samedi 31 décembre 2011

Savoir

Um ano de poucas coisas concretas listáveis, em listas à la kaballah, mas desordenadas e sem critério particular:

I. Shows:
1. Olivia Tremor Control
2. Stephen Malkmus & the Jicks
3. Holger
4. Peter Peter
5. Portishead
6. The Airborne Toxic Event
7. Clap Your Hands Say Yeah
(menção honrosa para o finalzinho e o bis do Arcade Fire)

II. Livros (ficção):
1. Tree of Codes, Jonathan Safran Foer
2. Diário da Queda, Michel Laub
3. White Tiger, Aravind Adiga
4. La Invención de Morel, Adolfo Bioy Casares
5. Os Verbos Auxiliares do Coração, Peter Esterházy
6. Crónicas de Bustos Domecq, Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares
7. The Marriage Plot, Jeffrey Eugenides

III. Viagens:
1. Québec
2. Chicago
3. Buenos Aires
4. Santiago
5. Valparaíso
6. Toronto
7. Paraty

IV. Restaurantes:
1. DNA, Montreal
2. Au Pied de Cochon, Montreal
3. The Bedford, Chicago
4. D.O.M., São Paulo
5. Aqui Esta Coco, Santiago
6. Bluestem, Kansas City
7. Rëd Resto & Lounge, Buenos Aires

V. Universidades:
1. UQAM, Montreal
2. McGill, Montreal
3. UQTR, Trois-Rivières
4. Dominican University College, Ottawa
5. Université Laval, Québec
6. Fordham University, NY
7. PUC-SP, São Paulo

VI. Álbuns:
1. LCD Soundsystem, This Is Happening
2. The Airborne Toxic Event, The Airborne Toxic Event
3. Pulp, Different Class
4. Coeur de Pirate, Coeur de Pirate
5. Peter Peter, Peter Peter
6. Camera Obscura, Let's Get Out of This Country
7. The Magnetic Fields, 69 Love Songs

VII. TV (na TV, em DVD ou via web):
1. It's Always Sunny in Philadelphia
2. A Bit of Fry & Laurie
3. In Treatment
4. Curb Your Enthusiasm
5. En Audition avec Simon
6. The Great Food Truck Race
7. Top Chef Masters

Bye, babes! Até 2012! Bjomeliga.

Le compteur

A Cassy provavelmente me diria que isso tem a ver com retorno de Saturno, ou qualquer-coisa-de-Mercúrio, ou alguma dessas coisas em que eu talvez até acreditasse, se não tivesse que parar pra pensar a cada vez que alguém me pergunta qual é meu signo. É que o meu balanço de 2011 (e também não acredito em pessoas que fazem balanço, mas é o zeitgeist da última semana de dezembro, fazer o quê?) é um balanço relativo a 2010 e 2009, também conhecidos como anos do demônio. Porque 2011 foi um ano em que eu:

- enchi um caminhão de coisas e atravessei a fronteira;
- mudei fazendo a Carlota Joaquina;
- morei em 4 apartamentos: em 2 mais que nos outros 2;
- não tive pensamentos suicidas;
- levantei da cama todos os dias;
- sorri todos os dias (embora em uns mais que em outros);
- tive gatos;
- vivi o mês de março de maneira razoavelmente saudável;
- concordei em conhecer gente nova;
- corri muito (no sentido literal);
- me desafiei psicologicamente;
- voltei a comer (comer de verdade);
- voltei a beber (também de verdade, e às vezes demais);
- viajei sem planos detalhadamente calculados em planilhas Excel;
- viajei freestyle, e com companhias diferentes a cada vez;
- aprendi a andar de bicicleta;
- comprei uma bicicleta (...);
- salvo por uma gripe, não fiquei doente;
- curti endorfinas mil;
- aproveitei o inverno;
- disse "não";
- disse tudo o que eu tinha a dizer;
- passei muito, muito tempo em aeroportos, em estações de trem e no carro, para ver as pessoas que eu amo;
- não telefonei para quem não deveria, na hora em que não deveria;
- vi menos TV;
- comprei menos;
- julguei mais;
- fui a shows;
- trabalhei em coisas que faziam sentido;
- consegui manter a auto-ironia;
- fiz tudo fora de horário;
- fui uma boa amiga para algumas pessoas;
- tive tempo;
- dormi;
- deixei de dormir pelos motivos certos;
- conspirei mais;
- briguei menos;
- deixei os analgésicos na gaveta de remédios;
- conversei com as pessoas até não ter mais assunto;
- abandonei algumas obsessões;
- não usei protetor solar.

lundi 26 décembre 2011

Le Père-Noël noir

Natal ao sul do Equador. Ou seja, óbvio que eu a reclamar de quase tudo: de ter que viajar mil horas e ter que lidar com aeroportos superlotados, de, depois, ter que pegar estrada por mais 6 horas, de ter que lidar com a serra fluminense...


