mardi 11 septembre 2012

Porte-bonheur

Não parece verdade, mas a segunda-feira terminou. Não terminou como eu queria, mas terminou. Em algum lugar entre o trabalho e minhas convicções, me perdi em sushi e doce de leite. Flexibilizando prazos como se flexibiliza a moral, a gente vai chegando aonde dá.

...Mas que não era para ter sido assim, isso não era.

dimanche 9 septembre 2012

Un peu crasse comme la vie

Dia de casamento!

Correu tudo bem com meu visual. O cabelo colaborou. Minhas camadas de maquiagem deram certo. O vestido fechou. Não choveu. Não durante o casamento.

Depois de G. ter vindo nos acordar cedíssimo, teve a caravana de Osasco de gente que veio para cá se arrumar. Até perdi a conta de quantas pessoas estavam entrando e saindo do meu banheiro, passando roupa na sala, se trocando no meu quarto. Parecia uma festa do pijama de crianças felizes brincando de gente grande (todo mundo de paletó, gravata, salto alto etc.).

Chegamos ao Palácio de Justiça (de táxi) antes das noivas, que estavam lindas. A cerimônia civil foi rápida (comme il faut), a juíza de paz foi simpática.

Garbo & elegância


Et... hop!


Saindo de lá, cena de filme: Ben e eu no táxi com G. e Verô, passamos por um casal andando de bicicleta... de terno! Eram J.-P. e M. que estavam vindo para cá, no maior clima verão, de bike.

Chegando aqui, o buffet estava pronto. Nossa casa está virando uma casa de eventos de altíssimo nível: festénha rolou das 15h. à meia-noite, sem faltar comida nem bebida.


Pós troca de roupa coletiva
No final da noite (noite que não terminou), depois do dilúvio que alagou minha cozinha, ainda convenceram o que restava de mim a ir fazer o pós-balada na Royal Phoenix, que é o bar meio-gay, meio-hipster, meio-alternativo, meio-whatev da cidade. Fui mais para cuidar do Ben que qualquer outra coisa, mas passei bem rápido do momento animação para minha cara de WTF quando me dei conta de que o lugar tinha música chata, gente blasé, e eu tinha dormido algo em torno de seis horas na últimas quarenta e oito horas.

Empolgação super natural!

K., F., Ben e eu tomamos um táxi de volta meia hora depois de termos entrado no lugar. Era hora de dormir como se não houvesse uma casa para limpar, louça para lavar, nem prazo a cumprir. Porque hoje cedo já tinha gente escalada para o mutirão de limpeza.

refeição light

A vantagem dos meus amigos e dos amigos do Ben é que todos são pessoas queridas com senso de responsabilidade (i.e. que ajudar a arrumar a bagunça pós-festa). Organizamos um mega-brunch coletivo e, após umas duas horinhas de trabalho, voilà! A casa estava como nova! E eu poderia voltar ao trabalho... porque meu prazo não é tão gentil quanto os meus amigos.


samedi 8 septembre 2012

La robe et l'échelle

Pessoa passa a semana se acabando de trabalhar, achando que está tudo ok para o casamento de sábado. Passa a sexta-feira fazendo os preparativos para a comida, decoração etc. (porque, sim, a festa vai ser aqui em casa, já que eu moro em um buffet infantil). Tudo certo na cozinha. Tudo certo na sala. Banheiros ok. Tudo vai correr bem.

O pequeno detalhe - o que a pessoa deixou de lado até 18 horas antes do casamento - é que a indumentária para o evento não foi considerada em momento algum.

Sexta-feira, oito da noite, reviro meu armário em busca dos meus cocktail dresses. Meu Tahari favorito está com o fecho éclair quebrado. Sobra um terninho, dois tailleurs, três vestidos pretos e um outro cor de sei-lá-o-quê.

