dimanche 21 juillet 2013

Half the way there

Não tem lugar no mundo igual a São Paulo:

1. Cheguei ao aeroporto de Bagulhos às 16h30 de quinta-feira. Minha mãe tinha me dito que me buscaria no aeroporto. Meu celular toca às 17h20. Minha mãe me avisando que a Marginal está parada, perguntando se eu não quero tomar um táxi. Não. Eu nunca quero tomar um táxi. Aliás, às vezes eu quero, sim, tomar um táxi. Na exata hora em que eu chego. Não quase uma hora depois.

Aí, vou passar o tempo lá dentro do aeroporto. E matar a fome. Baked Potato, ali da saída do Terminal 2 (porque, por algum motivo surreal, não tem Casa do Pão de Queijo em Bagulhos - tô de olho em vocês!). A essas alturas, tô com tanta cara de aeroporto, que a atendente até pergunta se eu trabalho no aeroporto (pra saber se me dava o desconto de funcionária). Não. Oito reais. QUÊ?? Devia ter mentido! OITO REAIS. Bem-vinda a São Paulo.

Ali, descobri também que tem wi-fi grátis no aeroporto (ao menos nessa parte do terminal 2). Me ajudou a passar o tempo. São Paulo sempre fica muito além ou muito aquém das expectativas. Só me falta decidir se é bom ou ruim estar de volta.

Minha mãe, finalmente, chegou. Às 19h.

ÀS 19h. Sendo que meu vôo pousou às 16h30, depois de 14 HORAS - 14-FUCKING-HORAS no ar, de Istambul para São Paulo.

Quando cheguei em casa do dia mais longo da minha vida (com o fuso, fizeram caber 30 horas em 24, e olha que eu nem sou o finado Unibanco!), já tinha até sublimado essa coisa da demora. Eu já tinha me conformado em acampar no aeroporto até o dia do meu próximo vôo, 30 de junho. Eu tinha minhas malas, umas mudas de roupa. Ia ser tranks. Só não sei como eu ia conseguir viver num mundo em que um lanchinho rápido na Baked Potato custa 8 dilmas.

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2. Na sexta-feira, após de sair do Sírio-Libanês, onde eu faço aquele turismo básico anual, para visitar as celebridades e me sentir na Clínica de Caras, fui encontrar uma amiga para um "café". (Lembrando que o café não está entre aspas porque é metáfora para putaria, não. Está entre aspas porque eu não tomo café.)

Só que é São Paulo. Aí, choveu todo o Oceano Pacífico em mim e na paulistanada. Fiquei lá, loitering na casa da minha amiga (visita chata que não vai embora). E aí - novamente, porque é São Paulo - rola um convite. São Paulo impromptu.

O plano era comermos alguma coisa lá no shopping Frei Caneca para depois descermos até o TUSP, na Maria Antônia, para assitirmos a uma peça do Projeto CEPECA, "Nau do Asfalto", de Evinha Sampaio. A peça é meio pesada, conta a trajetória de doentes mentais, tal. Mas o trabalho de corpo da atriz é fenomenal. E eu provavelmente me senti mal (sufocada, na maioria do tempo) durante pelo menos um terço dos 50 minutos. No final, teve um debate, onde eu até tinha uma coisas a dizer. Mas já aprendi essa lição há tempos, e fiquei caladinha.

Saí de casa para um ultrassom e um "café". Voltei com um teatro. E de graça. Depois duvidam que ainda exista amor em São Paulo...

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3. Sábado, consegui ir ao último dia da exposição de uma colega lá na Baró Galeria. Coisa mais lindinha: instalação com carrossel - e máquina de chopp. São Paulo, sua linda, vem fazer cosplay de Londres aqui no meu coração, vem!

foto feita com meu Motorola Razr, porque sou mais hipster que
todo mundo junto - e LOMO é para fracos

foto roubada do Instagram da Cassy

Depois, Asterix para Guinness e batatas-fritas, esse PF da galera-de-humanas-que-faz-um-monte-de-coisa-que-não-dá-dinheiro. Uma sentadinha de uma hora e meia no bar e você morre com dois trilhões e meio de reais (que sequer fui eu quem pagou) e mais VINTE MANGOS de estacionamento.

