jeudi 23 février 2012

Réfractaire

Ou: minha vida se La Bohème tivesse sido escrita por um emo.


Ouverture:
'The man who said "I'd rather be lucky than good" saw deeply into life. People are afraid to face how great a part of life is dependent on luck. It's scary to think so much is out of one's control. There are moments in a match when the ball hits the top of the net, and for a split second, it can either go forward or fall back. With a little luck, it goes forward, and you win. Or maybe it doesn't, and you lose.' (Chris Wilton, Match Point)

First Act:
Porque os anos passam (quantos!) e a gente aprende muito pouco.

Já me coloquei muitos objetivos para 2012. Então, tarde demais. Mas minha meta para 2013 (se o mundo não acabar, i.e.) será aprender a ficar quieta, às vezes. Porque rola esse problema Holden Caulfield às avessas, tal, e lá se vai meu humor. Mas, enfim. Eu falo demais (mais que deveria, sobre mais coisas que deveria), e isso não raramente é problemático. Ironicamente (e felizmente, em alguns casos) é problemático para mim, e não para os outros.

Second Act:
Para minha sorte, a sorte tem me faltado bem pouco na vida (por enquanto, ao menos). Sorte e serendipidade (...). E meu dia foi cheio de momentos de redenção (sim: eu, que não acredito em redenção...). Talvez tenha sido uma pena que eu só tenha me dado conta disso agora, no finalzinho do dia. Mas acho que foi a tempo de salvar meu amanhã.

Ainda tem um monte de soul-searching na minha lista de afazeres, mas enquanto não tenho tempo (nem maturidade) para isso, me contento com a sorte de ter todas essas pessoas que eu tenho (de modos diferentes) na vida e outras sortes similares.

Isso sem contar que, logo hoje, recebi - um mês adiantado - um pacote que eu estava esperando ansiosamente. Sorte. Serendipidade. Mas o pacote era de verdade - nada metafórico, juro, mas bem à propos - mas depois eu conto para vocês o que era. Cada coisa em seu tempo.

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Entr'acte:
In unrelated news, deixo vocês com o Sam Shepard, porque é a única coisa que cabe, de mais maneiras que eu sou capaz de descrever:

Terms of Endearment (Sam Shepard)
What can I call you
Can I call you "Honey"
Or "Sweetie Pie"
Can I call you "My Treasure"
Or "Precious One"
Or can I call you "Babe"
Or maybe I could call you "Darling"
Can I call you "Darling"
I heard someone else call someone "Angel" once
Can I try "Angel"
Can I call you "Sweetheart"
Or "Sugar"
Or maybe I could call you "Love"
Just "Love"
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Third Act:

I'd rather be lucky than good.

Talvez seja melhor eu voltar a falar demais e inadvertidamente insultar as pessoas, mas me deixar fora da história. Isso estava funcionando bem até aqui. Não sei até quando, mas, por enquanto, não perdi nenhum dente. Hm, talvez eu precise de mais sorte ainda para voltar a esse M.O. e manter os dentes no lugar. A ver. Por via das dúvidas, se vocês realmente me amam, comecem a fazer a vaquinha do dentista.

"Certain things they should stay the way they are. You ought to be able to stick them in one of those big glass cases and just leave them alone. I know that's impossible, but it's too bad anyway." (Não sabe de onde vem essa citação? Google it, you idiot!

Finale:
Fat lady enters. Sings.

samedi 18 février 2012

Papillon

Entre comer horrores (isso tem que parar*, meldels) e quebrar minha cabeça tentando lembrar o básico do básico das aulas da Maria Laura ("Puella pulchra est, seus imbecis!" - as aspas sendo da própria Maria Laura, não minhas) com o auxílio da paciência de Jó do AmigoSemTwitter, recebi um casal de irmãos australianos (couchsurfers) em casa.

Foi minha terceira vez servindo de anfitriã para couchsurfers (fui hóspede também 3 vezes) e, por enquanto, nenhuma reclamação. Muito pelo contrário: todas as pessoas que recebi (e todas as que me receberam, igualmente) foram ótimas. Muito amor a PT por ter proselitizado a cultura CouchSurfing durante anos. Um sucesso!

Os australianos passaram só duas noites aqui, mas super me ajudaram a superar preconceitos (olhaí projeto 2012, gente!). Coisas, por exemplo, que eles não eram: loiros, bronzeados, presidiários, cangurus, coalas, ornitorrincos, surfistas que ficam falando "cheers, mate" e variantes ("g'day, mate!") e bebendo Foster's.

Enfim, eles foram super legais (e a gente super socializou, na soirée com o AmigoSemTwitter e a RoommateFromFrance) e foram embora agora cedo, me deixando, contrariamente a todas as expectativas, com vontade de experimentar Vegemite (se você tiver estômago fraco, não clique no link).

Os planos para agora, nessa vibe "tudo errado" incluem eu passar essa noite insone, contemplando se devo ou não participar, amanhã de manhã cedíssimo, da corrida em que eu me inscrevi (que é lá na casa do caralho longe), planejar/preparar a soirée de amanhã, tentar não entrar no modo "angústia existencial", criar coragem para sair de casa e ver pessoas, lidar com essa dor nas costas (que não é de deus), fazer a roleta russa na minha caixa de entrada do GMail, procurar no Google onde comprar Vegemite em Montreal.

