lundi 28 novembre 2011

La Java sans joie

Agora que uma quantidade de tempo suficiente passou, posso escrever esse post de maneira menos angustiante. Então, vamos.

Tinha uma pilha enorme de provas e trabalhos pra corrigir. Enorme MESMO. Foram 98, no total (31 provas - estilo redação - de até 5000 palavras cada, e o restante, trabalhos de, em média 15 páginas com espaço simples). Tinha muita coisa muito ruim. E pouca coisa boa, óbvio. Mas não faz o menor sentido eu reproduzir algumas das besteiras que alguns alunos escreveram, porque, sério.

E isso só representa 2/3 do que eu tinha a corrigir


Mas se faz necessário dizer que tem alguns alunos que abusam do direito de fazer coisas estúpidas com o layout do trabalho,

tipo entregar um trabalho
com o texto inteiro centralizado
disposto da maneira mais esdrúxula possível 
na página, com
magens que não faziam o menor sentido.



Ou um outro aluno, que faltou às aulas introdutórias de Word e, não sabendo configurar

As linhas para espaço duplo, pulou as linhas manualmente, o que fez com que o Word

Automaticamente colocasse em maiúscula a primeira palavra de *todas* as linhas do

Raio do trabalho, mesmo que elas não começassem uma nova frase. Uma delícia de

Ler. Parecia um poema construtivista meio esquizofrênico. Juro que me deu dor de

Cabeça.




Teve uma outra fofura que teve coragem de fazer isso:

Sim, isso (o de cima) é um trabalho impresso em fonte Comic Sans

Como assim, meldels? COMO ASSIM? Você odeia TANTO seu professor assim? Não é possível. Como alguém disse, me entregar um trabalho em Comic Sans seria plenamente aceitável se eu tivesse matado seus pais. Do contrário, Times New Roman, Arial ou Calibri são o suficiente para fazer meu coração encher de alegria.

Parece não haver redenção no mundo.

Por outro lado, tive uma aluna que, em uma nota de rodapé, deu um exemplo citado a Mafalda (sim, aquela do Quino), com um comentário de que ela esperava que aquilo fizesse o corretor da prova sorrir. Talvez a ficha não tivesse caído para a maioria das pessoas (não sei o quanto a Mafalda é popular no Canadá), mas fez total sentido para mim. Desses momentos que compensam todos os Comic Sans do mundo.

É bom ter mais gente citando Mafalda daqui pra frente. Porque no mês de dezembro mais provas e trabalhos virão. Alerta de momentos ~TENSOS~ pela frente.

dimanche 27 novembre 2011

Arrêter la clope!

Pra não dizer que meu superego está morto (nem em coma), mas que ele se encontra em um estado de tetraplegia temporária (bom, eu espero que seja temporária, se não...), a única coisa que eu tenho a dizer a meu favor é que, apesar de tudo (e olha que o "tudo" está ficando cada vez maior), tem uma coisa em que ainda me mantenho invicta, algo a que eu ainda me mantenho true to heart e do qual posso, até certo ponto, me orgulhar: não fumei nenhum cigarro que seja! (Nas últimas semanas, no último ano, ou ever, for that matter).

Nas atuais circunstâncias, achei por bem comemorar as pequenas vitórias da vida.

O contexto dessa pequena vitória é que, apesar de eu odiar cigarro, estou rodeada de fumantes. É: moro com um francês, que tem um monte de amigos franceses que estão sempre aqui em casa. E franceses, por definição, fumam muito. E os québecois também fumam muito, não se enganem.

E, tá, eu odeio cigarro, mas depois de muitos anos como fumante passiva, tem horas que a minha vida parece que vai implodir e fico achando (deslumbradamente) que se eu fumasse um cigarro e poderia ficar mais calma. Não sei se confere esse mito de que cigarro diminui a ansiedade, e eu não estou muito pagando pra ver, não. A morte por heroína me parece mais rápida e bem mais divertida. Mas guardo essa para quando eu  estiver precisando de verdade (não quero pensar em perder os dentes, ou ter que lidar com metadona, tal).

Dito isso, outra pequena vitória foi conviver com muitos chain-smokers durante esses últimos 3 meses e não ter feito quase nenhum discurso anti-tabagista fervoroso. Eu sei que muitos de vocês devem estar achando difícil acreditar nessa última parte, mas eu juro que tenho me comportado. Mas, de todo modo, não custa deixar o lembrete: parem de fumar, por favor. Ou não (re)comecem. O que melhor se aplicar.

Porque é justamente por conta dos cigarros que o Natal de vocês vai ser bem mais feliz e terá muito mais gente em volta da mesa do que o meu.

