jeudi 31 mai 2012

À' polyvalente

Mais um dia de grandes aventuras pós-aniversário.

Primeiro, aquela passada burocrática na biblioteca da Universidade. Depois, buscar minha camiseta para me preparar para a manifestação de hoje à noite. Sucesso.

Depois, uma busca rápida por roupas de baixo apropriadas para usar na minha festa sem calças (que é amanhã). Sem sucesso.

Mais tarde, passada para buscar roupas de baixo na Plaza St. Hubert (sem sucesso), parada para comer no Ligne Rouge (miam-miam, sucesso!) passeio no mecardo Jean-Talon para comprinhas (afinal, se faz necessário jantar).

De lá para o Parc Laurier para o panelaço da noite. A ideia era ir só um pouquinho, mas o panelaço que começou com umas 20 pessoas ali logo acima do Plateau acabou terminando horas depois, aqui perto de casa, na Place Emilie-Gamelin. Sucesso.

Exausta, cadê a força pra ir fazer a comida que tinha sido comprada no Jean-Talon? A força a gente tirado fundo da alma, porque a fome era bem maior que o cansaço (e olha que o cansaç era enorme!). Sucesso. Meio que.

Fome devidamente controlada lá pelas 22h15, horário em que pessoas normais iriam all it a day, tomar um banho e ir dormir. Palavras-chave: pessoas normais. Porque eu já tinha prometido ajudar o AmigoSemTwitter a fazer a mudança temporária dele (sim, porque eu sou a pessoa mais legal do mundo). E toca sair de casa novamente e andar mais quase 2Km até o Plateau para fazer (mini-)mudança. Aí, vocês me perguntam: mas quem é demente de fazer mudança a essa hora da noite? A resposta curta é que a cidade está fervendo com manifestações. As manifestações (inclusive aquela da qual eu tinha participado horas antes) tomam as ruas da cidade e bloqueiam o trânsito. Ou seja: que sentido faz enfiar um monte de coisas em um táxi e ficar parado lá, esperando galëre passar? Solução era esperar o final disso tudo para começar o processo. Mais sucesso. E ufa!

Total de Km percorridos (a pé) hoje: 13.5 (sim, eu calculei!).

Sono é imperativo. Mas amanhã é dia de festa! E eu ainda não comprei a roupa (de baixo) que vou usar, nem as comidas, nem as bebidas.

Quem é a heroína de vocês?

mercredi 30 mai 2012

Tant qu'on aura de l'amour



Teve um monte de amor no meu aniversário. Fiquei bem contente com a atenção (attention whore mode: on).

O primeiro presente chegou ontem, de avião, da França, anunciando que a coisa só tendia a melhorar...

À meia-noite (horário de Brasília, i.e. uma hora antes da meia-noite de Montreal), recebi uma das mensagens de parabéns mais queridas do mundo, que em poucas linhas conseguiu conter TUDO o que meu ego dilacerado de um-passinho-antes-dos-trinta precisava ouvir. Os melhores desejos do mundo (e os mais afinados com os meus) vieram dessa mensagem. Se meu coraçãozinho não fosse feito de pedra (e não tivesse gente por perto), eu teria chorado.

E aí, o dia (oficialmente, no horário de Montreal) começou (à meia-noite daqui, sacam...) com o vídeo de parabéns mais apropriado do mundo. Sorrisos. E aí, depois, cama.

De manhã, ainda deu pra enrolar um pouquinho na cama.

Depois que levantei de verdade, teve os parabéns da RoommateFromFrance, que saiu correndo pra ir trabalhar logo depois.

E aí, o telefone toca. Ben e F. me gritando parabéns e me convidando pra almoçar.

Quando chego no ponto final do ônibus, um minuto antes do horário em que ele deveria partir, ele está lá, bonitão, indo embora. E eu correndo atrás, loucamente. E não o alcançando. E suando loucamente, porque estava um calor demoníaco.

Bom, me restava esperar o próximo. 40 fucking minutos. Tant pis. Também não era como se eu tivesse muito o que fazer.

