sei lá, uma vez por ano, se isso. Basicamente, porque não tenho companhia e porque eu tenho essa coisa que é meio T.O.C. limítrofe e eu bloqueio (= tenho pensamentos obsessivos) nisso aqui de um jeito absurdamente paralisante.

Mas lá fui eu, fazer cosplay de atleta olímpica (aproveitando essa vibe Sochi, e esse pessoal no ~Brazyl~ achando ~lyndo~ essa coisa de esporte com gelo e neve) e praticar meu signature move: hipopótamo sobre o gelo. Sim, era exatamente essa imagem mental aí que eu queria que vocês tivessem. Grata.

Na uma hora de patinação-barra-soulsearching que foi essa aventura, eu consegui confirmar uma hipótese: eu sou incapaz de multi-task: ou bem eu patino, ou bem eu converso. Na hora em que eu tentei fazer os dois, caí. Mas caí não daquele jeito engraçado, Charlie Brown, como da outra vez que eu relatei. Dessa vez eu caí mais à la Anderson Silva versus Chris Weidman: foi feio. Deve ter doído até em quem assistiu à cena. Todo o peso do meu corpo em cima da parte interna do meu joelho esquerdo (ah, se eu tivesse dado ouvidos ao curandeiro sufi!).

Outra hipótese que eu confirmei: eu sou completamente altiva no que diz respeito aos sinais de dor do meu corpo (vide: 2009, quando fui fazer ioga pra melhorar uma dor horrível nas costas quando, na verdade, estava com uma infecção renal...). Levantei (não sem precisar de ajuda) e continuei patinando por mais uma boa meia hora.

Ainda fui caminhando até a casa de um amigo, para, de lá irmos a um café etc. Foi só ao anoitecer que eu percebi que meu joelho não dobrava mais. E dá-lhe arrastar a perna, gelo e Voltaren!

Por sorte coincidência hipocondria, ainda tinha aqui uns antiinflamatórios da época em que minha dor no pescoço/nas costas/no ombro quase me aleijou. Eles não me ajudaram na época em que minhas vértebras cervicais se esmagaram e pinçaram um nervo, mas, agora que o problema era um rompimento (? ou quase?) do ligamento, o naproxen fez milagres! Consegui dobrar o joelho a quase trinta graus (!) e consegui até me arrastar até a farmácia para comprar antiinflamatórios tópicos e uma espécie de tala para o joelho. Os 800 metros que separam minha casa da farmácia (800 metros e uns 10 gloriosos degraus cobertos de neve e gelo) precisaram de 25 minutos para serem percorridos no meu ritmo de ponto-e-vírgula. Acho que nunca dei tanto valor a rampas na minha vida!

Mas a verdade é que eu gosto muito de patinar no gelo, e gostaria muito de ser mais hábil (no geral e no específico), então, se eu me recuperar dessa, ainda é bem capaz de eu foder meu joelho novamente em breve, por teimosia mesmo.

Tem gente me chamado de "trooper" por conta desse meu pique todo. Como eu bem respondi, "trooper, reckless, foolhardy: same difference."

Para ouvir:

one tryst with me and you'll be spinning like a gyroscope


Filed under: prowesslessness

vendredi 14 février 2014

C'est compliqué

No dia de hoje:





Bottomline:

Para ouvir, é claro:


you just get out what they put in and they never put in enough


File under: a_bottle_of_gin_is_NOT_like_love

dimanche 9 février 2014

L'orange

Porque não basta eu ter 2 ou 3 secadores de cabelo, chapinhas e ferros de passar roupa; precisava também de mais aspiradores de pó. Porque, sim, dinheiro dá em árvore na América do Norte eu sou uma pessoa cheia de manias. E também porque aqui em casa tem dois aspiradores de pó ruins e trambolhosos que me irritam profundamente. Tem um aspirador Shark pequeno (pequeno em potência, porque ele ocupa o espaço de um pequeno hipopótamo) que é uma vergonha. Aí, tem um Panasonic que consegue ser mais trambolho (possivelmente do tamanho de um hipopótamo adulto), faz um barulho dos infernos e -- glória, glória, aleluia! -- faz um incrível trabalho de espalhar toda a sujeira e poeira da casa, em vez de sugá-la. Deixa a gente surda, com dor nos braços e nas costas e vivendo numa imundície só.

Mas tem o porém: o porém é que os dois aspiradores são, segundo algum senso estético depravado, "bonitos". Bonito definitivamente não é um adjetivo que eu quero que determine a escolha do meu aspirador de pó.

E foi justamente por isso que, hoje, eu atravessei a cidade para comprar uma porra de um aspirador de pó la-ran-ja. A pessoa que teve essa idéia não devia estar bem no dia. Imagino que tenham feito o design e que, na hora de mandarem pra produção, faltou especificar a cor. Aí, o cara só queria bater o ponto e ir para casa, sem ter o pessoal do escritório aporrinhando com esses detalhes. "Mas, e aí, chefe? A gente manda rodar a bagaça com qual cor?" E aí o cara lembra que fez um estudo de mercado e tal, mas não tem a menor idéia de onde colocou o relatório, e só quer ir pra casa tomar uma cerveja. "Laranja! O pessoal tinha preferido o laranja; faz isso!" E completa mentalmente com um "e foda-se".

E foi assim que eu gastei meu rico dinheiro em um aspirador de pó muito mais portátil e leve que os outros dois que tenho, extremamente silencioso (hosana! hosana!), que aspira a sujeira e é... laranja.