Outra pequena vitória da vida foi ter conseguido ficar sem pensar nisso durante algum tempo. Até semanas inteiras. Até que não deu mais. Nunca dá.

vendredi 25 novembre 2011

Ma chanson leur a pas plu (suite)

Não entendo muito bem de onde surge toda a louça pra lavar na minha casa (#mimimi dona-de-casa). Porque eu sequer tenho cozinhado, mas sempre tem uma pilha enorme de louças pra lavar. Acho que o apocalipse zumbi está vindo, e está vindo na forma de panelas sujas. O lado bom é que, bom, já que eu tenho Ockham pra ler (sim, caso vocês estejam achando absurdo, é isso mesmo: há mais de 3 meses tenho tido Ockham pra ler), a louça a lavar serve de procrastinação (já que eu não tenho dinheiro para ir fazer compras ou para gastar com qualquer outra forma de entretenimento, e já está cheio de neve lá fora). Sem falar que fiquei 5 dias sem TV a cabo (outra história, outra ocasião). Não que eu assista a muita TV, mas e as reprises de Sex & the City?? E Iron Chef??

Meh. Pelo menos consegui fazer uma nova mixtape legal, que eu vou compartilhar com vocês, caso vocês tenham louça pra lavar, ou caso queiram me julgar por minhas escolhas (não tento ser o Álvaro Pereira Júnior, então...). Quase todas essas músicas foram roubadas nos últimos dias de pessoas queridas que eu conheço, mas de quem eu gosto com variação bem grande de grau e modo. Porque agora que o frenesi de corrigir provas passou, deu pra entrar em contato com/stalkear pessoas novamente. Ah, e uma das músicas é jabá, mesmo. Mas é um jabá de coração. <3

1. The Magnetic Fields. I Think I Need a New Heart
2. Foals. Balloons
3. Gotye. Somebody That I Used to Know
4. St. Vincent. Marry Me
5. Soundbullet. When It Goes Wrong
6. Dale Earnhardt Jr. Jr. Nothing But Our Love
7. Clap Your Hands Say Yeah. Same Mistake
8. Tom Waits. You Can Never Hold Back Spring
9. Elliott Smith. Angeles
10. Superchunk. Cursed Mirror

Plano para os próximos dias: estudar freneticamente (e, o mais importante: escrever freneticamente). Ou seja: só Beethoven rolando por aqui, amiguinhos, porque Pavlov me treinou direitinho. Ah, e não esperem muita coisa de mim até o Natal. Se alguém quiser me recepcionar em Bagulhos, já vou avisando: prepare-se para me ver chegando em frangalhos.

Cancelem as mixtapes e os estimulantes. Me mandem amor. Ou bacon.

jeudi 24 novembre 2011

Depuis toujours

Ou: carta (-resposta) aberta ao meu contrato velado mais longo. (**alerta de post existencial, not for the faint of heart**)

Querido,

Gosto do nosso contrato. Não mudaria nada nele. E que bom que estamos de acordo quanto a ele. Só não sei se ele é tão velado assim, afinal, em todas as idas e vindas etc. que você descreveu, acho que que as cláusulas foram ficando mais e mais claras. Rousseau tem muito o que aprender comigo. E você chegou perto na matemática. A gente está, sim, ficando velho, mas não tanto ainda. Não nos conhecemos há 15 ou 16 anos, mas sim há 14. Que é bastante assim mesmo. Metade da minha vida (uau!).

O suficiente para que, veja só, nós já nos conhecêssemos da primeira vez que eu vim a Montreal, de férias. A segunda vez, quando eu passei mais de um mês por aqui, você acompanhou mais de perto, apesar do fato de que, na época, e-mail e internet eram coisas um pouco fora do comum. Naqueles dias, eu lembro que ia checar meus e-mails, uma ou duas vezes por semana, na McGill, que tinha um lugar que tinha um café e uns computadores com acesso público. E eu ia lá pra responder aos seus e-mails (e aos de poucas outras pessoas). E foi aí que me apaixonei pela McGill.

Foi também quando eu aprendi a fazer geléia de framboesa. Hoje em dia, geléia nem tem mais acento. Então, eu faço geleia de framboesa. Mas juro que o gosto é o quase mesmo.

E também já te conhecia da terceira vez em que eu vim pra cá, passar mais um tempinho. E aí eu já não precisava mais ir à McGill ver meus e-mails (a internet já tinha virado um pouco mais mainstream). Mas me lembro de andar para cima e para baixo na Rue St.-Denis nessa época, caçando discos (nem me lembro quantos LPs eu comprei) e livros de filosofia (puxa, eu já estudava filosofia nessa época!). Fui embora com uma mala de livros. E me apaixonei pelo Quartier Latin (apesar de todos os senões) e pela UQAM, onde eu sempre tomava o metrô. A UQAM sempre me lembrou um pouco a PUC, e eu sempre gostei um pouco disso.

