lundi 30 avril 2012

L'expédition

Wild, wild West.

Embarcando em aventuras e confusões no oeste da cidade.

Numa dessas aventuras, teve um almoço ótimo no Imadake, que tem uns "rangos japoneses não-sushis" excelentes. Uma das melhores língua de boi que eu já comi (miso cow tongue), e ainda tem essa coisa de eles só usarem ingredientes não-geneticamente modificados, orgânicos e sustentáveis. Só não é melhor porque não é exatamente perto da minha casa...

Esse passeio foi seguido por uma passada no Marché Atwater, onde chocolates e manteiga foram comprados.

Ainda por esses mesmo lados da cidade, e ainda no tema "japonês" mas em outro dia, AmigoSemTwitter eu eu tivemos uma grande decepção no Park, restaurante hypado do momento.

Atendimento confuso e comida bem superestimada. No dia em que estávamos lá, estavam fazendo essa matéria. Não sei se foi pela distração causada pelo fotógrafo e pelos repórteres/críticos, mas nossa comida foi servida de um jeito caótico: as entradas chegando junto com os pratos principais, os sushis e sashimis servidos sem shoyu e em uma apresentação/combinação de ingredientes bem estranha. Caro, hypado e bem aquém do bom.

Quando perguntamos o que tinha de sobremesa, decepção: só sorvete (que nem era feito lá). Decidimos passar e economizar dinheiro e paladar. Mas eis que.

Eis que, nessa hora, o chef chama a garçonete de canto. E daqui a pouco volta ela, com um prato de sorvete, por conta da casa, para cada um de nós.

Não desfez a má impressão, mas ajudou a encher um pouco nossa barriga, já que, além de tudo, a comida era bem pouca.

Tipo de rango que funciona bem em jabás. E para quem é amigo do chef.

Em geral, não é muito difícil me comprar com sorvete, mas, dessa vez, nem isso deu jeito.

dimanche 29 avril 2012

Socialiste

Continuando a vida das festinhas, ontem teve comemoração surpresa do aniversário da Flore, na casa dela e de K.

A gangue toda estava lá. Conforme solicitado por K., que estava prganizando a festinha, levei o AmigoSemTwitter e a RoommateFromFrance a tiracolo, o que foi uma ótima ideia. Primeiro, porque eu estava morrendo de fome e a RoommateFromFrance, que raramente cozinha, dessa vez fez um pão de azeitona e bacon delicioso para levar. Segundo, porque a festinha era BYOB, e as pessoas sempre compram umas cervejas ruins, que eu tenho que acabar tomando. Dessa vez, tinha o AmigoSemTwitter para dividir umas cervejas boas comigo. E terceiro porque...

Bom, tinha essa coisa das eleições presidenciais francesas semana passada. E o segundo turno será em uma semana. E aí tem essa coisa de as pessoas conversarem sobre as eleições. E aí tem os eleitores burros e entusiastas da fascista xenófoba Marine Le Pen. E tem esse problema de eu não suportar gente de extrema direita (ou de qualquer direita, for that matter).

Conversa vai, conversa vem, não demorou muito para eu estar aos berros com um québecois que achava que a Le Pen seria a Endlösung ("der Arabfrage/Migrationfrage") francesa.

Gente esperta e contida suspira e deixa para lá. Eu sou o tipo de pessoa que faz exatamente o contrário.

E mais: como alguém é capaz de dar um chilique anti-imigração em uma festinha em que 90% dos convidados é imigrante??

Fiz a louca e dei chilique na festinha alheia (mas não quebrei estátuas dessa vez, vale notar). Me contive a tempo, no entanto. Para não me irritar mais, desisti da conversa no meio e fui conversar com a RoommateFromFrance e o AmigoSemTwitter, que, nessa hora, cumpriram suas funções de válvulas de escape.

Normalmente, eu comentaria que até me diverti na festinha etc., mas nesse caso, vou só dizer que sobrevivi.

O ponto alto da noite fui eu acompanhado a RoommateFromFrance numa dancinha Bollywood do Just Dance 2 (aquele jogo de dança do Wii). É.

Nessa nota altíssima, subscrevo.

samedi 28 avril 2012

Contrôle

Ontem:

Chego em casa, de Ottawa, depois do meu detour para tomar sorvete e jantar, lá pelas 23h. Exausta.

Tudo o que eu queria era trocar de roupa, cair na cama e lidar com o mundo só no dia seguinte.

Quando eu abro a porta do meu apartamento, dou de cara com a RoommateFromFrance segurando o desentupidor do vaso sanitário. Eu com a mala ainda na mão:

"...Oi?"
"Entãoeuestavaaquilimpandoobanheiroeagoraovasosanitárioentupiueeuachoqueéporqueeuestavalimpandoobanheirocompapeltoalhaejogueinaprivadaedeidescargaeagoraestáentupidoeeujátenteidesentupirmasnãodesentopemaseutambémnãoseiseestoufazendoissocertojáatétenteidesentupircomumcabidemetálicomasnãodeueuestavapensandoemchamarumencanadore..."
"Tá..." (*suspiro*)
"Eunãoseioquefazereu..."
"Tá. Calma. Deixa só eu por minha mala no meu quarto e já vejo isso." (*certeza de que em alguma vida passada eu escrevi com permanent marker na cabeça do Buda*)

Eu já disse que eram 23h, né. Então.

Entro no meu quarto para deixar minha mala e vejo minha cortina (meu blackout, na verdade) no chão. Genial. Vou montar uma escola de samba chamada Unidos do Retro-Karma.