De lá para uma passadinha no Conjunto Nacional para dar uma olhada no Vira Cultura. Por sorte o Conjunto Nacional é o lugar mais bizarro do planeta e instalaram umas moitas (!!) lá, que facilitaram aquele me processo básico de me esconder de gente que faz bonequinho de vodu meu nas horas vagas. Uma horinha e morrem mais VINTE MANGOS no estacionamento.

São Paulo, você é uma puta cara demais para meu bolso de ~gentes-de-humanas~.

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4. ALERTA DE SEÇÃO "Monica Bergamo":

E aí que ganhei minha primeira graphic novel ano passado. E sequer tive tempo de ler (porque: V1DA L0KA).

Só que o Emilio lançou (junto com o DW Ribatski) uma graphic novel agora em junho: "Campo em Branco". E eu consegui pegar a segunda (?) rodada de autógrafos justamente no Vira Cultura (porque não estava em SP no lançamento oficial).

Ver gente bonita e talentosa que eu não vejo faz tempo e, ainda por cima, ser eu a sair mais elogiada na história? Sim, porque o Emilio e a Julia são pessoas ~queridas demais~ (ou o que quer que seja a expressão que as paulistanetes usem hoje em dia). E eu prometo eternamente que vou trazer vários bichos de pelúcia de Disney pra Julia.

Sobre o livro: não li ainda, óbvio. mas ele é lindão, em azul, branco e preto - como vocês vão poder ver em vários outros sites e blógues muito mais competentes para fazer resenhas que esse triste espaço divagatório.



Segunda graphic novel da vida: check (obrigada, Cassy!).

E eis que, no domingo, voltei à Livraria Cultura (e morrem MAIS VINTE MANGOS de estacionamento...). Dessa vez, para pegar autógrafos do Fábio Moon e do Gabriel Bá no "Daytripper". Porque eu sou inconveniente, pedi um hipopótamo...

E o Fábio Moon desenhou um hipopótamo para mim!!!!



Existe hipopótamo em São Paulo. E isso é tudo o que me importa.

Terceira graphic novel da vida: check (obrigada, PT!)

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5. O que eu ainda não contei é que fiquei umas duas horas na fila para pegar o autógrafo dos Moon/Bá. Logo que cheguei, senti o chão do Conjunto Nacional ficar meio estranho. Meio mole. Meio se mexendo. Meio fofo. Não, não são as drogas.

Fui olhar as solas das minhas sandálias favoritas, que tenho há uns 15 anos. Minhas sandálias favoritas, que tenho há uns 15 anos. 15 ANOS. Pois eis que, em julho de 2013, as solas (alguma coisa da família de saltos plataforma) se desmancharam por completo. E eu lá, na fila da livraria, meio tombadinha para a esquerda, tentando me equilibrar em não-sei-bem-o-quê.

Mas, gente, eu ainda tenho de ir a uma festa de aniversário depois disso! COMOFAS?

"Aline, porque você não compra umas Havaianas aí, ó?"

Sim, porque é São Paulo. Na fila da livraria tem loja das Havaianas.. (Tem uma loja das Havaianas na fila da livraria?). E assim eu saio de lá com novos calçados! Por um trilhão de reais (goes without saying), mas sem aquele look de voto de cabresto.

Pronta para fazer sucesso na festinha.


mercredi 17 juillet 2013

Thawab

(Bologna, dia 24)

Tudo o que foi difícil ir embora de Bologna foi gratificante estar em Istambul.

Sair de Bologna é difícil porque, aparentemente, só se pode pegar táxi em Bologna no ponto (não se pode fazer sinal para um táxi passando na rua. Quer dizer, fazer sinal pode, mas o táxi não pode parar). E na cidade tem, tipo, 2 pontos. Depois de confirmar o funcionamento do sistema de táxi com algumas pessoas, me convenci de que o tal ônibus do aeroporto era uma boa opção.