Ter que lidar com o calor de um bilhão de graus, com quantidades exorbitantes de comida - e com o preparo dessa comida toda em um calor de um bilhão de graus, parentes chatos e inconvenientes, insetos, cachorros e outros animais não-racionais (alguns familiares incluídos).

Tudo isso sem o menor sentido. Não trabalho Papai Noel, nem menino Jesus (aliás, aqui em casa tem um presépio esquizofrênico com DOIS meninos Jesus! - WHAT??). E a família, a essas alturas já está reduzida àquele mínimo, que já não tem sentido reunir. Mas aqui vou eu, para o programa de índio do século.

Momentos mais belos e aconchegantes desse último Natal, em flashes rápidos:

- Minha mãe, na parada da Dutra, perguntando se tinha água tônica diet;
- Picolé de milho verde;
- Minha mãe, na vendinha da esquina, peguntando qual a marca do queijo prato;
- Eu chilicando porque queria ovos caipiras no bacalhau;
- Meus tios, muito amor, que compraram Bohemia e Stella Artois para mim, e vez de qualquer outro xixi em lata.
- Titia, que ainda emendou uma garrafa de sauvignon blanc;
- Minha prima querida, que me trouxe bolo de laranja da Pavelka;
- Eu não ajudando na cozinha porque tinha provas a corrigir;
- Eu dando o braço a torcer, ajudando na cozinha e me entupindo de rabanada quente;
- Eu não comendo os ovos que estavam na comida porque não eram caipiras;
- Eu ganhando a bola suíça que queria faz tempo de amigo oculto;
- Eu literalmente vomitando de tanto comer (esse, fato inédito e, provavelmente, meu grande feito do ano);
- Gente que acha que eu não tenho espelho em casa me dizendo que eu engordei;
- Galëre rezando (Ave Maria?) e eu me recusando a (desbaratinando e indo pra cozinha tomar água);
- Galëre indo ao cemitério e eu me recusando a;
- Eu dando chilique, dizendo que um certo indivíduo pelo qual as pessoas da família nutrem algum carinho é um criminoso e que deveria estar na cadeia;
- Galëre falando de CQC e Pânico, enquanto eu e meu primo falávamos de bandas indie, calendário maia e dilema do prisioneiro;
- Eu, com fumacinha saindo pela cabeça, no carro, voltando pra SP, me prometendo que eu nunca mais volto pro Natal nesse esquema.

Ou seja, os anos passam, mas, fora meu acidente gástrico, absolutamente nada muda.

Happy Festivus for the rest of us!

jeudi 22 décembre 2011

Les charognards

E daí que eu amo chegar em SP, apesar das quase 24 horas em trânsito, e de ter gastado todo o meu pobre dinheiro fazendo minhas compras de Natal no aeroporto, já que não tive tempo de fazer isso decentemente em Montreal. Amo porque meus amigos aqui são todos dementes.

Ano passado, mal desembarquei no aeroporto e galëre já estava passando aqui em casa pra me levar pro show do Latino. É muito amor! Você está lá, querendo ficar numa boa, curtindo em casa, colocando o sono em dia, mas pessoalzinho insiste no pé-na-jaca trash. E quanto mais trash melhor, obv (show do Latino sendo o ponto alto da vida!)

Esse ano, não teve mega-evento. Mas, como eu cheguei na quarta-feira e perdi a tradicional Guinness de segunda, fui intimada a comparecer no churrasco de quarta-feira na Casa da Barbie (casa do TOk). Tudo teria ido super bem, num esquema super light, não fosse pela demência dos envolvidos.

Já desisti de me ofender com o "bacon", e, a essas alturas, o "50 kilos" é elogio...
E o autocorrect do iPhone do Goommer é uma merda, aliás.

Bom, o vinho aí da mensagem estava lá como prometido. Quatro garrafas de Pinot Grigio rosé (e o Goommer sempre sabe escolher os melhores rosés). Acompanhados por dois barrizinhos (barrilzinhos?) de Heineken, de 5 litros cada, um 6-pack de Bohemia, algumas latinhas avulsas de Heineken e uma garrafa de Cuervo añejo. Que fique claro que eu não trabalho Heineken nem Cuervo, mas meus amigos praticam bullying desse jeito.

A quantidade de bebida teria sido super ok, se houvesse umas 15, 20 pessoas no churrasco. O problema é que éramos 5...

Bullying em forma de garrafa e copo.