E hoje em dia, eu divido meu tempo entre as aulas na McGill e as aulas na UQAM, justamente. Na época, eu pensava nisso, eu queria isso, mas não achava que aconteceria. E eis que.

E eu lembro que eu via aqueles alunos da UQAM, que tinham um jeito de ser muito legais (os da McGill sempre me pareceram meio geeks demais), e eu tinha vontade de ficar amiga de todos eles. Nunca tive coragem de ir falar com nenhum, mas, olhando pra trás, penso que deveria ter tentado. Mas fato é que hoje em dia, estou aqui, passando horas corrigindo os trabalhos desse alunos. E indo para o meu escritório solucionar as dúvidas deles. E, olha, até que eu não estava errada, eu acho.

E aí, quando você me fala que está pensando na carreira acadêmica, isso me surpreende um pouco, porque jamais conseguiria te imaginar fazendo parte dessa instituição que você sempre odiou tanto. Mas, até aí, eu acabei de fazer aí acima toda uma lista de acontecimentos improváveis e um tanto insólitos. Porque não faria sentido eu ser diplomata e estar em Montreal. A menos que... eu não fosse ser diplomata. Mas isso na época não era uma opção que passasse pela minha cabeça. E eis que.

Quando eu mudei para cá bem no comecinho de janeiro, tinha só umas 4 ou 5 horas de sol por dia. Eu morava perto do parque, mas o parque estava debaixo de uma camada de um metro de neve. Eu reclamei bastante disso. Passei umas 3 semanas reclamando sem parar. Até que um dia resolvi ir até lá e patinar no gelo. Ficou um pouco melhor. Continuava odiando a falta de luz solar e o fato de que a rua parecia um frigorífico, mas ao menos eu estava lá, prestes a quebrar a bacia patinando (ou caindo, no caso) no gelo.

Tudo isso para dizer que, para ser sincera, não acredito que as coisas ficam bem ou ficam melhores de verdade (afinal, vivo com uma quantidade de dinheiro que está bem próxima da linha de pobreza, e não vivo no glamour da diplomacia). Às vezes não ficam, e é horrível mesmo. Mas é bem mais interessante quando a gente consegue notar essas ironias, e como a vida joga as coisas na nossa cara (oi, eu passei 4 meses morando com 2 GATOS!!). E é mais divertido assim.

Porque, por exemplo, nunca entendi o que eu estava fazendo em NY. Como e por que eu fui parar ali, qual o propósito daquilo. Aqueles quase-4 anos me ensinaram muito pouco. Mas lembra quando eu queria trabalhar na ONU? Pois é. E aí, em NY eu trabalhei na ONU (meio que). Talvez minha estada lá, se nada mais, tenha servido para isso. Que já é grande coisa, e você deve entender o quão grande é isso para mim. Mas aquilo simplesmente não fazia o menor sentido a longo prazo.

Mas nunca me questionei sobre o que eu estou fazendo em Montreal. Minha vinda para cá foi muito mais orgânica (mas muito mais assustadora, paradoxalmente). E aí as coisas foram acontecendo e, não vou dizer que eu estou 100% satisfeita em estar aqui. Sempre tem uns momentos horríveis, quando está tudo dando errado. Mas eu vim aqui para errar, na verdade. Para errar muito. E até que tenho acertado.

Porque 14 anos atrás, eu queria muito trabalhar na ONU, conhecer primeiros-ministros e embaixadores, conhecer os formadores de opinião do mundo, bater um papo com o Moby, viajar para lugares bem longe com as despesas pagas. Fiz tudo isso e mais (não bem como eu imaginava e queria, mas fiz). E te digo uma coisa: sou bem mais feliz dividindo meu tempo entre a McGill e a UQAM.

Isso não só para falar de mim, mas metáfora para a vida, se você me permitir. E a inércia é o melhor contrato velado que a gente tem consigo mesmo. Porém, na hora em que a gente se força a parar completamente (ou que alguma coisa pára a gente), a gente vê que o mundo ainda está girando. E uma hora a coisa certa nos alcança. Até que isso aconteça, entretanto, a gente tem que se prender aos contratos. E ver se/quais pessoas estão dispostos a aceitá-los, desde a carona para o shopping até o "passa lá em casa pra tomar um whisky". E aí a gente toma um café (ou um chá, uma cerveja) com as pessoas que entendem isso, e estabelece as cláusulas.

É isso.

O meu dilema filosófico (não sei bem de qual você estava falando) você vai poder entender quando meu livro for publicado (*saco de risadas*). Ou quando finalmente sair aquela entrevista para a Playboy. ;)

Até lá, mudo meu motto para "I want, I can, mais le monde va de soi même." Repita como mantra, and carry on. De verdade.