Só precisava descobrir onde era o ponto do raio do ônibus. Depois de andar tempo demais debaixo de um calor dos infernos, arrastando duas malas... achei! Olhei no relógio: 8h55. Ok. Tempo mais que suficiente. E vem o ônibus. Chegamos à estação de trem (porque o itinerário do ônibus não faz o menor sentido). Olho no relógio: 8h59. Ok.

Mas, aí, olho para o relógio da estação de trem 9h13. WUT?! Ah, tá. Meu relógio parou! O problema é que o ônibus também! E toda a folga de tempo que eu tinha para chegar ao aeroporto foi passando... passando. E o ônibus não saía da estação de trem!

Bom, depois de um ataque de ansiedade enorme, eu finalmente cheguei ao aeroporto por volta das 10h10, isto é, uma hora depois de ter tomado ônibus - e não 23 minutos depois, como prometia o site.

Quando fui fazer meu check-in na Turkish Airlines, porque ainda era aquele esquema Itália, a fila era de enfeite. Fiquei lá, bonitinha na fila até que, na hora em que fui chamada para o balcão, um infeliz passou na minha frente. Não, colega. Apenas: não. Deixemos claro que eu não ia perder meu vôo porque um italiano incapaz de entender o conceito de fila passou na minha frente. Porque sou brasileira barraqueira e não desisto nunca, dei um chilique e fiz meu check-in.

Ainda tive tempo, contra a vontade das pessoas que trabalham no aeroporto, de receber o reembolso dos impostos das minhas compras (porque a pobre aqui gastou mais do que devia na Cavalli). Depois de mais um caos na fila para embarcar (pessoal demorou UMA HORA para embarcar menos de 150 pessoas num avião!), estava lá, bonitinha, sentadinha, pronta a atravessar o Adriático (e sei-lá-mais-o-quê) para chegar a Istambul.

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Ramazan

Cheguei ao aeroporto de Istambul (no meu vôo de Bologna, que saiu com quase uma hora de atraso) e, lá, a burocracia de passar pelo controle de passaporte foi bem mais simples que o que eu tinha imaginado.

Quando passei por toda essa burocracia e saí, logo encontrei a Ridade. E um carro veio nos buscar. O cara que estava dirigindo só falava turco, e eu fiquei me sentindo mal por não ter decorado as frases que a Carol me mandou.

Em mais ou menos meia hora já estava lá na casa dos Sufi, perto de Pierre Loti.

Fiz um lanchinho, depois saí para fazer um turismo beeeem corrido.

Consegui ver a Cisterna da Basílica (um dos lugares mais bonitos que eu já vi), a Hagia Sophia, a Mesquita Azul, o Chifre de Ouro...



















Estar na Turquia durante o Ramadã foi uma coisa incrível. Os sons da cidade parecem todos mágicos.

À noite, justamente porque era Ramadã, teve uma espécie de mini-banquete lá na casa onde eu estava, com muitos convidados.  Para os Sufi, o Ramadã não é só um mês de jejum, um mês de desenvolvimento do nafs, mas é, principalmente,a época de praticar zakat - e foi justamente isso que eu vivenciei. Todos os Sufi que eu conheci foram incríveis. À noite, conheci o mestre Sufi, logo após o jantar.



Mais tarde, fomos todos a uma espécie de varanda da casa do mestre, tomar chá e fumar narguile. Umas das paisagens mais bonitas que já vi. Passei um tempão lá, sem entender muito das conversas (todas em turco). Ocasionalmente, alguém dava um tradução geral de qual assunto estava sendo discutido, para eu não ficar muito por fora.




Eu só percebia mesmo quando estavam falando de mim, porque reconhecia as palavras felsefe, doktora dersi, Brezilya'dan (ou algo assim), Kanada'dan (idem) etc.

Ah, e aí que eu também falei com um curandeiro. É. Não por absoluta espontânea vontade... É que um curandeiro se juntou à nós, já tarde da noite. E, pelo que me explicaram, ele vê as doenças das pessoas (e pode curá-las). E eis que o mestre Sufi pediu que ele me "examinasse". Eu sou cética; é verdade. Mas fiquei bastante desconfortável com a idéia. Fiquei nervosa, ansiosa, desconfortável. Comecei a suar frio; achei que fosse desmaiar. Mas agüentei firme.

