samedi 31 août 2013

Cochonaille

Vaga de última hora para ir comer na Cabane do Au Pied de Cochon. Quem recusa?

Carro alugado de véspera (na casa do cacete, lá no metrô Honoré-Beaugrand) pra percorrer os 50Km (chute da distância, não tenho a menor idéia da distância real) para ir até lá.  Reservei um carro pequeno. Chegando à locadora, me deram um sub-caminhão. Ia ser bom para pegar a estrada de terra no sábado. Mas e para estacionar na cidade, #comofas?



Já que tem carro, pode ter comida indiana dos suburbs de Montréal (a única comida indiana aceitável por aqui). A aventura gorda (de véspera) da vez foi no Bombay Choupati. Melhor até que o Chef Akbar, que mora no meu coração.

Mas, sim: sábado no "brunch" teve Au Pied de Cochon em versão no meio do mato. O que teve foi o de sempre: montes de porco, creme, foie gras etc.















A vantagem de não ir a esses lugares em um grupo de 5 pessoas esfomeadas (como das 2 vezes anteriores) é poder controlar melhor a quantidade de comida ingerida, para não sair de lá a ponto de vomitar. Dito isso, é verdade que saí de lá bem cheia assim mesmo. E com comida de sobra para me alimentar por mais uns 2 dias.

jeudi 29 août 2013

Française?

No parque das quedas de Montmorency, na cidade de Québec. Vou ao guichê de atendimento ao turista, pedir para me chamarem um táxi.

Nessa hora, vale lembrar que, na Europa, todos os francófonos (franceses, belgas, suíços), depois de uma frase, "descobriam" que eu sou (sic) québecoise. (Mal sabiam eles...). E aqui no Canadá? Qual é a reação padrão das pessoas quando eu abro a boca?

- Est-ce que vous pouvez, s'il vous plaît, me donner le numéro pour que je puisse appeler un taxi?
- Mais vous n'êtes pas d'ici, eh? Vous êtes en vacances?
- Beh, pas exactement... moi, j'habite à Montréal.
- Mais vous êtes française, euhn?
Mmrphgh. Não. Não sou francesa. Mas cansei de explicar que sou brasileira e que, misteriosamente, eu falo um francês compreensivel - e com sotaque francês! - tendo morado tão pouco tempo no Québec etc. (daí para comentários racistas é um pulo; acreditem!). Agora, a estratégia é nod & smile, porque isso já está ficando bem chato...

lundi 26 août 2013

À toute vitesse

Uma Lamborghini tunada para corridas (que deve chegar a uns 320 Km/h). Um piloto profissional da Nascar Canada. Eu no banco do passageiro. Se eu tivesse lá meus vinte-e-poucos anos e se essa fosse a época em que eu tinha meu Opala 1980, eu estaria no paraíso.

Aos 30 anos, pedestre convicta e ciclista desastrada com problemas no labirinto, a voltinha no circuito ainda foi bem mais legal que montanha-russa, mas me deu uma dor de cabeça e enjôos que duraram o resto do dia.

Dessas coisas que a gente faz e, depois, fica difícil decidir se valeu a pena. Dessas coisas que faz a gente ver que ter duas ou três décadas de vida faz uma diferença enorme. Portanto, ainda bem que eu passei meus vinte-e-poucos dirigindo um Opala 1980, que não era uma Lamborghini de corrida, mas que me acelerou direitinho até os 30.

E, para todas as outras décadas, existe Dramin.


samedi 24 août 2013

La comédie des erreurs

E tem aquele livro chamado "A Comédia dos Erros" (The Comedy of Errors, do Bardo, seus burrão!). E tem a minha vida. E tem os 90% dos momentos em que as duas coisas coincidem (mentira; porque quem leu o livro vai ver que não coincide em nada e que eu inventei tudo).

Fui almoçar no Nudo, depois de conferir o horário de funcionamento. Cheguei lá e, porque é Montreal, dei com a porta na cara. Tive de track-back para o Propulsion, restaurante vegano novo do meu bairro. Dois jantares veganos em uma semana. A fofurinha cor-de-rosa-não-vegetariana que eu arrastei para a sessão de cinema vegana do outro dia e para esse almoço devia estar me adorando. Achei a comida bem decente, apesar de a fofurinha-cor-de-rosa, com falta de B12 na corrente sangüínea por minha causa, ter achado o pessoal lá bem ~hippey~.

De lá, fomos aproveitar o dia (raro) de sol em Griffintown. E a Fonderie Darling é um dos meus lugares favoritos na cidade (a Fonderie Darling está para meu coraçãozinho montrealense assim como a Pinacoteca está para o meu coraçãozinho paulistano). E eis que, lá, teve o encontro impromptu mais inesperado da vida.