Todos os graus do mundo sendo marcados no termômetro. Bebidas geladas (exceto, obv, a tequila). Isso não tinha como acabar bem. Fiquei surpresa que, dessa vez, ninguém queimou a largada. Mas eu, heroína, fui a última pessoa a ir embora da casa de TOk.

Nesse ritmo, já dá pra ver que a festa de ano novo vai ser longa. Isso se a gente sobreviver até lá. 

Ultimate playground mode: on.

mercredi 21 décembre 2011

Leonard's song

Contrariando (ou seria parafraseando?) o Jason Pierce, digo que, afrontando todo mundo, que quer ser e ter Leonard, "all I want in life is a Mitchell Grammaticus". Se vira com essa, Papai Noel.


(Sim, eu praticamente inventei períodos longos e excessivamente subordinados.)
(Crianças: mais Jeffrey Eugenides, menos DFW.)

mercredi 14 décembre 2011

Laisse béton

Tempo livre a gente não está trabalhando. Mas está tudo bem. Galëre está meio preocupada com o teor dos últimos posts, mas eu não estou tendo tempo de escrever sobre algumas das loucuras engraçadas que tem acontecido, então, ficam só os posts ultra-reflexivos. Mas sem pânico. Estou me divertindo (na medida do possível e extrapolando um pouco os limites desse), comendo (o que é importante, mas que às vezes esqueço de fazer), e o albergue espanhol onde eu moro continua o de sempre, então tem jantares e quase-festinhas aqui 3 vezes por semana. O sono está meio defasado, mas isso a gente cuida quando chegar na Terra do Pecado.

Enquanto isso, a única coisa que tenho a dizer é que meu relógio parou (= a bateria morreu) tem quase uma semana. E meus dois relógios reserva (sim, eu sei...) estão igualmente sem bateria. Em circunstâncias normais (bom, normais para mim), eu teria parado minha vida pra ir trocar a bateria do relógio. Ou minha cabeça já teria explodido. Mad como não tive tempo nem paciênca para ir procurar um lugar pra trocar a bateria do relógio, estou andando sem ele. Acho que uso relógio impreterivelmente todos os dias desde os 5 anos e confesso que, nas primeira horas sem, fiquei à beira de um ataque de nervos. Depois que consegui superar a ansiedade inicial, contudo, acabei me dando conta de que não usar relógio tem sido um das experiências mais libertadoras da minha vida (aí vocês se dão conta da complexidade em que vivo).

Eu sei que hoje em dia as pessoas tem substituído relógios por celulares. Mas ODEIO usar o celular como um equivalente de um relógio de bolso (embora ultimamente isso se tenha feito necessário algumas vezes).

Minha rejeição é tão grande, que eu meio que tenho me conformado em chegar atrasada aos lugares.

Tipo hoje. Acho que só cheguei na hora para almoçar (e mesmo assim isso não deu muito certo - outra história, para outra ocasião), porque comida é prioridade, sempre, mas me atrasei para minha reunião do meio da tarde, me atrasei para pegar as provas que tinha a corrigir, deixar um caderno de uma aluna com a secretária do departamento e, finalmente, para o jantar que estava rolando aqui em casa.

Quem está prevendo que a epítome disso será eu perdendo meu voo para SP na semana que vem e fazendo repeteco de 2001 põe o dedo aqui...

Oublie pas

Parte I - That killed me.

Fui almoçar com uns colegas da faculdade. Nesse grupo, tem até umas pessoas legais, mas eu tenho dificuldades em lidar com pessoas que: não sabem que é Stephen Hawking, tentam me ensinar sobre vegetarianismo/veganismo (oi?, eu era a única pessoa na mesa não comendo carne - get a clue!), falam sobre memes de 5 anos atrás, acham bonito esse revival da importância do casamento, e acham sopa vietnamita a coisa mais gostosa do mundo.

Hoje, finalmente, algumas meninas desse grupo entenderam que eu não era québecoise (depois que eu disse que ia passar o final de ano com meus pais no Brasil). Dado o meu sotaque e minha clara dificuldade em pronunciar algumas palavras, não sei por que elas ficaram tão chocadas ao saber que eu era estrangeira. Fiquei me perguntando se elas achavam que eu tinha aprendido a falar com surdos.

Em todo caso...

Depois do almoço, passei em uma das minhas lojas favoritas no Vieux-Port para comprar alguns presentes. Fiquei contente por ter achado alguns presentes que provavelmente vão ser perfeitos.

Mas é óbvio que, como sempre acaba acontecendo, eu acabei comprando várias coisas para pessoas para quem eu não necessariamente teria que ter comprado nada, e esqueci/não tive a menor inspiração/paciência para comprar presentes para as pessoas para quem eu DEVERIA impreterivelmente comprar presentes (a saber: meu amigo secreto, meus pais, o Ben etc.).

