dimanche 31 mars 2013

...et ils sont toujours contents que tu sois venu


Coraciono muito o Maison Publique. E já falei o quanto aqui. Essa combinação perfeita dos investimentos do Jamie Oliver, da cozinha do Derek Dammann e do social do Alex Cruz era exatamente aquilo de que eu precisava para preencher o vazio deixado pelo Réservoir que perdeu seu chef e minha assiduidade.

E minha impressão do Maison Publique só melhora. O brunch desse sábado lá foi meio como de costume, mas cada vez mais "de casa":

Chego por volta das 13h., um horário mais tranquilo, quando eu sei que não terá espera, nem muvuca. 

Chego, aceno pro Alex Cruz, e verifico se há lugar no balcão. Sento -- sempre no balcão. O Alex vem, conversa um pouquinho em português. Pergunta se eu vou querer café. Nunca quero. Ele me oferece outra coisa. Pergunto que sucos tem. Dessa vez, escolhi o suco de laranja. Antes de trazer o suco, ele vem servir a água, e aproveita para trazer um folheado de maçã, por conta da casa.

Sempre me decido por um prato ~gordíneo~ . Dessa vez, schnitzel.

Bato mais um papinho com o Alex. Digo que fiz uma comprinha no site do negócio que ele toca, o Société Orignal. Ele disse para, na próxima vez, não comprar pela web - para ir direto lá e comprar com ele, e economizar uns troquinhos de taxa de envio e tal. Opa, claro!

Falo também para ele acenar para o Derek Dammann, que estava lá, na cozinha (o que é raro no brunch), e lembrá-lo de que ele me deve uma sopa de cebola.

Termino meu prato, e animo a pedir sobremesa. Um sorvete de baunilha com laranja, que está bom, mas não tão bom quanto a comida. Tomo assim mesmo.

Ainda fico lá um tempinho, curtindo o semi-coma alimentar. Depois de um tempo, me levanto para pagar. Apenas o prato principal. Suco, folheado e sobremesa por conta da casa. Nada mal para quem está com a conta bancária tristinha como a minha. Saindo, me despeço do Alex e do outro rapaz, que é o gerente de lá, e que hoje está lá tranquilo, só tomando um café, mas me reconhece também, porque, né.

Eles realmente conseguiram fazer um lugar ideal para alguém como eu (chata e desconfortável) se sentir em casa. A minha sorte é que não moro mais perto de lá, senão, já teria gastado todo o dinheiro que não tenho indo lá todos os dias. Tipo minha padaria da esquina, mas mantida pelo chef estrela da TV do mundo e o chef estrela da cozinha montrealesa. Coisa que não é pro meu bico, óbvio.

E, porque eu não preciso, necessariamente, ser financeiramente coerente, aproveitei a saída de casa e comprei um novo par de sapatos (tênis) hoje cedo. Estava precisando de um novo par de sapatos de primavera-verão, visto que a sola de uns dos tênis do par que comprei ano passado por meros $20 já era. Sim, era aquele par que vocês ficaram secando quando eu estive no Brasil. Primeiro par de tênis meu a acontecer isso de a sola furar. Estou sacando o efeito dos olhares invejosos de vocês. Ok, brinks. Os tênis custaram $20. Que diabos eu esperava?! Dessa vez, investi um pouquinho (mas bem pouco) mais. Meus pés pós-salto (pós-festinha da exRoommateFromFrance) agradeceram. 

samedi 30 mars 2013

Je dis "vive la fête" pour être héroïque

Final de semana festivo. Tenho trabalhado tanto que sequer me dei conta de que já era Páscoa.

E teve o aniversário da (ex-)RoommateFromFrance. Estava no Plateau e já a ponto de me atrasar além do que é aceitável. Decidi pegar um ônibus para ir para casa para me arrumar e coordenar para pegar o metrô na seqüência.

Quando cheguei ao ponto de ônibus, o ônibus (que sempre está adiantado) estava a ponto de sair. Dei uma corridinha e consegui entrar a tempo. Eis que, no próximo ponto, o ônibus pára um tempinho (eu achando que é porque ele está adiantado), sai novamente, dá meia volta e... Pera! Esse não é meu ônibus. Na pressa, a idiota aqui tomou o ônibus errado. Para piorar, quando eu me dei conta disso, o ônibus que eu deveria ter pegado já tinha passado, e ele passa mais ou menos com a freqüência com cometa Haley – ainda mais hoje, sexta-feira de Páscoa e todo o transporte público com os horários fodidos. Desci do tal ônibus errado e, muito puta da vida, fui pra casa a pé.