Continuamos com uma volta em diração ao Vieux-Port, onde tinha uma anacrônica ~feira medieval do século XVIII~ (sic; não me perguntem...), onde, graças a Zeus, tinha umas comidinhas do século XXI (sic): queijos de ovelha e cidra!

Ainda consegui uma foto bem decente da faixa de pedestres em frente à exposição sobre os Beatles em Pointe-à-Callière:




Decisão executiva de última hora para o jantar: ir para o oeste da cidade - aquela zona de barbárie anglófona, também conhecida como "Westmount" - para um jantar coreano gordíssimo e quentíssimo em um calor de 28 graus.

Para um dia que começou como começou e tendo eu quase nada planejado, não foi nada mal.

"Every why hath a wherefore."

vendredi 23 août 2013

La onzième heure

Tem um lugar ermo (bem, bem ermo - há vários ônibus de distância daqui do centro) de Montreal onde não há pessoas, mas há placas assim. :)


mardi 20 août 2013

Esprit d'escalier

Tem gente que me diz que, em todo lugar a que eu vou, eu consigo me infiltrar no grupo mais ~alterninha-barra-esquisito-barra-improvável~. Eu duvidava um pouco dessa tese. Até que.

Até que chegou hoje, e eu fui assistir a uma projeção do "Encouraçado Potemkin" (do Eisenstein), projetado em um lençol num beco do bairro bohème-bourgeois de Montreal, com a trilha sonora composta e tocada pelo pai jazzista do anfitrião (meu amigo, quem me convidou) depois de um churrasco vegano (porque a anfitriã é escritora e militante vegana), com cerveja local barata. E algumas pessoas do lugar me conheciam (da web, sem nunca terem me visto pessoalmente) porque eu sou algum tipo de sub-celebridade do mundo virtual das pessoas engajadas nas causas ambientais.

Aí, confesso que até eu tive de dar o braço a torcer. Ganhei mais pontos baixo-Augusta que o cara que é ~rei~ no Foursquare de algum lugar descolex do centrão de SP.

Podem falar o que quiserem, mas a lua estava linda. E o okonomiyaki que comi depois, no Big in Japan (porque, vejam: churrasco vegano!!), estava de morrer de bom.

Filed under: i_INVENTED_hispterdom

mercredi 14 août 2013

Atomisme



Last night I had a dream we were inseparably entwined 
Like a piece of rope made out of two pieces of vine 
Held together, holding each other with no one else in mind 
Like 2 atoms in a molecule inseparably combined  
But then I woke from the dream to realise I was alone 
A tragic event I must admit but let's not be overblown 
I'm not trying to write a love song just a sad, pathetic moan 
Maybe I just need a change, maybe I just need a new cologne 
So now I look at love like being stabbed in the heart 
You torture each other from day to day and then one day you part 
Most of the time it's misery but there's some joy at the start 
Oh for that I'd say it's worth it, just use a blade that's short and sharp on me 
I mean if love is just a game then how come it's no fun 
If love is just a game how come I've never won 
I guess maybe it's possible I might be playing it wrong 
And that's why every time I roll the dice I always come undone

dimanche 11 août 2013

Yellow cab, gypsy cab, dollar cab, holla back

Recebi alforria de Princeton sábado de manhã cedo. Os coleguinhas queriam que eu ficasse para o café da manhã, mas eu sabia que era uma cilada, Bino!, e fui pegar o Dinky o mais rápido que pude.

kthanksbye

Cheguei à Penn Station por volta do meio dia. Táxi para começar o dia como NYC deve ser.

Da casa da Jime, que fica ali naquela área que é difícil saber se é Gramercy, Stuy-town, Alphabet City ou o quê, partimos para as aventuras do dia:



Brunch no Exchange Alley, onde comemos toda a comida cajun que estava disponível no menu, destancando bolinhos de jambalaya, praline de bacon e po' boy de batatas fritas para alimentar a obesa que vive encarcerada no meu corpo.

Casamento perto de Lake Success. Gs&Ts, Negronis, rangos, trem. Pegar um trem de volta à Penn Station depois de mais de 4 drinks grandes é algo que eu só desejo para meus piores inimigos. Me senti numa versão adulta de Nick & Norah's Infinite Playlist.


copo, eu, Jime

Sono. Teto rodando. Água. Muita água.

Cura para ressaca é não parar de beber.