Chego na casa de K. e F., onde F. e Ben estão me esperando, cantando parabéns com várias daquelas velinhas que "explodem" espetadas em um copo de plástico (não tinha bolo...), que, obviamente, começou a derreter. Fomos tomar uma cerveja no terraço e fazer uma hora antes de irmos pro restaurante encontrar K. (que estava no cabeleireiro). Fomos ao La Boulette. Teve hambúrguer com fritas. E alegria. Ainda teve o Respectivo que me ligou, de Chicago, e mandou parabéns junto com o Das (que estava com ele).

Eba!

Depois disso, fui lá para o centro com K. F. e Ben, fazer compras. Ficamos um tempo nas lojas e, depois, viemos para minha casa. Chegando aqui R. já estava aqui nos esperando, e a RommateFromFrance estava fazendo crepes para mim e para meus "convidados-não-convidados", que depois ainda incluíram A., que chegou logo depois, e J.-P. e M. Basicamente o que aconteceu é que eu não tinha nada programado para meu aniversário (não para durante o dia), mas acabou que quase todos os meus amigos resolveram, meio que por acidente (e também por conta da volta do Ben) dar uma passada aqui em casa à tarde.

Se dava para eu estar mais contente? Dava.

Depois que eles foram embora, me ajeitei para os planos da noite. Depois de ganhar um presente muito querido de alguém igualmente querido, teve jantar no Europea. E lá, teve um monte de coisas gostosas. Os melhores amuse-bouches do mundo (uma barquete de salmão defumado com a fumaça presa dentro da caixa-livro em que ela era servida), um varalzinho de prosciutto, um charuto de queijo. Essas descrições provavelmente fazem bem pouco sentido. Meio que tem que estar lá pra entender. Esse é o mundo de Jerôme Ferrer.

A pré-entrada, um "cappuccino" de creme de lagosta com trufas, estava deliciosa.

Minha entrada, por outro lado, estava meio triste (sopa de repolho, com uns repolhinhos boiando, uma carne defumada crocante e uma musseline de amêndoas). Mas o prato principal ("étude sur le champignon") estava bem gostoso.

No prato de queijos, um era particularmente bom: Louis d'Or, que foi votado, no ano passado, o melhor queijo do país. O outro era um Bleu Bénédictin, igualmente (ou quase igualmente, na verdade) bom.

De sobremesa, teve tanta coisa que nem sei se eu sou capaz de lembrar. Teve uma piña colada desconstruída, que não foi minha (pré-)sobremesa favorita, mas também teve algodão doce, uma espécie de ganache de chocolate, gelado, em forma de pirulito e coberto com um açúcar que explode na boca (também não gostei muito), teve um macarron de alguma fruta cítrica (?), um marshmallow de framboesa, e mais uma ou duas coisas que minha memória ruim não se presta a lembrar.

De lembrancinha (i.e. para trazer para casa) ainda teve uma caixinha, tipo aquelas de comida chinesa, recheada de mini-madeleines e um brioche.

Durante o jantar, teve ainda um Manhattan (decente, mas nada além disso), porque é meu aniversário e eu tenho direito a um drink. Teve ligação de P.T. (fofolito!), de uma tia-avó. E teve também um cartão de boas-vindas ao restaurante, "assinado" pelo chef.

Teve montes de mensagens pelo Facebook, alguns e-mails bem queridos, algumas ligações via Skype. Enfim, teve amor. Muito amor.

O primeiro aniversário que eu passo fora do Brasil. O último dos meus 20s. E nada poderia ter sido mais apropriado. Nem fiz pedido quando soprei as velinhas imaginárias. Não parecia necessário.

mardi 29 mai 2012

Bonne nuit Binou

Um pouco antes das onze da noite, meu telefone toca. Ben e R. já estavam aqui perto de casa, na Ste.-Catherine. Ben chegou da França, depois de 4 meses, logo antes da meia-noite, só pra me dar um gosto de presente de aniversário.

Corri até lá só para dar um-oi-um-beijo-e-um-abraço, porque ele vai passar um tempo na casa de R. e A.

Mas amanhã tem mais. :)

mardi 22 mai 2012

La manifestation

Mais um dia de aniversário (ontem, no caso), dessa vez, PB. Dessa vez, sem drama - e também sem comemoração. Quer dizer, a comemoração era para ter sido hoje. Só que.