Gritei um monte dentro da minha cabeça e fui cuidar do entupimento. Nem CINCO minutos depois, voilà: banheiro desentupido e liberado para essa pobre alma poder fazer xixi antes de dormir.

Dormir e acordar às 5h da manhã com o sol na cara, né. Já que o blackout tinha ido pro saco. Nada que fita adesiva não resolva por uma noite. Nossa Senhora da Falta de Coordenação Motora deu aquela mãozinha para meu serviço de porco.

E agora? Já pode dormir o sono dos justos??

OBV que não.

Eu já estava bonitinha, tranks, com meu super pijama de vó quando escuto a RoommateFromFrance falar alguma coisa do outro lado do apartamento.

Ela estava se preparando para por o lixo para fora (o lixeiro passaria na manhã seguinte), quando viu que o saco de lixo que fica lá fora, na nossa sacada, estava rasgado:

"Osacorasgoufoiogatodovizinhoqueveioaquieuviquandoeleveioeagorarasgoueolixoestátodoespalhadoe..."
"Calma. Calma que eu te ajudo a por o lixo no saco de volta... e aí aproveito e ponho o lixo pra fora." (*Sério que você não consegue fazer NADA sozinha, nêga? E por que demônios você não cuidou logo disso mais cedo, quando viu o raio do gato estourar o saco de lixo???*)

Nesse momento, já devia ser algo em torno de 23h30. 23h30!! E eu tinha ACBADO de chegar de viagem. CÊTÁLOKAMINA??

A história poderia acabar por aí. E todo mundo (exceto eu) teria ficado suficientement contente. Mas não.

A essas alturas, eu já estava no meu quarto, pronta pra ir dormir, porque, francamente. O plano era ao menos fingir que estava dormindo, para que ela não e pedisse para consertar alguma outra burrada outro problema.

Já estava super querendo curtir meu sono quando escuto a máquina de lavar roupa. A máquina de lavar roupa fica na lavanderia. A lavanderia da casa fica imediatamente na frente do meu quarto. E nossa máquina tem o potencial de acordar toda a vizinhança (motivo pelo qual eu tento usá-la apenas em horáro comercial, porque eu tenho vizinhos embaixo e em cima do meu apartamento).

TCHUC-TCHUC-TCHUC-TCHUC!

Contar carneirinho, qüem kürt mim add.

vendredi 27 avril 2012

Banlieue

Tem esses lugares de que a gente tem boas lembranças... e às vezes é melhor que elas continuem assim, só lembranças. Mas aí tem gente como eu no mundo: gente que parece ter um prazer especial em tentar refutar essas verdades. Gente que falha horrivelmente.

Porque desde que mudei pra Montreal que eu fico pensando em voltar ao Wild Willy's. O Wild Willy's é essa sorveteria a que eu fui pela primeira vez em 1999 e pela última vez em 2001.

Voltando de Ottawa na quinta-feira à noite, eu ainda tinha 12 horas para aproveitar o carro que tinha alugado. E o Wild Willy's fica em Pointe-Claire, um lugar praticamente inacessível para quem não tem carro (quem pegaria transporte público por 2 horas para ir tomar sorvete???). Era a oportunidade perfeita, principalmete porque eles só fechariam às 21h.

O GPS estava me dizendo que levaria menos de meia hora do Plateau até lá. Duvidei, mas apostei em uma marca mental de uns 45 minutos, considerando o trânsito etc.

Chegando lá, Pointe-Claire ainda está bem do jeito que eu lembrava - até a loja que tinha umas coisas lindas de decoração ainda existe. Mas já estava tudo fechado quando eu cheguei lá. Exceto a sorveteria.

Uma bola de framboesa (o que eu sempre tomava quando ia lá) e uma bola de butterscotch com Skor. Gelado, num clima não muito ideal para sorvete, mas enfim.

Fico com o que eu lembro de 1999/2001: eles tinham sorvetes ótimos. E eu tinha um paladar que ainda me permitia ir almoçar no McDonald's uma vez por semana. É.

Saindo de lá, ainda precisava jantar (nesse mundo de fingir ser gente grande, eu como a sobremesa antes da refeição, porque, né). Eu meu ego tinha secretamente planejado (escondido do meu superego) experimentar o restaurante Chef Akbar, que eu tinha descoberto através do twitteiro-e-amigo-de-todo-mundo, Ibéret (popularmente conhecido como Iberê Rodrigues ou @ibere).

O lugar fica em Pierrefonds, aka a casa-do-caralho. O que significa que não era assim tão longe de Pointe-Claire e, novamente, eu poderia aproveitar o carro.  Bora.

Como Iberê bem descreveu, o lugar é bem nondescript, num strip mall. Jamais comeria ali não fosse a recomendação.

Mas olha que valeu a pena! Dos pratos que provei, não sei qual estava mais gostoso: butter chicken (que só provei um pouquinho, porque é frango), paneer lababdar ou o cordeiro chettinad. Do frango tandoori eu também só comi um pedaço. Como não trabalho frango, não achei lá essas coisas, mas os molhos estavam ótimos. Tudo isso com naan e arroz (cortesia). E... será que teve sobremesa?

TEVE, OBV.

Gulab jamun (uma das minhas sobremesas favoritas da vida). Eba! Apesar de um pouco doces demais (e sem sabor de água de rosas), mataram minha vontade.

