mardi 26 février 2013

Trop évident

Hoje, no twitter, alguém postou um artigo bem interessante de como vivemos em (verdades) narrativas, e não verdades históricas. Eu não poderia concordar mais (lembrem-se de que esta que vos escreve escreve também -- embora não mais a sério --, nas horas vagas, coisas como essa e essa outra). E aí fiquei pensando no tema do artigo, em como me manter sã, e nessa coisa da narrativa.

Por uma dessas coincidências, uma amiga, com quem eu não falava há muito tempo, me encaminhou esse vídeo. Se essa não for exatamente a minha narrativa, então não sei qual é. Respirei aliviada. I totally have this figured out.


(Se alguém quiser entender melhor o que está acontecendo aí, clique para assistir ao vídeo no YouTube e leia as informações sobre ele.)

dimanche 24 février 2013

Trop foutue

Bom (?) pra vocês que assistiram à cerimônia do Oscar. Eu fiquei de cama, desesperada de dor (no pescoço e nas costas) por motivo de: sexta-feira e o stress-nosso-de-cada-dia-causado-por-incompetência-alheia-e-meu-cotidiano-poder-de-hiperventilação, crise generalizada de ansiedade e... Seth MacFarlane, porque... sério mesmo?

Nesse momento de glória, de carpete vermelho em Los Angeles, Aline vestia pijama e se entupia de ciclobenzaprina.

samedi 23 février 2013

Trop chaud

Montreal é essa cidade movida a brunch (embora eu tenha a impressão de que 70% dos restaurantes que servem brunch aqui não entendam o conceito de brunch). Mesmo assim, são poucos lugares que servem brunch aos sábados. Vá entender.

Um dos lugares que estava na minha lista de "a provar" já fazia algum tempo era o Sparrow, que, na verdade, é um bar. Mas que abre aos sábados e domingos para o brunch. Como o especial desse sábado incluía vieiras anroladas em bacon, não deu para resistir, mesmo lá tendo essa coisa chata de só aceitar dinheiro.

Fui de ônibus, por motivos de: oi, preguiça e fome. Na hora de saltar do ônibus, na St. Laurent com a Maguire, a s fofuchas que deram o sinal para o ônibus parar decidiram que elas não iam mais descer naquele ponto. E também que iriam bloquear a porta com sua indecisão. Muito puta, tive que descer no próximo ponto (na esquina com a St. Viateur) e andar, debaixo de uma leve tempestade de neve, de volta à Maguire. Isso junto com a fome. Vão imaginando o mau humor. Calma que piora.

Estava com vontade de tomar um chocolate quente, porque sou sugestionável e ver aquele porquinho em frente ao Chez Chose na segunda-feira me fez pensar no chocolate quente deles, que é maravilhoso.

Só que eu estava no Sparrow, e o que me serviram foi um copo (!) de leite quente com chocolate em pó e um tanto de chantilly e açúcar por cima. Genial. Já vi que a comida não ia ser grandes coisas. E não foi. As vieiras estavam ok, mas os ovos mexidos estavam bem ruimzinhos. Ovos mexidos! Como alguém consegue cagar ovos mexidos? (buscas bizarras no Google trazendo gente ao meu blógue em 5, 4,...). O rango não estava delicioso, mas matou a fome.

De lá para a Guillaume, a padaria hypada da cidade. Sabem em São Paulo, quando uma padaria está hypada, você vai lá e acha bem mais ou menos? Aqui, a coisa é um pouco diferente. Primeiro, porque há bem menos padarias na cidade, então, o hype que é concentrado apenas em torno da Guillaume é MUITO maior que qualquer hype de padaria de São Paulo. Segundo, porque a decepção aqui é muito maior que a que alguém teria em São Paulo.

Você entra na padaria (que, ao contrário das padarias em SP, é apenas um lugar que vende pão) e sente o maior cheiro de queimado. Olha para os pães: todos com cara de queimados. Esses caras definitivamente não entendem o conceito de pão e não manjam nada do funcionamento de um forno. Mas, já que estava lá... provar alguma coisa. Por que não?