Só que aí teve outra mega-manifestação.

Essa, para "comemorar" 100 dias de greve e dois meses passados desde a grande manifestação de 22 de março, começou na Place des Arts. Dessa vez, a manifestação não era apenas relacionada à greve, mas tinha o propósito de contestar a Lei 78, uma lei de emergência imposta pelo governo do Québec e que ameaça a liberdade de expressão, dentre outras coisas. (Não vou entrar nos detalhes técnicos. Quem quiser saber mais sobre o tema, basta olhar as matérias publicadas no Devoir ou, para quem não fala francês, acompanhar as traduções das matérias locais - já que a imprensa internacional é um desastre - nesse tumblr.)

Com 250 mil pessoas, foi a maior manifestação de desobediência civil da história do Canadá (desobediência civil porque parte do que diz a lei 78 é que agrupamentos de mais de 50 pessoas estão proibidos, assim como o uso de máscaras em manifestações e protestos).

Vamos ao que teve:
- 250 mil pessoas!!;
- G., W#2, AmigoSemTwitter e eu, acompanhando tudo por horas e horas, na esquina da Jeanne-Mance com a Sherbrooke;
- eu, sem querer, encontrando R., que, apesar de não ser estudante, foi liberada do trabalho para ir participar do protesto;
- montes de crianças de colo e em carrinhos de bebê;
- crianças que boicotaram as aulas nas escolas primárias e foram participar da manifestação dizendo, simplesmente, "mes é o nosso futuro que está em jogo" <3;
- muito velhinhos, inclusive a associação de idosos que, durante o final de semana, tinha se oferecido a fazer um cordão humano para proteger os estudantes da polícia (já que, por conta de uma espécie de "estatuto do idoso" local, a polícia não pode descer o cacete nos velhinhos como o faz com os estudantes);
- muitos sindicatos;
- alguns partidos políticos (e seus líderes).
- sol, muito sol, contrariando a previsão do tempo, que anunciava tempestades pavorosas;
- gritos de "Dame nature avec nous! Dame nature avec nous!";
- eu, com muita sede, tomando litros d'água, depois morrendo de vontade de ir fazer xixi;
- chuva, na chegada ao Parc Lafontaine;
- gritos de "Un peuple, humide, jamais ne sera vaincu", quando a chuva apertou, quando a manifestação já estava se dispersando;
- tortinha de climão quentinha, saída do forno;
- Anarchopanda;
- muito apoio de pessoas que assistiam à manifestação de suas sacadas;
- o centro expandido da cidade completamente bloqueado por toda a tarde e o começo da noite;
- eu exausta e com fome, chegando em casa 5 horas depois dessa brincadeira ter começado.

O que não teve (ainda bem!):
- cerveja de comemoração do aniversário de PB.

samedi 19 mai 2012

Chaque fois je flanche, je téléphone

E daí que era aniversário de W#2 (eu avisei sobre a temporada de aniversários - não reclamem dos meus relatos meio repetitivos!), e daí que eu não estava nem um pouco no humor de participar da comemoração do aniversário de ninguém, mas aí, com um pouco de empurrão moral de terceiros, cumpri com minha obrigação moral (?) de amizade e dei os parabéns - o que se estendeu em uma série de ligações para combinar um jantar de aniversário.

Finalmente, meu mau humor conseguiu dar lugar a um pouco de energia para eu levantar a bunda da cadeira e me arrumar para sair.

O jantar (com W#2, AmigoSemTwitter, e G.) foi no Laloux, que agora tem um novo chef. E foi excelente. Nós quatro pedimos o menu do chef, que é uma espécie de cruzamento entre um menu degustação e uma table d'hôte. Na verdade, nós quatro meio que tivemos que pedir a mesma coisa porque eles só servem esse menu do chef para a mesa inteira; não dá para ser uma (ou algumas) pessoas com o menu do chef e outras à la carte. Mas enfim. 