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*A RoommateFromFrance me disse, ontem, depois de dividir uma sobremesa de chocolate e caramelo comigo, que pretende comprar uma balança (daquelas de banheiro, que a gente usa pra se pesar, tal) aqui pra casa. Única reação possível nesse momento (enquanto ainda estou tentando controlar os nervos e pensar sobre isso de maneira racional) é isso aqui - porque na hora do desespero, a gente até apela pra meme velho.  Mas chega de #mimimi, porque ainda sobraram alguns macarons de ontem, e eles precisam ser comidos. A gente quebra lida com a balança quando ela chegar.

mercredi 15 février 2012

À l'envers, à l'endroit

Montreal é uma grande comédia dos erros (ironicamente, aliás - me lembrei disso enquanto escrevia essa frase, - foi aqui onde assisti A Comédia dos Erros encenada naquele esquema Shakespeare in the Park, em 1999; puxa! Que velha!).

Já comentei sobre como os mercados aqui não fazem o menor sentido, e como a língua aqui tem uma semântica absurda, mas isso é só o começo da história.

Tem algumas semanas, quando estávamos nos preparando para a pesca no gelo, antes de o Ben ir embora, fomos à Dollarama aqui perto, na Ste.-Catherine, comprar pratos, copos e talheres descartáveis.

Contexto: eu já disse que moro no bairro gay, mas tem mais, bem mais que isso. O Village Gai aqui em Montreal faz fronteira com o Quartier Latin. Em um determinado pedaço dessa fronteira estão a UQAM e a Place Émilie-Gamélin, essa última que, em equivalentes paulistanos, faz as vezes de cracolândia e de vão-livre do MASP.

Cracolândia porque, bem, é onde galëre do crack e da heroína fica, mesmo. E vão-livre do MASP porque é geralmente ali que se concentram as multidões quando há qualquer grande manifestação/marcha/protesto na cidade, como a fatídica manifestação dos estudantes naquele fatídico dia de novembro do ano passado.

Chega de digressão? Bem, o lance é que eu amo o Village, mas estou a dois passos da cracolândia. Aliás, "mas" não. "E". Porque a cracolândia (a daqui ao menos) me incomoda quase nada e eu meio que curto paisagens urbanas decadentes (motivo pelo qual o lado oeste da cidade não tem nada a me oferecer).

Mas voltando à história original...

Justamente pelo contexto do bairro, sempre tem um monte de gente pedido dinheiro nas ruas por aqui, desde aquele pessoal que poderia estrelar no Prof or Hobo? a uma galëre que parece viver como o roteiro de Rent (o musical, get it?) a umas criancinhas bonitinhas que passaram pedindo 25 centavos outro dia com a desculpa de precisar ligar para a mãe, mas eu tenho certeza de que foi para comprar bala. Ou crack.

Fato é que sempre tem também uma dessas figuras que fica na porta da Dollarama, abrindo a porta para as pessoas e esperando ganhar um trocado.

Ok, tranks. Cada um ganha a vida como pode. A questão, como Ben bem notou aquele dia, é que, como vocês podem imaginar, a Dollarama não é o tipo de loja que atrai uma clientela particularmente abastada. A loja fica meio que em um porão. O item mais caro vendido lá custa 3 ou 5 doletas (estou chutando). Se eu estou me submetendo a entrar num porão apertado e cheio de gente para economizar 30 centavos nos meus pratos descartáveis (i.e. se eu preciso me precupar com esse tipo de coisa), quais são as chances reais de eu ter uma ou duas doletas sobrando (ou até 25 centavos, que seja!), pra dar pro cara de zôio vidrado que está abrindo a porta para mim? Nada contra os zôio vidrado, em particular. O problema é mais geral mesmo. O targeting está errado, tal. Chamem o Shawn Heffern e sua equipe urgentemente! (Pros preguiçosos de cabeça e de Google, explico: é o cara do case do Cialis, que é um dos casos de branding mais geniais - embora maligno, por razões óbvias - da história, IMHO. Se não acreditar em mim, dê um Google, ou pergunte praquele seu amigo mala que está fazendo MBA/marketing/publicidade-é-tudo-a-mesma-coisa)

Os pedintes de Montreal estão precisando de algumas aulas de marketing (e olha que, se bobear, o governo até oferece), porque, sério: vocês estão fazendo isso muito errado, amigos. Jamais entenderei. Jamais.

A não ser que a classe média-alta daqui também seja correlata da paulistana (i.e. tenha fobia desesperada de pobre) e seja mais fácil ir arrecadando dinheiro de 2 em 2 centavos de estudantes falidas como eu que esperar 5 ou 25(!) centavos de uma vez de uma tia passeando um poodle. E olha que poodle é outra coisa que não falta por aqui. Mas isso é outra história, e deverá ser contada em outra ocasião...


E, na sessão Ana Maria Braga do dia de hoje, no cantinho fikdik, uma recomendação pra essa gente linda do mundo: economiza no pratinho descartável, economiza nos potinhos de vidro (os de plástico matam), e, olha, economiza até no pécu (só não vale comprar o rosa), mas, porfa, não economize no papel toalha. Nunca vale a pena. Diz a voz da experiência.

De nada.

mardi 14 février 2012

N'as tu pas honte?

"Sentir ódio é como beber veneno e esperar que o outro morra."

Não, não estou em um momento inspiracional e nem num #mimimi genérico. Quem disse essa frase aí acima recentemente foi um colega meu, que acabou de passar por uma cirurgia da face, com implante de placa metálica e rede de titânio.

Mas por quê? Bem, basicamente porque ele foi vítima de uma tentativa de homicídio na semana passada, em Santa Catarina. Os detalhes do ocorrido estão relatados aqui e aqui. Racismo, provavelmente. Mas, olha, racismo ou não, resta uma pergunta: O QUÊ???

