mercredi 31 octobre 2012

Différance

Eu tentando descobrir como demônios ia fazer para arrumar um táxi às 7h. da manhã numa NY pós-Armageddon. Ganho uma resposta e um convite para um encontro dentro de algumas horas. De uma amiga que não via há quase cinco anos. Da última vez que nos vimos, eu tinha recém mudado para NY. A vida aqui ainda era boa. Comemos um kosher burger e ficamos passeando pela Park Ave. por horas, enquanto eu provavelmente estava perdendo parte de uma aula importante. No dia seguinte, eu voltei a minha rotina nova-iorquina, e a Jime pegou um avião para o Cairo. Essa tinha sido a última vez que nos vimos.

Fazia tempo. Doze anos, sete anos, cinco anos. Quatro países e um furacão depois, Jime e eu nos reencontramos em NY. Em uma cidade agora pós-furacão - e sem luz - ela veio andando desde Morningside até o Columbus Circle me ver. Comemos um bagel cada, mais uma salada de frutas lá na cinquenta-e-poucos. Pouco conversamos sobre coisas de anos atrás. Tinha bem mais que isso a ser dito. Tem treze anos desde que eu praticamente só precisava pular o muro da casa do J. para ir me sentar na janela da casa da Jime, olhando para a rua Atibaia e aquela ilusão de não estar em São Paulo, mas a sensação é de que muito mais tempo tinha se passado, mas sensação também de que nos falávamos todas as semanas - e não a cada cinco anos.

As pessoas que tínhamos em comum foram desaparecendo - da vida de uma ou de outra (às vezes, das duas). Até que sobramos apenas nós, com apenas nós em comum.

Depois do furacão - e por causa dele - conseguimos nos encontrar. Para a Jime me encontrar, tive de parar e esperar. Esperar um tempão, com um telefone que mal funcionava e que resolveu morrer de vez quando eu mais precisava dele. Mas ela me achou. Comemos, conversamos. Em uma cidade caótica, já depois no anoitecer, a fui acompanhando, até ao menos metade do caminho até a casa dela. No escuro. Quando passamos ao sul da 42nd, era uma escuridão completa. Só notei que não havia sequer a luz dos postes e sinais de trânsito depois que nos despedimos, perto da 34th, e que eu comecei a subir a 5a. Avenida de volta para a casa de K., onde estava hospedada.

Imagino que tenha uma metáfora escondida nessa história, mas ainda não sei se quero ver qual é.

A verdade é que de todas as coisas de que eu poderia estar precisando num dia como hoje, essa seria uma das últimas a passar pela minha cabeça, mas foi a melhor que poderia ter acontecido.

 "Is it that we're weird, is it that we're bitter, or is it that we're just different?"

mardi 30 octobre 2012

Deguisé en pas moi

When in Rome...










... party like it's 1999.


Ou algo assim.



Em miúdos (porque essas coisas vocês sempre querem saber):

Tinha Halloween da French Tuesdays @ Lavo Lounge.
K. já tinha comprado convites.
K. tinha uma fantasia extra de Robin. E eis que.
Open bar de vodka até as 21h. Cape Codders? Opa!
Quatro cape codders depois, fim do open bar.
Já que é pra gastar dinheiro - e já que o mundo pode acabar, mesmo, champagne.
O resto...

mardi 9 octobre 2012

Rien ne nous rassemble

A menor distância entre dois pontos não é um iPhone.

A maior distância entre dois pontos é um pedaço de papel pendurado na parede.


...there's a lot of things that need to be done

jeudi 4 octobre 2012

Ça ira; c'est vrai, je te l'assure

Daqueles dias em que você acorda meio de sobressalto, mas ao mesmo tempo devagar. Dias em que tudo o que você realmente tem de fazer antes do meio-dia é encontrar um caixa eletrônico.

Daqueles dias de manhã nublada com YouTube.

Daqueles dias (raros) em que a neblina está tão forte que, do Plateau, não se vê a cruz do Mont-Royal. Sequer se vê o Mont Royal.

Daqueles dias em que o telefone não toca quando deveria. Ou quando se gostaria que.

Daqueles dias em que se entende tudo errado. E que coisas se explicam. Em que "sic dicit" é a punchline de uma piada triste.

Daqueles dias em que a cerveja vem doce demais.

Daqueles dias com homens bonitos.

Daqueles dias em que se come demais.

Daqueles dias em que se sorri com o vento. Dias em que a lua parece ser feita de chantilly.

Daqueles dias em que você se dá conta de que perdeu alguém importante, mas não sabe exatamente quando. Ou como. Ou por quê.

E se vira para o lado e dorme. Porque amanhã cedo se tem de comprar laranjas.