À exceção da sobremesa (que demorou para sempre para chegar e não fez o menor sentido), tudo estava incrivelmente bom. Até a coitadinha da ovelhinha que eu comi como prato principal (e de que eu geralmente não sou muito fã). Pra seguir a vibe da época, também tomamos rosés. Duas garrafas diferentes, as duas bem boas - e servindo seus propósitos.

Dever cumprido e barriga cheia. Acabou sendo uma das melhores refeições dos últimos tempos, mesmo com (e talvez um pouco por causa de) essas duas senhoras completamentes fora-de-si que estavam sentadas à mesa ao lado e que reclamaram de tudo o tempo inteiro. De nós, que estávamos conversando, de G. que, acidentalmente, derrubou um copo d'água meio que no AmigoSemTwitter, do barulho da máquina de espresso, do barulho que a louça fazia enquanto era lavada na pia do restaurante... Ou seja: o máximo do absurdo. Mas, assim mesmo, a noite foi divertida.

No final, fiquei contente de ter dado o braço a torcer e ido comemorar esse aniversário. Melhor assim que ficar me arrependendo depois. Mesmo sabendo que, de um jeito ou de outro, vou me arrepender depois, assim mesmo. Só que talvez de outro jeito.

mercredi 16 mai 2012

Statuesque

Na quarta-feira passada teve esse happening do ImprovEverywhere aqui em Montreal. Eu até tinha pensado em participar da improvisação, mas depois que escutei o áudio de umas edições anteriores e achei enormemente irritante (fora que baixar o app do relógio atômico meio que estava fora de questão...), resolvi que iria até lá (à Place des Arts) só para assistir.

Foi um pouco engraçado. A melhor parte foi ver os vendedores da Le Château entrando em pânico e chamando os seguranças para expulsar o pessoal de dentro da loja. Acho que a greve deixou esse resquício de clima de tensão pela cidade. Vá saber.

Galëre fazendo estátua

De resto, foi um pouco chato. O final, com balões, foi bonitinho.

O evento serviu também como divulgação do festival Juste Pour Rire (Just for laughs), que acontecerá durante o verão. O clipe feito durante a improvisação ficou bem simpático.

Dessa coisa de improvisação, continuo preferindo as intervenções sem calças. Mais sobre isso em breve.

mardi 15 mai 2012

Joyeux calvaire

Greve e esse clima de férias rolando solto. E aí teve esse dia (sexta-feira) em que a ideia era comprar vinhos rosés. Mas aí teve mais coisa.

A aventura começou com um almoço no Grand Comptoir. O prato do dia era boeuf bourguignon, então a coisa prometia. Só que.

Só que o pãozinho do couvert estava ruim. A sopa de tomate (entrada) tinha, na melhor das hipóteses, saído de um quadro do Andy Warhol. Nada comestível. E o bourguignon, apesar de bem gostoso, veio acompanhado de uma salada ok, e de uma batata (hiper)cozida, servida inteira (!) no prato. A apresentação de prato mais desleixada que eu já vi na vida. Sem contar que a batata estava ruim mesmo. Triste.

A sobremesa ia ter que compensar (por essência, no sabor e, por acidente, no preço): sorvete no Birks Café. As taças de sorvete lá valem cada um dos olhos da cara que elas vão te custar - mas valem. E é isso o que importa. E os macarrons são ridiculamente deliciosos. Chega a dar pena dos outros macarrons do mundo.

Depois, finalmente, a busca dos rosés. Orçamento de pseudo-pobre, apenas 3 garrafas foram compradas, uma francesa, uma americana e uma chilena: um Mas de la Rouvière Bandol, um Terre Rouge Sierra Foothills (que, na verdade, é um vin gris) e um Santa Carolina 120.

Novamente, a questão das coisas que valem os olhos da cara (já estou precisando de quantos pares de olhos a mais???): o francês (por acaso, o mais caro) é, sem sombra de dúvida, o melhor deles. E foi tomado como acompanhamento de vieiras enroladas com bacon (de entrada) e carré de porco (comprados no Fou d'Ici, que completou a aventura gastronômica). Tudo feito na churrasqueira, para celebrar a chegada (que parece mais ou menos definitiva) do sol a Montreal.