Yours truly, madly, deeply,

A.

mercredi 23 novembre 2011

Fatigante

É engraçado perceber como meios de transporte definem uma cidade.

Em São Paulo, a maioria das pessoas (tá, a maioria das pessoas do meu mundo de 300 pessoas) dirige, e o discurso social gira em torno de que carro você tem/está vendendo/quer comprar e do trânsito que pegou para ir a/voltar de tal e tal lugar. Mencionam-se as avenidas em que você perde a maior parte de seu dia, e os nomes dessas avenidas fazem amigos. Estados Unidos não combina com Salim Farah Maluf. Nove de Julho combina com Berrini. Giovanni Gronchi não combina com quase nada. Paulista combina com qualquer coisa. E assim a gente vai construindo nosso círculo social. Das pessoas que moram a mais de 12Km (ou seja, duas horas e meia, em paulistanês) da nossa casa a gente tem que gostar muito, mas muito mesmo. Se não, a amizade "inviabiliza".

Em NY, são os táxis e as linhas de metrô. A pessoa pode compartilhar um táxi com você para voltar pra casa? Melhor amiga! A pessoa acabou de roubar o seu táxi às 15h. em dia de chuva? Inimiga número um.
As linhas de metrô servem como uma orientação básica sobre a possibilidade de sobrevivência de um relacionamento de qualquer tipo. Quando eu morava no Bronx, no Bedford Park, meus horizontes de perspectivas de sociabilidade já haviam se expandido consideravelmente desde quando eu morava na Little Italy do Bronx (que era mais longe do metrô), mas mesmo assim, ficava impossível ter amigos que morassem em regiões como: bom, qualquer lugar do Queens (incluindo Astoria e Long Island City), Tribeca, East Village, Washington Heights, Fort Greene, Greenpoint.

A minha impressão é que Montreal tem muito menos dessas fronteiras geográfico-sociais. Acho que parte do motivo é que Montreal não tem apenas um tipo de transporte a que se reduzir. No verão, as pessoas andam de bicicleta. No inverno, de metrô ou ônibus. No outono (nos dias frios demais para andar de bicicleta), elas andam a pé. E a primavera não existe. Então, acho que a coisa do transporte é muito mais fluida. Se as fronteiras geográfico-sociais existem, é de maneira muito mais arbitrária e artificial. Eu, por exemplo, me recuso a ir a qualquer lugar que fique na linha azul do metrô.

Montreal tem, basicamente quatro linhas de metrô: eu moro justamente ao lado da intersecção das linhas amarela, laranja e verde. Ou seja, tenho acesso muito fácil a 4/5 da cidade (não questionem minha matemática - ela é compensatória, porque a linha laranja é a maior delas, e a verde também é bem maior que a azul). Se tenho que fazer algo que fica na linha azul, simplesmente desisto.

Aliás, eu NUNCA peguei a linha azul. Quando fui para aqueles lados da cidade (só uma ou duas vezes), acho que minha aversão era tanta que acabei pegando ônibus (e olha que eu ODEIO ônibus). Mas talvez a maioria das pessoas não pense como eu. A descobrir.

Talvez por eu (ainda?) não conhecer muita gente por aqui, às vezes sinto falta de sair e saber que, do meu carro, vou cruzar o carro de algum amigo em algum congestionamento, ou poder buzinar para alguma amiga atravessando na faixa de pedestres à minha frente. Ou de saber que, mesmo pegando metrô numa garnde maçã com uma população enorme, mal preciso de iPod, porque com certeza vou encontrar alguém na linha D, duas estações ao sul de onde eu peguei o metrô originalmente. Ou, enquanto espero impaciente o metrô da linha 4 na Union Square, um amigo meu vai acenar pra mim do 6 em que ele está (indo para casa?), e vai me fazer sorrir.

Sinto falta de algumas dessas coisas, confesso, mas eu gosto de sair a pé, mesmo sabendo que minhas caminhadas terão um adicional de aventura durante pelo menos metade do ano, por conta da neve e do gelo. Já me habituei a calcular o tempo que eu vou levar para chegar em qualquer lugar que me interesse, e sempre vou armada com meu iPod ou meu telefone devidamente carregado com músicas. O lado ruim é que eu não tenho lido tanta ficção quanto costumava (pegando a linha D do metrô do Bronx ao Brooklyn diariamente, eu lia pelo menos um romance por semana), mas tenho ouvido mais música. Não sei se isso é bom ou ruim. Mas acho que está faltando ficção na minha vida. A ser corrigido durante as "férias" de final de ano. Hum.

