lundi 30 janvier 2012

Les dimanches à la con

É mais ou menos assim que as coisas funcionam por aqui. Explico:

Apesar de ser domingo (e de eu raramente receber notícias que prestem, ou qualquer notícia, for that matter), acordei com duas mensagens na minha caixa de entrada que me fizeram sorrir. Uma delas, da Juju, me deixou muito feliz de verdade. A outra... bom, a outra era mais complicada, e eu lidaria com ela mais tarde.

Mas nenhum domingo passa impune. Vejamos.

Desde que começou a fazer frio de verdade aqui em Montreal, lá pro final de novembro do ano passado, estou esperando o laguinho do Parc Lafontaine congelar para eu poder ir patinar no gelo (sim, porque agora tenho meus próprios patins, e ainda não desisti da ideia de entrar para uma liga amadora de hockey feminino).

E aí que não fez frio suficiente para a pista abrir na data programada (17 de dezembro). Não que eu tivesse tido tempo na época, anyway.

Então, desde que voltei das férias em SP, fiquei esperando ter tempo e um dia bonito para ir. Aí chegou domingo. AmigoSemTwitter e sua PlusOne estavam na vibe de ir ao parque e tal. Ready-set-go.

Obv que, depois do nosso almoço/brunch (L'Express), quando chegamos no parque, descobrimos que a patinação estava fechada por conta do clima (não estava frio o suficiente). Ainda dei uma voltinha com os meus patins, só pra não perder completamente a viagem, mas o gelo estava muito irregular em umas partes, e meio quebradiço em outras, e eu, esse ás da patinação, não quis arriscar mais que uma volta, porque ainda nutro bastante amor pelo meus dentes.

A voltinha foi ok, mas não o suficiente. Ingênua, eu, achando que ia chegar lá e patinar, que as coisas iam sair como programadas. É um domingo de janeiro. Não existe amor no mês de janeiro. Muito menos aos domingos.

Depois de tomar uma bacia de chocolate quente (Au Festin de Babette), voltei para casa para digerir o segundo e-mail que me fez sorrir. Aliás, criei coragem e liguei para a Cassy para conversar sobre. Tinha meio que me prometido guardar isso dentro da minha cabeça, mas minha cabeça já estava a ponto de explodir e hoje não era dia de eu deixar o julgamento alheio me colocar minhocas na cabeça. Mas a Cassy não julga - ela ri comigo, e eu adoro. Afinal, somos quase vizinhas nesse mundo de coisas imrpováveis.

Mas confesso que fui meio rádio: falei, falei, falei e desliguei, porque logo chegou uma galera aqui em casa querendo ir jantar no Steak Frites. Obv que, depois da bacia de chocolate quente, eu não ia encarar um bifão, mas a alternativa era ficar em casa à toa... e era domingo à noite. Ou seja, fui encarar o bifão.

Ou melhor, não encarei o bifão. Porque sequer amo bifão, e realmente não estava com fome. Mas comi salada, fritas, um tequinho do bife, tal, e trouxe o resto pra casa. Eba! Almoço na segunda-feira! Ou terça. Ou em setembro, que é quando eu vou voltar a comer novamente. Fita isolante na boca se faz necessária nesse momento. Em todos os sentidos.

Bom, quase todos.

Domingos de sol e frio, minha gente... Domingos de sol e frio.

dimanche 29 janvier 2012

La pêche à la ligne

Ontem, fomos pescar no gelo. Ben, eu e nosso amigos. Um grupo de 10 pessoas, no total. Pesca no gelo? É. Pesca no gelo. Daquelas em que você vai a um lago congelado e pesca através de um buraco no gelo.

Destino: Ste.-Anne-de-la-Pérade, a 185Km de Montreal. Madrugamos para encontrar todo mundo em Rosemont às 9h00. OBV que galëre atrasou e acabamos saindo às 10h00.



Gatchénha, hein?
Eu tinha toda uma ideia romântica de como isso ia ser. Uma coisa meio desenho animado. Me preparei, toda cartoon, com camadas e camadas de roupas impermeáveis e chapéu pescador (aka bucket hat).

Só que aí, chegando lá, vi que qualquer semelhança com a pescaria no gelo da Warner Bros. era fruto da minha imaginação. Pelo lado bom, ia ser muito mais confortável - e menos frio e molhado - do que eu previa.


Na verdade, tudo lá era bem mais arumadinho e bonitinho que eu tinha imaginado.


Fomos para nosso chalé bonitinho. E só aí foi que eu descobri que o buraquinho no gelo (que, na verdade, era uma vala) ficava dentro do chalé. Quentinho, com cadeiras, sofazinhos, fogão a lenha etc.


Aí, era só deixar o pessoal lidar com toda aqeula coisa de colocar pedaços de fígado nos anzóis e pescar, enquanto eu ficava ali tranquila, tomando uma cerveja e uma sopinha...




É, quando eu vi o tamanho das linhas de pesca, não animei muito. Com a linha indo tããão no fundo assim, só tem uma coisa que se pode pescar em um lago...

Bagres!

Óbvio que eu não ia sequer tocar em iscas de fígado e bagre. Aí, vocês me perguntam: mas por que diabos, então, você foi pescar? Não fui aenas pescar. Fui pescar no gelo. Queria brincar de ser cartoon. Além disso, demos sorte, porque estava um dia lindo, sol, calor (calor = 2 graus Celsius) e aproveitamos horrores.


Às 17h00, empacotamos tudo e voltamos para Montreal. Todo mundo foi lá pra casa, para a gente comer toda a comida que tinha sobrado e tal. Mas foi aí que.

Foi aí que alguém teve a ideia brilhante de cozinhar os peixes que tínhamos pescado. É...

