jeudi 3 janvier 2013

Pas de temps, pas d'argent

Como vocês sabem, eu sou doutoranda em filosofia. Como vocês sabem, isso quer dizer que eu faço bico de super-heroína nas horas vagas. Porque eu sou querida e overachiever as pessoas me contratam para fazer todos os tipos de trabalhos impossíveis. Tipo corrigir mais de 200 trabalhos (dissertações) de filosofia (de cinco matérias diferentes, com conteúdos bem diferentes) em 20 dias.

Matematicamente, pode não parecer tão mau. 200 trabalhos em 20 dias significa uma média de 10 trabalhos por dia. Noves fora (ressaca de Natal, ressaca de ano novo, preguiça de dia de tempestade de neve etc.), digamos uns 12 trabalhos por dia. 12 trabalhos por dia! "É pouquinho, Aline!"

Só que.



Só que: faça o seguinte cálculo, caro leitor/cara leitora. Suponhamos que cada trabalho tenha (como hão de ter!), em média, 12 páginas em espaço simples. Doze vezes doze. Decoraram suas potências quadráticas até o 20, como a "tia" mandou na 8a. série? Cento e quarenta e quatro páginas por dia. Agora, imagine que essas páginas são em francês. Imagine que francês é sua terceira língua. Agora, imagine que esses jumentos que se matricularam nos seus cursos escrevem com um nível de competência muito menor que o seu (ainda que o francês seja a prmeira língua deles e sua terceira) e muito menor que o daqueles macacos que há anos estão escravizados em frente a máquinas de escrever tentando recriar a obra de Shakespeare.

Quanto tempo você acha que levaria para ler essas 144 páginas diárias? E quanto tempo levaria para lê-las, decifrar o que está escrito nelas e fazer comentários "inteligentes-porém-nao-insultantes" (como me foi pedido, ipsis litteris, por uma das pessoas que me contratou)? Se o seu palpite foi "mais de 24 horas", parabéns! Você é o mais novo ganhador de um picolé de durião!

Graças a Zeus e às musas, isso acabará em breve. Enquanto isso, não tenho tempo de cozinhar em casa. E o Ben também tem trabalhado feito um burro de carga. Mas como tem a questão da minha persistente penúria (de falta de dinheiro), resta explorar os restaurantes de Chinatown, onde dá pra comer um dolsot bibimbap (popularmente conhecido dentro da minha cabeça como "mexidão") por 8 contos ou uma caralhada de dumplings por 11 contos. Chez Bong e Qing Hua fazendo a alegria dos pós-graduandos pobres beirando a desnutrição!

Vamos ver o que acaba primeiro: essas correções, o ano de 2012 (que, para mim, ainda não acabou), ou minha vida.

Mantê-los-ei informados.

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