Pessoal adora me lembrar da taxa de analfabetismo, dos roubos de carros, da corrupção do governo, mas, olha, se tem uma coisa que me desencoraja a voltar para o Brasil é esse tipo de coisa que aconteceu aí com o Evandro.

Conheci o Evandro em SP, na PUC, há uns 8 ou 9 anos. Estudávamos Frege naquele famigerado grupo de leitura que já mencionei aqui. O Evandro é doutorando em filosofia, professor da UFSC e da USJ, especialista em Brentano.

Fácil dizer que no Brasil não há racismo ou discriminação, né? Mas acho melhor pensar duas vezes.

Olha, eu sou a primeira a levantar a bandeira do racismo e da xenofobia contra os Estados Unidos e contra a França, por exemplo (já tive problemas nos dois países, apesar de, de cara, ninguém aparentemente me identificar como brasileira), mas o percentual de casos de gente atacada com lâmpada fluorescente e chave de roda no Brasil ainda é bem maior.

Outra coisa sobre o Evandro é que ele passou um tempão na Alemanha (em Düsseldorf, acho). A Alemanha, aquele país que galëre adora detonar por conta do nazismo, da xenofobia, do racismo. Sabe quantas vezes tentaram matar ele por lá, só porque ele é negro e comia batatas-fritas (e olha que comem-se bastante batatas-fritas na Alemanha, também)? Nenhuma.

O problema é que, nessas horas, não dá só desgosto pensar em voltar para o Brasil; dá vergonha de fazer parte de humanidade.

Vamos celebrar a estupidez humana? Feliz dia dos namorados do hemisfério norte para vocês também!

lundi 13 février 2012

Casse-cou

Como se converter de filósofa borderline continental a hardcore analítica em uma lição: mude para Montreal.

Ainda estou meio cética quanto à completude de minha evolução digimon, mas vamos colocar as coisas desta forma aí acima, for the sake of the argument.

Fui me fingir de produtiva e engajada e fui à Philopolis, assitir à mesa redonda de PB e a uma outra, que tinha um pouco mais a ver com minha pesquisa. O plano meio que falhou por motivos logísticos. Quer dizer, eu fui até lá, fui às mesas redondas, mas não consegui ver tudo o que gostaria e ainda me irritei com as vestimentas de três indivíduos, que pareciam estar encarnando a versão filosófica do Mumford & Sons, mas talvez sem a "ironia" (aspas para duplo-auto-efeito-reflexivo). Só acho engraçado e/ou irônico 3-piece suit e gravata borboleta num babaca acadêmico wannabe quando esse babaca é W., e o terno é branco e o babaca em questão é do Kentucky e faz manhattans e ovos benedict para mim. De resto, apenas babaca. E três babacas vestidos assim dá um tom ainda mais tragicômico à coisa toda.

Vendo essas pessoas, fico feliz em nunca ter feito parte da filosofia hardcore continental, porque eu jamais colocaria uma fantasia dessas para falar de Heidegger. Mas enfim.

Fato é que, independente dos babacas supracitados, já tinha meio que combinado de sair com PB depois de sua apresentação e, do jeito que as coisas acabaram acontecendo, acabei passando a noite com ele e o pessoal da borderline continental (jamais com o pessoal da hardcore continental, graças ao Santo Tomás de Aquino). E o problema é que, assim... se a vida real (aquela, a IRL) fosse como o Facebook, o meu relationship status seria "it's complicated with Edmund Husserl".

É. Fiquei com essa sequela fenô no meu coraçãozinho; me julguem.

Mas, voltando: saí com a galera fenô e passei a maior parte da noite com um certo Sr. Milka tentando me convencer a voltar pra fenô e fazer meu doutorado com o orientador deles. Gente, que bonito, fenô faz amigos! Mas não. Ainda acho bem estimulante poder conversar com essas pessoas (PB, Sr. Milka e Stendhal Jr., no caso) sobre intencionalidade, consciência e afins, mas logo começo a ver semelhanças demais entre eles e meu antigo grupo borderline continental no Brasil e me dá uma preguiça...

Mas, no final, apesar de ter acabado de conhecer todo mundo (à exceção de PB) e estar na casa de um desses semi-desconhecidos, até que a coisa não foi tão desconfortável, porque tinha várias coisas ali lembrando os good ole times. Talvez essa seja uma boa medida: viver good ole times com gente nova. É, acho que isso aí também soou como fenô. Ou loucura pura, só. Provavelmente loucura pura. É.

A volta para casa a pé, num suposto frio bem frio, com telefones de quase-estranhos gravados no meu celular (?!), ajudou a diminuir minha dor de cabeça, meu leve nível de irritação (devido a sono, fome, cerveja barata, entre outros), e fomentou uma epifania rápida*.

Se o projeto para 2012 fosse só viver intensamente, vou dizer que o ano já poderia acabar em fevereiro, porque eu não sei se quero "come full circle" mais que isso, não.

De todo modo, estava tão esgotada física e mentalmente (e com endorfinas devidamente estocadas) que consegui dormir um sono absurdamente profundo por 9 horas, sem minha máscara de dormir, e com o maior sol lá fora. Das coisas raras que acontecem por aqui.

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* A epifania rápida, apesar de rápida, teve algumas partes e sub-partes. Uma delas tem a ver com a questão de a maioria das pessoas que eu conheço em Montreal não serem canadenses (e estarem aqui por escolha - e não por falta de). E a questão é que Montreal é, de fato, um dos lugares mais legais do mundo. Inclusive conversei isso com Sr. Milka e Stendhal Jr. ontem à noite e concordamos em relação a isso. Ninguém deveria ter vontade de ir embora daqui. As pessoas que não entendem isso não são dignas de consideração moral. Essa gente bonita que continua achando que foi um downgrading eu mudar de NYC para cá não sabe da história sequer um décimo.