O resumo da história é que a noite acabou à uma da manhã, com Ben e eu ultra-cansados e o apartamento fedendo a peixe. Estamos recolhendo doações para podemos encomendar um caminhão de Febreze. Ou, se alguém tiver alguma técnica para remover odores brutais de peixes quando não se pode abrir as janelas de casa devido ao frio de -15C lá fora, dá um toque. Porque essa essência de Pequena Sereia que está rolando aqui no meu cabelo e nas minhas roupas não era bem o que eu queria com minha ideia de cartoon.

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P.S. (aka **ALERTA DE BURAQUINHO**): a pedidos (i.e. para deixar J. menos triste), vai uma foto da vala:

K., L. e R., profissionais da pesca

samedi 28 janvier 2012

Le bruit du frigo



Isso aí de cima, acreditem se puderem, é minha geladeira.

Como vocês podem ver (ou não), ela está cheia de coisas gostosas e/ou saudáveis - e não apenas cerveja e manteiga, como vinha sendo o costume desde que eu voltei do Brasil, no início do mês.

Em minha defesa, o que estava acontecendo é que eu tinha a impressão de que toda vez que comprava alguma coisa (ver: iogurte, kefir e salada - que são as coisas que eu compro muito e regularmente), ela acabava estragando. E eu sempre ficava achando que era porque eu não estava consumindo as coisas que comprava suficientemente rápido. Até que.

Até que a gente percebeu que a manteiga estava derretendo e a cerveja não estava gelando.

É. Não teve jeito.

Quinta-feira de manhã lá fomos Ben e eu em busca de uma nova geladeira. Como estamos longe de ser rycos, não fomos comprar uma super-geladeira na La Baie; fomos na Elvis. Sério, uma experiência de vida (deem uma olhada no site, PLIS).

Experiência de vida que valeu a pena. Por $350, conseguimos uma geladeira nova e decente. E, no preço, já estavam incluídos os impostos, a taxa de entrega, e a retirada de nossa geladeira velha. Se é bom demais para ser verdade a gente só vai descobrir depois. Mas, ei, a geladeira tem um ano de garantia! Good 'nuff.

Em todo caso, saímos da loja por volta do meio-dia. Às 13h55, quando eu estava saindo de casa correndo para ir à faculdade (sempre, sempre atrasada...), o caminhão já estava chegando para entregar a geladeira nova.

Milagres que só o Elvis pode fazer para você. Agora falta encher a geladeira de verdade, à la Elvis: the fat years.

vendredi 27 janvier 2012

Hérésie

Segunda-feira foi um dia infernal. Caótico, atarefado e com más notícias. Os únicos momentos de redenção foram os e-mails que recebi de todas essas pessoas queridas do mundo, querendo saber se-eu-estava-bem-se-eu-estava-viva-se-eu-tinha-terminado-meu-trabalho-se-tinha-dado-tudo-certo. Tudo muito apreciado.

Na terça, eu meio que tirei férias, porque estava merecendo. Na verdade, tirei férias numas. Voltei (finalmente! aleluia, irmãos!) para a academia (depois de mais de um mês de folga e com excesso de comida), e depois passei a tarde meio à toa com PB, meio planejando minha vida em voz alta (não, não cheguei a nenhum plano conclusivo, obv). Continuo sem saber o que fazer da vida. A cada minuto tenho menos certeza de que minha estada aqui pode durar mais de um ano (nas atuais circunstâncias, corro o risco de ter que ir embora - para onde, eu não sei - daqui a alguns meses). Outra história, para outra ocasião. Mas, caso esse apocalipse metafísico não chegue, PB me deu algumas ideias, um pouco de incentivo, acho. O que veio bem a calhar na terça-feira.

A boa notícia da semana é que, apesar de já ter encontrado uma louca de pedra na academia, pelo menos essa pessoa não é chata e condescendente como a toupeira que não sabia quem era o Stephen Hawking e queria me dar lições de vida. Enfim. Se eu continuar encontrando essa tia louca de pedra, certeza de que isso vai render história. Manter-vos-ei informados. Mas, só. O saldo do dia na terça foi um pé ligeiramente destruído, porque eu sou retardada e chutei o saco de boxe de mal jeito (duas vezes, porque sou coordenada desse jeito), e eu um pouco menos em frangalhos (no sentido psicológico, porque no físico não sobrou nem a respiração pra contar a história).

Aí chega a quarta-feira: você olha para sua semana e viu que não fez absolutamente nada do que tinha planejado (e olha que isso já nem era muita coisa). O que você faz? Se põe a colocar a vida em dia? Não, obv. Toca o foda-se e tira mais um dia de folga. Mas meio que.

Pelo menos fui à aula na quarta de manhã (acordei às 8h15, tal - mereço um pouco de crédito). É, porque estou fazendo essa aula na McGill como ouvinte, tal. Mas, depois, fui ficando pelo centro da cidade, porque tinha ficado de fazer um favor a uma amiga da França e ver umas coisas pra ela. Aí, como já tinha meio que planejado na terça (sim, meio que premeditei o momento foda-se), resolvi ir ao cinema. Porque "Extremely Loud & Incredibly Close" finalmente entrou em cartaz aqui e, apesar de eu quase ter vomitado assistindo ao trailer (Tom Hanks E Sandra Bullock: não trabalhamos), acho que sou curiosa ou masoquista desse jeito. E preferi ter uma opinião de primeira mão a esperar que as pessoas me contaminassem com suas visões poluídas. Moral da história é que só Jonathan Safran Foer pra me fazer - finalmente - ir ao cinema em Montreal (o único outro filme a que assisti no cinema aqui foi "Payback", com M., em 1999!).