A calça do terninho só vai entrar depois de umas duas semanas de academia ou uma epidemia de cólera (o que vier primeiro). Um dos tailleurs é formal demais; o outro, formal de menos. Sobraram os vestidos. O cor de sei-lá-o-quê foi vetado pelo Ben. O que me deixou com os três vestidos pretos. Eu, que odeio usar vestido preto em casamento. (Sou pavão; sou tendência.) Enfim.

O pretinho básico é posto de lado, porque, já que é pra ser preto, que pelo menos tenha um pouco mais de dignidade (vide acima).

Desfilei pela casa de um lado para o outro até me decidir (ou o Ben decidir por mim): vai o Calvin Klein.

Os sapatos vão ser os mesmos do casamento em que fui madrinha o ano passado, porque não estou vendo sentido em colecionar pares de sapato com salto 12 a essa altura (sic) da minha vida.

Ver no que dá.

O que mais fazia parte dos planos: ser acodada às 8 da manhã de hoje por G., para fazer os preparativos finais aqui (já que eu moro nessa casa de eventos), poder tomar banho, me arrumar e chegar ao Palais de Justice pontualmente.

Se eu sobreviver a esse final de semana, sou mais heroína (e possivelmente mais chique) que a Mulher Maravilha. Só falta perder uns quilinhos. Mas nisso a gente pensa na semana que vem, porque eu fiz brigadeiro para o casamento.

vendredi 7 septembre 2012

Cigale

Uma coisa escrita na lousa da cozinha de casa:

"poison à fourmis"

Isso resume a semana (ver: o mês).

jeudi 6 septembre 2012

Ça vous mets le cœur en bas

Tomar uma cerveja com os entusiastas do partido que acabou de ter uma performance pouco satisfatória nas eleições logo após os resultados oficiais saírem: bad timing.

Eu, com milhões de coisas para fazer (ver: trabalho que continua empilhado na minha escrivaninha), tendo que lidar com o #mimimi alheio.

Sim, eu não fiquei contente com o tanto de votos que os liberais tiveram, e fiquei desapontada com a minoria do PQ, mas a ~vibe~ da cidade estava completamente murcha. Foi, decididamente, o momento errado para esse momento de ~hang-out~. Felizmente, as pessoas envolvidas tinha uma vigília em que participar, e eu pude ir embora sem grandes delongas (delongas de menos?).

A quarta-feira definitivamente foi um dia estranho - para a cidade e para mim. Para a cidade, as coisas deveriam ter mudado. Não mudaram. Não vão mudar. Para mim, duas conversas deveriam ter acontecido. Não aconteceram. Não vão acontecer.

Horas depois, o Google, sempre tão preciso ao marcar os e-mails que recebo como importantes ou não-importantes de acordo com o remetente, cometeu um "lapso" que acho que não foi muito acidental (talvez mais Freudiano que eu gostaria de crer que o Google fosse capaz de ser). Um remetente que sempre é marcado como "importante" foi ignorado pelo Gmail nessa manhã.

Eu e minhas metáforas para a vida. *Le sigh*.

Isso explica o que aconteceu ontem e hoje, o que aconteceu nos últimos 3 meses, nos últimos 10 meses, 4 anos. Os próximos meses vão ser bem menos fáceis que os resultados das eleições me fizeram crer. E olha que a previsão é que, politicamente, as coisas vão ser bem complicadas...

mercredi 5 septembre 2012

Filles, flics, descente

Porque eu quase não tenho trabalho acumulado na minha escrivaninha, mais um dia de ~freela~ de office girl/leva-e-traz.

Tive que acordar cedo pra ir até o metrô St. Laurent fazer a agente imobiliária. Só que.

Só que, ontem à noite, durante o discurso da Pauline Marois (primeira-ministra eleita do Québec), teve confusão, teve fogo, teve tiro. Muitas confusões e trapalhadas. Só que um mano também morreu. Porque teve tiro de verdade (e fogo também, a propósito).