Um pão de chocolate e um de queijo-com-nozes-e-quaisquer-outras-coisas. A mocinha, na hora de servir, teve vontade de espirrar e, visto que ela estava segurando meu pão, não podia virar para espirrar na mão/no braço. Assim, ela abriu os braços à la Jesus-Cristo-eu-estou-aqui, virou de costas para mim e espirrou no ar, na direção geral em que *todos os pães que tinham acabado de sair do forno* estavam. Saúde pública manda beijos. Ao menos os *meus* pães não tinham sido contaminados. Não naquela hora, pelo menos. Talvez minutos antes...

Brunch: decepção. Padaria: decepção.

O prêmio de consolação eu achei no chão da Guillaume: um pedacinho de gelo derretendo como se fosse um focinho de porco.

Acho que, no final de semana que vem, o brunch vai ter que ser no Chez Chose! Isso só pode ser um sinal!
De lá, frustrada, passei no Café Sardine, que ainda não me convence muito como café/restaurante, mas eles têm uns donuts deliciosos, fazer o quê?

Mas, logo, a irritação bateu, indicando que era hora de voltar para casa. Ainda convidei umas amigas para virem tomar um chá/café aqui em casa - durante o qual provamos o tal pão de chocolate (horroroso) da Guillaume.

Olha, totalmente aprecio os donos de lá: essa coisa ~hispter~ de ter a cabeça com a metade raspada, braços tatuados, ser locavore, andar de fixa e tudo o mais, mas, decidiu fazer pão? Faça pão. Comme il faut. Essa cidade está cheia de franceses, porra! Não é possível que o melhor pão seja um pão québecois estorricado. Padeiros de São Paulo: vejo todo um nicho de atuação para vocês aqui. ~Venhão.~

vendredi 22 février 2013

Trop froid

Dias de palestras e conferências na universidade. Ontem, foi uma mesa redonda. Hoje, palestra seguida daquele momento de socialização awkward.

A professora (aqui do departamento) que estava servindo de anfitriã do evento (e quem eu já tinha visto umas oitocentas vezes) veio se apresentar a mim e perguntar quem eu era. Quando disse meu nome, ela se pôs a meio que relatar meu currículo, o que me teria dado um pavor nível tem-um-serial-killer-atrás-de-mim, se não estivesse eu por demais habituada a essas excentricidades acadêmicas. Isso e o fato de, em comparação aos outros idiotas doutorandos do meu departamento, o meu percurso, de fato, se destacar (não pelo brilhantismo, mas pela excentricidade, mesmo). Para completar, ela disse que nunca tinha associado meu nome à minha figura porque sempre me imaginou mais velha. Ou os cremes antirrugas estão funcionando, ou as pessoas aqui são mais míopes que eu. Por via das dúvidas, tomei como elogio.

Conversa vai, conversa vem... chegou a hora da socialização avançar para o jantar pós-palestra. Entre uma socialização e outra, fui co-optada.

A anfitriã me diz, então, que e vou ficar contente com a escolha do restaurante, o Crudessence, um restaurante orgânico, vegano e crudívoro.

Oi?

Ah, sim, porque corre esse boato no departamento de que eu sou vegana. Porque eu sou a lôka da comidaque só come bacon de porquinho feliz e só usa manteiga orgânica, tal. Pessoal confunde neurose com cautela moral. Acontece o tempo todo na minha vida.

Mas enfim. O tal restô crudívoro. Confesso que sempre tive vontade de provar. Daí a ficar mais tentada a me juntar ao jantar depois que soube do destino. Opa! O jantar em si, como evento social, foi bem chato. Bem menos chato que poderia ter sido, confesso. Mas também incrivelmente mais chato que teria sido se tivesse sido eu a escolher as companhias.

Minha entrada: bhaji, que são esses bolinhos (tipo os que tem na comida indiana) geralmente fritos. Esse não eram fritos. Eram desidratados. E à temperatura ambiente (restaurante crudívoro! Sacou?). Estavam bons, confesso. Mas também confesso que estariam melhores se estivessem quentes.

Meu prato principal foi um troço chamado Samurai. Uma massa de soba de trigo sarraceno, marinado à moda japonesa, com goji, "couve" (kale), arame (que é um tipo de kelp - ou alga, para os menos frescos), shitake e brotos de ervilha, servida com almôndegas de legumes sobre uma cama de espinafre. A descrição pode parecer horrorosa (e eu sei que parece, principalmente para uma pessoa onívora), mas estava uma delícia. Mesmo.