E, sendo que amanhã começa a corrida infernal contra o tempo, para eu terminar todo meu trabalho e preencher toda a papelada antes de viajar, não vou ter tempo sequer de pensar em sair para fazer compras nos próximos dias.

Estou vendo que o Duty Free do avião (não trabalho com o do aeroporto) vai salvar minha vida.

ODEIO fazer compras de Natal. Odeio ter que comprar presentes por obrigação para poder celebrar uma coisa na qual eu sequer acredito! Mas vou deixar para questionar os costumes ocidentais em outra vida. Nessa vida, é provável que eu vá, plenamente resignada, sair correndo pela Ste.-Catherine na segunda-feira à noite, procurando presentes de última hora.

(#H.C.mode: on - full blast)


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Parte II - Aqueles tempos em que:

A gente pegava táxis às 3 da manhã, e eu sempre caía do táxi na porta de casa, rasgava minha meia-calça bem no joelho, e ainda quase perdia meus sapatos. Você passava na minha casa no meio da tarde, só para me entregar um 12-pack de Guinness, que você conseguiu impossivelmente achar na loja no final da rua. Ou você passava sem motivo aparente (e sem Guinness), e sem querer me acordava, porque eu tinha acabado de pegar no sono acidentalmente enquanto lia Hegel. A gente sempre ia ao cinema, mas era quase sempre eu quem escolhia os filmes, porque eu nunca confiei em você para isso. E você vinha para minha casa assistir a outros filmes comigo, e eu te assustei logo de cara com Haneke, Bergman, von Trier, Vinterberg e Fellini. Eu fazia ioga. Eu te encontrava depois da ioga e te acompanhava até sua casa. A gente ia ao Jardim Botânico e tinha um banco nosso, na sombra. Você nunca me dizia o que fazia aos sábados à tarde, quando você desaparecia. Depois, eu nunca te dizia o que fazia às sextas-feiras à noitinha, quando nunca estava em casa, e meu celular estava sempre desligado. Eu te levei para ver a Nona do Beethoven. A gente sempre pegava o trem e as luzes daquele loft no Harlem ainda nos lembravam dos Thundercats. Você sempre respondia que sim quando eu perguntava se você queria entrar. Mas você sempre ia embora depois. Ir para Westchester era sempre uma possibilidade. O tempo sempre estava frio ou quente demais para o meu gosto. Eu não reclamava de ter que andar pelo Village. Você não reclamava de ter que ir até o Village. Você me perguntava por que eu tinha escrito as coisas que escrevi nas fotos na minha parede. Eu não te respondia a verdade quando não gostava das perguntas. Eu nunca te perguntava nada. Você não sabia quais eram minhas flores favoritas, mas eu te disse que os cravos eram as novas rosas. O meu telefone tocava o tempo todo, e eu nunca atendia. Você tentava me ajudar a arrumar um emprego. Eu tentava cozinhar. Você me mandava mensagens de texto. Eu não reclamava de ter que falar ao telefone. A gente se encontrava na lavanderia e assistia à neve equanto esperava a roupa lavar. Eu cumpria as minhas promessas. Você não odiava surpresas. Eu adorava deitar na grama no Central Park. Você morava a três quarteirões da minha casa. E eu sabia exatamente o que comprar para você no Natal.

lundi 12 décembre 2011

Si t'es mon pote

ou: como fazer amigos em 12 meses e 12 passos.


1. Se conheçam em uma situação corriqueira, que pareça altamente intelectual para o resto do mundo (ver: um grupo de estudos de uma língua morta - demais participantes doravante denominados "Grupo1").
2. Tentem conversar. Não se entendam. Fracassem. Meio que.
3. Se encontrem esporádica e socialmente com as pessoas do Grupo1. Solidarizem-se tacitamente.
4. Se encontrem socialmente sem a companhia das pessoas do Grupo1. Finalmente conversem. Conversem abertamente sobre os problemas do Grupo1.
5. Vão a shows. Vários shows.
6. Conheça os amigos e conhecidos da pessoa, doravante denominados "Grupo2".
7. Tenha interações corriqueiras e absurdas com Grupo2 (possibilidades de interação incluem: convites para confraternizações na sua casa, destruição de propriedade, ofensas em vários níveis, e sexo; homicídio não é recomendável) como forma de entretenimento mútuo.
8. Conversem sobre um número extremamente limitado de assuntos (ver: quatro, incluindo Grupo1 e Grupo2), repetidamente, a cada encontro.
9. Comam. Comam muito. Façam refeições que se transformam em passeios gastronômicos de 36 horas e algumas dezenas de quilômetros. Subsequente cooptação de umbigos: opcional.
10. Não usem meios normais de comunição (telefone, e-mail). Decidam que a campainha é o meio de comunicação mais apropriado.
11. Morem a menos de 20 minutos a pé um do outro, mas estabeleçam que é aceitável que um durma na casa do outro meio que sempre, como se tivessem 15 anos a menos que realmente tem.
12. Passem a tarde juntos. Passem o dia juntos. Passem a tarde e a noite juntos. 24 horas. 36 horas. 48 horas. Ok, comprem metadona.