Cinema sozinha ao meio-dia: tem gente que se deprime. Eu me divirto. Ocupei duas poltronas, e curti aquelas duas horas torturantes onde transformaram uma boa leitura num acidente bi-sensorial. Quando o filme acabou, acho que eu estava com tanta raiva que quase entrei em outra sala pra ver outro filme, só pra sair do cinema com a sensação de ter ganhado alguma coisa.

Eu sei que tem gente que vai dizer que gostou do filme, ou que ele não é tão ruim assim. Olha, com todo o respeito (mentira, respeito nenhum): eu quero mais é que essas pessoas sofram com mini-cortes de papel por entre os dedos. Porque o mundo não merece gente assim. Mundo merece até assassinos em série, mas não gente que tenha gostado desse filme.

Sobre ir ao cinema sozinha, desnecessário dizer que eu gosto de (a melhor parte é não ter que comentar o filme no final, sorry folks). Aliás, já fazia um tempão mesmo que eu não ia ao cinema. Ter ido me deu uma sensação meio que de protensão de saudade (chamemos isso de "longing"). Vou passar a ir mais vezes. O problema é que eu corro o risco de gastar todo o dinheiro que eu não tenho indo ao cinema. A não ser que eu me preste a ir ao cinema de $1, lá na casa do cacete - o que, convenhamos, não vai acontecer.

Na prática, eu sei que vou acabar não indo mais ao cinema por um ano, aqui. Então, vou fazer um compromisso público de ir ao cinema ao menos uma vez por mês. Pode ser? Ver no que dá. Mas vou tentar ver filmes bons - ou filmes de que eu vá gostar, ao menos (...). Afinal.

Terminei a quarta-feira me permitindo fazer ainda mais coisas que não deveria (ver: comprar coisas e beber). Tudo o que realmente não deveria ter feito essa semana.

Finalmente, se a segunda-feira foi o dia mais infernal dos últimos tempos e terça-feira foi um dia meio neutro, pelo menos na quarta-feira as coisas começaram a tomar um rumo positivo, meio que voltando ao que é razoavelmente normal para mim. Não tive nenhuma ótima notícia, não no sentido estrito, mas recebi uma quantidade bem grande de notícias compensatórias. Mais sobre isso em breve.

Já fiz meu plano de ação para o trimestre. Agora, com 2749450 prazos estourados, está mais que na hora de colocá-lo em prática. Mas, para isso acontecer, muita coisa vai ter que mudar por aqui. Ou melhor, já está mudando. Essa ida ao cinema já foi subproduto disso. Coisas mais relevantes, espero eu, virão em breve.

mercredi 25 janvier 2012

En manque

Eu aqui em Montreal, de volta há duas semanas e já querendo ir embora.

Aproveitando: 25 de janeiro. Bolo e guaraná pra comemorar os 458, hein, São Paulo?

Na vibe listas, coisas sobre São Paulo que nós, filhos dos anos 80, vamos ter que explicar para as gerações futuras:

- Salas de cinema com capacidade para 500 pessoas;
- Idas à livraria para se comprar livros, simplesmente;
- O relógio enorme e laranja que ficava em cima do Conjunto Nacional;
- Outdoors e painéis eletrônicos;
- A maior livraria da cidade ser dividida em 3 partes (e depois em 4), e uma ficava ao lado da outra;
- Sair de bares e baladas cheirando a cigarro;
- Aquele lugar atrás do prédio da biologia, na USP;
- O shopping Iguatemi ser o único shopping possível;
- Que para ir a Nova York, Paris, Londres etc. era preciso primeiro ir a Campinas;
- Estacionamento (na rua) liberado em qualquer lugar da cidade;
- Mercado Mundo Mix;
- Uma balada que ficava dentro de um shopping;
- Um cinema que abriu, fechou, abriu de novo, pegou fogo, fechou, abriu de novo, pegou fogo e novo, fechou, reabriu, fechou (sim, esse que hoje é só uma "causa" no Facebook);
- Ônibus elétrico;
- A Augusta lado Jardins: hype;
- A Augusta lado centro: podre;
- A maior briga de restaurantes: entre Famiglia Mancini e Gigetto;
- Ninguém querer morar no Copan;
- O vão livre do MASP ser conhecido pela feirinha;
- Passar o carnaval em clubes;
- Ser absurdo morar na capital e torcer para o Santos;
- Os Matarazzo;
- A Faria Lima e a Juscelino não andarem entre as 22h. e as 2h., de quinta a sábado;
- Discos na 24 de Maio;
- Madame Satã (o lugar; não a pessoa);
- O Casarão da Paulista;
- Que a gente passava o réveillon na Av. Paulista mesmo antes de existir o "show da virada". Não acontecia nada em particular na Paulista na virada do ano. A gente fazia isso porque a gente estava em SP e a Paulista era o lugar para onde as pessoas iam. Sempre. Porque sim.

mardi 17 janvier 2012

Blonde

**alerta de post que só funciona para quem me conhece (e conhece o nível da neurose)**

Tempo a gente não está trabalhando. Mas, pra não deixar vocês sem risadas, vou brincar de auto-ironia.

Por toda parte nessa internétch linda de meu Deus, tem rolado variantes do vídeo "Sh*t Girls Say". Tem uns bem babacas (a maioria deles). O melhor, pra mim, é esse (mas acho que ninguém vai pescar a referência, então, whatev).

Eu não sou legal o suficiente para gravar um vídeo de auto-paródia (obv), mas sou ridícula o suficiente para fazer isso por escrito. Aí vai, para o deleite de quem já passou mais de 5 minutos em minha companhia. É claro que eu devo ter esquecido vários vícios de linguagem e afins. Os comentários estão abertos aí justamente para isso: fiquem à vontade para terminar de me avacalhar. De nada.