Aliás, vou retificar a vibe fatalista desse post do final de janeiro e ratificar meu amor-ursinhos-carinhosos às pessoas que eu tinha mencionado, ainda que só en passant, sem citar nomes, nele, porque a boa notícia é que não me deram a bota de Montreal. Tive boas notícias hoje, tudo vai bem na universidade, e devo ficar ainda um bom tempo por aqui. Beberemos a isso durante o ano. Durante a vida.

vendredi 10 février 2012

Je voyage

Enquanto eu continuo lidando com meus problemas da maneira mais adulta possível (i.e. tratando-os como se não existissem), eu continuo viajando de um lado para o outro da fronteira com alguma regularidade semi-aleatória.

E isso aí gera uma quantidade enorme de problemas secundários, porque eu (como todas as pessoas sãs do mundo) odeio viajar de avião.

O problema já começa com o fato de ter que passar, como não-residente, pela imigração de dois países, um dos quais, apesar do disfarce, é a Bela Nação Fascista e Xenófoba do Mundo. De tanto que passo de um lado para o outro, meio que já virei quase BFF de alguns agentes (sad but true).

A próxima parte da brincadeira é o avião, essa caixinha de surpresas.

Tenho todo um sistema para evitar compartilhar descansos de braços com estranhos, e passar o mais longe possível daquele chit chat com pessoas com as quais eu não tenho o menor desejo de interagir. Da penúltima vez que viajei, o senhor ao meu lado perguntou o que eu fazia. Eu disse que era estudante na UQAM. A resposta dele foi um "Olha, sem querer te ofender, mas a minha filha também estuda na UQAM, mas você me parece um pouco mais velha que ela..." Sim, gênio. Talvez porque sua filha tenha 18 anos e tenha acabado de começar a graduação e eu, por outro lado, tenha me formado na graduação há 6 anos. Le sigh.

Mas isso é digressão. Fato é que sempre tomo o maior cuidado ao escolher meus assentos. Bom, dessa vez, dos quatro voos que peguei, em dois deles entrei no avião e encontrei meu assento já ocupado por alguma pessoa que, por algum motivo além de minha compreensão, achava que as letras dos assentos dos aviões são atribuídas de maneira aleatória. Aí a pessoa, que já estava instalada, recolhe todas as coisas, muda de assento... zzzZZZ. Dá pra ir mais rápido, não, clepto?

E a consequência óbvia de se ficar num ambiente fechado, durante 5 horas, com mais de 80 pessoas, é que rola toda uma troca involuntária de microorganismos com galëre desconhecida. E aí eu chego em casa, contente, na madrugada. Vou dormir e acordo zoada, resfriada. Perco minha aula de quarta-feira de manhã na McGill, meu pilates, meu cardio-pilates, não tenho forças pra ir comprar mantimentos. Enfim, toda essa destruição da minha rotina - coisa que gente com TOC adora, obv. Como me entupi de Buckleys (gente, esse troço é melhor que NyQuil, juro!), acordei zerada na quinta-feira. Agradeço à industria farmacêutica pela graça alcançada, mas continuo com ódio do ar viciado do avião.

Bom, aí tem os cartões de crédito. Eu tenho esse Visa, do Brasil, que, sei-lá-por-que, é o cartão de crédito com o sistema de segurança mais chato do mundo. Basicamente, apesar de eu raramente usar esse raio desse cartão, eles me mandam 7 cartões novos por ano, porque a cada vez que eu o uso, ele é bloqueado por razões de segurança - o que eu geralmente descubro quando estou no meio de uma viagem, e com o dinheiro  "de verdade" (=cash) acabando. Toda vez que isso acontece, eu ligo para o Brasil em fúria e desespero existencial. Quando a Central de Atendimento me avisa que já está mandando um novo cartão para meu endereço em São Paulo enquanto eu estou passando 20 dias na Eslovênia, eu fico bastante contente e começo diatribes de 40 minutos que não resolvem nada, mas que fazem o pessoal da Visa ter um pouco de medo de mim.

Obv que, quando eu atravesso a fronteira e começo a querer gastar dinheiro em Nowhere, Kansas, todos os alarmes devem tocar na Central Visa e meu cartão começa a me dar o alerta de que ele se autodestruiria em 2 minutos. Dessa vez, não. Talvez as diatribes, ao longo de 10 anos, tenham finalmente surtido efeito.

Até que.

Até que, já na volta para Montreal, estou lá no balcão daquela porra mesquinha da American Airlines, querendo pagar os US$ 25 para despachar o raio da minha mala, e meu Visa... falhou. Não passou. Passei outro cartão, aquela ladainha. Já estava planejando ligar para o Brasil assim que chegasse em Montreal, para ver como a Visa ia fazer pra me mandar um cartão novo para o Canadá, porque em SP ele não me adiantaria de nada, blá-blá-blá. E eis que.

Eis que meu telefone toca enquanto estou na sala de embarque do MCI (que é um aeroporto legal, pequeno, com wi-fi aberto). São meu pais, para me avisar que a Visa tinha acabado de ligar para eles, em SP, para dizer que, apesar de o meu cartão não ter passado numa tentativa de pagamento à American Airlines, o problema era com o sistema da AA, que meu cartão não estava bloqueado, e que eu não precisava me preocupar.