Arredores de Montreal devidamente explorados. Agora, com a checklist cumprida, já dava para voltar para casa. Debaixo de chuva. Porque ainda é abril em Montreal.


jeudi 26 avril 2012

La belle province

Duante minha curta estada em Ottawa, me hospedei com um couchsurfer e seu roommate - mas em Hull (Gatineau), o que me permitiu passar o dia em Ontario e, à noite, cruzar a ponte a pé e ir domir na província de Québec.

Fui muito bem recebida, inicialmente na casa de uma amiga de meu hóspede, onde nos encontramos para jantar. Sortuda que eu sou, todas as pessoas envolvidas nessa brincadeira de jantar eram foodies profissionais. A dona da casa, que estava no comando do preparo dos tapas, é professora de uma escola de culinária. Um dos outros convidados é chef-propretário de um restaurante, e os outros dois - meus hóspedes - trabalharam durante muito tempo com alta gastronomia.

Basicamente, foi um jantar delicioso, com tartare, vieiras, salada grega etc. e ótimo vinho.

A casa dos meus hóspedes era um apartamento dúplex bem bonito, e a 5 minutos a pé da Alexandra Bridge.



Como as conferências me tomaram dois dias inteiros, não tive muito tempo para ficar hanging out com eles (o que teria sido em mais interessante que ficar hanging out com as pessoas da conferência, mas enfim).

Primeiro dia, a coisa começou às 8h45 e terminou às 17h30. Pausa de uma hora e jantar no ByWard Market. O restaurante (Courtyard) era bastante bom - embora eu talvez tivesse ficado mais satisfeita se eles tivessem me servidos mais comida... - e, apesar de uma falha de coordenação inicial, eu consegui acabar me sentando numa posição estratégica à mesa, o que me permitiu dividir uma garrafa de vinho com meus coleguinhas, e, ao mesmo tempo, conversar com pessoas mais interessantes que eles. Win-win.


O segundo dia de conferências foi mais cansativo (por conta do cansaço acumulado do dia anterior), mas, contrariamente às minhas expectativas, bem mais interessante (o que quer que isso, de fato, signifique).

Ao final dessa brincadeira toda, enquanto as pessoas curtiam um hot dog de rua ao lado da Universidade de Ottawa, R., J. e eu fomos correndo para o carro para voltarmos para Montreal o mais rapidamente possível.

Dessa vez, demos mais sorte com o trânsito (e eu dei mais sorte com a companhia, porque tinha muito mais o que conversar - em português - com J. que com M. e R.). Mas nem minha sorte é tão grande assim. Obviamente, ficamos parados um tempão no trânsito no acesso à ponte Champlain. E é óbvio que justamente nessa hora começou a me dar vontade de fazer xixi.

A distância total entre a ponte Champlain e o banheiro foi de 1h20. Debaixo de chuva (= barulhinho de água). Compadeçam-se, porfa.

Os lados positivos da viagem são: eu não fiz xixi nas calças, não fui multada, não tive o carro rebocado, nem roubado. E eu acho que a lista se resume a só isso aí mesmo...

mardi 24 avril 2012

Pour un infidèle

Hoje foi dia de quê???

ROAD TRIP!!!

R., M. (meus coleguinhas de escola) e eu partimos pra Ottawa, para participarmos de uma conferência que deve ser mortalmente chata bastante interessante.

Agora que já virei expert, aluguei um carro, fui buscar os coleguinhas e partimos para a estrada. Só que não.

Porque a retardada aqui, quando estava na alça de acesso à auto-estrada, se deu conta de que talvez tivesse deixado algo deveras importante para trás. Bora fazer a volta pra casa e enfrentar mais horas e horas de trânsito para poder sair da cidade.

A distância entre Montreal e Ottawa é de apenas 200Km. Tempo total do percurso? 4 horas. 4-fucking-horas!!!

Só não estressei porque, né, coraçãozinho paulistano aguenta bem essas coisas. Hoje em dia, quanto tempo se leva para percorrer 200Km em SP? Corrijam-me se eu estiver enganada, mas magino que seja algo em torno de três ciclos lunares.

A demora aqui na Terra do Inverno Eterno foi por conta de: um acidente na saída da cidade (o que fez com que demorássemos mais de uma hora para conseguirmos, de fato, deixar a ilha), uma parada para abastecer, e duas conversões erradas, que causaram desvios no trajeto. E que conste que eu aluguei um GPS e que minha orientação espacial é excepcional, mas a combinação desses dois elementos faz minha cabeça explodir e eu me perder. Psicólogos, me estudem!

O problema da minha companhia de estrada é que... bem, é que "companhia" talvez seja um exagero. Viajar por quatro horas com pessoas que você conhece pouco é algo que eu não desejo pra muita gente, não.

Porque tem aquela coisa: se você conhece bem as pessoas, dificilmente falta assunto, ou a conversa raramente fica chata (e, se fica, você tem liberdade para dizer). Se você não conhece as pessoas at all, você também não se sente na obrigação de conversar com elas. O problema está justamente nesse entremeio, quando você se sente na obrigação de manter algum tipo de conversa com as pessoas, mas, na verdade, não tem absolutamente nada de significativo a trocar com elas. Mas talvez eu seja desajustada e isso seja muito mais simples para vocês, caros mortais descomplicados. Me julguem e me amem.

Agora é só lidar com dois dias inteiros em Ontario, longe da Belle Province.