Por outro lado, tenho procurado bem mais coisa nova pra ouvir. Não com muito sucesso, como vocês puderam comprovar (visto minha súplica por mixtapes), mas (re)descobri algumas coisas legais. Aliás, ultimamente, calculo o tempo de "viagem" entre minha casa e qualquer destino com base no meu iPod. Por exemplo, a distância da minha casa até os lugares abaixo (que são os lugares a que eu vou com uma certa regularidade - uns mais que outros), em termos de música (e de o que eu tenho ouvido no trajeto):

- até meu escritório na UQAM: 4 músicas do Spiritualized
- até meu escritório na UQAM, depois de tomar um Red Bull: 2 músicas do Spiritualized
- até a academia: 4 músicas do Airborne Toxic Event
- até a casa do AmigoSemTwitter: 4 músicas do Camera Obscura + Radiohead fazendo cover de "Ceremony"
- até o Burritoville: 7 músicas do LCD Soundsystem
- até a McGill (digamos, o Leacock Building): 8 músicas do LCD Soundsystem
- até o Marché Saint-Jacques: 2 músicas do Pulp
- até o parque La Fontaine: 2 músicas do Hot Chip

A conclusão, que vocês provavelmente não devem ter sacado, a não ser que conheçam razoavelmente bem Montreal é que, depois de morar em cidades cujo ritmo de vida é absolutamente frenético, eu cultivei um hábito peculiar: eu ando rápido. Muito rápido.

Parte disso também se deve ao fato de que, dos 15 aos 25 anos, eu usava salto alto diariamente, o tempo todo - e já andava rápido. Ainda há controvérsias sobre o salto fortalecer ou atrofiar os músculos das pernas e enrijecer os tendões (como o tendão de Aquiles), mas o fato é que, depois de eu me conformar com minha altura e abandonar o salto (porque ele sempre ficava preso naquelas grades de ventilação do metrô nas calçadas de NY, sem contar outros acidentes mais graves), vi que também conseguiria andar rápido sem salto, uma coisa que eu sempre achei bem difícil.

Parte da transição (para a adaptação muscular) foi eu ter investido em um sem-número de pares de sapatos ortopédicos (é, gente, vaivêno!). Porque eu juro: se você usa salto o tempo todo durante 10 anos, algo muito estranho acontece, sim, com seus músculos e tendões. E não é fácil corrigir. Três anos de sapatos ortopédicos depois (fase de adaptação), tenho estado feliz e contente já há quase um ano passando metade do tempo usando tênis (quem diria!) e a outra metade usando botas de neve.

Mas, para quem usou botinhas ortopédicas na tenra infância e, ainda assim, ficou com os joelhos MUITO tortos, qualquer coisa é lucro, sacam? Aparentemente passei uma parte considerável da minha vida aprendendo a andar, o que me deixa mais tranquila quando eu penso que ainda não consegui desenvolver plenamente minha destreza social. Mas para isso existe o álcool, que tem funcionado como o equivalente social dos sapatos ortopédicos. E considerando também a minha falta de aptidão social e a quantidade de álcool que às vezes se faz necessária para compensá-la, é bom mesmo que eu não esteja usando salto.

Mas, sem carro e sem metrô para servir como meio de interação, e, sendo pedestre convicta, o jeito é conversar sobre... sapatos (porque acho que conversar sobre pés é um troço meio esquisito, mas, sei lá, cada um com seu fetiche). É, acho que eu até posso socializar com pessoas conversando sobre sapatos. Desde que em nenhum momento da conversa eu arranque um do pé e arremesse na cabeça da pessoa. Hm. Nota mental. Nota mental bem importante. Vou colocar um post-it na carteira, pra não esquecer, just in case.

lundi 21 novembre 2011

Métro, boulot... métro, boulot, métro, boulot. Dodo?

Nível de cansaço: o máximo possível. Sei que vocês não estão acreditando, mas vou contextualizar: fui tomar banho ouvindo My Bloody Valentine e Nine Inch Nails (não perguntem...) pra não entrar em coma narcoléptico e morrer afogada no chuveiro. Tá nesse nível a coisa.

Vamos voltar para mais ou menos um mês e meio atrás, quando tudo começou.

O projeto Common People foi oficialmente retomado no início de outubro. E o resto veio no pacote. Porque parte importante do pacote é eu ter um emprego. Porque eu sou workaholic e acho que ser free-lance na vida não conta. Estava sem emprego de verdade (mas não sem ser paga, porque a gente é feliz vivendo de bolsa e de freelas) desde dezembro, pouco antes de ir embora de NY. Até que.