Aposto que eles tem uma nota na minha conta, avisando que eu sou a louca-do-cu do chilique e ligaram logo para evitar uma catástrofe maior (i.e. suicídio de um trabalhador da central de atendimento). Juro que ser borderline psicótica tem suas vantagens. Inspirando medo nas pessoas (e instituições financeiras) desde 1983. É assim que se faz. O cartão de crédito de vocês alguma vez já ligou para pedir desculpas? Pois é. O meu já.

Isso até seria engraçado, não fosse uma metáfora para minha vida.

jeudi 9 février 2012

Je me souviens (flash-back)

É hoje: aniversário de TOk, my own personal japa.


Porque a gente é assim, fora de foco, mesmo.


Quando TOk me conheceu e como ele bem gosta de lembrar eu ainda era menor de idade ainda estava no colégio ainda ia prestar vestibular. Ele ainda fazia letras-francês ainda ia pestar química largar química prestar jornalismo quase largar o jornalismo se formar em jornalismo começar o mestrado em linguística aplicada largar o mestrado em linguística aplicada. Quando vi TOk pela primeira vez dei uma bica na cadeira em que ele estava sentado estudando química ele caiu no chão e gritou porra mina. Algum tempo depois a gente saiu pra dar um rolê tomou Guinness ele vomitou em mim domiu em pé encostado em um carro estacionado. Ele me viu de cabelo curto cabelo comprido cabelo azul. Eu o vi de cabelo curto cabelo raspado cabelo zoado cabelo da Mafalda barba bigode moicano. A gente foi no ver o Norman Cook no Free Jazz com o carro da mãe dele não tinha lugar para estacionar exceto uma vaga minúscula onde cabia o carro certinho mas ele não sabia fazer baliza e eu tinha acabado de tirar carteira de motorista e fui fazer a baliza mas não sabia engatar a ré no carro e tivemos que fazer a baliza juntos eu no banco do motorista pisava na embreagem e ele no banco do passageiro engatava a ré e conseguimos estacionar perfeitamente assim juntos e depois já de manhã lá pelas nove horas quando ele estava indo me deixar em casa o celular dele tocou e era a namorada hoje em dia ex que ligou e ele mandou eu atender e eu atendi e ela não entendeu nada por que uma mina estava atendendo o celular do namorado dela às nove da manhã e além disso eu disse que ele não podia falar porque estava ocupado esqueci de precisar que era porque ele estava dirigindo e foi bem esquisito e demos um monte de risadas mas acho que ela não achou tão engraçado quanto a gente azar o dela. Ele sempre reclama que é difícil acomodar meu gosto musical na casa dele porque eu não gosto de nada que ele gosta mas ele sempre mente porque a gente gosta de algumas coisas em comum eu só não gosto de Police e Megadeth mas a gente gosta junto de Moby e The Who e de Ruby Tuesday dos Stones cujo significado a gente descobriu com um aluno e ficou dias falando a respeito porque foi uma coisa assim meio epifania apesar de ser obv que Beatles é muito melhor que Stones. E a gente lê e assiste a tudo do Bonassi e a gente até foi no lançamento de um livro dele uma vez na antiga Livraria Cultura do Conjunto Nacional e quando chegou nossa vez de pegar o autógrafo ele perguntou a TOk se ele o conhecia e TOk respondeu que ainda não que eu achei que foi uma ótima resposta já não me lembro mais qual era o livro mas acho que Prova Contrária mas Passaporte que acho que foi TOk que me deu de presente ainda é meu favorito ou talvez Um Céu de Estrelas e é claro que a gente também gosta do Valêncio Xavier que é o autor brasileiro mais subestimado de todos. E teve aquela vez em que a gente passou meses procurando uma edição roots do Kama Sutra que tivesse os desenhos originais bonitos e toda a história original bonita e não aquelas fotos toscas DIY que parecem de manuais da Abril e lembro que fomos naquela livraria gls que ainda existia na Al. Lorena e que já não existe mais e que nem lá tinha o livro e ficamos desapontados e procuramos por mais algum tempo e isso foi antes da popularização da Amazon e depois desistimos. E também fomos ao puteiro uma vez porque ele sabe que e daí que eu sou menina eu sou bróder dele e é isso que conta e a gente tomou uísque e ficou olhando pra bunda alheia. E quando todo mundo que não me conhece fica se censurando na minha frente ele sempre fala que comigo não tem essa e que eu sou mais macho que todos os caras no recinto o que quase sempre é verdade e ninguém acredita na hora mas eles se dão conta depois e a gente sempre ri porque não sei por que ninguém nunca acredita de primeira. E a gente também foi ao show do Latino que foi uma das coisas mais surreais e engraçadas da vida mas também foi uma coisa meio infinita e deprimente e uma história dessas que a gente contaria para os nossos netos isso se fôssemos ter filhos. Falando em filhos TOk também é filho único como eu mas eu não sei se mais ou menos mimado que eu mas possivelmente mais mimado eu acho. Fiz com que TOk virasse fã do Haneke e ele me ajudou a ficar viciada em Dogma 95 e aí sempre que a gente se vê a gente fala de filmes ou vai ver algum filme o último que a gente viu foi A Fita Branca do Haneke quando saímos do cinema não conseguimos dizer uma palavra ficamos atônitos e só pudemos conversar sobre uns dias depois o que foi bom porque eu detesto conversar sobre filmes imediatamente após o filme e ele também gostou de Benny's Video que é possivelmente o filme mais sórdido de todos os tempos e acho que ele concorda. E a gente sempre vai comer uns rangos bons e o que eu gosto é que TOk sempre me leva aos melhores restaurantes japoneses e ainda pede a comida para mim porque ele sabe do que eu gosto e sabe exatamente como eu gosto do meu temaki que é o mesmo jeito como ele gosta do temaki dele que é o jeito como se deve comer um bom temaki de todo modo e que eu prefiro atum a salmão e todas essas coisas e uma vez a gente foi a um japa e ficou numa salinha e para chamar a garçonete a gente tinha que bater palmas o que foi extremamente constrangedor porque ficamos com uma sensação de senhor e vassalo e não tínhamos