E eis que o tal curandeiro começou a me dar seu diagnóstico. E foi aí qu começou meu momento no creo en brujas, pero que las hay las hay. As quatro primeiras coisas que ele disse foram na mosca. Embora eu queira justificar os acertos com vagueza e leitura de linguagem corporal, não sei o quanto a minha versão dos fatos se sustenta. É verdade também que algumasdas coisas que ele falou foram meio bolas-fora. Ou assim eu espero, senão estou fodida!

Ainda não sei o que pensar disso. Não sei se vou saber. Ever.

Enfim, fui me preparar para dormir, pois teria de acordar às 7h00, para pegar meu vôo de volta para São Paulo (vida de aeroporto!). Mas a festa continuou. Esse pessoal sabe passar as noites.

E eu deitei e passei umas boas três horas insone, sem saber o que pensar do meu dia, da minha semana, dos últimos anos da minha vida. Mas fazendo planos mentais para aprender turco para quando eu voltar, ano que vem.

mardi 16 juillet 2013

La Grassa

Bologna, dia 23

Último dia inteiro em Bologna. E eu aqui me perguntando como vou conseguir comer em outros lugares do mundo depois de quase um mês na capital gordinha da Europa.




Uma cidade que é a perfeita combinação de capital cultural e gastronômica. Tem um livraria enorme, de vários andares, que é um espaço gourmet enorme, igualmente de vários andares: Eataly (que, até onde eu sei, nada tem a ver com a Eataly de NY, de Mario Batali e cia.).




Meu último passeio turístico incluiu uma visita à Sala Borsa, uma das bibliotecas mais bonitas que já visitei. No subsolo, ha ainda umas escavações, porque descobriram umas cisternas antigas e, abaixo delas, algumas ruínas de templos etc.




Quando cheguei cumprimentando, cheia de ~malemolência~, a velhinha que trabalhava lá presumiu que eu era italiana. Quando expliquei que eu era do Brasil, ela super se empolgou e perguntou se eu tinha um maa de Bologna. Saquei meu mapa e ela começou a marcar vários pontos turísticos que tinham algum esquema de visitação gratuita. Foi uma fofa. Disse que gostava muito de espanhóis e brasileiros e me desejou um bom dia de turismo.





Saindo da Sala Borsa, dei mais uma volta, fui fazer umas comprinhas de última hora, e almocei uma última vez no Marsalino. O menu do dia de hoje não era tão interessante, mas eu tinha que ter uma última refeição lá.



Depois, dei uma última arrumada nas minhas coisas e fui comer meu último cannolo, que não passa nem perto do da Piadineria de Montreal.



À noite, tinha combinado de encontrar a Violeta para um último jantar, em um restaurante tradicional de Bologna, fora do centrinho. Trattoria Da Vito. O lugar era, realmente, bem roots. O problema é que a comida era intragável. A pior comida que comi em toda a minha viagem. Ruim do tipo: fiquei com fome, mas não terminei o que estava no prato.

De lá, fomos a um bar para eu, finalmente, experimentar um copo de Amaro Montenegro, que achei ok, mas meio doce demais. A saideira teve de ser no Bolognetti Rocks, aonde eu fui, religiosamente, todas as terças-feiras que passei em Bologna.

E aí, era hora de me despedir da Violeta, me despedir da Milli e me preparar para me despedir da cidade.

lundi 15 juillet 2013

At veritas nos metu gravi iam liberabit quo diu territi sumus

Bologna, dia 22

Comecei o dia pensando em Berlim. Por uma série de motivos. Vejam só: 3 semanas, e eu já estou com síndrome de abstinência. Mas a verdade seja dita (and timely!):



Bem, em algum momento, eu ia precisar começar a arrumar minhas coisas. Segunda-feira de manhã sempre tem esse clima de "início", de faxina. Dei um jeito nas minhas coisas até chegar perto da hora do almoço.