Enquanto isso, se alguém tiver um par de olhos sobrando para doar, pode me enviar pelo correio, porque eu ainda preciso me alimentar até o final do mês e, idealmente, no próximo mês também. E no outro. E assim por diante.

lundi 14 mai 2012

En berne

Mais de 200 mil estudantes (incluindo eu própria e meus alunos) em greve há 3 meses. Polícia fora de controle; manifestantes tendo traumatismo craniano ou perdendo olhos por conta da violência policial - há 3 meses. E a greve continua.

Hoje foi a vez de a secretária de educação, Line Beauchamp, pedir demissão e avisar que vai abandonar a carreira política. Enquanto isso, os estudantes continuam em greve, fazendo manifestações diárias - a maior parte delas na Place Émilie-Gamelin, aqui do ladinho de casa.

As tentativas de negociação com o governo continuam. Ver se isso aí tem saída. Até lá, isso define:


samedi 12 mai 2012

L'argent fait le bonheur

Matemática para pós-graduandos, parte I: férias.

Aline tem:
C$159 em sua conta bancária
C$0 a receber até o final de setembro
C$1700 (aproximadamente) em contas a pagar até o final de setembro

Quantas lap dances Aline terá de fazer até o final das férias para poder sobreviver?

lundi 7 mai 2012

Classe moyenne (avec anchois)

ou: habemus cortinas.

É. Depois do incidente em que encontrei meu blackout completamente desmilinguido, no chão, fiquei tentando arrumar um jeito de consertá-lo (ou levá-lo para ser consertado), ou comprar um novo.

Fracasso.

Em mais uma excursão pelo oeste da cidade, entretanto, dei uma passada na Canadian Tire, de onde voltei para casa com cortinas (entre outros brinquedos, tipo protetores para as bocas do fogão).

É quando a gente fica feliz com esse tipo de compra que a gente se dá conta de que a vida adulta acertou a gente bem no meio do focinho.

A próxima compra que está programada (e juro que não é brincadeira; estou só esperando tirar minha conta bancária dessa situação de carência afetiva em que ela se encontra) é a de um novo jogo de máquina de lavar roupas e secadora.

Estou super adotando o estilo de vida #classemediasofre. Agora vocês podem todos ir dar meia hora de bunda e depois vir me encher o saco. Beijos. E não me liguem, que é capaz de cortarem meu telefone logo, logo, por falta de pagamento.


dimanche 6 mai 2012

Deuxième génération

Eu sei que eu deveria parar de reclamar da chatice de grande parte dos eventos acadêmicos a que eu vou. Mas não consigo. Em especial quando há apenas uma semana de intervalo entre eles - e os participantes são, em grande parte, os mesmos.

Dessa vez, foram três dias de função. Na quinta à noite, teve só um jantar de recepção para os convidados, que foi no Le Bourlingueur, no Vieux-Port. Em vez de ir em passeata com todos os convidados, fui direto para o restaurante, acompanhada de J. Chegamos antes de todos, e nos posicionamos estrategicamente à ponta de uma das mesas. Nesses jantares, salvas as raras vezes em que há intervenções dos organizadores, os alunos acabam ficando um uma mesa, e os "acadêmicos profissionais" em outro, o que basicamente arruina o propósito desse tipo de evento e não raro me deixa bastante irritada.

Mas, dessa vez, como já não tinha ido para lá no clima de socialização, achei por bem ficar no meu canto, quietinha, e só interagir com J. E, ocasionalmente com L-C. e A-M., meio que por obrigação.

O jantar, desnecessário dizer, foi bem ruim. Começou com uma entradinha (ênfase no INHA) de samão defumado, seguido de uma sopinha (novamente, ênfase no INHA) de aipo. Como prato principal, escolhi um confit de pato, que veio servido com chucrute (ao meu ver, o objetivo dessa combinação esdrúxula era reforçar a inspiração alsaciana do restaurante, mas vai saber...) e batatas.

A sobremesa, coitadinha, era uma pêra cozida em uma calda com vários temperos. Foi a coisa mais mágica que eu já comi na vida, porque não tinha gosto nem de pêra, nem dos temperos. Impressionante.

Como essa brincadeira acabou cedo, mais tarde, acabei não resisindo a umas garfadas de poutine na La Banquise (e depois eu reclamo que não emagreço...).