Espero, que, ao menos, vocês deem algumas risadas.

Ugh… Sério. Sério mesmo. Sério. Não posso lidar com isso agora. Putain! Ai, tenho que escrever. Tenho que escrever. Não dá, tenho que escrever. Guinness? Eba, Guinness! Guinness, obv. Putain! Eba! Eba! Eba. Fuck. Ovos orgânicos. Er… não! Você tá fazendo isso errado. Leva a sério aê, ow. Leva a sério. Jesus H. Christ! Ai, DR não. DR. Ugh, DR. Blérgh, DR. Não enxergo. De morno já basta meu vômito. OBV. Me liga. Me manda uma mensagem. Tô chata. Me liga. Dá um Google. Hegel. Não me liga. Oi, querida! Eu odeio falar ao telefone. Sushi!! Alô? Yes, I am buying you a blow up doll! Eu sou livre. Vômito. DR sem sexo não, né. Vômito. Oh, shut up! Ugh, menor paciência pra isso. Coraçõezinhos. Não trabalho com transgênicos. Man up! Ugh, Hegel. Não tenho tempo pra isso. Você tá fazendo isso muito errado. What the fucking fuck! Supostamente. Strippers anãs! Tipo... não. Pão de queijo! On s’entend, eh? Pouco importa. Estou com tanta fome que não consigo nem pensar. Heineken tem gosto de xixi. Look, Hegel! Googleia aí. Oi, querido! Não trabalho com frango. Blackberry mudou minha vida. Não trabalho com coisas laranja. Dei um Google e... Odeio transgênicos. Tanto faz. W00t! W00t! Minha cabeça vai explodir. Eu vou embora, simplesmente. Não, eu não como frango. Vai dar merda. De certo que vai dar merda. Certeza de que vai dar merda. Pode dar um Google, juro! Le voilà! Tenho alergia. This is just fucking ridiculous! Quero ser livre. Ah, escolhe aí. Sou a louca-do-cu dos orgânicos. Pareço doente do fígado com roupa laranja. Sexta à noite? Vou te explicar o argumento do Gettier. Já sei: whiskey! Gosto da minha carne bem morta. WANNA! Não trabalho com casamento. I’m awaiting death. Não trabalho com Heineken. Ai, saco, meu celular! Miopia dos infernos! Jura que eu disse isso?? Segunda à noite. Mais uma, por favor? Pessoa mora lá na casa do caralho. Ai, peraí, meu celular de novo, droga! Vê se não queima a largada. Estou morrendo de fome! Tabar-fucking-nak! A cabeça dele vai explodir. Que que tá escrito ali? Mais, voyons donc! Ai, Jesus! A conta, por favor? I’m always right. Melhor foda da vida! Awwnn, ninguém me liga... I’m a lady like that. Jura que eu fiz isso??? Ai, minha caixa de e-mails! Fuck this shit. Não, não stalkeia que não vale a pena. Ai, tenho 378 e-mails pra responder. Tô chata hoje. Milho transgênico vai matar a gente de câncer. I’m God. Ai, carro de pobre! Isso me lembra aquela música... Odeio esse carro! Argh, isso tá com gosto de ovo. Ah, você já leu esse livro? Você TEM que ler esse livro! Pelo menos eu não vomitei. I hate that shit. O que diabos aconteceu ontem à noite? Ugh, alergia – alguém tem cortisona? Não trabalho com padre. Não, só gosto de banana. Brincos, brincos. Ugggghhhh. Estava aqui stalkeando e...! Android mudou minha vida! Não trabalho com ônibus. Odeio ônibus. Tenho alergia a ônibus. Nossa, genial isso! Pelo menos eu não queimei a largada. Aaaaah, Bonnie Tyler! Tchau, meu querido! Genial!! Não trabalho com deus. Whatev. Você enxerga o que está escrito ali? De verdade. De verdade. Assim, de verdade. A cabeça dela quase explodiu. Tô insuportável hoje. What the hell. Não gosto de cachorro; só gosto de whiskey. Behn, merde! Preciso de cortisona. Vou parar de beber. Preciso para de beber. Já sei: whiskey! Odeio quindim! Pilates mudou minha vida! Sushi!!! Já te contei daquela vez em que...? Tchau, querida!  Sério. And yet. Single malt com gelo. É, com gelo. Preciso de um Advil – não, preciso de quatro. Japanese porn. Ai, que classe C isso aí! Muito amor! E não é que. It was a random guy. A random person. This random girl, ugh! Toquei o puteiro. Toquei o foda-se. Estou com fome. Tô com fome. Não trabalho com filhotes. Coisas que só acontecem na minha vida. Não sei, não lembro. Ai, as pessoas simplesmente não entendem. O importante é você ir embora, sempre. Odeio coisas pretensiosas. Quinta à noite? Eu quero! Eu quero muito!! Me liga, me liga muuuito!  Pensei que era morte, mas era só churrasco.

vendredi 13 janvier 2012

Petit pédé (est de retour)

E tem aquelas horas em que a gente fica feliz de não estar no Brasil. Porque vai um imbecil e publica um troço desse aqui. Ok, eles falam que é uma generalização e blá-blá-blá, mas a maioria das coisas da lista é sexista, simplesmente. Só vou dizer que, dos 14 itens listados, eu me encaixo em uns 11, pelo menos (embora algumas descrições, como "olhar e sorrir para mulheres de um jeito diferente", sejam extremamente vagas), e, da última vez que chequei (e tento checar com alguma frequência, tal), só trabalhava com meninos, mesmo.