Atravessei o centrinho da cidade e almocei na Trattoria Trebbi, onde tomei uma sopa fria de tomate, deliciosa (mas um pouco salgada demais - e olha que eu tolero bem sal!). De sobremesa, mascarpone com chocolate, porque: muito amor.




Saindo de lá, dei uma voltinha e fui à Fondazione per le scienze religiose Giovanni XXIII, onde meu plano era encontrar o Frederic (ou o Ricardo) e passar uma tarde fazendo pesquisas bibliográficas.

Meu plano deu errado, e eu perdi quase duas horas da minha vida lá na fundação, lendo Philip Roth para passar o tempo. (Digressão: não entendo Portnoy's Complaint. Leio páginas e páginas e minha impresão é a de que é só... smut, over and over. Preguiça.)

Depois de cansar de esperar, fui voltando para casa. No caminho, comprei uma malinha, para arrumar melhor minhas coisas. O que, claro, ia ficar para amanhã.

Porque hoje voltei ao Mercato della Terra, para comer com a Violeta, antes do show do Hugh Laurie & Copper Bottom Blues, no Teatro Manzoni. Fui com a Violeta, mas ainda encontrei a Delphine e o Frederic lá.



Não sabia bem o que esperar do show. Confesso que não sou particularmente fã de blues, e que não conhecia quase nada da carreira musical do Hugh Laurie, e que só fui ao show por conta de anos de A Bit of Fry & Laurie e House, MD.



Mas eis que o show durou duas horas e foi sensacional. O Hugh Laurie foi super divertido; conversou bastante com o público. E a banda era excelente. Eles tocaram alguns clássicos, tocaram até um tango. A última música do bis foi You Can Never Tell.

Só teria sido melhor se o teatro não estivesse insuportavelmente quente, e eu não estivesse morrendo de sede.

Cheguei ao meu apartamento, tomei litros d'água e pensei freneticamente na vida até conseguir pegar no sono.

dimanche 14 juillet 2013

Etiam senes fructibus sapientiaeet consilis argumentatisque certis saepe carere videntur

Bologna, dia 21

Domingo era dia de ir para Milão. Mas antes, eu teria de subir na torre de Bologna, que, acabei de descobrir, só estava aberta durante os finais de semana.



Acordei cedo e fui. 498 degraus depois...



Uma vista impagável da cidade.




Voltando para casa, a realidade veio me buscar. Sou abordada por dois moços na rua. Eles começam a falar comigo tranquilamente e, quando olho para as mãos deles, vejo a prova do crime: La Torre di Guardia! Sim! As testemunhas de jeová me descobriram na Itália.

Quando vi a revista, mandei o "dispiachei, ío no parrrlo italieinou" mais forçado da minha vida. Eles ainda comentaram alguma coisa sobre terem um colega português que poderia vir conversar comigo, mas aí eu já meio que tinha saído correndo.

Corta para a estação: eu pegando o trem de alta velocidade para Milão.

Chego a Milão, o escritório de informações turísticas está fechado (porque: Itália). Resolvo explorar a cidade na marra. Pego o metrô até o Duomo, após desviar de algumas dúzias de ciganos (?) que tentaram me rodear para conseguir algum dinheiro. Uma sensação ligeiramente desesperadora para quem não tem um mapa do metrô (nem da cidade) e tem uns 20 euros (e nada mais) na carteira.

No centro de Milão, a impressão é a de que a temperatura é alta o suficiente para começar a derreter o Duomo. Faço o tour completo. Fico na fila, subo etc.




Mas e a fome?

Cuidei disso com um risotto milanês no último andar da La Rinascente. Porque, às 14h30, a maioria dos restaurantes da cidade (os poucos que abrem aos domingos) já estavam fechados.

Dei mais uma volta pela cidade. E, em algum momento, fui olhar as modas (porque, afinal, when in Rome etc.). Novamente, porque é a Itália, mesmo com a cidade apinhada de turistas, quase todas as lojas estavam fechadas. Encontrei algumas lojas abertas, e prestei todos os meus agradecimentos à Nossa Senhora do Cartão de Crédito.