Filed under: coraçãozinho de flor-de-lis.

lundi 23 avril 2012

Le retour de Gérard Lambert

Fazedoras de baguete se foram. RoommateFromFrance retorna.

E as coisas voltam ao normal no meu "H.L.M.". O que quer que isso signifique.

Pensando bem, eu sei o que isso significa. Só não tenho certeza de se isso é bom.

Pensando bem, sei que não é muito bom, mas é o que tem.


In unrelated news: o Ben vai voltar pra Montreal em breve. Todaschora de felicidade.

dimanche 22 avril 2012

Le portugais

Eu avisei que tinha começado a temporada de festinhas...

Hoje foi a vez de comemorar o aniversário de A. Porque sou feita de carbono e amor, peguei o ônibus (na chuva!!) para ir até Rosemont encontrar R. e A. (e o resto dos convidados) no Chez Roger para tomarmos uns bons drink antes de irmos jantar.

Mais cedo, 80% das pessoas envolvidas nesse encontro tinham ido votar nas eleições francesas, o que tornou mais fácil puxar assunto com as pessoas com quem eu raramente converso. Aliás, essa é uma das grandes vantages da Greve (#ggi) - que, faz-se importante constar, ainda não terminou -, i.e. servir de assunto default quando a conversa seca.

Um poor man's black velvet (descrição bem à propos, diga-se de passagem) e algum tanto de paciência depois, fomos jantar num restaurante português, Le Grill Tasquaria.

Dá até preguiça de explicar o tamanho do desastre dessa refeição. A comida demorou PARA TODO O SEMPRE. Desde que fizemos os pedidos até os pratos principais chegarem à mesa, algo em torno de uma hora e meia havia se passado.

E aí teve a comida...

Ai, MELDELS, a comida!

Para ver se a coisa era boa, pedi comidinhas portuguesas tradicionais (sim, porque eles também servem uns pratos franceses e whatev): caldo verde, bolinhos de bacalhau e risoto de chouriço.

Basicamente, estava tudo ruim. O caldo verde estava sem graça, com quase nenhum verde, e pouca linguiça portuguesa. O bolinho de bacalhau estava encharcado de óleo. E sem gosto de bacalhau (e sequer gosto de batata). Aliás, meu palpite é que ele tenha sido batido no liquidificador (ou em algum processador do tipo, tão fininha estava a massa). O risoto de chouriço foi servido, na verdade, como se fosse um grande bolinho de arroz. Ele tinha sido empanado e frito. A coisa mais estranha que já vi. Nem pensei em pedir sobremesa. E a moral da história permanece: comida tradicional (e trivial) portuguesa e brasileira, prefiro não arriscar; faço em casa, que é quase garantia de que vai ficar melhor.

Ainda na chuva (e numa chuva que estava congelando e virando neve), consegui dar sorte de sair do restaurante correndo para pegar o metrô antes que o demônio da linha azul fechasse, e dar de cara com o ônibus, logo ali.

Quarenta minutos e um frigorífico depois, cheguei ao quentinho de casa. Com vontade de comer comida portuguesa de verdade.

vendredi 20 avril 2012

Party!

E tem aquela coisa de eu ter feito amigas na academia. Depois de duas idas ao Mado e uma ao boliche, era chegada a vez de festejarmos o aniversário de uma delas, C., que tinha completado 38 anos no início do mês.

Convidamos todos os outros coleguinhas da academia para ir jantar e, depois, beber/jogar bilhar.

Como havia de ser, o jantar foi a três: C., Gab e eu, num restaurante vietnamita, que foi também o primeiro restaurante a que eu fui desde que mudei para Montreal.

O rango estava melhor que da outra vez. E Gab levou vinho (o restaurante tem daquela política "apportez votre vin"). Viva!

E depois do jantar? Que fazer?

Bom, estávamos na frente do Drugstore, então... Alguns pitchers de Sapporo e umas rodadas de bilhar depois, estávamos Gab, C., CD, AmigoSemTwitter e eu no karaokê.

Eu não cantar em karaokê é uma coisa além de estratégia para evitar passar vergonha; é um political statement: eu não acho que seria possível viver tranquilamente em um mundo em que pessoas como eu (com toda a habilidade musical que me falta) saiam cantando em público. Dou apoio moral, mas evito chegar perto do microfone. E todo mundo ganha.

A noite acabou (como sempre acaba) com uma passadinha no Resto du Village antes de voltar pra casa.

Há tempos eu não voltava para casa tão tarde e tendo bebido tanto.

O detalhe é que eram apenas 3h45, e eu tinha bebido só um terço de uma garrafa de vinho (às 19h), e uns 5 ou 6 copos de cerveja (entre 22h e 3h). Se alguém ainda tiver alguma dúvida de onde encontrar minha vida social, sugiro procurá-la no asilo.

(E esse post também é o prenúncio de que está inaugurada a temporada de festinhas em Montreal. Tá fácil pra ninguém, amigues.)

jeudi 19 avril 2012

Une mèche de cheveux

Notícias de menina.

Ainda tentando deixar a pelúcia crescer, minha última visita a um(a) profissional (sic) das tesouras foi em outubro, quando o resultado de minha experiência outside the box meio que saiu pela culatra e eu fiquei com aquele visual de Courtney Love que passou por uma tosa no pet shop.

Mas no início do ano passado, depois de horas pesquisando os melhores salões, melhores cabeleireiros etc. tinha me decidido pelo Queen of the World, de onde saí bastante contente. Achei por bem repetir a fórmula.