[A lição que se aprende: gente com eu, #classemédiasofre, tem de evitar usar transporte público, porque é inevitável que dê merda.]

Me arrumei correndo e saí, muito puta. Saltei no metrô Rosemont – uma estação onde nunca tinha estado. Sabia que tinha de pegar um ônibus ainda, mas não sabia qual, nem onde. Achei um ponto que parecia ser do ônibus de que eu precisava. Mas não parecia ser a direção certa. E, a essas alturas, eu não estava querendo correr nenhum risco. Fiquei lá no ponto, esperando o raio do ônibus e xingando todas as gerações do transporte público de Montreal. E eis que o cara na minha frente na fila, um brasileiro (just like roaches; never die, always live), me percebe.

“Você está querendo ir para onde?”
“Ah, ahn! É... para oeste, direção Saint-Laurent, Saint-Urbain...”
“O ônibus que vai na direção oeste é esse aqui mesmo.”
“Ok. Obrigada!”

 E lá fui. Puta lugar esquisito, perto da via expressa. O Mile End é inacessível e superestimado.

Cheguei lá e, fora a ex-RoommateFromFrance, nenhuma carinha conhecida, mas um pessoalzinho descoladinho. Se estivessem em SP, estariam lá no Baixo Augusta ou qualquer que seja a região hypadinha-descolada da cidade a essas alturas.

No final, não foi tão chato como eu achei que seria. Mas a exRoommateFromFrance sendo como é, não tinha comida substancial lá (teve uns pacotes de chips, uns hommus, um guacamole e um bolo desastroso que a AmigaFurona dela fez).

Lá por volta das 23h, tinha chegado ao meu limite de sociabilidade e fome. Aproveitei que já estava na casa do caralho no Mile End e fui ver qual era a do Nouveau Palais, um bar-lanchonete hypadinho desse canto da cidade. Lugar bem exótico. Tem toda a cara de um botequim genérico à la brasileira, mas uma freqüência descolada, e um ambiente meia-luz de lounge. Por algum motivo um pouco misterioso, me entregaram o menu, mas eu só poderia pedir a comida depois da meia-noite.



Fiquei lá esperando, observando aquela amostra antropológica. Deu tempo pra provar um gin & tônica de Ungava (primeiro bar que eu vejo na cidade que tem Ungava) e descobrir que é superestimado. Pra comer, não tinha muitas opções. Fui de hambúrguer – e não me arrependi nem um pouco! Delícia.

Mas o cansaço – e o frio nos pés, visto que saí de salto alto, portanto sem meias de lá – estava batendo. Agora, era táxi e cama, porque o trabalho do final de semana ainda não acabou.

jeudi 28 mars 2013

Mon hippopotame

Meu estado de pobreza adora quando tem cupom de compra coletiva pros restaurantes a que eu quero ir.

Isso raramente acontece, mas dei sorte e rolou justo essa semana, quando eu deveria ter recebido o dinheiro de uma bolsa de estudos, mas rolou um processo #fail por parte dessa gloriosíssima instituição pública que finge que me oferece educação, finge que me emprega, finge que me paga etc.

No Tazah (o tal restô aonde estava querendo ir e para onde aconteceu de rolar de ter o cupom), só tinha provado a poutine. Dessa vez, a refeição foi completa: combo de entradas (trio de mezzes), prato principal (kebbe labanieh e shish barak) e sobremesa (mamounié). Só a sobremesa estava ok. O resto foi todo ótimo.

E ainda pude ficar de bedelho na conversa rolando na mesa ao lado, com uma autora de ficção histórica libanesa, que estava aqui fazendo uma turnê de lançamento de um livro.

Como foi um jantar meio tarde (porque a pessoa que vos escreve, afinal, trabalha até as 21h. na quinta-feira), deu para ir embora bem exausta e pronta para dormir. Porque amanhã é feriado para a maioria dos mortais. Mas para mim, nada feito. Porque ainda tenho muito trabalho pela frente. 1º. de abril é, para vocês, dia da mentira, mas, para mim, prazo.

E viva a quinta-feira... santa(?)


A tempo: eu não sigo os detalhes dos festejos cristãos pelo mundo, mas tem um hipopótamo por aí qe segue. E ele (ela, na verdade, porque ela tinha um lacinho rosa) é de chocolate, comme il faut. M-O-R-R-A-M de inveja.



dimanche 24 mars 2013

À la cabane

Inverno quase foi embora (not!) e eu ainda não tinha ido a uma cabane à sucre de verdade, fora da cidade, tal. Esse ano não ia ter a gordice cara do Au Pied de Cochon. Deixei que o pessoal de ocupasse de organizar alguma coisa. E eis que.