vendredi 9 décembre 2011

Chanson dégueulasse

Estava lá, quinta-feira à noite, como sempre, trabalhando na faculdade, na aula em que sou auxiliar de ensino. De repente, recebo uma mensagem do Ben, pedindo para eu ligar para ele assim que pudesse.

Geralmente, o Ben só me liga e me manda mensagens meio que do nada à noite quando é pra me convidar para alguma festinha ou jantar de última hora. Achei estranha aquela mensagem com senso de urgência e liguei logo de volta.

Ele queria saber se eu estaria em casa hoje durante o dia porque...

Um dia eu chamei esse lugar de banheiro

Bom, porque o cano de água quente do banheiro estourou, o que só descobrimos quando a viinha de baixo veio reclamar que estava chovendo no banheiro dela. O proprietário do apartamento tinha ficado de passar aqui hoje, em algum horário, com um encanador para trocar o cano.

A cordinha também foi bem pensada para direcionar o vazamento

Enquanto isso... nada de água quente! Ainda bem que só está -2 graus lá fora. Para poder tomar banho, a gente improvisou um remendo do cano (e, na pior das hipóteses, eu também poderia ir tomar banho na academia), mas e a pilha de louça pra lavar na pia da cozinha???

Lavar louça com água gelada ia ser uma delícia! Mas, é, pra isso não teve jeito. Quando a sensibilidade da ponta dos meus dedos voltar, eu aviso. Estou digitando isso aqui sem sequer sentir o teclado.

Delícia, amigues. Só espero que os consertos aqui rolem mais rápido que no Bronx (onde eu fiquei umas 2 semanas com uma água quente capenga, uma vez, e dois dias com o cano da cozinha estourado). Mas algo me di que há muito mais amor por aqui do que jamais houve no Bronx. Espero que a ironia nao apareça pra me dar um tapa na cara. Oremos.

mercredi 7 décembre 2011

Un nouveau jour est pour demain

Tenho algumas crises de misantropia de vez em quando (e, como sou humana, elas também são auto-referentes), em que eu fico alheia do mundo por um tempo. Alheia estilo: não telefono. Não retorno ligações. Não respondo a e-mails. Não atendo a campainha. Não abro a correspondência. Quem passou pela minha vida em 2009 meio sabe disso. Quem estava lá nos primeiros 5 meses de 2010 sabe disso como ninguém (ou não sabe muito bem, mas, enfim).

Recentemente (i.e. nos últimos 12 meses), no entanto, à exceção de um dia ou outro, tenho estado numa vibe muito simpática. Fato é que eu consegui me conformar com o fato de que eu consigo desenvolver um mínimo de empatia com as pessoas. Eu sou relatable às vezes, vejam só! Estou ursinhos-carinhosos. Uma fofura maior do mundo!

E aí eu não sei bem o quê disso aí é causa e o que é consequência das conversas quase diárias que eu venho tenho com a Juju.

A Juju é uma das pessoas mais queridas do mundo. E é louca de pedra, óbvio. De precisar de camisa-de-força, tal. E não, ela não é uma amiga imaginária. Ela é de carne osso e vai ler isso aqui e me dar razão.

Eu não sei muito bem quando nos conhecemos, mas deve ter uns oito anos. Aliás, acho que ela tem a imagem de quando nos conhecemos bem mais clara na cabeça do que eu. Eu lembro que um dia tinha essa menina toda fofinha, com um visual Vandinha-Addams-do-bem na aula, e é meio que isso. Fim. A versão dela é melhor (vamos ver se eu vou conseguir lembrar de todos os detalhes): ela adentra a fatídica aula de epistemologia que iríamos fazer juntas e, segundo ela, dá de cara com um furacão loiro (no caso, eu), com o sapato de salto alto (sim, sou paulistana, amiguinhos!) combinando com a bolsa de mão, combinando com a bolsa de livros, combinando com a calça, combinando com a blusa, combinando com relógio, combinando com brinco etc. (me pergunto se nessa época eu ainda usava óculos e se eles também combinavam), toda cheia de tititi tentando organizar a venda dos livros que seriam usados para o curso (a saber, o livro recém-publicado de professor que ministraria o curso, que era meu orientador na época). Até hoje eu ainda não entendi se ela achou aquilo engraçado, trágico ou surreal (estou apostando no terceiro), mas fiquei encantada ao descobrir, há poucos meses(!), que a pessoa se referia a mim como o "furacão loiro". É muito amor, né.