Parabéns à Electrolux e a todos os envolvidos.

dimanche 26 janvier 2014

En mode

Hoje, minha prima postou, no FB (enfim, dessas coisas sobre as quais a gente não tem controle etc.), uma foto nossa de mil novecentos e guaraná Taí. Devia ser a festinha de aniversário de 3 ou 4 anos dela, o que significa que eu devia ter uns 7 ou 8 à época. Isso foi no Rio de Janeiro, no mês de março. Ou seja: calor. Mesmo assim, as crianças todas razoavelmente arrumadinhas, porque era uma festinha.

Na foto, dois meninos, que aparentam ter minha idade, estão de camisa, bermuda e tênis. Minha prima e as outras três meninas (todas com idade relativamente próxima à minha), como "deve ser", de vestido (ou saia e blusa), combinando com sandália ou o combo meia-calça+sapato.

No meio da foto, estou eu: de camiseta listrada de marinheiro (azul marinho e branca), provavelmente bermuda (na foto não dá pra ver, mas eu detestava saia), e tênis.

TODAS as meninas na foto estão de sandalinha ou sapatinho branco. ~Princesinhas~. Eu, de converse azul marinho. E meias brancas até o tornozelo.

Isso foi há mais de 20 anos. Não sei se minha 8-year-old self teria orgulho da minha 30-year-old self, mas minha 30-year-old self definitivamente aprova as escolhas estilísticas da minha 8-year-old self, a ponto de continuar se baseando nelas até hoje.

c. 1990 vs. 2013

Quem sabe Heráclito tivesse alguma coisa a dizer sobre isso... Não sei bem o quê.


filed under: tomboy_4_ever


[E, não: eu não era iconoclasta desde criancinha. Não era cross-dresser, ainda não desafiava (tanto) autoridades, nem nada. Tinha montes de coisas cor-de-rosa, bonecas Barbie etc. Mas eu tinha, de fato, fixação com estampas de marinheiro. E repulsa a saias. E a secador de cabelo. E amava o visual dos tênis converse, embora odiasse andar com eles. Algumas coisas mudaram. Algumas. A maioria continua igual.]

samedi 18 janvier 2014

Du lait

Eu não estava muito animada a ir ao show, não. Fiquei enrolando para comprar os ingressos, em parte porque não queria ir sozinha. Até que consegui cooptar PB a ir comigo. Mas ainda fiquei enrolando para ir comprar os ingressos. No dia 6 de dezembro, respirei fundo e passei no Olympia (que fica a menos de 600 metros da minha casa!) pra resolver isso. Quando pedi os ingressos, o cara do caixa me falou que só restavam 3, e que eles estavam tentando negociar mais com o empresário da banda, mas não estava nada certo.

Toda contente, comprei 2 dos últimos 3 ingressos, mandei uma mensagem de confirmação para PB e fiquei aguardando o dia 18 de janeiro.

Chegando ao Olympia (frio!), tinha fila pra entrar, fila pra chapelaria... Lá dentro, tinha bastante gente, mas estava bem suportável. Assistimos ao show da banda de abertura (Elf Power), que foi sensacional, bem tranquilos. Depois, encheu um pouco mais, mas estávamos em um lugar bom, de onde eu conseguia ver bem o placo, e com um espaço razoável ao meu redor.

E eis que o Jeff Mangum entra no palco, sozinho, só com o violão, e... começou:

catching signals that sound in the dark

E aí eu entendi que esse ia ser um dos melhores shows da vida. Obviamente, depois do Mangum, o resto da banda entrou. E por aí foi. Tocaram o In the Aeroplane Over the Sea quase inteiro. E mais. O show durou pouco menos de uma hora e meia, o que desapontou algumas pessoas, mas que foi ideal para mim. Já não tenho saúde para ficar horas em pé assim.

Estranhamente, PB apontou que, ao nosso lado o tempo todo, assitindo animadamente ao show estava um renomado eticista, professor da McGill. Tudo bem exótico.

No final das contas, minha percepção mudou bastante depois desse show: eu já gostava bem de Neutral Milk Hotel, mas nunca fui fanática-louca. Até eu assitir à banda ao vivo.

A insistência alheia para que eu comprasse o ingresso e para que eu fosse ao show compensou. Mesmo que eu tivesse ido sozinha, teria sido excelente. Tenho que marcar isso como nota mental permanente: já fui a tantos shows sozinha na vida e me diverti. Ainda não é hora de parar.

mercredi 8 janvier 2014

Nouveaux Horizons

Carnet de voyage: Belo Horizonte

Acomodação: bedroom surfin' in style
Transporte: Vôo (CGH - CNF) + Conexão Aeroporto + táxi (eu geralmente tomo só táxi, mas Confins fica longe pracaralho e dinheiro não dá em árvore)

Rangos & Drinks:
Bar do Doca (nham-nham)
Patorroco (nham-nham-nham)
Wäls Tasting Room (Ótima cerveja! Das melhores da vida)
Casa Cheia (nham-nham-nham)
Sushi Naka (nham)
Trindade (nham-nham-nham... com exceção dos drinks)
Néctar da Serra (M-E-L-H-O-R suco da vida)
Dona Diva (M-E-L-H-O-R pão de queijo do mundo)
Sabores & Idéias (nham-nham-nham)
Restaurante Oiticica (Inhotim) (meh)
MeetMe at the Yard (drinks farsa: lugar simpático, mas coquetéis bem marromêno)
Belo Comidaria (nham-nham)

Conclusão: Considerando que praticamente toda a comida da cidade é deliciosa (e tem torresmo, muito torresmo!, por toda parte), morre-se melhor de doença coronária em BH que na Toscana.