Dessa vez, fomos à Sucrerie de la Montagne. Nada como a cabane APDC, mas essa quebrou bem o galho. Aqula coisa de sempre: menu de gordo e montes de xarope de bordo. Sopa de lentilhas, omelete, presunto cozido com xarope de bordo, lingüiças, almôndegas, torresmo, fèves au lard, purê de batatas, tarte au sucre etc. Tudo à vontade.


Coisa pra se empanturrar, tal. Mas o lugar é bem bonitinho.














(Considerando a qualidade das fotos, vocês podem supor que não fui eu quem tirou todas.)

Enfim, é essa a cara de um mês de março normal no Québec. E viva.

Para completar o dia, eu completamente estufada de tanto comer, tendo que encarar uma hora de viagem de volta para casa. Uma hora, se as pessoas no carro não tivessem inventado de aproveitar e fazer um turisminho. Alguns pequenos desvios (bastante curvilíneos, para fomentar minha vontade de vomitar) com uma parada no oratório e uma no Mont-Royal (onde uns meliantes-mirim pareciam estar exercendo algum tipo de atividade nada lícita). Cheguei em casa verde. Sal de frutas. Só sal de frutas salva.

samedi 23 mars 2013

Cabane urbaine

Dia inteiro de workshop, mas eu consegui escapar na hora do almoço. Atravessei a cidade para ir à cabane à sucre urbana em Verdun.



Teria aproveitado mais se não estivesse um frio insuportável. A sopa de lentilhas do MAS estava ok. O creton do Tripes & Caviar deixou bem a desejar. E, apesar de eu ter chegado bastante cedo, eles já não tinham as oreilles de criss (torresmo). O porquinho com maple do Blackstrap, como esperado, estava excelente. O pouding chômeur do Café La Tazza estava delicioso. As coisinhas da Sweet Lee's eu dispensaria.





Valeu o passeio, mas não encheu a barriga. Tive de complementar a refeição indo diretamente ao Blackstrap -- poutine de BBQ.

O único problema é que, depois dessa overdose de gostosuras, é bem difícil ficar bem alerta durante palestras de filosofia. O final do dia não foi nada fácil...

E amanhã tem mais cabane à sucre. Porque não se vê nem um pingo de moderação por aqui.

jeudi 21 mars 2013

Distortion

Porque a cidade me ama, teve essa coisa de ter um dia do macaron (20 de março).

Para eu ir dar uma voltinha no Plateau, comprar 20 macarons da Point G pelo preço de 10 e gastar o resto do dinheiro que não tenho num vinil do Magnetic Fields, porque meu Realism estava precisando de companhia.

mercredi 20 mars 2013

Papier, caillou, ciseaux

Quer me ler mais? Em vez de reclamar que eu não atualizo o blógue, me procure pela web!

Enquanto não posto por aqui, vocês podem achar umas diatribes ambientais minhas no site da International Society for Environmental Ethics. Como vocês também devem saber, vez ou outra, quando tenho tempo e ajuda das musas, também apareço lá no site das Pedalinas.

Agora, tem mais um lugar onde você podem me buscar: o modamanifesto. Tem mais um post meu lá. Deleitem-se.


mardi 19 mars 2013

Au printemps

19 de março. Dizem que a primavera começa amanhã em Montreal.


Ainda bem que é amanhã, porque hoje teve tempestade de neve (19cm em um dia). E viva! #not

lundi 18 mars 2013

Nuit blanche redux

Eu disse que ia ter ~surpresínea~!

Quem quiser saber como eu aproveitei a Nuit Blanche, que aconteceu no começo do mês, e da qual eu só tinha contado um incidente que me perturbou, dê uma olhada aqui.

A descrição completa das minhas aventuras notívagas está lá no modamanifesto, o site lindão dessas ~gurias queridas~ de POA.


vendredi 15 mars 2013

Santé!

Gordínea e eco-chata que sou, descobri o lugar ideal para passar o dia: Expo Manger Santé et Vivre Vert.

Tinha tudo para ser uma coisa bem alterninha e eco-chata, mas quis ir ver qual era assim mesmo, ainda que fosse só para dar uma voltinha e ver qual era. Cheguei ao Palais de Congrès pouco depois da coisa abrir. Fila pra comprar ingressos (10 Stephen Harpers) que me lembrava um pouco o caos da Bienal do Livro em São Paulo. Galëre aqui não é preparada pra multidões.

Quando consegui entrar, vi que o lugar estava BEM mais cheio que eu tinha imaginado. Mas também vi que tinha bem mais coisas legais que eu tinha suposto. E muitas, muitas amostras.