Até que resolveram me contratar para um trabalho de verdade. E, apesar de eu estar com o cabelo semi-cagado, e ter passado o mês de outubro com aquela cara de maquiagem-borrada-de-dia-seguinte, bronzeado (ou falta de, no caso) duvidoso e frequentando lugares de classificação social igualmente duvidosa, o emprego que eu arrumei NÃO foi de cover da Courtney Love. Eu sei que vocês estão com orgulho. Me mandem fan letters.

Fato é que eu fui contratada para ser monitora de dois (!) cursos (de graduação) na faculdade. And when it rains, it pours. O primeiro rolou porque, convenhamos (e modéstia à parte), eu era a pessoa mais qualificada. O outro foi porque eu sou BFF da secretária do departamento, e ela me recomendou para o professor. Ficadica, amïgues: muito amor à secretária do seu departamento, sempre.

E tudo bem. Trabalho na agenda, dinheiro no bolso. Alegria, alegria. Oremos.

Ah, mas eu não contei os detalhes, né. O trabalho consiste em ser monitora (i.e. tirar dúvidas de alunos) E corretora. Ou seja, professor oficial dá as aulas e elabora a prova. Alunos fofolitos fazem a prova. A gatona aqui corrige. Não é nada tão complicado ou pavoroso assim. Na verdade (e eu sei que vou soar louca para alguns), até que é um trabalho legal (melhor que separar clipes por tamanho).

O único detalhe é que eu tinha mais de cem provas e trabalhos a corrigir. Num prazo de duas semanas. Trinta e poucas provas de mais ou menos 3500 palavras cada. E uns setenta trabalhos de, em média, 15 páginas cada, em espaço SIMPLES. No meio desse prazo, minha viagem para o Kansas obviamente embolou o meio de campo. O resultado é que ainda tinha muito, muito trabalho a fazer essa semana. Negociei prazos, ganhei uns dias aqui e ali, mas, mesmo assim, de quarta-feira até hoje eu consegui dormir, no total, 21 horas, o que dá uma média de 4 horas e 12 minutos por noite (considere-se que algumas noites dormi mais, outras não dormi nada e tal, óbvio). Delícia, hein.

Bom, tudo acabou hoje. Quer dizer, acabou até a segunda rodada de provas e trabalhos, a começar lá pelo meio de dezembro. Já deu para sentir qual vai ser meu passatempo natalino, né (insira aqui o comentário pejorativo do meu pai, dizendo que eu sou atéia, e não deveria reclamar de passar o Natal trabalhando, mimimi, Freud-ligou-e-mandou-beijo).

Aí, dia desses pessoa me manda e-mail reclamando de ter de trabalhar em sistema de plantão. Senta lá, Cláudia. Porque a vida acadêmica não está esse burro na sombra, não, tá?

A sobrevivência essa semana foi garantida à base de Red Bull e 5-Hour Energy (tudo bem que rolou uma desidratação básica, da qual eu só cosegui me recuperar completamente hoje de manhã, acho, mas enfim).

Aliás, cancelem o pedido de mixtapes. Me enviem um carregamento de estimulantes no lugar, desde que o prazo de entrega seja antes de 14 de dezembro. Porque eu certamente vou precisar.


P.S.: não recomendo (mas amo muito) o uso de estimulantes. A julgar pelo estado de meus tornozelos (e meu histórico de problemas circulatórios bizarros), eu diria que: ou (a) estimulantes como os citados acima fazem coisas BEM estranhas com nosso organismo (ver: fazer nossas juntas incharem numa vibe artrite reumatoide) ou (b) estou grávida de 8 meses, prestes a dar à luz (o que, da última vez que eu chequei, não era uma possibilidade). Mas vai saber.

P.P.S.: Como virar BFF da secretária do seu departamento (dica para acadêmicos). Cada um tem uma técnica. Vocês pode sondar sobre pontos de interesse em comum (geralmente, gatos - incluindo LOLcats - e/ou crianças). No meu caso, a coisa foi meio que forçada pelo fato de eu me deparar com os mamilos da minha secretária diariamente, enquanto ela tinha que disfarçadamente lidar com minhas celulites e estrias (porque sou de verdade, não sou Gisele e tenho celulite E estrias, lidem com isso!). Contextos exóticos são minha especialidade, ceis já sacaram. Mas eu explico: eu ia pra academia justamente no MESMO horário que a secretária, de segunda a sexta. Então, cinco vezes por semana, encontrava com ela no vestiário, ela se vestindo num canto enquanto eu saía do banho no outro. Ou seja, ela me via de calcinha bege. A única alternativa que eu tinha era virar BFF dela, né. E, meninos, podem desligar a imaginação fértil, porque eu falei calcinha BEGE, tá ok? (Essa é pro Goommer.) E vestiários femininos são bem menos interessantes que vocês imaginam. Eu prometo. Mas eles geram empregos. Bizarro.

mercredi 16 novembre 2011

Buffalo débile

Toda uma dificuldade em encontrar um salão de beleza aberto no final de semana no Kansas. Tentei sábado no final da tarde. Depois de tentar uns 3 salões, perguntei pra umas pessoas, que me olharam com cara de espanto e entenderam que eu não era de lá - daí estar fazendo uma pergunta tão absurda (afinal, que manicure trabalha sábado à tarde, oras?).