Como se não bastasse o Estadão, agora vem esse site aí se meter na minha relação com azamiga guei.

A respeito de não gostar muito de salto alto e de maquiagem em excesso, e não fazer questão de andar com as unhas pintadas, bom... sei lá. Acho que o bom senso responde sozinho. Não sabia que precisava ser Miss ou Susanita pra ser hétero.

Para itens como falar de sexo sem tabus e não demonstrar preconceito, a gente senta, pensa na galëre queimando sutiã nos anos 1960, e chora.

Acho que se esses bonitos aí soubessem que eu moro no bairro gay de uma das cidades mais gays do mundo, com um cara que é gay, que eu super frequento o Mado, que um dos meus bares preferidos de SP é o da Dida, e que, há menos de uma semana, fui dar uma voltinha de bicicleta com várias meninas do Vá de Dyke e, no entanto, estou aqui, sendo hétero super numa boa, a cabeça deles explodia.

Ah, e quando fizerem um filme pornô SEM mulheres e que não seja voltado ao público gay masculino, ceis me dão um toque, tacerto? Enquanto isso, vou ficar aqui na minha casa gay, achando a Angelina Jolie gostosa, usando calças, indo para a universidade, votando, e fazendo todas essas coisas que só lésbicas e bissexuais fazem.

Le blizzard

Óbvio que, assim como eu saí de Montreal horas antes de uma tempestade de neve, cheguei de volta minutos antes de outra. Meu voo pousou e tal, mas, a caminho de casa, as rodinhas das minhas malas já foram acumulando uma quantidade surreal de neve. Foi super gostoso arrastar duas malas cobertas de neve - e com as rodinhas travadas por conta dela - do terminal de ônibus até minha casa (5 quarteirões), num frio de -7C e sem luvas (já que esqueci os raios das luvas na casa dos meus pais).

Vista da minha janela quando cheguei em casa
Pelo menos não teria que sair de casa tão cedo já que a geladeira... É, na minha geladeira, como sempre, só tinha manteiga e cerveja.

Jeito era desfazer as malas para enganar a fome. Mas, antes disso, o Papai Noel. Porque Papai Noel francês passou aqui e me trouxe presente (para me ajudar a me recuperar da cara de podre de 21 horas de viagem, e de uma maratona de trabalho de 3 semanas):

Quem tem o melhor roommate do mundo? Ah, tá, sou eu!

Bom, vou estar linda e hidratada. Mas só depois da semana que vem, porque ainda tenho muito trabalho pendente. Enquanto isso, da fome a gente cuida com um hambúrguer do Burger de Ville, lá no Mile End.

Problema de ir pro Mile End de ônibus numa tempestade de neve é que, bom... no cruzamento com a Saint-Joseph o ônibus derrapou, saiu de lado com a traseira e levou tudo o que estava na esquina: caixa de correio, caixa de jornal... Só não levou gente porque não tinha ninguém na rua. O processo ônibus demorou para todo o sempre. E eu mor-ren-do de fome (como sempre). Mas o rango valeu a pena.

Dá pra postergar a ida até o mercado por mais um dia, ao menos. Ou dois. Ou três, afinal...

(algumas horas depois...)

É, a coisa não está com perspectiva de melhorar tão cedo.

mercredi 11 janvier 2012

Chocolat chaud

A gatona aqui sobreviveu a mais uma viagem à Terra do Pecado, com trabalho e tudo. Aliás, mesmo sem muito pique (cheguei de Montreal mais esgotada do que nunca dessa vez) e ainda com trabalho demais a fazer, até que eu consegui cumprir minha listinha de afazeres de sempre - e mais um tanto.

Comi horrores, em lugares novos e repetidos (entre outros, Zucco, Takô, Ora Pois, Piola, Gero, Sinhá, Le Manjuê, Sapporo, Fillipa, Marcel, L'Aperô...). Finalmente fui ao D.O.M., devidamente persuadida pelo AmigoSemTwitter. Participei de um encontro das Pedalinas. Dei um coaching básico pra Juju, e ainda, de brinde, consegui ver a Joyce, fofa! Ri horrores com a Cassy. Tomei vários chás gostosos. Consegui ver a Manoela, mesmo sem marido, sem bike e sem Julice. Óbvio que vi TOk e S. várias vezes. E é óbvio que TOk, sendo my own personal japa, também escolheu um bom restô japonês pra gente ir. E também vi o Goommer, com direito a conversa por sms durante o jantar, pra manter a falta de noção (e ainda ganhei uma malinha de volta). E consegui pegar os últimos dias do Rapha e da Alê, antes que eles fossem pra Acarajé-land. E o Mudinho. Até consegui ver o Bastardo! Vi, no meio da galera, um ex que não via há uns 6 ou 7 anos (e ainda conversei um tanto com um amigo dele, sem que esse último me reconhecesse! - WTF?!). Sobrevivi ao reveilão, com a ajuda do meu anjo da guarda anônimo (Fonfon? Pipe?). Consegui evitar um monte de gente mala (apesar de também não ter conseguido ver montes de pessoas queridas). Também dei sorte de poder repetir a pizza de sempre no Piola com A. Até B. eu consegui ver, antes que ele cruzasse o Atlântico com minha xará. Basicamente, entre uma crise e outra (afinal, eu estava trabalhando e não estava muito nessa vibe de verão no Brasil, pra ser sincera), consegui comer, beber (e evitar as #BOLS), andar de bicicleta, fazer comprinhas, e dar muita risada...

...and then there's those other things
which for several reasons we won't mention
everything about them is a little bit stranger
a little bit harder
a little bit deadly...