Acabou que passei a tarde quese inteira lá. Entre uma banquinha e outra, degustei tanta coisa que nem precisei almoçar.

Provei bastante coisa gostosa e muita coisa incrivelmente ruim. No final, não comprei quase nada. Pra não dizer que saí de mãos vazias, comprei um shampoo e um spray pro cabelo, da Druide. Super recomendo.

Também assisti à palestrinha-teaser da Élise Desaulniers, que era realmente uma apresentação pocket do livro novo que ela vai lançar semana que vem.

Uma das comidinhas que provei lá na feira e adorei foi o "bol dragon" do Aux Vivres, restaurante vegano hypadinho da cidade. Não era "bom para um prato vegano"; era delicioso - ponto. Tão delicioso que, depois de sair da feira, quando bateu a fome na hora do jantar, não pensei duas vezes: fui lá para a Saint-Laurent, ao Aux Vivres. Tinha uma espera, mas eu estava convicta.

No final das contas, acho que o Aux Vivres é um desses restaurantes de um prato só. O resto do menu não me apeteceu muito, não. Em termos de aventura culinária, acho que ainda prefiro o Crudessence.

Enfim, depois de um dia de militância e eco-chatice, mais que fiz por merecer o sono dos justos.


jeudi 14 mars 2013

Où tout le monde connait ton nom

As maiores perdas gordas de 2012 em Montreal: o DNA fechou e o Réservoir perdeu seu chef. Cadê casa, sopa de cebola, roupa lavada e um lugarzinho aconchegante para chamar de meu?

Sorte que Jamie Oliver veio bancar o novo projeto do Derek Dammann (ex-DNA). Lugarzinho aconchegante (sempre no balcão) para chamar de meu: check.

Mas... e a sopa de cebola? A sopa de cebola que comi no DNA não tinha igual! Já tinha falado dela pro Alex Cruz (parceiro do Derek Dammann) no DNA, mas ele tinha me dito que eles não queriam repetir pratos de lá no Maison Publique.

Quando eu imaginava que tudo estava perdido:

Ganhei o dia? Sim ou claro?

Mas calma... calma que melhora!


OMG! OMG! OMG!!

Isso até justificou mais o jantar de ontem (isso e o foie gras, os torresmos, o tartare, os drinks, o cheesecake...).

Cheers!

mercredi 13 mars 2013

Habemus Reid

Quem passou o dia de hoje olhando para o Vaticano, perdeu a real maior notícia da interwebz pindorâmica.

Foi publicada (pela Vida Nova) a primeira (!) tradução para língua portuguesa de um livro de Thomas Reid. A gente (no Brasil) não tinha; Portugal não tem.

O livro é bonitão e custa meras 39 dilmas e 90 centavos (compre aqui, compre!, compre!). Larguem de ser pão-duros, porque nem está caro.

ingredientes: genialidade de Reid, muita bateção de cabeça minha e das pessoas que me deram consultorias lingüísticas (entre outras ajudas), e paciência infinita do editor, que tolerou meus pedidos de extensão de prazo.

Aí o pessoal chia, porque é tradução e tal. "E como vou saber se a tradução é boa?" etc. Nesse caso, compartilho uma lição que aprendi por aí na vida: la garantía soy yo.

Tá com dor de cotovelo porque o papa é argentino? Vá se ocupar e ler o tio Reid, que eu prometo que você ganha mais. Aproveite e faça uma faxina no verbete sobre o Reid na Wikipedia-pt, porque está uma vergonha de pobrinho...

A Ciência agradece.

dimanche 10 mars 2013

Vu de l'extérieur il semble faire froid

Final de semana de calor.

Quantas camadas a menos?

Só que vocês têm de se lembrar que "calor" aqui em Montreal é algo que se aplica a qualquer temperatura acima de zero.

Já que o sábado meio que foi dia de faxina,o domingo ficou para a diversão. O brunch (sempre delicioso) foi no Chez Chose, porque eu estava com desejo havia tempos. Depois, para aproveitar o clima agradável, uma voltinha pelo Plateau.