E daí que o discurso estava rolando no Métropolis (não muito longe aqui de casa). E daí que o Métropolis fica exatamente ATRÁS do metrô St. Laurent. É.

E daí que a rua estava fechada com dezenas de carros de polícia. E eu lá, fazendo a ~office girl~. Ótimo. Sempre termino ~no lugar certo, na hora certa~.

Aprender a tirar o dedo da frente da lente: estamos trabalhando para melhor servi-los.

Missão cumprida. Já pode voltar pra casa e trabalhar até a cabeça explodir - ou o ombro desistir de funcionar?

mardi 4 septembre 2012

La langue de chez nous

On se bat pour vos enfants

Para quem não sabe, a situação da economia mundial (#OccupyMundo) não está fácil pra ninguém e estou estou fazendo freela de office girl enquanto não sai aquele bico de stripper.

Já que o dia estava belo, como costumam ser os dias de verão em Montreal, com aquele agradável clima da montanha de 32 graus com umidade relativa do ar a 93%, fui nadando até o Plateau pra poder micromanage a vida alheia. Porque sou heroína, ainda ia aproveitar e resolver umas outras coisas pra um outro ~freela~ que estou fazendo (de wedding planner e organizadora de eventos, em geral). Enquanto isso, o trabalho que deveria ser meu ganha-pão pelos próximos três meses está sentado na minha escrivaninha. Porque né.

Antes de sair de casa, perguntei pro Ben se ele queria alguma coisa lá de cima do morro, já que eu ia praquelas bandas. Ele é francês; me pediu pão (...). O diálogo segue abaixo:

- Est-ce que tu veux quelque chose du Plateu, dès que j'y irai de toute façon?
- Beh, si tu vas à côté du Pinchot, tu peux y passer et prendre quelque chose peut être, une baguette ou quoi que ce soit, non?
- Où, ça?
- À la boulangerie là, je sais pas le nom, mais celle du Pinchot.
- La boulangerie du pain chaud?
- Oui, tu vois?
- Beh, non. J'imagine que toutes les boulangeries ont du pain chaud à un certain moment, non?
- Ehn?
- Ehn?
- Non, mais... la boulangerie du Monsieur Pinchot, tu vois où elle est?
- La boulangerie du Monsieur Pain Chaud???
- Oui...? Qu'est-ce qu'y a?
- Je comprends pas c'est laquelle, mais... en tout cas, j'en prendrai, du pain.
- Mais va au Monsieur Pinchot!
- Attends... c'est le Monsieur Pinchot! Oui, non, c'est sûr que j'y irai! HAHAHA
- Je comprends rien là. Qu'est-ce qu'y a?
- Je pensais que tu parlais du Monsieur PAIN CHAUD et je savais pas quoi c'était ça, tandis que tu parlais du PINCHOT. Putain de langue!
- Hahaha.
- Hahaha. La conne, moé.

~TENSO~ o estado da comunicação nessa residência.

Enfim, fui, fiz a office girl, comprei pão (sim, carreguei uma baguete e um pão de nove grãos por dois quilômetros!), falhei na minha missão de wedding planner. Trabalhei o resto do dia e passei a noite vidrada na TV, acompanhando o resultado das eleições provinciais do Québec.

Fui dormir suficientemente aliviada pelo fato de os liberais terem perdido o cargo de primeiro-ministro, mas um pouco preocupada com a primeira-ministra eleita ter de governar com uma bancada minoritária. Basicamente porque eu não sei o que isso vai causar daqui para frente, para a coisa das greves e do movimento estudantil daqui. E por, por alguns segundos, eu não saber se o feminino de "primeiro-ministro" era "primeiro-ministra" ou "primeira-ministra". Ainda bem que algumas coisas me tiram o sono mais que as outras. E, para 84% delas, existe o Google.

lundi 3 septembre 2012

Le travail c'est la santé

Dia do trabalho na América do Norte.