Ficou pra segunda-feira, dia mundial das manicures de folga. No entanto, a manicure do salão da esquina estava trabalhando. Parfait!


Horário marcado, lá fui eu com minhas cutículas em petição de miséria.

A manicure era uma velhinha simpática, que me pareceu bastante boazinha. Até que.

Até que ela resoveu que ia conversar comigo, né. Porque aí a coisa tomou um rumo as-sus-ta-dor.

Primeiro, ela me perguntou se eu morava ali (não) se/porque era casada com algum militar (não). Depois, perguntou quantos anos eu tenho (28). E então perguntou por que eu não sou casada (porque não quero), e se era por que meu namorado estava me enrolando (muito pelo contrário, a matrimoniofobia é minha).

E aí ela também resolveu me dizer que era melhor eu superar logo essa coisa de não querer casar, porque não estou ficando mais jovem conforme o tempo passa (cejura??). Me perguntou se eu tenho filhos (não), e se eu quero ter filhos (o horror! o horror!). E se eu sou católica (não - mas juro que fiquei com medo de dizer que não trabalho com deus). Ou se eu tenho algum tipo de espiritualidade (hm... hahaha, tá certo). E acrescentou, sabiamente, que, quando eu estiver velha, solteirona e sem filhos, vou queer repensar isso. Porque quando eu estiver triste e solitária, só haverá uma pessoa para me consolar nos momentos de desgraça, que certamente virão: isso mesmo, DEUS!

(Cêtáfalandosério???)

A pessoa entra pra fazer a unha, sai cortando os pulsos. É essa a ideia?

Porque, olha, estava super ok com minhas escolhas e até mesmo com a possibilidade de ser um pouco flexível em algumas (leia-se: 10% no aspecto matrimônio, caso seja imprescindível), mas depois dessa manicure com lição de moral... hm, não obrigada. E vou pensar duas vezes antes de voltar ao Kansas e ter qualquer tipo de conversa com qualquer pessoa.

Caipira deve estar achando super ótimo esse dois-por-um de você ir fazer as unhas e sair de lá com uma "filosofia de vida" atravessada na garganta, de brinde. Mas eu só queria sair dali e encontrar um rifle. Rápido.

E um caixa eletrônico. Coisa que também não existe na terra da Dorothy. Jamais serei capaz de entender.

Porque, não, no Kansas não há caixa eletrônicos assim, por toda parte, como no resto do mundo civilizado (à exceção da Bélgica). Depois de ir ao "meu banco" e descobrir que não havia caixa eletrônico na agência (!!), fui a um outro banco, procurando um caixa eletrônico. A mulher que me deu informação me indicou que era do lado de fora. Lá fui eu descobrir que... era um caixa eletrônico drive thru, ou seja, tive que fazer fila (a pé) atrás de um pick-up e de um trator!! Gênio!

A gente pisca, se distrai e, quando vê, acorda num mashup estranho de David Lynch com Sam Mendes com irmãos Coen. Desisto dos sapatinhos vermelhos. Quero voltar pra civilização!

lundi 14 novembre 2011

Gueule d'aminche

**Alerta de novela mexicana**

Ceis acham que são só grupos étnicos isolados, mas inner-breeding também super acontece na filosofia. Os motivos são óbvios: falta de aptidão social e a não-existência de bebida alcoólica suficiente no mundo.

Eu não posso falar muito, porque, né. Tô toda trabalhada na inner-breeding filosófica. Então que fique claro: longe de mim cobrar aptidão social dos outros. Mas aí, tem aqueles dias em que a gente recebe o certificado de cretinice nível Platinum. Vamos à história, que faz parte da lista das coisas que me deprimem e que, ao mesmo tempo, me tornam digna de um foot-in-mouth award épico:

Um ano atrás, estou lá, à toa, em NY, sozinha em casa. Um amigo meu, chamemos ele de W., vai a um bar para conhecer pessoalmente um certo sujeito, chamemos este de C.A. Como estava à toa, fui junto. Do bar, fomos para a casa de W., onde começamos o fim da noite com Moonshine e, obviamente, todos nós capotamos antes de conseguirmos nos mover. Acordo 7 horas depois, no sofá da sala de W., onde dormi profundamente. No outro sofá, na minha diagonal, está C.A. Bom dia!! W. acorda logo depois e faz ovos benedict para todos. Desnecessário dizer que W. é uma das minhas pessoas favoritas no mundo, por conta do whisky, do vocabulário 120% profano e dos ovos benedict, dentre outras coisas.