Pela primeira vez, criei coragem para entrar na Blanc de Blanc, um lugar que sempre achei simpático. É um misto de lavanderia com café de terceira geração. Ou seja, um conceito bastante ~hispter~: um lugar ~descoladíneo~ para você deixar sua roupa lavando enquanto saboreia um café gourmet. Parece babaca, mas meio que é uma idéia genial. Nos meus primeiros anos em NY, quando não tinha máquina de lavar e secadora em casa (nem no meu prédio), a coisa que mais detestava fazer era carregar me saco de roupas sujas à lavanderia, ficar lá duas horas esperando, sem fazer nada, e depois, carregar o raio das roupas - agora limpas - de volta para casa. Essas lavanderias americanas são um insulto à minha apreciação estética (e a causa parcial de eu ter comprado tantas roupas, para evitar ter de ficar indo à lavanderia). Essa proposta de lavanderia-com-café, então, é bem interessante. E o lugar é bem decoradinho e tal.



Nunca vou usar essa lavanderia, porque tenho umas super máquinas de lavar e secar novinhas e ultra tecnológicas em casa e, mesmo senão tivesse, a Blanc de Blanc fica beeeem longe da minha casa (fora que o chá deles é de saquinho...).

Também teve: bolinho de limão Meyer da Cocoa Locale.

E também lembrei, bem de última hora, que estava rolando o "Salon du Disque et des Arts Underground de Montréal", no subsolo da Église Saint-Denis. Como era mais ou menos na mesma vizinhança, deu tempo de eu pegar o finalzinho - e fazer umas comprinhas.



Aí, quando me dei conta, já eram quase 17h., e o friozinho estava voltando. As camadas que não vesti estavam começando a fazer falta. Hora de buscar abrigo.

Dar uma voltinha pelo Plateau sempre tem uns moentos bem deprê.

vendredi 8 mars 2013

Ça pique

Eu já tinha feito um post sobre seringas aqui antes. Pois hoje mesmo fui comer em um dos meus go-to restaurantes asiáticos na Chinatown e eis que.




E os pê-ésse-dê-bistas e DEMoníacos aí, reclamando da Cracolândia em SP. #amadores

(Continuo sem saber se isso diz mais sobre a cidade, como um todo, ou sobre os lugares que eu frequento.)

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A tempo: estou dispensando parabenizações em relação ao dia internacional da mulher. Me parabenizem pelas escolhas que eu fiz, por ter coragem de levantar da cama todos os dias, por conseguir viver em um mundo injusto, misógino, homofóbico, racista etc. Não me parabenizem por eu ter, contingentemente, nascido XX. Não me trate como se su fosse sua mãe ou sua irmã. Não sou mãe nem irmã de ninguém. Me trate como ser humano que eu sou. E parem de argumentar por essa patacoada de que deveria existir um "dia do homem". Isso já basta.

jeudi 7 mars 2013

Pas trop de boulot

E chegaram os lotes de provas a corrigir! Que recomece o inferno!

(Ok, confesso que estou reclamando de barriga meio cheia: enquanto no semestre passado eu tinha mais de 250 provas e trabalhos a corrigir, dessa vez a quantidade está girando em torno de 90. Tranquilinho.)

Confesso que até consigo engolir uma reductio ad infinitum aqui e ali. O problema da minha vida é mais o fato de ela funcionar nesse modo redux ad infinitum.

mercredi 6 mars 2013

Ronde

Nem contei pra vocês que fui ao Montréal en Lumière, né? Fui brincar no frio (frio da porra, by the way).



O que teve:

Eu deslizando Place des Arts abaixo com um trenó de plástico, por um tobogã de gelo, à noitão.

Menu especial de dez pratos inspirado em na culinária argentina, no Apollo. (Tudo super bom, exceto a sobremesa, um troço a-bo-mi-ná-vel que eles tiveram a ousadia de chamar de doce de leite.)



Roda gigante na Place des Arts, que quase me congelou lá no alto.



Empanadas e sanduíches de bife da banquinha do Atelier d'Argentine (o substituto fraquinho do DNA no Vieux Montréal).

Marshmallows derretidos na fogueira, em plena Place des Arts.



Chocolate-quente ruim.

Degustações de coisas gostosinhas (comprei um óleo ótimo) e umas bem ruins (mel local com gosto de Karo).








Primeira vez que eu criei vergonha na cara e fui lá, aproveitar o Montréal en Lumière e a Nuit Blanche. Eu quase queria que a cidade fosse sempre desse jeito.


lundi 4 mars 2013

Dos et dodo

E daí que minhas costas (não mais meu pescoço, mas minhas costas) voltaram a tentar me boicotar. E eu voltei ao osteopata, para mais uma sessão de estalações.

Mais uma hora de medo, pavor e alívio.

Por outro lado, dessa vez planejei melhor e pude, antes de ir ao osteopata, provar o que eu descobri ser os melhores cachorros-quentes do mundo, no Café Sardine.