A massa, obviamente, era cozida (não sei como ou a que temperatura, dadas todas as restrições do lugar, mas isso não é problema meu). E, embora os resto estivesse em temperatura ambiente e o prato, no final das contas, estivesse morno, não reclamei muito, não. Em parte, por conta da fome, visto que a comida demorou para todo o sempre para chegar à mesa.

De sobremesa, comi a torta de limão: um(a) mousse de abacate com limão em uma crosta de macadâmia e côco, com umas sementinhas de papoula por cima. Realmente excelente. Bem azedinha e doce na medida certa.

No final, só o vinho é que não foi grandes coisas. Um sauvignon blanc fake, orgânico, não-filtrado.

Como o departamento é mão-de-vaca tem um orçamento limitado, eu tive de pagar meu próprio jantar (exceto o vinho, mas convenhamos...) e não foi particularmente barato. A refeição certamente valeu o que eu paguei (e a experiência de uma refeição vegana E crudífera gourmet). Matei a vontade e a curiosidade. Mas esse não é o tipo de coisa para se fazer todos os dias. Nem todas as semanas, ou todos os meses, ou anos. Bem, talvez uma vez na vida baste.

mardi 19 février 2013

Trop gélée

Na volta do osteopata, descendo a St. Denis, descobri várias esculturas de gelo, que tinham sido feitas durante o final de semana, e que tinham sobrevivido umas horinhas a mais, para me dar uma desculpa para um passeio vespertino. A minha favorita (a primeira a que prestei atenção) foi a que ficava em frente ao Chez Chose:


Algumas outras, para divertir vocês, cada uma seguindo o tema do comércio na frente do qual estava:














lundi 18 février 2013

Trop coincée

Já tem quase 13 anos que eu decidi que não iria mais hold back nada do que tinha a dizer. Há treze anos, tive de remover um cisto maior que uma bola de tênis de um dos meus ovários adolescentes. Doze centímetros de diâmetro. Um centímetro para cada ano que passei quieta, tentando tampar a panela de pressão do meu distúrbio de ansiedade borderline sociopático. Isso bastou para que eu tirasse um pouco a tampa. Bastou também para que eu criasse uma longa lista de inimigos. Bastou para que eu ganhasse uma lista menor, mas muito mais sólida, de amigos.

Doze anos depois (minha vida funciona em ciclos, como um calendário maia?), uma dorzinha nas costas. Um ano de dor. Acupuntura, spa, bolsas de gelo, bolsas de água quente, anti-inflamatórios, relaxantes musculares. E nada.

Muitas pessoas recomendaram que eu me consultasse com um osteopata. Depois de resistir um pouco, segui a sugestão de um casal de amigas (uma, enfermeira, a outra, professora de tênis), que se trataram em uma clínica aparentemente muito boa não muito longe aqui de casa. Como estava a ponto de tentar vodu, macumba, cirurgia espiritual e afins (tamanha era a dor e tamanha a ineficácia dos remédios), resolvi dar uma chance.

Telefonei e marquei horário com o primeiro profissional que podia me atender (coincidentemente, o mais caro, o chefe da clínica). Segunda-feira, às 15h.

Lá fui eu, com meu misto de medo (tenho horror a quiropráticos) e ceticismo (acupuntura fracassou enormemente).

A clínica era bem arrumadinha, embora tivesse esse ar meio feng shui. O médico (não sei se chamaríamos assim no Brasil, mas, enfim, doutor em osteopatia) que me atendeu era bastante simpático e me pareceu saber o que estava fazendo. Me diagnosticou, a princípio, com um problema na coluna cervical - mais especificamente na C7.

Era hora de ir para a mesa, avaliar melhor a situação e colocar as vértebras no lugar.

De início, ele se assustou com o quanto a parte superior esquerda das minhas costas estava tensa, e entendeu o quanto de dor eu deveria estar sentido. Depois de bastante tempo de aquecimento muscular, ele começou a estalar minhas costas, colocando no lugar, primeiro, as vértebras da região torácica. Depois - a parte de que eu tinha mais medo! - a coluna cervical. Minha cabeça foi virada de um lado para o outro, estalando lá dentro, bem onde doía.