coragem de bater palmas para chamar a garçonete então nunca chamamos a garçonete e meio que não fomos atendidos e foi um pouco estranho mas divertido. TOk sempre que me convida para passar lá em casa e tomar um uísque diz isso de forma literal e ele sempre me serve uns single malts ótimos da coleção do pai dele e eu sempre peço gelo e ele sempre me xinga porque eu estou pedindo para colocar gelo no single malt mas ele sempre coloca mesmo relutando porque eu sou especial e mereço ser herege enquanto ele oferece um blend para os outros amigos e sem gelo. A gente sempre toma Guinness às segundas-feiras e faz churrascos às quartas-feiras mesmo quando eu não estou em São Paulo mas quando estou fica pressuposto que isso vai acontecer a gente nem precisa combinar nada exceto quando a gente resolve mudar de bar o que sempre dá errado porque os bares nunca estão abertos que saco. E ele sempre acha que eu sou mais nova do que eu sou e eu gosto disso porque asim posso adiar meu botox por mais alguns anos. E a gente já fez um sem-número de merdas juntos já atravessamos São Paulo durante um apagão master e eu dormi no sofazinho da churrasqueira dele até de manhã porque o trânsito estava um caos e eu estava cansada e apaguei e minha mãe já lavou o avental dele e a mãe dele ficou com vergonha e já passamos anos novos juntos uma vez com ele bêbado demais e a outra vez comigo bêbada demais e uma das vezes só sobrei eu de sóbria para contar a história e na outra não sobrou ninguém sóbrio porque estava todo mundo escorregando no vômito como se fosse um filme do Buñuel. E ele sabe pedir um manhattan para mim nunca com Jack Daniels ainda que ele derrube a metade no caminho entre o bar e onde eu estou. E uma vez a gente dormiu no balcão do O'Malley's esperando um café da manhã mítico para assistir à final do mundial de rugby mas não aguentamos e fomos embora logo depois que o jogo começou às nove da manhã depois de ficarmos indo de bar em bar durante mais de doze horas para ficarmos acordados e podermos ver o jogo com o café da manhã mítico. A gente organizou uma mega party e eu perdi meu brinco e ele achou meu brinco e me devolveu e eu não fiz nenhuma bagunça no estúdio porque eu tenho consideração respect. E eu peguei o trem e fui pra Toronto carregando um monte de equipamento de som e fui encontrar com ele por um fim de semana para passar o fim de semana mais legal do Canadá apesar de eu não lembrar de muita coisa e de vários passeios terem dado errado e de não termos conseguido nos pendurar da CN Tower e nem sequer tirar uma foto decente da CN Tower porque as luzes de Toronto são estranhas elas não colaboram para as fotos e não tem muitos ângulos bons mas que se foda a CN Tower vamos logo para o bar então. Eu já arremessei uma cadeira daquelas de metal dobráveis tipo de bar nele e a gente já brincou de luta e a gente sempre passa rasteira um no outro e por sorte ninguém nunca quebrou os dentes mas quase ou quem sabe ele já tenha quebrado os dentes e eu não lembre. E eu já cortei o cabelo dele e a gente também já foi fazer um piercing junto na geleria Ouro Fino quando ainda existia a Body Piercing Clinic e eu saí de lá toda contente com meu piercing e ele saiu de lá com o dele já infeccionado e quase perdeu a orelha mas ainda bem que não. E Tok é a metade do Google e eu sou a outra metade e a gente sempre faz sem querer conversas trívia e todo mundo fica assistindo e não entendendo nada mas se divertindo e nunca entendendo de onde saem tanta informação e relações aparentemente desconexas quando a gente passa de pelicanos a bolcheviques a Zappa a Althusser a bananas a eletrólise a morte a Lego à Liberdade que é tão pequena a anões a Saussure e foda-se o Saussure. Isso sem falar é claro que ele me manda as melhores mensagens de texto do mundo e que tem os amigos mais dementes e a namorada mais legal do mundo que eu queria ter como minha namorada se eu fosse ele obv. E ele foi pra BsAs e quase comprou um Fuchur pra mim mas não conseguiu mas mesmo assim tirou uma foto para me mostrar e eu adoro e toda vez ele fala que o Fuchur é um cachorro só para me irritar porque ele sabe que não é um cachorro mas ele também sabe que eu me irrito quando as pessoas acham que ele é um cachorro só por causa daquele filme idiota mas na verdade ele é um dragão e todo mundo deveria ler o livro porque é um dos livros mais bonitos da vida mas ninguém lê justamente por causa do filme estúpido mas que por um lado eu amo porque é um clássico dos anos 80 e a gente ama os anos 80 mesmo eles sendo bregas e a música do filme eu adoro porque é brega mesmo mas é bonitinha mas enfim o Fuchur eu amo o Fuchur que não é um cachorro e sim um dragão. E ele dirige igual a um demente assim de dar medo e já deu PT em vários carros mas por sorte e acho que foi sorte mesmo eu nunca estava junto em nenhuma das vezes mas fico feliz que ele tenha saído inteiro todas as vezes e às vezes me preocupa que ele saia dirigindo por aí desse jeito. Ou então porque ele se perde pela cidade igual na festa de São Vito a que eu e meus pais fomos para encontrar com ele e com os pais e amigos dele mas aí ele acabou não indo porque ele saiu tarde do trabalho e se perdeu e foi parar no ABC enquanto a festa já estava acabando e ficou putinho e não quis mais ir. E foi irônico que o Wando tenha morrido na véspera do aniversário dele o Wando de quem TOk é fã o Wando com sua boca em W mas TOk deve ter ficado contente em ver todo mundo falando de Wando na véspera de seu aniversário e todo mundo vai continuar falando do Wando mesmo durante seu aniversário e eu imagino que isso vá ser legal e talvez as pessoas até cantem músicas do Wando em vez de parabéns a você.  E eu ligo no aniversário dele para desejar feliz trinta e ele atende o telefone e eu nem me identifico só falo e aêêêê e ele já sabe que sou eu e fala puxa que honra ligação internacional e me promete tomar uma por mim amanhã quando for comemorar como ele sempre faz. TOk é meu balzaco favorito.