Eu invoco bastante com o Sardine, porque ele é, possivelmente, o café mais desconfortável da cidade. Mesas altas, banquetas e banquinhos que são o oposto de ergonômicos, lugar apertado, café ruim (pelo que eu ouvi dizer) e chá bem mais ou menos.

As comidas, por outro lado, são deliciosas. Eles tem o que eu considero, até agora, os melhores donuts da cidade. E agora, os hot-dogs!!

Quanto mais eu vou lá, mais eles vão me conquistando. E a decoração, apesar de meio ~hispter~ é bem simpática.


Confesso que não tive pique para ficar passeando pela cidade depois do osteopata, dessa vez. Ainda mais com o soninho que vinha batendo. Se tudo correr bem e minhas costas colaborarem, vou poder ter outros dias de passeio pela frente.

dimanche 3 mars 2013

Nuit blanche

E tem esse evento aqui em Montreal; uma "virada cultural" de primeiro mundo (significa: tudo organizadinho, mas acaba às 3 da manhã; fracos!). Os detalhes de o que teve e se/como foi legal, vocês vão poder ler em outro lugar (sim, vai ter surpresinha - depois eu posto). O comentário de hoje é só que alguma coisas acontecem de maneira igual meio que em todos os lugares, primeiro mundo ou não.



Na segunda metade da minha ~noitada~, lá pelas 2h da manhã, saí do Crudessence e fui pegar o metrô na Guy, em direção à McGill, para ir ver a arte subterrânea.

Plataforma da estação Guy:
Esperando o metrô, estação cheia, vejo uns caras conversando com uma garota de uns vinte-e-poucos anos. A garota não parece estar muito confortável, mas não estava claro se ela estava junto com os caras. Continuei olhando. O Metrô chegou. Embarcamos todos no mesmo vagão.

Metrô (dentro do trem):
O vagão estava bem cheio, mas tinha lugar para sentar. Fiquei em pé, no final do vagão, observando os caras que continuavam cnversando com a garota, no meio do vagão. Ficava mais claro que ela não estava junto com eles. Ela parecia intimidada e ia se encolhendo em direção à porta. De início, era um cara só falando com ela; os outros ao redor. Agora, tinha dois deles falando com ela. Um terceiro ia se aproximando Um dos caras se movimentou para encostar no roso dela; ela se afastou. Enquanto isso, meu sangue fervendo. O vagão cheio. Ninguém fazia ou dizia nada. Tremendo de raiva, fui até lá. Perguntei para a garota se ela queria me acompanhar para o outro lado do vagão e sentar comigo. Ela disse que sim, e me agradeceu. Os caras continuavam gritando; me chamando de Super Homem, dizendo que eu não precisava salvá-la (então, por que me chamar de Super Homem?). Ela me disse que não conhecia os caras, e que eles tinham vindo falar com ela na estação, e não a deixavam em paz. Ela disse que não entendia por que eles não a deixavam em paz.
Perguntei em que estação ela ia descer. Ela disse que ia à Place des Arts. Eu ia descer na McGill (que fica antes da Place des Arts, nessa direção do metrô). Perguntei se ela iria ficar bem. Ela perguntou se poderia descer comigo no metrô McGill e ficar esperando um pouco comigo, até poder pegar o metrô de volta. Concordei.
Os caras também desceram no metrô McGill. Fomos saindo devagar, para dar tempo de eles irem embora. Quando estávamos na plataforma, o cara que tinha começado a algazarra veio falar comigo. Perguntar por-que-eu-tinha-feito-aquilo-que-ele-só-queria-conversar-com-ela-por-que-eu-não-deixava-ele-conversar-com-ela-quem-eu-pensava-que-eu-era. Respondi que eu tinha o direito de conversar com ela tanto quanto ele, que agora era MINHA vez de conversar com ela e que era melhor que ele fosse embora. Talvez devesse ter respondido outra coisa, mas, no calor do momento - e em francês! - isso foi tudo o que em ocorreu. Ele foram embora gritando. Depois que saíram pelas catracas, a garota disse que ia pegar o metrô de volta, então. Perguntei se ela estava bem; se achava que ia ficar bem. Ela disse que sim
Passei pelas catracas um pouco depois dos caras, me mantendo a uma distância segura (era um grupo grande, afinal) e, ao mesmo tempo, me certificando de que eles não voltariam à plataforma. Tudo sob controle.

Continuei a noite, vendo a arte subterrânea e me frustrando com a piscina do Hilton. Quando cheguei em casa, já lá pelas 4 da manhã, não tinha sono. Fiz qualquer coisa para me distrair e finalmente deitei para dormir por volta das 5h. Ainda rolei na cama por um bom tempo, até a adrenalina dissipar.