O problema, no final, era na C2 e na C3, que estavam esmagadas uma na outra, o que causava essa dor que se espalhava para a cabeça, ouvido, ombro, costas e braço.

Uma hora de estalos esparsos (com grandes intervalos para o corpo - e o cérebro - descansar) e, voilà, eu parecia nova em folha!

A parte que mais me chocou/interessou, contudo, foi a última etapa do processo de colocar as coisas no lugar: o maxilar.

"Est-ce que tu arrives à dire tout ce que tu as à dire?" ("Você diz tudo o que tem a dizer?")

E taca a pressionar meu maxilar!

13 anos atrás much? Uma pontada de dor nas costas para cada vez em que eu fiquei quieta em vez de falar. Em vez de perguntar, gritar, xingar, tirar satisfação. Uma vértebra prensada na outra, como o maxilar forçado pelo auto-controle. Como eu desconfiava, o problema não era minhas costas.

Agora eu sei.

E eis que começa um novo ciclo. Protejam-se.

jeudi 14 février 2013

Trop mignon

Sobre como eu vejo Valentine's Day/la Saint-Valentin: ver esse post de dois anos atrás.

Mas, para vocês não acharem que eu sou a encarnação da cizânia, vale ver também o Google doodle do dia:



(Para quem achou que eu ia abrir minha querida e deliciosa garrafa de vinho em um jantar romântico hoje: acho que é hora de tomar vergonha na cara. É óbvio que esse jantar não existiu e não existe em nenhum mundo possível, e, mais que isso, é óbvio que ainda estou tomando os malditos remédios. Orai.)

mercredi 13 février 2013

Trop loin

Depois do Mile End, era chegada a vez de voltar a explorar o oeste da cidade -- para além da McGill, lá pros lados da Concordia (porque, para ir além da Concordia, precisa de muuuuito mais motivação - ver: filme do Haneke).

Não foi tudo em um dia só, mas segue a lista de o que teve:

Golden Stone (Shuang Xiang): esse é um restaurante da "Chinatown 2" de Montreal (que é a Chinatown da Concordia, e não a "original", que fica aqui perto de casa), que é muito bem cotado por aí. Exceto que. Exceto que ele é ruim. Ponto. Eles fazem uns espetinhos à moda chinesa. O de tofu estava excelente, mas acho que era a única coisa realmente comestível da refeição. O Mapo Tofu estava bem médio, melhor que o do Beijing (onde todo o resto é excelente), mas perdendo feio para o da Maison du Nord (que é, sem sombra da dúvidas, o melhor da cidade). Os outros espetinhos (comi também de carne de vaca e de cordeiro) estavam bem ruins. Mas a pior parte da refeição foi um tipo de panqueca frita com cebolinha, que vários blógues recomendavam, mas que eu só comi para não sair de lá com fome. A vantagem é que o prejuízo não foi grande. Com uns 10 stephen-harpers por pessoa dá para comer bastante comida. A dúvida é só se alguém iria querer comer tanto de algo tão ruim.

Kazu: Esse vai para o Top 2, junto com o Maison du Nord (mas é japa; e não chinês!). A sorte foi que cheguei às 11h55, pouco antes de o restaurante abrir para o almoço, e já entrei na fila (porque, sim, tem fila antes de abrir). E eles fazem jus à eventual espera. Comida e serviço excelentes; preço bem justo. Única nota mental: dispensar o sorvete como sobremesa. É feito lá mesmo e tal, mas não é muito bom.

Pâtisserie, Boulangerie & Cie. Olivier Potier: me dói confessar que é boa (o mil-folhas e o Paris-Brest são dos melhores - e mais bonitos! - da vida). Dói dizer isso porque o lugar é pretensioso, a clientela é detestável, o serviço é bem fraco, e os doces são caríssimos! Mas é bom. E, como era quarta-feira, o especial do dia era o financier! Apenas que: o financier que eles fazem!!!!
Em tempo: se é para ir a oeste da Parc por doces, ainda acho bem mais honesta a proposta da Yuki, que, mesmo sem esse flare francês, faz sobremesas excelentes e a preços mais módicos.