Liguei pra lá pra tentar marcar um horário urgentemente. Sempre que ligo para um salão estou à procura de um horário naquele mesmo dia, o que muito frequentemente frustra minhas expectativas. Minhas emergências capilares são sérias e eu fico feliz quando elas são correspondidas. Bingo!

A mocinha perguntou se eu podia ir lá em duas horas. O problema é que o salão fica, na melhor das hipóteses, a meia hora da minha casa (com transporte público), e eu estava no meio de preparar o almoço. Mas só tinha esse horário. Ou então no dia seguinte.

Fiz o que qualquer pessoa no meu estado de espírito (e estado de matéria, a bem da verdade) faria: saí correndo.

Terminei de preparar o almoço rapidinho. Saí correndo pro metrô, desci na estação Jean-Talon e corri uns 8 quarteirões até o salão. Cheguei lá, phyna, esbaforida e descabelada, com 5 minutinhos de atraso.

A fofolita que cortou meu cabelo (cujo nome eu não vou lembrar nem que minha vida dependa disso) foi ótima e, enquanto ela cortava minha juba, foi me explicando como eu teria de faze para ajeitar a pelúcia sozinha, em casa.

Confesso que morri de vontade de mandar ela acabar com aquela palhaçada e passar a tesoura em tudo (paciência zero para cabelo comprido), mas resisti: vou tentar um look gatona-de-cabelos-longos pela última vez antes dos 30.

Duas horas (e vários dinheiros) depois, estava em casa - e mais contente com a pelúcia nova.

Foto profissional: "Comenta no meu flog!"

Dessa vez, sem chilique. Prometo.

E, de verdade, se algum(a) fofolitx que lê isso aqui tiver alguma sugestão de corte de cabelo comprido que funcione para gente preguiçosa como eu (i.e. gente que só usa escova de cabelo e secador por medo de pegar pneumonia no frio de Montreal,e que possui uma coleção inexistente de cremes e frescurinhas para o cabelo), mandem a dica. Do contrário, já está quase certo que o próximo corte será um moicano. E vocês que aguentem o festival de chorume com #mimimi depois.

mercredi 18 avril 2012

Le temps des cerises

A vantagem de ter que lidar com as carências sociais de W#2 nessa época do ano é que o Réservoir já voltou a servir a bière aux cerises (uma cerveja branca que, depois de fermentada, é fermentada uma segunda vez com cerejas azedas da Polônia).

Parece ruim, mas eu juro que é gostoso.

Enquanto isso, aqui em casa (dada a falta de fundos para frequentar o Réservoir mais regularmente), aumenta o consumo da Ephemère Cassis.

Bem-vindos ao verão de Montreal. Agora só falta a temperatura ficar acima de 4C.

mardi 17 avril 2012

À la téloche

Minha casa, meu albergue.

RoommateFromFrance #partiuCalifornia e deixou duas substitutas aqui. Explico: fofolita foi passar 10 dias em SanFran e gentilmente cedeu seu quarto para duas coleguinhas que tinham acabado de mudar da França para o Canadá e estavam procurando apartamento.

Como geralmente sou eu quem transforma nosso apartamento em um abrigo para visitantes, não tinha muito como eu impedi-la de trazer suas compatriotas de baguete aqui pra casa por esses 10 dias.

O único senão é que tem coisas partout pela casa: as caixas da RoommateFromFrance, que ela jamais desfez e que largou pela sala e, agora, uns outros apetrechos do Velho Mundo, trazidos pelas novas coleguinhas. E a TV, que, em geral, é ligada uma vez por mês (quando muito) está rolando 24/7.

O sistema de albergue está definitivamente instaurado.

O TOC está funcionando a 97% essa semana. E ainda é só terça-feira...

lundi 16 avril 2012

Un p'tit tour

Chegado o dia (sábado) de ir à cabane à sucre do Au Pied de Cochon. Uma dessas coisas que envolve um certo risco de morte, porque, né.

Já tinha ido a uma outra cabane à sucre não fazia muito tempo, mas tinha saído bastante desapontada. Dessa vez, a coisa ia ser a sério. Depois da ligação milagrosa que nos garantiu a reserva, combinei tudo com AmigoSemTwitter, W#2, G. e A.

Acordei cedinho pra devolver o carro que usei pra levar a RoommateFromFrance pro Vermont e fui encontrar os amiguinhos para a gente começar essa nova aventura - com direito e trapalhadas e confusões.

A ideia era simples: A. ia alugar um carro para nós 5 irmos à cabane. Nada muito complicado. Um carro comporta exatamente 5 pessoas, então, mais simples impossível.

Só que.

Só que A. resolveu que ia alugar um Fiat Cinquecento. Aí ela apareceu para nos buscar. 5 pessoas.

Num carro com 4 lugares.

Porque não é um carro com 4 lugares tipo um Palio ou um Gol. Ele realmente é um carro para 4 pessoas, que, legalmente, só pode levar 4 pessoas. Ou seja: merda foi feita.

A alma demente bondosa que tinha se oferecido para alugar o carro teve, então, que voltar à locadora e trocar o carro (por um Jetta). E aí pudemos partir (com um pouco de atraso e pressa) para nos entupirmos de comida.

Cinquenta e sete dinheiros canadenses, duas horas e meia para comer e quantidades indecentes de comida.