(Também não sei que é essa coisa de as pessoas me acharem loira. Vivo desmistificando isso no twitter, por exemplo. Geral acha que eu sou loira - será que falo tanta besteira assim? Mas pessoalzinho na República das Bananas vive me chamando de loira. Tá, eu concedo que eu não seja morena-cor-do-pecado, mas meu cabelo é castanho, galëre. Menos, né.)

Bom, considerando que a pessoa se referia a mim usando termos derrogatórios (ela diz que não tinha juízo de valor, era pura constatação dos fatos, mas, convenhamos, hein), é desnecessário dizer que não viramos BFF naquele instante. Nem sei ao certo quando começamos a nos falar. Vou precisar da confirmação dela, mas imagino que tenha sido quando ela começou a ficar amiga de uma outra das pessoas mais queridas do mundo para mim, doravante denominado Finado. Ou teria eu apresentado Juju ao Finado e eles ficaram amigos depois? Hum, agora não sei. E Juju bem sabe que a memória sempre me falha...

Mas acho que começamos a ficar mais próximas mesmo quando eu já estava em NY, quando Juju entrou para a comissão de organização do Encontro dos Infernos, e, o que foi meio simultâneo, quando ela assumiu meu cargo de assistente logístico-existencial para garantir a coesão e a harmonia entre os membros da Seita Filosófica da qual eu fazia parte (e da qual eu fugi). Aí, a gente começou a trocar mais e-mails a acabamos nos encontrando mais pessoalmente também, a cada vez que eu ia para SP.

Mas o processo não foi tão simples. Se, na vida real, eu tendo a ser uma pessoa um pouco intolerante e grossa áspera, por e-mail meu tom é quase sempre... brusco. Lembro que um dia, eu um thread de e-mails do Encontro dos Infernos, depois de ter minha paciência esgotada por 3749 mensagens especulativas quando o que se fazia necessário era alguém levantar a bunda da cadeira e agir, eu mandei um e-mail-resposta à última mensagem, que tinha sido justamente da Juju, dizendo basicamente isso (mas em outras palavras, não sei se mais ou menos rudes). Juju me manda um e-mail todo coração-partido, achando que eu estava ultra-rodando-a-baiana. Ela não sabia até então que esse é meu estado normal para questões organizacionais. Aí mandei um e-mail me explicando, pedindo desculpas... porque coitadinha. E aí, fizemos as pazes e viramos BFF???

Não, né. Porque isso aqui não é filme da Nickelodeon.

A coisa da gentileza durou pouco. Porque aí ela viu que eu era assim, essa pessoa delicadinha que eu sou (só que ao contrário). E ela percebeu que poderia ser igualmente escancarada nas coisas que ela me fala. E é por isso que, hoje em dia, ela faz as vezes do meu superego: é ela que me manda dormir quando eu estou há 3 dias sem pregar os olhos, que me manda ir à depilação quando eu justifico a preguiça com feminismo, que me manda tomar ENO quando estou passando mal do estômago...

Mas, como ela não é perfeita, também é ela que me manda séries de e-mails desesperados e alarmistas, que quase me fazem morrer do coração, que entra numas pirações maiores do mundo por causa da Seita Filosófica, e que só sai de casa na sexta à noite se eu telefonar vinte mil vezes, der bronca e fizer ela prometer que vai pôr uma roupa nova bonita e tentar aproveitar a vida. Mas ela nunca me escuta. Ela me ignora e faz montes de coisas estúpidas, tipo comprar um cachorro (comprar um cachorro não é algo tão objetivamente estúpido, mas dadas as circunstâncias nas quais ela fez isso, estúpido é até eufemismo).

Ela não é perfeita, mas ela é minha Barbie tamanho-real (aliás, real mesmo, já que ela não é miniatura, que nem eu, mas sim uma pessoa de tamanho real, com bem mais de 1,70 de altura - 1,75? 1,78? Nunca lembro...). Brinquei de Barbie com Juju em julho, nos preparativos para o Evento do Ano. Fomos comprar roupa, sapato, fazer as unhas... E acho que o Projeto Juju foi aprovado, não? Eu fui a Fada Madrinha mais orgulhosa do mundo!