Anthropologie: porque não só de comida vive minh'alma. A Anthropologie era uma das minhas lojas favoritas em NY, e eles acabaram de abrir (foi em outubro, mas whatev) a primeira loja em Montreal. Eu ainda não tinha ido lá conferir porque, a bem da verdade, além da pobreza de que eu reclamo constantemente aqui, tem também essa coisa de eles estarem do outro lado da cidade e zzzZZZ-que-preguiça. Para constar: a loja aqui é igualmente simpática (apesar de eu não gostar de ela ser dividida em três andares), mas possivelmente mais cara que em NY. Significa: não estaremos trabalhando com.

Centre Eaton/Complexe Les Ailes/Place Montreal Trust: porque minha dor nas costas persiste, e eu estou achando, já há algum tempo, que é hora de eu tomar vergonha na cara e comprar uma mochila, para distribir melhor o peso dos livros/artigos/eletrônicos que eu carrego para cima e para baixo. O detalhe é que, a última vez que eu usei mochila, eu devia estar no primário (mentira, foi no colegial, por motivos de: anos 90 etc.). Como se compra uma mochila? Mais especificamente: como comprar uma mochila compatível com meu tamanho (i.e.: mini) que não seja da Dora Aventureira? Entrei em umas cinco lojas (o limite da minha sanidade) e não encontrei a resposta. Quando eu conseguir resolver esse grande dilema ontológico, aviso vocês. Até lá, se alguém tiver sugestões, beijomeliga.

SAQ: para manter a mente (...) em ordem, passadinha para comprar um vinho de que eu gostei bastante (WS: 91), antes que acabasse o estoque. Agora é só esperar o divino espírito santo se manifestar e consertar as minhas costas, porque não posso misturar os sedativos eqüinos que estou tomando com bebidas alcoólicas. E viva!

Depois de duas visitas ao centro da cidade em três dias, bora sossegar um pouco de volta a leste da Main, porque acho que já atingi minha cota anglófona da semana. Afinal, para quem ainda não entendeu: (infelizmente,) Montréal é melhor em francês.

dimanche 10 février 2013

Trop mal

O tanto de trabalho que eu tenho feito no computador ultimamente não tem contribuído para minha saúde mental; mas isso não é novidade. O que é novidade (mas nem tanta) é que minha saúde física também não está nem perto dos 100%. As dores nas costas (?) que eu vinha tendo desde o ano passado - e que eu tentei, sem sucesso, controlar com acupuntura e um colar cervical - voltaram com intensidade máxima essa semana. Sexta-feira à noite, depois de passar a tarde em reunião, aturando as idéias retardadas de alguns colegas, tive essa idéia brilhante de sair de casa. Vale lembrar que tinha uma tempestade de neve e vento, que eu não tinha comido o dia inteiro e que os ônibus estavam funcionando em horários erráticos.

Demorei uns 40 minutos para atravessar o Parc Lafontaine (algo que leva, em geral, uns 15 minutos), porque eu - que, aliás, era a única pessoa no parque - estava com neve até os joelhos, tentando vencer o vento que criava uma resistência que quase me empurrou parque abaixo (além de ter ter me dado umas freeze burn sensacionais). Parecia que estava atravessado a Sibéria. Tinha certeza de que ia morrer ali, no meio do parque; uma versão pobre das cenas finais de Dogma do Amor.

Até considerei voltar para casa, mas, visto que já estava na metade do caminho, fui teimosa.

Depois de jantar, meu foco pôde mudar do meu estômago para as minhas costas, que, a essas alturas, doíam loucamente.

Não ouve ibuprofeno que chegasse. Dormi mal; tudo horrível.

Ontem, então, resolvi que ia procurar um médico. Liguei para algumas clínicas que pareciam estar abertas. Fiz váriasligações para tentar descobrir como funciona o sistema de saúde do Québec. Não é nem um pouco óbvio que um não-residente possa ir às clínicas públicas, assim como não é óbvio que eu possa ir a qualquer clínica privada. Depois de coletar toneladas de informações, resolvi que o melhor seria desistr e lidar com a dor. Até que.