Brunch de domingo no L'Express. Ah, sim. E tem essa coisa de eles não servirem álcool antes do meio-dia aos domingos no estado de NY. Isso me faz lembrar de como a Outra América não sabe ser civilizada. Chá prato, então. English Breakfast, de saquinho. Mas são os Novos Bárbaros, mesmo!

Voltinha pelo Gramercy Park e pelo Flatiron District. Algumas de minha lojas favoritas. Coisas bonitas e extremamente caras. Passo.

Rooftop party. Jime e seu respectivo são ótimos anfitriões.




E, como tudo o que é bom e etílico dura - e deve durar - pouco: táxi, LaGuardia, American Airlines.

vendredi 9 août 2013

Cauchemar en beige

Princeton, dia 6

Em que eu volto a acordar cedíssimo, com o barulho do chuveiro do filhodeumaputaqueacordaàs6h15damanhã.

Em que, às 7h50 (meu deus!, quem são essas pessoas??), acordo com o barulho de um monte de mensagem chegando. Aí, como já estava dormindo mal mesmo, desisti e decidi acordar. Respondi às mensagens que precisavam de resposta, e comecei meu dia.

Em que as discussões são, finalmente, muito interessantes e eu fico bastante satisfeita com o rumo das conversas.

Em que o meu almoço foi, finalmente (e aleluia, irmãos!), a última refeição que eu tive de fazer no bandejão "50 Tons de Bege".

Em que, à tarde, eu fiquei completamente exausta, apesar da discussão estimulante.

Em que, mesmo exausta, eu precisei correr para o centrinho e resolver fazer umas compras de emergência.

Em que tivemos o jantar de encerramento, no Campus Club, que foi um BBQ no maior estilo americano. Um salão de jantar com um bufê de hambúrguer e cachorro-quente. A comida estava bem triste, mas ao menos não era inteira bege.

Em que ainda é bastante estranho ter de socializar com essas pessoas.

Em que fomos ver a casa em que o Maritain morou. A suposta casa em que o Maritain morou. Achamos uma casa, mas desconfio que o Maritain jamais tenha morado lá.

Em que eu até fui até o pub com as pessoas, mas fiquei procurando todas as desculpas para sair de lá à francesa. Não deu. Me despedi formalmente das pessoas, mas fiquei feliz que o cabeça do workshop não estava lá, e não tive que me despedir formalmente dele.

Em que felicidade de pobre dura pouco: mal eu tinha começado a comemorar que já tinha conseguido me livrar de todo mundo quando... dou de cara com o cabeça do workshop, relaxando na ante-sala do corredor que dá acesso ao meu quarto. E eis que eu, do alto da minha falta de aptidão social, tenho de fazer a íntima, agradecer, me despedir etc. dele e da esposa dele. Consegui, por sorte (ou falta de, no caso), fazer o que todo mundo queria muito e não conseguiu: ter um (quase) alone time com o cara e me despedir dele, com a quantidade certa de sicofantismo.

Em que, já no meu quarto, eu respiro aliviada, esperando ir dormir e acordar amanhã em um mundo em que nem todo mundo é católico e tomista.

jeudi 8 août 2013

Donc tu parles français?

Princeton, dia 5

Em que eu durmo muito menos que o necessário. Em qualidade e quantidade.

Mas em que, pela primeira vez na semana, eu não sou acordada, às 6h15, com apito no ouvido.

Em que eu continuo sem respostas às minhas perguntas.

Em que eu fico super feliz porque tem tofu no almoço (em tempos de crise, a gente aprende a se contentar com absurdos).

Em que, com apenas 50 obamas, eu renovo a seção "Nova Inglaterra" do meu guarda-roupa, no brechó mais legal ao sul de Cape Cod.

Em que, cansada de comer uma comida que parecia um tipo doentio de fanfic ao qual eu atribuiria o nome de "50 Tons de Bege" (macarrão, batata-frita, batata amassada, pão, cereal etc.), eu decidi jantar fora do campus.

Em que eu volto ao mesmo restaurante japonês ao qual eu tinha ido no domingo à noite. De quebra, ainda descubro um chá gelado (não-adoçado) de lata super bom. Tinha em versão chá verde ou oolong. Provei o oolong.

Em que escolhi sentar ao balcão, porque é isso que pessoas que comem sozinhas fazem para não se sentirem tão mal.