Mesmo estando suada, com cara de cansada, naquela vibe meio mendiga (descabelada, amarrotada etc.) fui abordada por várias pessoas que me perguntavam onde ficava a Abercrombie. Ou a Hollister. Ou sei-lá-o-quê. Não sei, afinal, se minha cara era de shopaholic ou de cafona.

Depois, ainda descobri uma outra rua onde havia mais lojas abertas. E aí, me dei conta de que cada minuto que eu passasse em Milão poderia me custar uma hipoteca (e, possivelmente, mais um câncer de pele). Aí, depois de mais uma voltinha, peguei o metrô de volta para a estação central, e o trem de volta a Bologna - depois de uma última comprinha na estação.



O plano agora era passar o resto da noite em casa, calculando quanto meu rim deve estar valendo no mercado negro de órgãos.

samedi 13 juillet 2013

Felix!

Bologna, dia 20

O blógue será atualizado quando vocês menos esperarem. Por enquanto, vou curtindo (e com preguiça sem tempo de escrever) ATUALIZEI!

Por ora, só isso, porque é 13 de julho e não podia deixar de postar, e o que a gente não consegue dizer com nossa própria voz, a gente delega para os outros:


There is too much history, too much biography between us.

...let me be your eyes, a hand in your darkness so you won't be afraid.




Cheers!

Até pensei em algo mais para dizer, mas só uma coisa me ocorreu: "para todo o sempre". Mas não me pareceu o bastante.

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Final de semana, Vou ter alguns dias de "férias" antes de voltar ao Brasil. Decidi ir para Florença, ver qual é.

Cheguei à cidade e me apaixonei. Achei uma boa concorrente para Verona.

Como cheguei próximo à hora do almoço, fui direto procurar um dos restaurantes que me foram magicamente recomendados. Olhei no mapa e achei a rua bem facilmente. Cheguei lá e... kd restaurante?

O tal número parecia não existir na rua. Andei para cima e para baixo algumas vezes antes de desistir. Perguntei ao dono de uma loja se ele sabia onde ficava o restaurante. Ele reconheceu meu sotaque e ainda batemos um papo sobre o Brasil. Ele apontou, então, uma diferença fundamental entre a Via del Leone e a Via dei Leoni. Hum.

A rua certa era um tanto longe, mas, a essas altura, já tinha virado uma questão de honra ir almoçar nesse lugar.

Novamente, tive dificuldade em encontrar o número da casa na rua. Porque tem dois números 50 na Via del Leone. Eu tinha de achar o 50/r (o que quer que isso signifique), mas não tinha essa informação preciosa. Quando cheguei ao número 50 (ao primeiro que avistei), dei de cara com um lugar com cara de café/padaria, que não inspirava muito gosto. Percebi que tinha falhado na minha missão (quem sabe, o restaurante tinha mudado de nome ou fechado...). Mas continuei andando. E, eis que, depois dos números 52, 54, 56, 58,e 62... Achei o outro número 50!

Trattoria Pandemonio.



Não tinha certeza de se o lugar estava aberto. Parecia fechado. Ia tentar a porta, assim mesmo. Quando pus a mão na maçaneta, tá-dá!, ela abre! Um cara sai lá de dentro e pergunta se pode ajudar. Pergunto se o restaurante está aberto. Ele diz que acha que sim. (Quem é você, nêgo?) Pergunta pros cozinheiros (Mas... você é um cliente ou você trabalha aqui?), eles dizem que sim. O tal cara me indica uma mesa, lá no fundo.

O restaurante, que parecia miudinho pela fachada, é, na verdade, enorme. Tem uma espécie de quintal, atrás, lindo. De fora, você não dá nada, mas, lá dentro, o lugar é muito simpático! Só tinha mais duas mesas ocupadas.



Para começar, pedi uma taça de vinho tinto. A dona do restaurante, a mamma que estava me atendendo, trouxe uma taça e uma garrafa que devia estar 1/3 cheia. Despejou a taça e deixou o resto da garrafa ali. Inclinou-se em minha direção e me disse, baixinho, que eu poderia terminar a garrafa.