Game over no playground (e muita reza brava, que eu tô precisando).

Muito amor a todos os que rodam o gira-gira e empurram o balanço do meu playground, sempre assim, comme il faut.

mardi 10 janvier 2012

Le toi du moi

Penúltimo dia antes da viagem de volta. Preguiça. Coisas a fazer. Vontade zero. E ainda tentando me recuperar dos quase-15Km pedalados no sábado. NADA ia me tirar de casa hoje à noite. Até que.

Até que toca o telefone e é a Juju me oferecendo a possibilidade de ver um certo Bastardo (outrora denominado Finado). É. Só UMA coisa ia me tirar de casa hoje à noite. E eis que.

Lá fui eu encarar o trânsito da hora do rush pra ir até a Zona Sul encontrar com ela e com esse senhor que eu não via havia uns 3 anos. Meldels, 3 anos (e isso se a gente contar uma conversa rápida seguido por uma meia hora de drunk-dialing como "ver" alguém)!!

E eu ainda estava com o presente de aniversário do Bastardo lá em casa, desde junho. Sim, porque eu ainda me presto a comprar presentes de aniversário para essas pessoas que eu sequer vejo.

O problema é que eu reclamo, mas o Bastardo é uma das pessoas mais queridas do mundo. Dessas de abraço-apertado-e-beijo-babado que dá aquele tipo de saudade que vira doença.

Das melhores coisas da vida

E eu esqueço que, além de compor minha extended mind filosófica, o Bastardo também funciona como minha extended mind pessoal mais íntima. Esses quase 10 anos, afinal, não foram à toa. O pior (melhor, na verdade) é que ele ainda se lembra de muitos detalhes (vários deles bem sórdidos) da minha vida. Coisa que nem eu lembrava mais. Por essas e outras é bom ter essas pessoas que passaram a maior parte da sua graduação (e mestrado dele, no caso) com você, no bar. Para você não se esquecer daqueles 5 anos (porque eu fui slow motion e abusei do direito de escolher múltiplas habilitações antes de, finalmente, me formar) nunca, mas, por outro lado, só se lembrar deles de vez em quando. A cada três anos. Porque frequência maior que essa deixa o superego angustiado demais.

Sempre bom voltar a falar de nominalismo, Quine, estética, Haneke, Aronofsky, irmãos Coen, Charlie Kaufman e, claro, putaria. Muita putaria. Aliás, putaria, não. Investigação altamente científica sobre questões sexuais. Porque somos quase-filósofos, afinal. Mas é engraçado que, mesmo depois de dez anos, ainda lembrávamos de tantas coisas - e tantos detalhes - sobre as quais havíamos conversado, que a Juju ficou desconfiando que a gente tivesse aprendido esses detalhes na prática. Mal sabe ela que, na época dessas conversas, a gente tinha muito mais com que se preocupar: cerveja, bilhar, U.F.O. (a banda, não os objetos), Abebooks, e a toda a diplomacia da Seita, da qual eu ainda era encarregada na época, e as noites em que eu era intimada para fora da aula de Foucault ou de Estética pra ir dançar Madonna em cima da mesa de bilhar de um boteco na Cardeal. E uma certa manhã de domingo, quando dormimos com a cara amassada no balcão do O'Malley's. Ou quando meu cabelo ainda era tão comprido quanto - ou mais que - o dele (já faz tempo...), e depois quando as pessoas acreditaram quando eu disse que ele tinha ficado loiro. E teve também todas as comidas vegetarianas ótimas. E o passeio na galeria do rock, comigo e meu p'ti chou. E ele também estava lá daquela vez nA Lôca...

E, quando nos falamos (raro), Bastardo e eu ainda ficamos horas e horas e horas no telefone (uma das únicas pessoas com quem eu tolero fazer isso). Mas agora ele já não atende o telefone. Não tem mais aquelas quartas, quintas e sextas-feira de vamos-ao-Piu-Piu/Aurora/Astor-agora-me-encontra-lá-às-11h. Das pessoas que nos acompanhavam sempre, mal temos notícias. Não tem mais almoços toda sexta-feira, depois de passarmos a manhã lendo Frege. Das pessoas que liam Frege conosco, dessas não tive mais notícia alguma (mas suponho que nenhuma delas ainda leia Frege). Não tem mais visitas à biblioteca da FFLCH. E a filha do Bastardo, para quem eu vez ou outra comprava uns presentinhos fofos, já está com 15 anos!!

Ainda assim, com tudo mudado (Bastardo desistiu - temporariamente? - de ser livre, Juju precisa aprender a ser; só eu continuo na mesma?), a gente continua no boteco, tomando Bohemia e Paratyana, as duas por falta de opções melhores e, no final, eu entro no carro de dou carona pra todo mundo. Só que agora nós três moramos em casas diferentes das que morávamos há dez anos, e com pessoas diferentes. Deixo o Bastardo no metrô, porque agora ele mora muito, muito mais longe. Deixo a Juju em casa, porque agora ela mora muito, muito mais perto. E, para ir à minha casa, preciso pegar um avião. Depois de amanhã.

samedi 7 janvier 2012

Le p'tit vélo qui couine

Tô gata, não tô? Com pernas de miss.

Joelhinho sexy

E aí que ia ter encontro mensal da Pedalinas. E aí que a bonita aqui resolveu que ia participar. Vaivêno, que vai dar merda.