As atividades intelectuais (ou algo que se aproxime disso) começaram na sexta-feira. E sábado teve mais.

E aí tem essa coisa de ter que fazer social com os outros doutorando que vem para cá. Mas aí tem essa coisa de quase todos eles serem idiossincráticos de maneiras que me desagradam.

O resultado disso é que, na sexta-feira, depois da cerveja (ruim) que tomamos no 3 Brasseurs, deixei eles seguirem o curso alimentício estranho deles, e fui comer no Lallouz, aqui perto de casa, com o AmigoSemTwitter. Chegamos lá cansados, e eu claramente irritada com as pessoas que estavam conosco antes.

O restaurante é bem gostosinho e o serviço é bem atencioso. Depois que nós fizemos nosso pedido, eles vieram à nossa mesa sei-lá-eu-quantas vezes para se desculparem pela demora. Mas os pratos sequer estavam demorando! Acho que meu mau-humor deve ter deixado o pessoal bem preocupado porque, quando eles trouxeram nossa comida, acabaram oferecendo uma taça de vinho para cada, por conta da casa, para compensar a demora (que, olha, foi algo em torno de 20 minutos, se isso).

É a segunda vez só essa semana que a gente ganha coisas "por conta da casa". Minha bitch face deve estar ligada no máximo mesmo!

O sábado foi mais legal, porque eu pude conversar um tanto - e sobre coisas bem relevantes - com ex-professores meus (da minha alma mater adotiva). Com isso alguns problemas e angústias foram resolvidos. E Dr. K., heroi-mor, como sempre, foi heroi.

Consegui me irritar menos com e participar mais do social no sábado à noite, mas ainda assim preferi não ir jantar com os grupinhos que tinha se formado. Dessa vez, não exatamente por falta de paciência, mas por falta de vontade de comer o que eles estavam programando.

Quando finais de semana como esse acabam eu entendo bem por que Deus inventou o domingo!

jeudi 3 mai 2012

8 secondes

Há pouco mais de um mês, perdi uma das tarraxas de um dos meus piercings. Alguns dias depois, voltando para casa (tinha ido ao banco) passei em um novo estúdio de tatuagens e piercings que abriu aqui perto, para ver se eles vendiam só a tarraxa.

Entrei na Mauve um pouco em pânico (como diabos se fala "tarraxa" em francês?), mas logo percebi que o piercer era anglófono. A conversa ficou muito mais fácil a partir daí. E eu também fiquei muito mais suscetível a todas as novidades interessantes que ele tinha pra me mostrar. Saí de lá com um brinco novo no lugar daquele para o qual me faltava só uma tarraxa. E saí ainda coma encomenda para um alargador.

Eis que hoje me ligaram para avisar que o alargador que eu tinha encomendado (o menozinho que existe por aí) havia chegado. E lá fui eu brincar de agulhas passando pelo meu corpo.

Foi mais rápido que o que o piercer tinha previsto, menos doloroso e mais agoniante que eu havia imaginado, e com mais sangue que qualquer uma das pessoas envolvidas poderia imaginar. É que, aparentemente, como o alargador era bem pequeno, a maioria das pessoas ão sangra durante a colocação. Mas assim como jorra sangue do meu corpo depois de fazer acupuntura, OBV que ia rolar uma piscininha quando eu começasse a brincar de agulha.

Ainda gastei algum dinheiro a mais (ainda mais! Eu sei, eu sei...) para comprar os produtos de manutenção e me certificar de que minha orelha não vai cair.

Para meu conforto espiritual, o piercer pediu para eu voltar lá em duas semanas, para ele se certificar que está tudo bem com minha orelha e a coisa está cicatrizando como deveria. Já que, quando furei minhas orelha em São Paulo, fiz questão de fazer comme il faut, na Body Piercing Clinic, com supervisão do André Meyer, blá, blá, blá, não tinha por que ser diferente agora.

E começa a torcida para minha orelha não cair. Ou será que eu conseguiria ownar um visual à la Vincent?

Filed under: mid-life crisis

P.S.: Fermoir! Fucking fermoir!