O que teve:

Entradas:

Sushi de esturjão frito com abacate e "torresmo"

Picles de arenque com batatas, picles de cebola e maionese de bordo

Patê de um mix de carnes (língua, cérebro de vitela, foie gras etc.) com panquecas, salada de endívias e queijo fresco

Pratos principais:

Omelete de lagosta com viande fumée

Tourtière


Torta folheada (vol-au-vent) de foie gras com maçã,"torresmo" e agrião

Pato laqueado com anéis de cebola

Feijão com confit de pato e queijo cottage

Barriga de porco com chucrute (servida com mostarda de bordo)




Sobremesas:

Sorvete de bordo com tires à la sucre e cornets d'érable


Panquecas fritas na gordura de pato, servidas com xarope de bordo

Éclair de creme de bordo com algodão doce de açúcar de bordo

Cinnamon roll com xarope de bordo



Nós cinco saímos de lá à beira de coma alimentar e uma quentinha (aka marmita) cheia para cada.. Coma alimentar do nível meus-sapatos-desamarraram-mas-eu-não-abaixei-para-amarrar-se-não-ia-vomitar.

Passar  resto da tarde jogando Trivial Pursuit e depois levar G. ao aeroporto foi uma mera desculpa para cada um não ir para sua casa morrer de congestão imediatamente. Mas, finalmente, é claro que isso aconteceu.

Mas, agora... numa boa. Alguém realmente duvidou que eu ia levantar da cama com fome, à meia-noite, pra fazer um lanchinho??

É, amiguinhos... É. Mas não tive coragem de assaltar a quentinha obtida mais cedo. Teve que rolar um lanchinho mais light, com salada e queijos do Vermont, comprados no dia anterior. Que, aliás, que decepção. Mas enfim... pelo menos evitei congestão em cima de congestão. O resto do banquete fica para a semana. Se eu sobreviver ao coma alimentar. Palavra-chave: SE.

dimanche 15 avril 2012

Droit devant

E tem essa coisa de eu ser a melhor roommate do mundo. E tem essa coisa de a RoommateFromFrance ser a pessoa mais confusa e maladroite que eu conheço. O resultado disso é eu ter ido passar o dia no Vermont, nos EUA.

Para que isso faça sentido:

A fofurinha passou um tempão programando uma viagem pra San Francisco. Finalmente, comprou uma passagem de Burlington, Vermont, para San Francisco, California, porque partir de Burlington, que fica a apenas 2 horas de Montreal, é incrivelmente mais barato. Tudo certo.

Mas é óvio que, dois dias antes da viagem, a RoommateFromFrance recebe a notícia de que teria uma entrevista de emprego na sexta-feira de manhã (dia da viagem).

Fofolita aqui ficou, então, encarregada de alugar um carro, pra buscar a RoommateFromFrance em sua entrevista de trabalho às 10 da manhã e sair apostando corrida com o Schumacher para atravessar a fronteira e chegar em Burlington a tempo de ela pegar seu voo, às 13h50.



ROADTRIP!!

O detalhe é que a entrevista foi mais longa que o esperado, e a RoommateFromFrance só foi liberada às 10h30.

AVENTURA!!

Por sorte, não teve trânsito na saída de Montreal. Em uma hora, estávamos na fronteira com os EUA, onde a RoommateFromFrance ainda teve alguns contratepos por tapadice falta de preparo.

Muita sorte, amiguinhos. Muita sorte.

Mais uma hora de viagem e dropei o pacote a menina no aeroporto.

O que significava que era hora de começar a parte legal da viagem: turismo.

Primeira parada: o melhor cachorro-quente dos EUA. É, tem isso aí. Eu sequer gosto de cachorro-quente, mas não dá pra deixar passar o melhor hot-dog dos EUA, vá. Mas OBV que o troço era overrated. O salsicha até estava boa, mas os outros ingredientes eram todos coisas empacotadas, enlatadas, compradas prontas em mercados. Se o problema é a coisa não ser boa ou eu não gostar da coisa... bom, isso aí eu não sei.

A pausa da tarde foi o chilique básico com meus cartões de créditos, que foram bloqueados assim que eu tentei fazer um saque em uma caixa eletrônico. Como havia de ser.

Depois disso, eu já tinha programado uma parada para comprar uns laticínios no Fresh Market. Comprei manteiga, queijos, cidra...

O mocinho que trabalhava na loja, bem simpático ainda recomendou uma passadinha na boardwalk e uns outros lugares, antes do jantar.


empolgação define




O jantar foi no Caroline's, um dos melhores restaurantes a que eu fui nas últimas semanas. O rolinho primavera de confit de pato foi um dos melhores pratos com pato que eu já comi (depois do pato do John Fraser). Long story short, o jantar valeu a viagem.

Final da brincadeira: lá pelas 21h, estava eu de volta em Montreal, me preparando para comer até chegar na esquina de explodir e encontrar com a morte. Um pouco triste de ter que devolver o carro... mas contene de receber o reembolso da RoommateFromFrance pelo carro, pela gasolina etc. porque, afinal, apesar desse dia de "férias", contas ainda precisam ser pagas.

Ah, e, finalmente, a RoommateFromFrance chegou a San Francisco. E amanhã chegam duas amigas dela que vão ficar aqui temporariamente. Porque, enfim, minha casa é esse albergue espanhol mesmo. Quoi de neuf.


Podia chamar isso de uma grande aventura, mas, a bem da verdade, é só mais um dia na vida dessa (anti-)heroína.

lundi 9 avril 2012

La chasse au loup marin

Literalmente três horas depois de minha amiga vegetariana ativista dos direitos do animais deixar minha casa e voltar para NY (não sem dar aquela passadinha no Woodstock Farm Sanctuary, onde conhecemos o Moby 1 ano e meio atrás), estava eu bonita, lá em Verdun, comendo foca.