Problema é que a pessoa não tem bicicleta em São Paulo (é, a demente aqui só tem bicicleta no Kansas). E lá no Conjunto Nacional não tá rolando alugar. E aí, comofas? Faz assim: manda e-mail pro listserve das pedalinas e pede prazamiga ajudar. Porque azamiga são todas lindas, óbvio que aparece uma alma bondosa, GK, me oferecendo uma bike emprestada. (Por isso é que eu falo que não acredito em Deus porque acredito em gente. Entendam: uma pessoa que eu nunca vi na vida, respondeu a um e-mail genérico que eu mandei para uma lista de e-mails perguntando onde alugar uma bicicleta, me oferecendo a sua bicicleta).

Eu super topei. E fui lá, toda empolgada, encontrar GK na casa dela pra pegar a bike e ir pra Praça do Ciclista. Mas aí, chegando lá, tive que lidar com aquela sensação estranha de menina-de-15-anos-indo-pra-casa-do-namorado-quando-os-pais-estão-viajando: cheguei lá, toda empolgada, com a coisa da novidade, sair pedalando pelas ruas de São Paulo (coisa que eu nunca tinha nem chegado perto de fazer). Mas aí me dei conta de que eu estava, de fato, morrendo de medo, porque não sei andar de bicicleta direito, e morro de medo do trânsito. Só que já estava lá, entrando na casa dela pra pegar a bicicleta. Já não tinha mais volta. Esse seria realmente o momento da minha perda de virgindade urbano-ciclística.

Ali na Vergueiro, ainda na calçada, fui tentar subir na bike. Er... não. Estava alta demais. GK foi lá e baixou o banco pra mim. Tentei de novo e... tomei o maior capote do mundo (joelho já começou a ir pro saco). Ah, os pneus estavam murchos. Bora pro posto encher. E eis que começa a cair o maior toró. Seria essa a chance da heroína de vocês desistir dessa aventura??

Nãããão. Porque a bonita aqui persiste no erro, sempre. Só que não deu pra gente ir encontrar o resto da galëre na Praça do Ciclista. Esperamos a chuva passar e fomos direto pro Ibirapuera. Usei GK como minha bike anjo, em todo o meu terror de pegar a Vergueiro, a Domingos de Moraes, atravessar o viaduto Tutóia por cima da 23 de Maio e descer até o Ibirapuera. Na maioria do trajeto, nas ruas mais tranquilas, sem pedestres, fui indo pela calçada.

Chegamos ao Ibirapuera, que estava lotado (e eu fui carregando a bike, pra evitar outro atropelamento), e encontramos as outras meninas para um pique-nique.



Na volta, em direção à Paulista, fomos subindo todas juntas. Bom, meio que. Já que meu fôlego (aliado a minha incapacidade de trocar as marchas da bicicleta) não me permitiram acompanhar o pessoal nas subidas mais íngremes.

Caí, caí várias vezes. Nenhuma estrambólica. Nenhum atropelamento. Caí mesmo subindo na e descendo da bike, que, além de masculina, era um pouco grande demais pra mim. Me enroscava toda hora na barra do quadro e... chão. E o joelho foi indo pro saco...

Mas, olha, andei até no meio de carro, ônibus e moto, na Vergueiro, sempre bem no meio do grupo, pra não dar tanto pânico. Mas deu. Deu medo. Deu pânico. Foi aterrorizante. Mas foi bom!

E, se o projeto para 2011 era perder medos, o projeto 2012 é ser livre. Mas ser livre assim, de verdade. Bruises and all.

vendredi 6 janvier 2012

Contrôle

Ninguém se lembra mais dessas coisas no século XXI, mas hoje é Dia de Reis. E as decorações natalinas continuam penduradas por toda parte (Vaticano II, que estabeleceu esse catolicismo freestyle, realmente foi um erro). Mas se todo mundo pode ignorar o dia de Reis, eu também posso. E vou sublinhar o fato (muito mais importante) de que hoje faz exatamente um ano que eu cheguei em Montreal, toda serelepe (not!), com meu caminhãozinho de mudança.

É uma coisa engraçada chegar em uma cidade que você mal conhece carregando sua vida inteira num furgão. E deixando todo o resto para trás: móveis, eletrodomésticos, panelas, pratos, copos, talheres, obejtos de decoração...

E lembrar agora de como foi o primeiro dia é estranho, porque eu ainda era tão alheia a, tão estrangeira naquela cidade (e o Respectivo também, embora ele nunca tenha deixado de ser), que agora é essa cidade, mais simples.

Conhecemos o concierge, o síndico. Testamos as cópias das chaves. Fomos aprendendo onde ficavam os interruptores, e quais luzes eles acendiam e apagavam. Onde ficavam as tomadas. Ajustamos o termostato.

Passamos quase o dia todo desencaixotando coisas. Eu ainda não estava habituada à falta de luz solar (ainda mais porque tinha acabado de voltar do Brasil, e o pit-stop em NY pra organizar a mudança foi bem curto), e entrei em pânico quando vi que estava o maior breu lá fora, e eu achei que já fosse meia-noite e que já não fosse mais ter nenhum restaurante aberto. Mas ainda eram 18h30, e a gente tinha tempo. Porque uma coisa sobre mudar para um novo país é que, quando você chega, os armários da cozinha estão vazios (não tem nem sal, nem óleo, nem esses outros básicos), e não há sequer como cozinhar.

Estava exausta, e pensei em pedir comida. Mas o problema de você estar numa cidade nova, em seu primeiro dia, é que você não tem os menus dos restaurantes que fazem entregas na sua casa. Talvez a internet ajude a solucionar esse problema, mas a coisa é mais difícil quando você mal sabe o que procurar.

Resolvemos nos aventurar pela rua. Mas... o que eu deveria vestir? Eu estava acostumada a um frio de -5C, não muito raro no invernos de NY, mas o que vestir num frio de -15C? Perguntei para o Respectivo. Ele meio que deu de ombros e me aconselhou a vestir tudo o que eu tinha - e botas de neve. Foi o que fiz.