Até que meio que não deu mais. Mas eu sou teimosa e precisei de bastante incentivo alheio para me convencer a ir a uma clínica. A vantagem é que não tinha ninguém na espera, e eu fui atendida quase imediatamente. Quase, porque, claro!, tive de pagar a consulta antes. Em dinheiro. Porque isso aqui é o Québec e eles parecem ainda não ter ouvido falar e máquinas de cartão de crédito/débito. Fui a um caixa eletrônico sacar dinheiro, paguei, fiz a ficha...

A médica que me atendeu foi bastante solícita. Saí de lá com meu recibo (que, com fé e amor no coração, servirá para eu receber um reembolso do meu seguro-saúde) e prescrição para dois remédios: um anti-inflamatório e um relaxante muscular. Fui à farmácia (que, incidentalmente, fica imediatamente abaixo da clínica) e fiz o pedido dos remédios. Mais uma pequena fortuna pela qual espero ser reembolsada. Medicamentos para que eu permaneça viva e borderline funcional por 20 dias.



Na hora, tomei o anti-inflamatório, e a dor pareceu diminuir, mas não significativamente. À noite, tomei o relaxante muscular e... derreti. Acordei umas 11 horas depois, me sentindo como se tivesse tomado uma overdose de tranqulizante. Lerda, babando. Saí para comer, me sentindo como se tivesse uma nuvem constante ao redor da minha cabeça, sem reflexos. Voltei e dormi por mais umas três horas. Acordei, fiquei olhando para o computador tendo a certeza de que tinha algo a fazer, mas sem saber muito bem o quê, por que, ou como. Algumas horas depois, notei que iria ficar com fome. Saí para comer qualquer coisa. Voltei para casa para dormir, porque esse sono parece infinito.

A dor nas costas? Não estou sentindo, não. Mas também não estou sentindo meus pés, as pontas dos meus dedos a baba que vai escorrendo pelo canto da boca...


samedi 9 février 2013

Trop peu

As aventuras montrealescas têm acontecido com mais freqüência recentemente, visto que o frio polar deu uma trégua (a temperatura até quebrou a barreira do zero essa semana; acho que chegou a fazer UM grau!!).

No último dia da Poutine Week, para compensar o fracasso do último restaurante visitado (Fabergé), aproveitei para explorar (gastronomicamente) o Mile End. O Mile End não fica lá tão longe de casa (considerando que eu tenho pique para andar essa cidade de cima abaixo...), mas não é sempre que eu vou praqueles lados, confesso. Saindo do Fabergé, o roteiro foi mais ou menos esse:

Wilensky: um lugar na frente do qual eu já passei um sem-número de vezes, mas para o qual eu nunca tinha dado bola até ler uma crítica (boa) em algum lugar. Para minha frustração, estava fechado, e só reabre no final do mês, acho.
#fail

Kem CoBa: de longe, de muito longe, o melhor sorvete da cidade (possivelmente: do mundo). Não sei bem se eles abrem no inverno. Supostamente, eles fazem uns doces, se não sorvetes. Mas também estava fechado e não pude descobrir.
#fail

Café Myriade: já conhecia o que tem perto da Concordia, mas agora eles abriram um mini-café dentro de uma loja (Savoie Fils) no Mile End. Clientes e baristas tão ~hispters~ que chegam a ser quase oldschool dândis. Preguiça.
#fail
Em tempo: a Savoie Fils é, em si, uma loja que eu não entendo.O que ela tenta ser (acho): uma general store (uma coisa que veio com essa modinha ~hispter~, mas que eu confesso que adoro!) voltada para o público masculino. O que ela de fato é: uma loja de velas, palitos de fósforo, brilhantina e canivetes extremamente caros, com um meio café na entrada.
#fail

Vova: "padaria"/mercadinho russo (soviético?), com várias coisas que pareciam bem gostosas. Essa foi uma descoberta não-planejada; ainda tenho de voltar e provar alguma coisa.

Chez Boris: supostamente, o melhor donut da cidade. Fui ver qual é que era. Era um glorified bolinho de chuva. Novidade para Montréal; notícia velha em qualquer casa-de-vó no Brasil. Só não ganha a hashtag #fail porque tinha kvass que eles mesmos faziam. Ainda a decidir se valeu a dor de cabeça que me deu depois...