Agora vai começar a parte 2 do projeto. Mas antes disso (e entrando na fase preparatória), ficam aqui todos os bons desejos do mundo à Juju, e o principal deles: menos Susanita, mais furacão moreno (não fica loira, porque você é linda morena-Vandinha Addams).

Desenchantée

**alerta de jabá**

A Joyce, irmã fofa da Juju, é uma das pessoas mais queridas que lê meu blógue. E agora, ela tem seu próprio blog (olha eu, fazendo amigos e influenciando pessoas!).

A Joyce é uma lindinha, quase dez anos mais nova que eu (!), e está escrevendo sobre maturidade, e o que ela significa. Nesse caso, eu definitivamente não sou uma boa influência, mas enfim. Vão lá e LEIÃO!

samedi 3 décembre 2011

Toute seule à une table

Sábado de sol. Um frio de fazer xixi em cubinhos, mas um dia lindo, céu azul e sol. Resolvi dar uma de @vitorfasano (uau, que 2008!) e "me curtir". Isso logicamente foi muito mais fácil porque ontem (dia feio, de chuva), como tive que ir ao meu escritório, me arrastei um pouco mais até a livraria e comprei o livro novo do Jeffrey Eugenides. Pronto! Já tinha companhia para o final de semana. E o plano era ficar trancada em casa, lendo. Mas o dia estava bonito demais hoje.

Coloquei o Eugenides na bolsa e saí, meio que sem destino. Estava frio demais para ir ler no parque (desde o início de novembro tem estado frio demais para ir ler no parque, aliás), então, fui procurar um café ou um restaurante. Pensei em alguns aqui perto, na Amherst, mas depois me animei a subir até o Plateau (e aproveitar para já comprar suprimentos para o jantar de terça-feira).

Parei no Le Passé Composé para um brunch.

Tem muita gente que me fala que não entende como eu tenho coragem/disposição para sair para comer ou ir ao cinema sozinha. Mas juro que às vezes a máxima do "antes só que mal acompanhada" se aplica. Duas coisas que eu odeio muito na vida: gente dando palpite no que eu estou comendo/bebendo e gente que quer comentar o filme enquanto o filme está passando ou logo depois de subirem os créditos. Eu preciso de tempo para apreciar minha comida e digerir meus filmes (só discuto filmes depois de, no mínimo, 18 horas).

Eu me lembro de um date que tive uma vez. Deve ter sido o pior do mundo, pensando bem (eu deveria ter notado ali que a coisa ia dar muito errado, mas na época eu era burra e deixei rolar). Faz um tempão, uns 6 anos, por aí. Fui assistir a um Dogma qualquer ou coisa que o valha na Sala Cinemateca (Brothers, talvez? Dear Wendy? É, acho que era Dear Wendy. Não... enfim.) com esse sujeito. Antes, fomos "tomar um café" (eu-não-tomo-café-vou-tomar-um-chá). Peço um earl grey. A mocinha me entrega a xícara com a água quente, o saquinho de Twinings e... "Açúcar ou adoçante?" "Não, não, obrigada. Só isso mesmo." Ao que o sujeito intervem, "Mas é earl grey. Você não vai por nem açúcar nem adoçante?" "Não." "Mas não se toma earl grey sem açúcar!" "Eu tomo." Whatthehell, né. A pessoa de repente é a Scotland Yard do earl grey. Só faltou enfiar uma rodela de limão siciliano na minha xícara à força. Tomei, enfim, o raio do meu chá, puro, como queria. E a pessoa espantada.

Vamos para o filme. A pessoa não para de falar allthefuckingtime. Tipo, amigo, vamos fazer um acordo, tá. O filme tá rolando. O filme é do Vinterberg/Susanne Bier/sei-lá-eu e eu estou querendo curtir (vulgo: entender). Dá pra fechar o bico?

Vontade de estapear a pessoa. Qualquer boa alma que já tenha passado por algo similar sabe o quanto é bom sair sozinha, às vezes. E, bem, não estava sozinha. Estava com meu Eugenides. E minha xícara de earl grey, sem açúcar, nem adoçante.



O brunch estava ok. Comi algo como ovos benedict com foie gras. Estava até bem gostoso, mas chegou meio frio (outro pet peeve monstro meu). De lá, segui dando umas voltinhas, até chegar na lojinha portuguesa onde eu fui comprar os suprimentos.