E agora, onde procurar comida?

O problema de não conhecer o bairro onde você mora (e nenhum outro, for that matter) é não saber por onde começar a buscar. Decidi começar pela Ste.-Catherine, porque lembrava de ter visto restaurantes e lojas por lá em visitas anteriores a Montreal.

E fomos. Nos primeiros quarteirões, entre a Ave. Papineau e a Rue Plessis, passamos por um sem-número de bares e boates gays (incluindo clubes de strip e variantes), uma agência dos correios, um McDonald's, algumas agências bancárias, alguns salões de cabelereiro, uma doceria, algumas lojas de moda masculina, e algumas lojas de conveniência. Nada de restuarantes. Desespero. Até que encontramos um restaurante vietnamita genérico. Nunca tinha comido comida vietnamita - e, por razões provavelmente óbvias, nunca tinha tido vontade de. Mas nas condições daquele momento (fome, frio, cansaço), fazia completo sentido entrarmos ali e comermos qualquer coisa. E foi o que fizemos. Ironicamente, algumas semanas depois eu descobriria que alguns dos meus restaurantes favoritos do bairro ficam apenas alguns metros a frente desse. Mas, na época, não quis arriscar ficar andando sem rumo no frio. A comida, no final, foi meio ruim, mas estava com tanta fome (tinha passado o dia sem comer, depois de ter tomado café da manhã no hotel em Plattsburgh, ainda nos EUA), que fiquei bem satisfeita.

Depois do jantar, o céu sugeria que já eram 2h. da manhã. Ainda eram 20h15. Decidimos que seria bom passar no mercado para comprar uns suprimentos básicos, para não precisarmos sair sem rumo para, pelo menos, café da manhã e almoço no dia seguinte. Ao menos sabíamos onde ficava o mercado.

Ir a um mercado novo é sempre uma coisa que me incomoda um pouco, principalmente quando você não sabe muito bem o que precisa comprar. Você vai explorando os corredores, tentando entender como a loja é organizada, e por que diabos o papel higiênico fica no mesmo corredor das comidas para cachorro, se, no mercado com o qual você já havia se habituado, ele dividia a prateleira com papel toalha e produtos de limpeza. Novos mercados fazem muito pouco sentido.

Mas, e aí, o que comprar para começar uma cozinha que não tem absolutamente nada, em termos de víveres? Isso considerando-se, também, que eu não poderia comprar coisas demais (ou muito pesadas) porque teria de carregar tudo até em casa, a três quarteirões dali (e no frio!). Lembro de termos comprado papel higiênico, papel toalha (por algum motivo, tenho ataques de ansiedade se falta papel toalha na minha vida), azeite, arroz, iogurte, ovos, alho, manteiga, mostarda, vinagre e cereal. Essa lista provavelmente faz muito pouco sentido (ela fez ainda menos sentido no dia seguinte), mas foi o que decidimos comprar, antes de, sem querer, roubarmos sacolinhas de supermercado.

E fomos de volta para casa, onde ainda tive que lidar com o misto de medo e TOC que eu tinha (tenho?) em relação aos gatos (e a animais, em geral).

Também foi estranho sentar na cadeira de massagem e assistir à TV, procurando algum canal não-québecois, em que a programação noturna fizesse algum sentido (não achamos nenhum; contratamos mais canais alguns dias depois).

Verifiquei se a porta do apartamento estava trancada (mania adquirida depois de anos morando no Bronx), pedi para o Respectivo colocar os gatos para fora do quarto, fui procurar a roupa de cama para por na cama, fechei a veneziana, e deitei nessa cama toda nova, mais alta e mais estável que nossa agora-ex-cama de NY (e bem pior que minha "cama B" de NY, que era a melhor cama do mundo), mas também um pouco menor.



Mas o cheiro da cama, por conta da roupa de cama, e de como eu lavo e guardo (e mamãe lavava e guardava) minhas roupas, era o mesmo de sempre, desde NY, desde SP, desde o Rio. As coisas aqui podiam não ter minha cara, assim, de primeira, mas alguma coisa ia ter que ficar do meu jeito. Horas depois, acordei, finalmente, em casa, indo do cheiro da minha cama para o cheiro de chai soy-latte e ovos na cozinha. Talvez seja assim que se construa uma casa, afinal.

O único problema é que eu não gosto de ovos.

mardi 3 janvier 2012

Justement

Bom, uma parcela de vocês não sabe disso, mas quando eu saí de Montreal ainda em dezembro, trouxe uma mala de trabalho a fazer. Basicamente, provas e trabalhos a corrigir. Delícia, né. Férias são para fracos.

Com a coisa de ir pro RJ no Natal e dos meus queridos fofolitos resolverem fazer festénha e churrasco todos os dias (acrescente-se a isso aquela ressaca - física e moral - básica de ano novo...), a coisa foi indo em ritmo bem lento. E hoje, finalmente, empacotei tudo, fui até o FedEx, esvaziei minha conta bancária, e mandei 5Kg de provas corrigidas (i.e. 72 provas), de volta pro Canadá.

Sabem o que isso significa?

Isso mesmo, um aluno meu deu o recado:


Claro que essa semana que me resta de férias seria bem melhor se eu ainda não tivesse um trabalho a escrever. Mas isso é outro mimimi, para outra ocasião.

dimanche 1 janvier 2012

Pochtron!

Como passar a virada de ano:

1. Olhe para a garrafa de Veuve Clicquot como se não houvesse mais nada líquido no mundo;
2. Vire purpurina.

A foto não está fora de foco: ela foi feita para ser vista com óculos 3D