Em que um moço, também sozinho e sentando ao balcão, puxa papo (e eu sou filha do meu pai, afinal - sempre arrumo um papo com alguém). Em que ele me pergunta de onde eu sou.
- I live in Canada.- So you speak French?(Moço, hoje é seu dia de sorte, mas sua inferência está tão errada que eu nem saberia por onde começar!)
- Erm... yeah... As a matter of fact, I do.- Behn, comme moi, alors!
Sim. Em que eu consigo encontrar (e, incidentalmente, meio que janto com) o único francês de Princeton. Foi bom para eu ter alguma companhia e evitar que eu atacasse a comida feito um aspirador de pó (lembrem: quase uma semana de comida bege!).

Em que eu ainda levei a gula a cabo (quase UMA SEMANA de comida BEGE!) e voltei à sorveteria de ontem. Dessa vez, provei sorbet de framboesa com tomilho e sorvete de milho com old bay spice.

Em que, ao voltar para o meu quarto, vi, na minha caixa de entrada do FB uma das mensagens mais engraçadas da vida, envolvendo quantidades absurdas de álcool, a Finlândia e uma porção de xingamentos improváveis.

Em que minha mãe meio que tirou um sarro de mim por eu ter me enfiado nessa enrascada conservadora. Mas depois também ficou um pouco preocupada. Ela sabe que minhas chances de sair viva daqui são bem pequenas. Especialmente se eu resolver abrir a boca. Coisa que já andei fazendo.

Em que, para completar meu dia enormemente melhor que o de ontem (apesar de tudo), ainda teve montes de bombom de caramelo.

Em que eu confirmo que não há nada melhor para resolver meus pseudo-problemas que: alguma comida decente, 600mg de ibuprofeno e um monte de docinho.

mercredi 7 août 2013

Songs of freedom

Princeton, dia 4

Em que eu durmo mal. Muito mal. E o barulho ensurdecedor do encanamento (e meu maldito vizinho de quarto que toma banho, rigorosamente, às 6h15 todos os dias) está me enlouquecendo. Pense naquelas chaleiras que apitam. Pense naquele barulho rolando por dez minutos inteiros nos seus ouvidos. Às 6h15 da manhã. Exato.

Em que eu começo uma diatribe anti-direita. E só depois lembro que estou num grupo de conservadores. Quando caí em mim, vi que todas as pessoas a minha volta estavam mudas. Pálidas. Acho que um até engoliu a própria língua.

Em que eu perco a paciência no workshop da manhã, porque é o que eu faço.

Em que, pela primeira vez desde que cheguei aqui, eu como uma comida quente no almoço (e não só salada e sanduíche de pão de forma integral com cheese product, tomate e alface).

Em que o jantar continua sendo horrível.

Em que teve uma excursão para a sorveteria que é considerada a melhor da cidade (The Bent Spoon). Foi descrita como "people blog about this place". Adoro provincianismo norte-americano.

Em que eu tomo sorvete de chocolate branco com sálvia. E de manjericão doce.

Em que descubro que o "melhor sorvete de New Jersey" é justamente o que eu esperava do melhor sorvete de New Jersey.

Em que eu até fui cooptada a ir tomar cerveja, mas voltei antes de virar abóbora, i.e. antes das 21h. Porque assim é a vida na Outra América.

Em que eu decido que, contra todas as minhas esperanças, redenção é "hope against hope" demais para mim.

mardi 6 août 2013

Look, Hegel!

Princeton, dia 3

Em que o workshop é muito melhor, com uma professora incrível.

Em que a comida continua horrível e, por eu não comer pássaros (à exceção de magret de pato), meu jantar consistiu em uma salada e uma porção de purê de batatas.

Em que as pessoas descobrirarm que eu sou do Brasil e, além do habitual "puxa, mas você não tem sotaque", tive que lidar com a pergunta de se eu participei da Jornada Mundial da Juventude. Segunda vez na vida em que eu tenho medo de dizer que sou atéia (meio tenso isso, mas é verdade). Consegui desconversar, repondendo apenas que passei os meses de junho e julho na Europa.

Em que eu ainda estou bastante desconfortável com a situação aqui.

Em que eu não agüento o fato de que um cara não pára de falar sobre as vantagens incríveis de ser membro de um clube de compras de atacado (WTFF).

Em que eu me lembro bem de por que fui embora dos EUA sem a menor intenção de voltar a longo prazo.

lundi 5 août 2013

Mad Lib

Princeton, dia 2

Em que o workshop começa.

Em que eu como tão mal que fico com saudades da Sodexo.

Em que eu me descubro infiltrada no meio de pessoas extremamente conservadoras. Mais que o normal. Mais que a média. Mais que a Regina Duarte que tem medo.

Em que eu me controlo para não ter uma crise de pânico quando as conversas tomam um rumo que me deixam bastante desconfortável.