Já na fronteira do Mile End com o Plateau, o grande momento de redenção foi a visita à Cocoa Locale - que, a essas alturas, já não era novidade, mas o red velvet que eu comprei dessa vez, por outro lado, foi, sim, novidade. (Não sei se o red velvet de lá é tudo isso - depois de ter comido os da Magnolia Bakery e da Babycakes, é difícil achar melhor -, mas os cupcakes de baunilha e limão!!! E olha que eu sequer gosto tanto assim de cupcakes...)

Obviamente, a Cocoa Locale está disputando com a CRémy o título de quem vai me deixar cega (e falida) primeiro.

Com esse passeio, e considerando uma visita fracassada ao Thaïlande no início da semana, fica comprovado que, até segunda ordem, o Mile End é um engodo.

jeudi 7 février 2013

Trop bon!

Esses dias, estava trocando e-mails com um colega que me lembrava de que a comida daqui do Québec é basicamente essa coisa super pesada, a base de batatas e açúcar (ver: poutine, pâté chinois e todos os doces feitos de bordo - "maple" para os anglófonos).

O mês de fevereiro também é reconhecidamente o mais frio por aqui.

A combinação dos fatores dá espaço (e público!) a um evento infalível: poutine week! (de 01 a 07/02)

A poutine é algo que os canadenses inventaram para justificar a existência do país. A fórmula matadora é simples: batatas fritas, gravy (ou alguma variação do tema) e cheese curds (queijo em grãos, com textura e sabr que lembram um pouco o queijo caciocavallo, aquele que é vendido "em bolas").

A idéia, portanto, era que, durante uma semana, uns 30 restaurantes fizessem uma poutine especial para o evento (que deveria custar 10 rainhas-elisabeths-II, algo em torno de 20 dilmas - ou seja, baratinho). Nem todas eram muito apetitosas; e algumas eram em restaurantes zoados como Poutineville.

Resolvi que ia provar aquelas cujas descrições pareciam mais tentadoras - e foram várias. Sete dias, seis poutines.

Dia #1: Lucky's Truck
Poutine com confit de pato, cebolas caramelizadas, molho com foie gras e vinho tinto.
Veredito: Boa, mas não de querer morrer. Mas valeu as 10 rainhas-elisabeths-II.

Dia #2: Blackstrap BBQ
Fritas, queijo em grãos do Québec, burnt ends de barbecue (me recuso a dizer "churrasco", pois BBQ e churrasco são com-ple-ta-men-te diferentes), molho tradicional.
Veredito: Quero morar nesse lugar!!



Dia #3: Tazah
Fritas com carne de cordeiro, queijo sírio Akkawi, alho, salsinha, suco de limão e sementes de romã.
Veredito: também moraria nesse lugar. Mas essa poutine foi mais cara (17 rainhas-elisabeths-II)



Dia #4: FAIL. As coisas boas da cidade não abrem às segundas-feiras! Fiquem sem poutine.
Veredito: Putidão.

Dia #5: Miss Prêt À Manger
Fritas de batatas doces e batatas Yukon, carne orgânica de cordeiro (da fazenda St. Vincent), queijo orgânico em grãos, molho de caldo de cordeiro, ornamento de flores comestíveis.
Veredito: Boa, mas entre um cordeiro e outro, preferi o Tazah. E essa poutine também foi mais cara. 15 rainhas-elisabeth-II.



Dia #6: Macaroni Bar
Fritas de batata doce, pedaços de porchetta e queijo Fontina ralado.
Veredito: Nham-nham! E ainda perdi o preconceito com o lugar. Para melhorar, só falta mudarem os uniformes das garçonetes.



Dia #7: Fabergé
Fritas, queijo em grãos, pimentões e cebolas caramelizadas, molho hollandaise, com um ovo por cima.
Veredito: UGH! Batatas enormes (e quase cruas), molho horrível. Larguei pela metade. Sensação de que o Mile-End é um engodo!

Agora, precisando de um detox básico... Porque gordice pouca é bobagem!