É. Foca.


É.

Contar pra vocês que, assim como BB embaragou bastante, as focas não são todas fofinhas, bonitinhas, branquinhas, peludinhas. Mas, independente desse aspecto da minha apreciação estética, só tenho a contar pra vocês que, mesmo não sendo assim tão bonitinhas, focas dão ótimos hambúrgueres!

Em tempo: não se come foca partout no Canadá (cavalo, meio que sim; foca, não). Esse lance era um especial de um restaurante que tem comida típica das Ilhas da Madalena, que ficam numa da província de Québec, e onde a superpopulação de focas supostamente prejudica a pesca local. "Supostamente" porque não tenho dados suficientes. Nem tenho como embasar isso aí - mas essa é a história que o pessoal conta no restaurante.

Isso para esclarecer que a carne é legal, a caça é regulamentada pelas autoridades locais etc. etc. O que não significa que eles sejam mortas de maneira "humana" (ainda se matam as focas de modo tradicional: com uma tacada na cabeça - whatev!).

Pudores estéticos de lado (tacada e produção animal industrializada são meio que a mesma coisa, mas isso é outra história para outra ocasião...), o menu tinha, como entrada, "carne seca" (jerky) de foca, patê de foca e foca defumada. Os pratos principais recomendados eram o hambúrguer de foca com queijo pied-de-vent e o cozido de foca com cogumelos e um vinho similar a um Porto (memória de peixinho dourado).

Achei que o hambúrguer era para gente medrosa. Fui no cozido. Achei bem mais ou menos. A carne estava boa (a melhor parte ainda acho que foi o patê), mas só. Para os curiosos: ela não tem gosto de peixe, não tem gosto de mar. É uma carne vermelha, que tem um sabor de carne de caça (na linha de cervo, javali etc., mas com diferenças relevantes). O decepcionante do cozido é que ele foi servido sobre uma massa (e não sobre batatas e/ou legumes, como eu esperava) que estava bem ruim. O hambúrguer (dei uma mordida no que G. pediu...), por outro lado, estava bem gostoso, mas talvez mais por conta do queijo que da foca em si.

Resolvi acreditar nos coleguinhas que me acompanharam e passar o donut frito na gordura de foca. Fui com o pouding chômeur, que não estava bom, mas, whatev, não fui lá pra isso.

Mais uma coisa pra riscar da lista: comer foca. Não que ela estive na lista, mas, er...


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Lição cósmica do dia:

Um detalhe importante a comentar foi que essa refeição aí durou umas cinco horas. Um dos motivos para isso foi que houve um apagão no bairro logo depois de terem servido nossas entradas. Para comermos os pratos principais, tivemos que esperar o restabelecimento da eletricidade - o que demorou um bom tempo. É óbvio que, enquanto isso, ficamos lá, à luz de velas, ouvindo galëre tocar musiquinhas locais (don't ask...) ao violão.

Novamente, o karma venceu. 

Ou alguém estava realmente achando que essa coisa de comer foca ia ficar impune?

samedi 7 avril 2012

Moustache

Ou: as MELHORES ideias.

Depois de mais de um ano de planos que foram repetidamente por água abaixo, S. finalmente despencou de NY para Montreal para passar um dia e meio (!) comigo.

Foi pouco tempo, mas vimos as coisas relevantes (i.e. lojas que vendem diversos tipos de bigodes) e fizemos as coisas relevantes (i.e. sair pela rua com bigodes).

Feliz Páscoa pros bonitos!

Life's good with 'em 'staches!
Não perguntem...

Só... não perguntem.

mardi 3 avril 2012

La chance aux chansons

Sábado foi um daqueles dias que podia ter começado com um fast forward para as oito da noite. Estava aqui, num humor de cortar os pulsos quando PB me liga pra gente se encontrar pro nosso café/sessão de descompressão.

Depois de um sanduíche vietnamita e um papo com a ativista da Oxfam que estava mendigando doações na Saint Denis, meu telefone toca. Como eu não tenho educação sou curiosa demais para ignorar ligações de números desconhecidos, atendi. A moça do outro lado da linha disse que era do Au Pied de Cochon. Na hora, supus que ela estava ligando para confirmar minha reserva para jantar no dia seguinte, quando eu ia lá com a RoommateFromFrance e seus amigos. E é aí que começa a sessão da tarde, cheia de aventuras e grandes confusões:

- Oi, sim, sim. Aqui é a Aline, ela mesma. É para confirmar a reserva para amanhã? Porque está confirmada, sim.
- Não, não... Espere. Eu tenho uma nota aqui sobre a reserva, mas ainda está por confirmar.
- Como assim por confirmar? Eu liguei, fiz a reserva - está confirmada, não?
- Não, ainda não. Não enquanto você não tiver dado o número de seu cartão de crédito. Você deu o número?
- Não, mas ninguém nunca me pediu, também.
- Então, mas a reserva não está confirmada até que você nos passe o número de seu cartão de crédito.
- Mas sempre fiz reservas aí e jamais me pediram o número do cartão de crédito.
- Mas nós mudamos nossa política há mais ou menos um ano, porque tivemos muitos problemas com pessoas que faziam reservas e não apareciam...
- Mas eu estive aí há menos de um mês e não tive que dar o número do meu cartão de crédito.
- ?
- ?
- Bom, mas é essa nossa política. Você queria reservar uma mesa para seis pessoas...?
- Veja, eu não estou entendendo. Tinha feito uma reserva para oito pessoas - que foi confirmada, aliás. Depois, liguei novamente para vocês e pedi que a reserva fosse alterada para dez pessoas. Não sabia que eu precisava de todo esse procedimento aí. Mas, enfim, minha reserva está confirmada para amanhã, afinal?
- Mas... Espere. De onde você acha que eu estou ligando? Do restaurante Au Pied de Cochon?
- Sim. Não?
- Não. É da cabane à sucre do Au Pied de Cochon...
- !!!