Em que um conhecido se lembra de quem eu sou, e aí eu tenho que explicar coisas sobre minha vida pessoal, enquanto tento evitar outra iminente crise de pânico.

Em que eu confesso aos conservadores que eu sou extremamente liberal.

Em que os conservadores me pedem desculpas por me terem provavelmente ofendido com as conversas do dia.

Em que eu agradeço (mentalmente) repetidas vezes a meu orientador, por não ter permitido que eu fizesse meu doutorado sobre Tomás de Aquino.

dimanche 4 août 2013

OMFG

Princeton, dia 1

Em que, depois de 9 meses, eu volto a NY, tendo, agora, um pequeno incidente ao cruzar a fronteira canadense para a "outra América".

Em que eu passo apenas algumas horas em NY. Só tempo o bastante para almoçar um burrito (a essencial comida nova-iorquina), ir ao banco e já estar com vontade de pegar o trem e ir embora.

Em que eu chego a Princeton e custo a acreditar que vou participar de um workshop aqui - e sobre Tomas de Aquino e MacIntyre nonetheless.

Em que eu janto num restaurante japonês, sozinha, mas ainda bato um papo com um pessoal da mesa ao lado, que puxa papo, como que para me lembrar que eu cruzei a fronteira e estou na outra América.

Em que eu vou ao coquetel de abertura do curso de verão e conheco meus colegas.

Em que, como esperado, dos 18 participantes, há apenas 3 mulheres. Uma da literatura, uma da psicologia. Só eu da filosofia. Em que eu não me surpreendo, porque, afinal.

samedi 3 août 2013

Pas très longtemps

Cheguei a Montreal dia 31 de julho, via Toronto, graças aos deuses da logística - mas sentada no assento do meio no bloco do meio de assentos do avião, porque os deuses do conforto me odeiam e porque a AirCanada tem o que é provavelmente o pior serviço aéreo do mundo. E vejam que eu já viajei de Delta. American Airlines. Continental. Tam. Easy Jet. Easy-fucking-Jet.

Dormir no vôo para quê? São só umas dez horas. Aproveite a seleção de filmes e programas de TV.

Voar para um lado do outro do mundo está me dando um ódio incontrolável de New Girl, The Big Bang Theory e RomComs.

A escala em Montreal era de poucos dias, porque tinha essa coisa de Princeton pela frente.  Então, o que teve?

Teve eu indo ao teatro na Place des Arts pela primeira vez desde 2001, para assistir a The History of the Devil, do Clive Barker - parte do festival Fantasia. Teve aquele momento de matar as saudades da comida chinesa no Beijing. Teve a descoberta de um dos melhores (apesar de caaaaaro) restaurantes japoneses de Montreal. Teve brunch no Maison Publique (mas o Alex n'ao estava lá). Teve Mile End, com sorvete da KemCoba.

Flash-forward para amanhã de manhã (porque esse post foi escrito em restrospecto), em que vai ter mais aeroporto. Vai ter aquele assédio por parte da imigração americana, que vai resolver me chamar a uma salinha para perguntar mais detalhes da minha viagem. Para onde vou (para Princeton, como dizia no meu formulário), por que vou (bom dia, sou acadêmica e.. Princeton! Diz que tem uns professores bons lá e tal...), como eu conheço professores de lá (caras, vou contar: tem essas coisas chamadas livros, uns troços geniais. E aí, mais recentemente, teve essa coisa chamada internet, que é meio mágica, ninguém sabe bem como funciona, mas transmite textos e imagens ao mundo todo via uns fiozinhos, tal), o que eu estudo (filosofia), mais especificamente (filosofia medieval), o que na filosofia medieval (teoria das virtudes), se tem a ver com filosofia européia (mas É filosofia européia, gente!), de onde na Europa (o autor que eu estudo é francês), mas tem a ver com coisas da filosofia grega (erm... tem?), se eu já fu à Grécia (não). "Aqui está seu passaporte; boa viagem."

O que aconteceu com a simples forma direta "Você já foi à Grécia?", em vez de me enrolar para fazer a pergunta? Ou o ponto não era esse? Será que meu orientador pagou esses caras para verificarem se eu tinha trabalhado na minha tese no verão, e se estava afiada no meu tema?

Com a maior putidão e cara de WTFF do mundo, vou proceder para a sala de embarque, prevendo assédios nas minhas próximas passagens pela Outra América.

No mundo pós-Assange e pós-Snowden, dá um pouco de medo imaginar as motivações por trás dessas ações à primeira vista inofensivas. Faz até "A Estrada", de Cormac McCarthy, parecer um futuro utópico. A única saída possível.