No caminho, fiquei pensando em quanto tempo faz que eu não vou ao cinema (3 meses), e como eu nunca fui ao cinema aqui em Montreal (e meio que não pretendo). E que o filme Virgens Suicidas, baseado no primeiro livro do Eugenides é bem ruim. E o livro é tão bom. Aliás, os filmes da Sofia Coppola são todos bem ruins. É, o cinema é a menor das artes. Algum amigo meu vivia dizendo isso. Quem era? (não lembro, mas concordo) O Middlesex é um dos melhores livros que eu já li. E o que aconteceu com o meu My Mistress's Sparrow Is Dead? Será que está em SP? Será que eu dei para alguém? Tem um conto nesse livro que é um dos contos mais bonitos do mundo. "Tonka", do Robert Musil. Todo mundo gosta de falar do "The Dead", do Joyce, que entrou nessa coletânea também, mas o conto do Musil é tão, mas tão mais violento para a alma! E Joyce é hiperestimado, de qualquer forma. Por que o Eugenides não escreve mais livros, com mais frequência? Hm, talvez seja por ele não ser tão rápido que ele seja tão bom. E ele ganhou o Pulitzer, né. Se eu ganhasse o Pulitzer eu também ia curtir, deixar meus capítulos maturarem antes de mandar pra editora, afin--

Esse foi mais ou menos o fluxo de consciência que aconteceu dentro da minha cabeça entre pagar minhas compras no caixa, sair da loja e esbarrar com o Max ("Oi!! Tudo bom?" "Tudo bom! O que você está fazendo por aqui?" "Compras..."), na esquina da Duluth com a Saint Hubert. Só porque outro dia mesmo reclamei dessa falta de esbarrar com pessoas acidentalmente por aqui.

Dias de sol e frio são, por definição, cheios de ironia.

vendredi 2 décembre 2011

Y'a t'il quelqu'un ici?

ou: "Not until something happens and you laugh when you were supposed to cry"

Tenho estado (virei?) estóica ultimamente. (Estoica? Perdi o fio das palavras que perderam o acento com a reforma ortográfica...) De um jeito quase assustador. Claro, eu tenho crises constantes e reclamo de praticamente tudo na vida allthefuckingtime. Mas, falando de coisas que realmente importam. As grandes coisas da vida. Pra essas, acho que perdi a sensibilidade ultimamente. Não de propósito, eu acho. Mas perdi.  E não encontrei mais.

E não é por falta de tentar. Tentei. Tentei mesmo. Coloquei músicas de cortar os pulsos. Tentei escrever sobre todas as coisas realmente complicadas. Tentei reler pela vigésima-nona vez o livro que é minha bíblia da redenção. Nada funcionou. Continuei inabalada numa vibe meio psicopata. Me deu um pouco de medo de mim mesma. Até que.

Até que na noite de terça para quarta-feira, meio que sem motivo aparente, eu passei muito, muito mal do estômago, coisa que raramente acontece comigo. Ao contrário da maioria das pessoas à minha volta, tenho um estômago de avestruz. (Mas uma vez por ano, inevitavelmente, passo mal - acho que a vez foi essa, para o meu azar, porque tinha um monte de coisas pra fazer na quarta-feira.)

A única explicação possível para essa convergência de fatos (epifania?), está em algum lugar desse texto, uma das coisas mais interessantes e bonitas que li nos últimos tempos.

A outra única explicação possível é que eu tenha sido atropelada por um caminhão chamado karma. Mas eu gosto mais da primeira alternativa, que é lírica de um jeito menos clichê.

A cura para meu estoicismo eu até sei qual é, e envolve um deslocamento até a livraria. Vou resolver isso dentro de algumas horas e começar a regurgitar sentimentos. Mas para mim mesma, porque esse blógue não é lugar para tantas divagações existenciais (não as de verdade).

Por outro lado (paradoxalmente? consequentemente?), em todo meu estoicismo, até que eu tenho sido razoavelmente simpática e tolerante com as pessoas (vide: terça-feira à noite). Estranho, mas meu estoicismo pode estar me levando a desenvolver virtudes que eu jamais imaginei que pudesse ter, nem mesmo em potência. Orgulho aristotélico define.

Mais sobre isso quando eu tiver me recuperado completamente dessa coisa que incapacitou meu estômago e, possivelmente, meu cérebro. Até lá, recomendo que vocês desenvolvam a virtude mais mal-estimada (às vezes hiper, às vezes sub) de todas: a paciência.

(Tá, na verdade esse post foi só uma desculpa pra eu linkar esse texto do Thought Catalog aí e amenizar a vibe ursinhos-carinhosos que vai rolar solta nos próximos dias. Porque às vezes eu sei que eu devo ser grossa com algumas pessoas, mas smplesmente não consigo. Paradoxo do estoicismo de banca de jornal? Mas não mudem de canal. Prometo que a programação vai dar uma guinada mais interessante em algum momento. Em breve. Quem sabe até faço um post inspirado no "Você Decide", para animar o pessoal...)