O pano de fundo dessa história é que, no início de dezembro, eu tinha entrado no site da cabane à sucre do Au Pied de Cochon (que é dos mesmos donos do restaurante etc.) para ver se eu conseguia fazer reservas para a temporada de 2012. Já não havia mais a possibiliade de fazer reserva (eles estavam lotados para a temporada 2012). De todo modo, seguindo a sugestão do AmigoSemTwitter ("give credit when credit is due...") mandei um e-mail perguntando se havia uma lista de espera e se eu poderia ser colocada nela. Nunca recebi qualquer sinal de fumaça.

Eis que no sábado, véspera de eu ir ao restaurante (com a reserva que tinha feito no início da semana), eles me ligam da cabane à sucre para confirmar uma possível visita para o mês de abril. Obv que minha cabeça não conseguiu registrar essa sutileza e quase explodiu no diálogo com a moça.

Fato é que teria jantar no Au Pied de Cochon domingo à noite e "brunch" (ou alguma versão disso) na cabane à sucre do Au Pied du Cochon 13 dias depois. Depois de confirmar comW#2 se deveríamos mesmo confirmar a reserva, fui pra casa me arrumar pro show do Magnetic Fields, que começaria em 3 horas.

Ninguém mais tem esse tanto de sorte. Ninguém.

lundi 2 avril 2012

Ton plat favori

Domingo de chuva. Odeio chuva na cidade. Quando tem que sair na rua pra procurar um lugar aberto pra almoçar porque, pós-festénha, meu apartamento está fazendo cosplay de Kosovo (estou nessa vibe anos 90, me deixem!).

Para curar essa frustração, só tem uma solução possível: porquinho!

E lá vai!

3o. dia de comemoração do aniversário da RoommateFromFrance (o primeiro foi a comemoração particular em casa, sem convidados, mas com direito a presentes e decoração - incluindo balões!, e o segundo foi a festénha que gerou a situação calamitosa na sala e na cozinha) e o plano era ir jantar no Au Pied de Cochon. Yum!

Tinha feito reserva para dez pessoas, mas acabamos sendo apenas sete. RoommateFromFrance, cinco amigos dela e eu. Gente o suficiente para que a gente pudesse pedir montes de comida e experimentar tudo.

China papagaio-de-pirata!

Comemos cromesquis de foie gras, salada com moela, coxas de pato caramelizadas, tutano, vários tipos de patês e embutidos de porco. E isso foi só de entrada.



Os pratos principais eu dividi com a RoommateFromFrance: comemos poutine ao foie gras e a potée PDC, que é basicamente uma panelinha forrada com aquele purê delicioso que eles fazem, e com vários pedaços de porco.



Espaço para a sobremesa, nem pensar. Exceto por um pedacinho do algodão doce de bordo (maple) que veio por cima do sundae que M. pediu.

Minha sugestão foi um sucesso com os amiguinhos da RoommateFromFrance e é isso o que importa, porque eu odeio ser contrariada.

Resolvido o problema do domingo. Agora é só esperar o próximo porquinho, mas que virá com forma e conteúdo diferentes, em breve. Porque essa coisa de ter dinheiro no banco é para fracos.

dimanche 1 avril 2012

Les chants magnétiques

Montreal. Le National. 31 de março de 2012. 20h30.


The Magnetic Fields

Tinha comprado esses ingressos aí havia um tempão. Descobri que ia ter o show lá por dezembro. Quase morri, obv. Em janeiro, olhei pro meu cartão de crédito, ele piscou pra mim e... feito! A contagem regressiva para o show estava rolando desde então (meio que junto com a contagem progressiva da greve...).

Aí, chega umas semanas atrás e a RoommateFromFrance decide que vai fazer a festinha de aniversário dela justamente no dia do show. Desculpe, RoommateFromFrance: é uma questão de prioridades.

E lá me fui para o show desmaiado (essa é a natureza dos shows em Montreal - e não desse especificamente) e bonito. Bonito, bonito, bonito! A abertura foi da Bachelorette.

O show ainda teve a vantagem de ser - novamente - a dois quarteirões da minha casa, onde as empadinhas de queijo que eu tinha feito para a festinha da RoommateFromFrance ainda me esperavam. No parabéns, teve cheesecake de speculoos (aparentemente chamado "spekulaas" ou "spekulatius", em português) e caramelo de maçã que a AmigaImaginária fez.

Saída à francesa (ha!) para o meu quarto, para evitar conversas prolongadas com franceses-mala prestes a jogar "Just Dance" por horas a fio no meu Wii, e um sono de muitas horas - com "Walk Like an Egyptian" versão midi como trilha sonora ao fundo - antes de acordar num domingo chuvoso.

A vida não fica muito melhor que isso, não. E nem é brinks de 1o. de abril.