Eu queria pedir a bisteca fiorentina, mas a mamma me explicou que ela só era servida para duas pessoas. Me sugeriu, então, a tagliatta, coberta com azeite e lascas de parmesão. Aceitei a sugestão.

A melhor carne que eu já comi. Sim, na vida. Apesar de estar bastante mal-passada (e eu ser super adepta da carne bem-passada). O prato parecia pequeno, mas era carne, azeite e queijo. Ou seja, depois da metade, você começa a se perguntar se dá conta de comer tudo.



Mas eu também queria sobremesa. Aparentemente, o tiramisu estava super recomendado. Foi minha pedida. Absurdamente delicioso.



Quando pedi a conta, ainda ganhei um copinho de limoncello artesanal, feito lá mesmo no restaurante. Melhor que o industrial.

Não foi barato, não. Mas foi a melhor refeição que eu fiz na Itália. Melhor que a do terceiro melhor restauante do mundo. E mais barata.

Foi justamente iss que eu dise para a mamma e para o outro velhinho, que acho que era o marido dela. No final, eles ainda bateram o maior papo comigo, e pediram que eu recomendasse o restaurante. Sem dúvida alguma.

Antes de eu ir embora, ainda ganhei beijos do mamma e do babbo. Virei de casa!

Depois de estar estufada, precisava andar bastante...

E foi o que fiz. Vi toda a linda paisagem da Toscana que rodeia Florença. Vi toda a arquitetura fantástica do centro.

E eis que eu encontrei uma famosa sorveteria fiorentina: Gelateria dei Neri. Os sabores me pareciam os corriqueiros de todas as gelaterias italianas. Até que eu descobri um bem diferente, que foi o escolhido: gorgonzola com nozes. Delicioso!




Na verdade, pedi dois sabores: pistache (o verde, por cima) e gorgonzola com nozes (o branco, por baixo)

Agora, era bom parar de comer. Hora de de ir ver o estado da fila do Uffizi.

Cheguei lá e a fila me pareceu bem pequena. Mas aí, depois de uns 10 minutos lá, a fila não andou nem um pouco. Comecei a achar um pouco estranho, mas era a Itália, afinal.

Mas aí, um senhor que estava à minha frente na fila, com um garotinho fofinho, foi ver o que estava acontecendo. Ele chegou com o veredito: eles permitem a entrada de apenas 30 pessoas a cada 25 minutos. Ou seja, ia demorar uma hora e alguma-coisa para conseguirmos entrar. Ah, sim. Ele disse isso em francês. E completou: "Você está com cara de quem está entendendo... Você também fala francês." Hum-hum.

Ai, estava cogitando com o garotinho se valia a pena deixarem para volar no dia seguinte. Ao que eu intervim:

- Bin, apparemment, le dimanche, c'est encore pire...
- Ah! Mais tu es québecoise!

Busted, com apenas uma frase, pela segunda vez em 3 semanas. Grr.

Passei mais uma hora e meia ali na fila, batendo um papo com o senhor e com o garotinho (de 8 anos), que, depois descobri, era filho dele. O garotinho tinha uma daquelas coisas de esguichar água, e me ajudou a tolerar o calor. Em troca, alimentei um pouco o interesse dele por latim.

Finalmente, entrei. Originalmente, não estava tão empolgada em visitar o Uffizi, mas fiquei sinceramente impressionada com o museu. Foi a primeira vez que eu percebi o brilhantismo de um trabalho de curadoria.

Mas esse tipo de arte realmente não é para mim. Em uma hora, acho que visitei todas as alas do museu que estavam visitáveis.

Exausta, dei mais uma volta pelo centro, vi a catedral, e me arrastei até o Caffé Giacosa, o lugar onde o negroni foi inventado. Tomei a versão "especialidade da casa", o Negrunge (gin, campari, mandarin liqueur, vermute branco e angostura).



Depois do drink, já estava satisfeita - e exausta. Terminei meu turismo em direção à estação de trem, e voltei a Bologna, sonhando em voltar para a Toscana.