mardi 7 février 2012

Dès que le vent soufflera

Mais um final de semana prolongado no Kansas. Uma lista rápida das coisas que eu fiz:

Ganhei presentes de Natal. Sim, quase dois meses depois. Mas não importa. Gostei deles (sim, deles, no plural) assim mesmo.

Comi meu peixe preferido (receita do Emeril Lagasse), feito pelo Respectivo.

Tomei 2 manhattans, no Crancers, cujo barman é amigo do Respectivo. :)

Comi sanduíches de porco acompanhados de batatas fritas na banha de porco, do All Slabbed Up. Só quem já comeu um é capaz de compreender o quanto é bom. O melhor sanduíche-íche de porco do mundo. Juro.

Fiz acupuntura. Pela primeira vez (eu sei, vocês devem estar surpresos que essa tenha sido minha primeira vez, mas foi). Foi legal. Respectivo achou que eu fosse ficar com medo das agulhas. Pff! Amador! É claro que, quando as agulhas foram retiradas, eu fiquei sangrando loucamente (como havia de ser), mas obv que não doeu nada. Agora, sobre essa coisa aí de relaxar e tal, sei não... a ver.

Assisti a "Inglourious Basterds", que o Respectivo tinha gravado no DVR. O filme é ok. Tecnicamente bom, mas nada além disso. Mantenho minha opinião de que o Tarantino é superestimado.

Fui ao Centro Comunitário de Leavenworth, ver uma exposição dos trabalhos artísticos dos prisioneiros locais. Saí de lá com um quadro lindo. Sem um centavo no bolso, mas com um quadro lindo. Porque, como é arte, não é compra; é investimento. Certo?



Investimento no meu ego, também. Porque logo depois passei no mercado de pulgas, carregando o quadrinho comprado debaixo do braço, e a moça de uma banquinha achou que a pseudo-pin-up retratada no quadro era eu. Uau... obrigada! (Tô gata? A moça usa DORGAS?)

Comi um sanduíche-íche de babaghanoush na Habashi House, no Mercado Municipal de Kansas City. E ainda levei um potinho de babaghanoush para casa. Não sei bem o que eles põem no babaganoush, mas é uma mistura de sabor dos deuses com heroína. O único jeito possível de descrever o tanto que é bom e viciante.



Visitei o Kemper Museum of Contemporary Art, também em Kansas City. A entrada é gratuita e o acervo e as exposições temporárias são bem interessantes, apesar de o museu ser relativamente pequeno.



Assisti a "A Dangerous Method". Adoro o Viggo Mortensen. E David Cronenberg, ao contrário do Tarantino, é gênio. Nunca vou entender o sotaque estilo Terra Nostra que a Keira Knightley faz, mas não sou crítica de cinema e nem tenho pretensões nesse sentido, então, alguém mais inteligente/conectado vai ter que me explicar isso.

Comi uma comida japonesa maravilhosa no Nara. Além disso, eles ainda tinham aquela chocolate ale incrível de que tanto me haviam falado: Boulevard Chocolate Ale.



E dizer que ela é "all the rage" no Kansas/Missouri é eufemismo. As pessoas literalmente seguem os caminhões dessa cerveja quando avistam um, para saber onde está sendo feita a entrega, e para poderem ser os primeiros a comprar - e comprar horrores. Sério: tem gente vendendo essas cervejas no eBay por FORTUNAS. Bom, eu tomei uma. E, sim, ela é uma delícia. Não sei se eu seguiria caminhões de entrega por ela, mas é boa.

Fiz compras no (Country Club) Plaza. Afinal.

Comi um brunch no Bristol Seafood Grill. Por $23, é um brunch incrível, com um raw bar, um bar de saladas, um buffet de pratos quentes, uma estação onde eles fazem bife e omelete to order e um buffet de sobremesas. Comi horrores. Comi salada, sushi, truta defumada, bacon, batatinhas, omelete com caranguejo, e até mac & cheese com lagosta. Sobremesa: experimentei o bolo de cenoura e o bolo trufado de chocolate. Meh. O/A crème brûlée estava bom/boa, mas nada muito especial. A versão de laranja, no entanto, estava ótima.



Resolvemos fazer o pairing com os espumantes, apesar de eu não ser tão fã de espumantes. Mas tinha Moët & Chandon no trio (!), então valeu a pena, apesar de um deles ser meio ruim (a saber, o prosecco, obv).