Tem muita coisa muito errada no mundo. E a "noite em claro" daqui acabar às 3 da manhã é a menor delas.

samedi 2 mars 2013

Laval

Laval é a cidade onde a alegria está enterrada (ela foi assassinada em Trois Rivières).

Carta

Carta aberta ao Conselho Universitário (Consun) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP):


Senhoras e senhores membros do Conselho Universitário da Pontifícia Universidade de São Paulo

Vi, recentemente, circular pela internet um texto de um semanário de São Paulo indicando a intenção da reitora (?) Anna Maria Marques Cintra de extingüir alguns cursos do quadro daqueles que são oferecidos pela PUC-SP, entre eles - a extinção mais destacada e, possivelmente, comemorada, pelo semanário - a do curso de filosofia.

Escrevo aos senhores e às senhoras com um pedido de consideração, pois fui aluna do bacharelado e da licenciatura (à minha época, o funcionamento dos cursos era diferente, como  os senhores e as senhoras bem sabem) em filosofia de 2001 a 2005. De 2006 a 2007, estive matriculada no mestrado em filosofia, que acabei abandonando, pois fui continuar meus estudos fora do país. Atualmente, depois de ter concluído o mestrado em uma univeridade norte-americana, sou doutoranda em filosofia em uma universidade canadense.

O argumento usado pela reitoria é o de que os cursos "não precisam dar lucro, mas precisam ao menos se pagar" (cito via o semanário).  Eu até tento entender. Tento entender a mercantilização da educação, que não é uma preocupação exclusiva da PUC-SP. Essa mercantilização está atingindo todos os cursos das chamadas artes liberais no mundo inteiro. Tento entender, mas é difícil. É difícil porque eu tive uma educação em artes liberais na PUC-SP e sei o valor que ela tem. Sei que ela se paga. Porque foi ela quem me deu a formação de base para que eu pudesse chegar aonde cheguei.

Como todos os alunos da COMFIL (a então Fauldade de Comunicação, Filosofia e Letras), tive de fazer dois cursos de Cultura e Cidadania. O tema do primeiro, ministrado por um professor do departamento de filosofia, era a participação política. Aprendi bastante naquele curso; é verdade. Mas aprendi muito mais sobre participação política pelos corredores da universidade que em sala de aula. Nos mais de seis anos que passei na PUC-SP, vi protestos, greves, invasões da reitoria. Eu nem sempre concordava com as reivindicações feitas ou ações tomadas, mas as respeitava, pois tinha aprendido algo muito importante já na minha primeira semana como aluna da universidade, em 2001 - algo que eu repetia com certo orgulho: a PUC-SP não era uma universidade pública nem uma universidade privada; a PUC-SP era uma universidade comunitária: não era propriedade de alguém ou alguma entidade (embora fosse de responsabilidade da Fundação São Paulo); era o conjunto das pessoas que estudavam e trabalhavam ali. O campus Monte Alegre era dos alunos, dos professores, de todos os funcionários, do bairro de Perdizes. O mesmo era verdadeiro de todos os outros campi - e de suas relações com os locais onde se situavam. Me entristece saber que as coisas não parecem mais ser assim.

O meu segundo curso de Cultura e Cidadania, ministrado por um professor do departamento de lingüística, teve por tema a educação. Lemos incansavalemente Paulo Freire. A PUC-SP parecia ter orgulho de tê-lo tido em seu quadro de docentes. Em muitos aspectos, a pedagogia crítica proposta por Paulo Freire era não apenas empregada, mas fortemente encorajada dentro e fora das salas de aula da universidade. Me entristece ver que, apesar de tudo isso, a concepção bancária da educação está, atualmente, sendo usada como instrumento de opressão na PUC-SP.

Ademais, ainda que eu estivesse matriculada no curso de filosofia, a proposta de artes liberais da PUC-SP me deu a oportunidade de fazer muitos cursos que faziam parte do currículo de outras habilitações. Estudei lingüística, arte, literatura, latim. Graças ao que aprendi no curso de latim pude desenvolver minha atual pesquisa de doutorado. No início do curso, ainda me confundindo nas declinações, já consegui entender, entre outras coisas, o lema da universidade: sapientia et augebitur scientia. Sabedoria e aprimoramento do conhecimento. Me entristece ver que a PUC-SP já não honra as inscrições de seu brasão.