Quem trabalhou feito um jumento, levante o dedo do pé junto comigo (já que o da mão não levanta nem fodendo, dado o estado de destruição dos ligamentos dos ombros+costas+braços+mãos).

dimanche 2 septembre 2012

Le grand ménage

Dia de faxina. Mês de faxina.

Compras no mercado, carro devolvido (adeus vida boa de motorista) - e isso só de manhã.

À tarde, o inferno começaria a se instaurar nesse humilde lar.

Quando a RoommateFromFrance se mudou, pediu para deixar umas coisas guardadas aqui temporariamente, até ela arrumar um lugar definitivo onde morar. Tudo bem.

Corta para hoje de manhã, Ben e eu dando uma geral na casa. Abrimos o depósito de casa (tem um nome para esse tipo de armário, eu imagino, mas não sei qual ele é) e descobrimos a pilha de roupas entremeadas com jornais, cadernos, livros e comida, que a RoommateFromFrance simplesmente tafulhou ali.

A santa que vos escreve arrumou tudo em caixas. Esvaziamos o depósito todo. Rearrumamos. Depois, foi a vez da lavanderia. Depois, a cozinha, onde tivemos que esvaziar TODOS os armários, para começarmos a combater a infestação de formigas de jardim que se aninharam por aqui. Depois teve faxina no banheiro, na sala, na varanda, no quarto do Ben, no meu.

Usei tanto spray de cloro com amônia na banheira (no meu banheiro sem janela e sem ventilação), que tive que parar quando a coisa começou a dar barato e eu comecei a bater papo com uns gnomos.

Ao todo, tiramos daqui uns oito sacos de lixo (daqueles grandes, pretos), e dois de reciclagem. O problema é que o lixeiro só passa na terça-feira, e o caminhão de reciclagem, só na quinta (parece até o Rio de Janeiro, essa porra!). Até lá, vamos ficar com essa pilha de sacos ao lado da pilha de tranqueiras da RoommateFromFrance no meio da sala! Feng shui de pobre.

Agora, o que falta mesmo é um feng shui pra alma. Quem quer vir aqui fazer?

samedi 1 septembre 2012

Litanies pour un retour

Dia enorme. Parecia ser 1o. de julho aqui em casa. Primeiro, meus pais fizeram as malas. Depois, a RoommateFromFrance começou a embalar/empacotar/encaixotar suas coisas e fazer sua mudança. Mais tarde, o Ben chegou de volta (depois de 8 longos meses de férias) com suas coisas.

Chegou não; eu fui buscá-lo.

Coincidência dessas maiores do mundo, meus pais precisaram fazer o check-in para voltar para o Brasil no exato momento em que o voo do Ben estava previsto para chegar em Montreal. E eu estava devidamente em posse de um veículo automotor. Ou seja, fiz a motorista de táxi.

Despachei mamãe e papai no embarque e fui correndo para o desembarque buscá-lo. Já fazia mais de dois meses que eu não o via, desde sua última passagem rápida em Montreal, com direito a participação especial no dia do meu aniversário e na minha festa sem calças.

Tagarelamos até a casa de umas amigas, tagarelamos de volta para casa e, à noite, enquanto ele foi sair com outros amigos, eu fui a uma despedida de solteiro/a do outro lado da cidade (graças ao bom planejamento capitalista, eu estava de carro e tinha um GPS!).

Eu sabia que ia ficar meio por fora na festa, visto que só conhecia o noivo e a noiva, mas eis que, logo que eu entro, uma pessoa ultra-querida vem correndo falar comigo: a irmã do noivo, que eu não via havia mais de 11 anos.

Não colocamos em dia sequer um centésimo das conversas, mas foi bom ter tido isso hoje. O dia ideal para rever pessoas queridas e me animar para os próximos meses (de inverno) por vir.

Da última vez que eu a tinha visto, eu era mais alta que ela