Sim, eu deveria ter tirado a foto ANTES de virar as três tacinhas, mas sou relapsa; me deixem!

Também fui ao Nelson-Atkins Museum of Art, que, obv, não consegui ver inteiro. Me diverti horrores no parque, do lado de fora, brincando com as petecas gigantes do Claes Oldenburg e correndo entre as esculturas do Henry Moore. Quem vai ao museu e sai coberto(a) de lama? Resposta: eu. Duchamp ficaria extremamente orgulhoso!



Mas também me diverti dentro do museu: encontrei os Van Goghs, ri de umas crianças inconformadas com Rothko, e ainda dei sorte de poder ver uma exposição temporária do José Guadalupe Posada. Tudo isso também é de graça.



Andei de bicicleta. Minha bicicleta linda, que estava com o pneu da frente murcho. :(
Mas eu sou VIP na loja de bike da cidade. O dono da loja fez acupuntura ao meu lado na sexta-feira, e eu acho que eu sou a única cliente com uma bike vintage por lá. Pneus devidamente calibrados, dei várias voltinhas. Do alto de algum predinho, alguém gritou "Hey lady, nice bike! Have a good day!" Pessoas em carros acenaram, pararam, me deram passagem. O cara que trabalha no antiquário onde eu comprei minha bicicleta cruzou comigo em frente à loja de material de construção e me gritou que ficou feliz em me ver dando voltinhas. Esse dia, segunda-feira, estava sol. Pedalei horrores, agora que já perdi o medo de andar na rua. Coisa mais livre do mundo: eu, na minha bicicleta amarela, linda, pegando um solzinho e com o cabelo todo zoado, sendo embaraçado pelo vento, que bate no rosto delícia e destrói o penteado.

E, para vocês verem como estou livre e evoluída, dessa vez não dirigi sequer um tiquinho. Nem para fazer baliza para o Respectivo eu peguei no volante! Quem diria, hein... (Mas que deu vontade - principalmente na hora da baliza -, isso deu. Ainda tenho que trabalhar esses sintomas de withdrawal: um passo de cada vez.)

Para terminar a viagem, ainda deixei uns 7 quilos de feijoada prontos para o Respectivo. Porque eu fiz tudo isso aí acima e ainda fui heroína na cozinha na segunda-feira de manhã.

...e foi isso.
Para, praticamente, só 4 dias, não foi nada mal. Quality time define. Mais daqui a uns meses, senão cansa.



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DISCLAIMER: falei aí da bike e dos cabelos ao vento, mas vale ser hipócrita e notar que, apesar de a pobre aqui ainda não ter investido em um capacete, SEMPRE pedalem com capacete, crianças. Como alguém disse lá na listserve das pedalinas, "capacete é que nem camisinha: com capacete é mais seguro; sem capacete é mais gostoso." A gente não curte AIDS, hepatite, clamídia etc. E a gente também não curte morrer que nem a Nico.

jeudi 2 février 2012

À plus tard crocodile

O Ben está indo embora. :(



Papai Noel me trouxe uma nova roommate, com um mês de atraso. Vou ter que aprender a morar com uma menina de novo. Já tem quase três anos que não divido minha casa com mulheres. Depois da experiência com a roommate from hell, fiquei com um pouco de trauma de mulheres loucas dividindo sala-cozinha-e-banheiro comigo. Mas, dessa vez, acho que vai dar certo (dedinhos cruzados, amigues!).

Mas, sim, fato é que Ben está indo embora, mas só por alguns meses (uns 5 meses, achamos).

Mas aí, teve que ter festénha de despedida, que não foi planejada como festa de despedida, na verdade. Foi uma coisa meio improvisada, que começou em casa, com cidre de glace e foie gras para 4 pessoas, esticou para bilhar e cerveja barata no Drugstore, com umas 15 pessoas, passou pelo Mado (com mais cerveja barata e, MAIS: era aniversário da Mado!) com mais vááárias pessoas, e terminou no Restô du Village, antes que Ben e eu conseguíssemos nos arrastar de volta para casa, nas "pequenas horas do dia".

A noite foi boa, todo mundo (ou quase todo mundo, sei lá), estava na vibe de enfiar o pé na jaca. O que era pra ser uma soirée light (e acho que foi, para a maioria das pessoas, porque tivemos "rotatividade de público"), acabou sendo um bender de quase 12 horas para mim e para o Ben.

O único pequeno problema é que, tendo chegado em casa às 4 da manhã, foi um pouco difícil levantar às 8h00 para ir à aula. Obv que não tinha a menor condição de eu abrir os olhos suficientemente para colocar as lentes de contato. Fui para a McGill de óculos. Quem me conhece sabe que eu só saio de casa de óculos por dois motivos, e um deles é conjuntivite. E eu não estou com conjuntivite. Daí já dá pra saber se a coisa ontem  à noite foi boa ou não. Isso e, claro, o fato de eu ter dançado Madonna no palco da balada drag (sinto desapontá-los, mas, não, dessa vez não foi em cima de uma mesa de bilhar).

Nesse inverno, não vai ter mais festinhas Kylie Minogue/Céline Dion improvisadas no meio da minha sala às 3h da tarde de uma quinta-feira qualquer. Acabou o karaokê de Lady Gaga nas manhãs de segunda-feira...

Bom, mas é temporário, acho. Enquanto o Ben está curtindo o-inverno-a-primavera-e-o-verão do sul da França, vou atualizando isso aqui com histórias da minha nova companheira, a partir de segunda-feira da semana que vem, a RoommateFromFrance, que, se tudo der certo, não se mostrará from hell.

See you later, alligator!!