Tivesse a reitoria feito um levantamento sobre os alunos que passaram, desde 1947 - ou, ainda, desde 1908 - pelo curso de filosofia, tenho a certeza de que veríamos uma extensa lista não só de pesquisadores, como eu, mas de "puquianos" que se tornaram professores de grandes universidades, artistas de destaque, empreendedores etc. Se isso não tem valor, não sei o que tem. E, se vamos nos focar simplesmente no valor mercantil da educação, analisando essa amostragem, é falso dizer que o curso de filosofia "não se paga".

Não me parece fazer sentido pedir ao Consun que "salve" o curso de filosofia, simplesmente. O que eu gostaria de pedir ao Consun é a reflexão sobre o estatuto do curso dentro da PUC-SP. O curso "001", incipiente da PUC-SP, quando ainda era oferecido pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento, com seu quadro de professores doutores, um curso que "custa caro" para a universidade, talvez não mereça um salvamento, mas ele certamente merece mais consideração que a reitoria tem demonstrado com suas declarações irrefletidas. Enquanto a reitoria fala de valor, a filosofia fala de Valores.

Embora eu tenha me atido a considerações sobre o curso de filosofia, sei que igual consideração é devida a todos os outros cursos ameaçados de fechamento, visto que todos compõem a imagem que a PUC-SP tem transmitido à comunidade.

Assim, me sendo impossível fazer um apelo direto ao Conselho, e me sendo igualmente impossível participar das manifestações que têm ocorrido no campus, deixo, com pesar, minha pequena contribuição pessoal ao debate.

Atenciosamente,

AMR
bacharel em filosofia, PUC-SP, 2005
licenciada em filosofia, PUC-SP, 2005

vendredi 1 mars 2013

Beaucoup trop petite

Teve festinha de aniversário (porque, às vezes, eu sou bem sociável) de uma colega da universidade hoje à noite. Tinha planejado o dia certinho: de manhã, iria para a universidade, para um reunião com meu orientador, viria para casa almoçar, cuidar de umas burocracias e me arrumar para sair, para ter tempo de comprar o presente perfeito antes de ir ao jantar (que era às 18h, à la québecoise).

Comecemos:

A reunião com o orientador foi boa. Acho que, nos últimos 12 meses, foi a única vez que não saí do campus frustrada e com uma vontade incontrolável de socar alguém. Acho que isso é sempre bom.

Vim para casa e aí, bum!, o tempo foi parar em qualquer lugar e, quando vi, estava atrasada para ir comprar o presente. Abortei o plano de ir a pé e resolvi tomar o ônibus. Chego ao ponto dois minutos antes do horário do ônibus (lembrem-se de que ônibus aqui seguem horários). Dois minutos se passam: nada. Cinco minutos: nada. Já estava na hora do ônibus seguinte. Nem sinal. Mais uns seis minutos. Nada. Desisti do plano do presente perfeito. Me contentei com um presente bom o suficiente que comprei aqui perto de casa e tomei o metrô.

Chegando ao Faste Fou, a aniversariante já estava lá, com alguns de seus amigos e colegas. Já conhecia a maioria das pessoas, então, não foi muito horrível. Me sentei à frente de uma moça que disse me conhecer, embora eu não a conhecesse. Essas coisas sempre me intrigam apavoram. Aí, ela qualificou: ela não me conhecia pessoalmente, mas já tinha "me lido". COMOASSIM tem gente me lendo?

Aí, ela explicou que tina lido um paper meu assim-assim e eu comecei a desconfiar de quem ela era. Até que  outras pistas confirmaram.

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Corta para a festinha de final de ano do departamento (um desses eventos a que eu vou a muito contragosto), em desembro passado. Um colega, com quem eu havia considerado dividir um apartamento me contando que ele estava mudando porque ele terminou o namoro e, como ele morava com a namorada, ia ter de acabar voltando para a casa dos pais por um tempo.

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Corta para umas três semana atrás. Esse mesmo colega me mandando uma mensagem perguntando se poderia dormir aqui em casa, porque os pais dele (em cuja casa ele está morando) moram, basicamente, na casa do caralho, e ele tinha compromisso cedo na universidade e eu moro do lado do campus, tal. Ele é legal. Veio, dormiu aqui, trouxe uma garrafa de vinho de presente.

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Corta de volta para a festinha, quando eu me dou conta que a moça sentada à minha frente é a tal ex do meu colega. Até aí, quem se importa? Mas eis que a moça é super simpática; dessas pessoas que sabem conversar normalmente (coisa rara por aqui).

Vou embora logo depois do jantar, porque a comemoração ia continuar em uma baladinha com temática francófona e eu ainda nutro algum amor pelos meus ouvidos. Quando acordo no dia seguinte, descubro que ganhei uma nova amiga no Facebook.



Moral da história: essa cidade é pequena demais para mim. ~HALP!~