Logo depois desse dia, W., C.A., eu e todo o resto do nosso grupo conhecemos ainda R. e S. Eu já havia avisado a W. que S. era gata e que, se eu fosse ele, investiria. Sou uma boa wingwoman, acreditem! Tento criar as condições para S. e W. saírem, se conhecerem melhor, Deus sabe. Rola mais ou menos. W. também acha R. uma pessoa legal. Eu desconverso, digo que S. vale mais a pena. R. não é muito bonita (dentes medonhos - maior pet peeve do universo!), e é meio chata.

Algumas semanas depois, C.A., que tinha acordado diagonalmente a mim na casa de W., começa a sair com R. Alguma coisa está meio que rolando. Enquanto isso, W. e S. continuam sendo um fracasso. Eles até saíram, mas, pelo que W. me contou, o fracasso foi completo.

Alguns meses depois, C.A., de quem, a bem da verdade, eu não gosto muito, decide que é bom demais para R., e o romancezinho deles acabou.

W. continua falando que R. é super legal, e que ela é muito mais legal que parece etc.etc. Eu mantenho minha posição de que R. é sem graça (ai, meldels, aqueles dentes!) e meio chata (tricô, gente! tricô!). Sou honesta, porque, né, conheço W. há 3 anos e passamos por muitos porres e ressacas juntos. W. fica curioso com meus comentários e eu disserto sobre por que acho R. uma pessoa chata. E sem graça. E como ela tem dentes feios e coisas do gênero.

Corta para oito meses depois: não tenho notícias de W. há um tempão. Até que.

Até que o Respectivo me conta que W. e R. estão prestes a ficar noivos. Mas eu sequer sabia que eles estavam namorando!! Vi W. há exatos 7 meses, e ele não estava nem namorando! COMO ASSIM, ele vai ficar noivo?? E de R.????

Bom, gente, essa sou eu: a pessoa que passa meses falando pro cara não sair com a mina porque ela é feia e chata e, de repente, eles vão casar. Bem-vindos à epítome da cretinice. Coisa que só eu (com muito amor) faço por vocês.

Minha resolução seria até começar o bolão do divórcio, mas W. é uma das poucas pessoas no mundo que merece muito amor e todas as coisas fofinhas da vida. (Mas que isso não vai dar certo... ah, não vai!)

Mas fato é que eu SEI que S. era a primeira opção de W. E que R. saiu com o canalha do C.A., antes de sequer pensar em dar bola pra W. E eu sei de tudo isso, e sei que tentei parar esse trem antes que ele descarrilhasse. Não digam que eu não avisei... My job's done here.


Agora... vamos para de casar e reproduzir, amiguinhos! Porque, porfa, né. Eu achei que o trato fosse que todos nós íamos ficar pra tios(as) juntos e vocês não estão cumprindo a parte de vocês do trato.

E, seríssimo agora, gente: contraceptivo, ok? Muito contaceptivo. Porque eu sou pro-choice, mas sei que vocês não são (todos).

E só me convidem pro casamento se for em um lugar legal, porque não tenho tempo de ir passar carão na Heartland. E me ajudem a tirar esse gosto de pé que está na minha boca, rápido!

samedi 12 novembre 2011

Toto t'as t'y ton vélo

Mal falei do Kansas aqui, né. Os posts de setembro vão sair em retrospectiva tardia, porque não tô com tempo. Mas o importante, e o que eu não contei em detalhes, é minha bicicleta. Pra quem não entendeu: é. Eu comprei uma bicicleta. No Kansas. E ela vai ficar no Kansas. Pra eu anar quando vier. A minha bicicleta vintage (da década de 1950), amarela, linda, que ficou pronta e que eu pude estrear nessa viagem.

Corta pra eu sendo gatona de bike:

Sendo gata de bike dentro de casa. Porque a bike é vintage, é linda, e é pesada que nem o demônio.
Comofas pra descer escadas com ela??? - Resposta: Respectivo (feminismo ligou e mandou beijos)

Tô linda? Tô. Tô nervosa? Com medo? Bagarai.

Tá, a essas alturas, eu já tô bem @vitorfasano: curtindo.

Minha bike é bem mais legal que o Toto.

vendredi 11 novembre 2011

Jamais assez haut

Tem dias que são perfeitos. E esses são raros. Ontem, por exemplo, NÃO foi um deles.

O dia começa com aquela walk of shame básica. De baixo de chuva. Porque desgraça pouca é bobagem. E você, obviamente, sem guarda-chuva (porque, alas!, quando você saiu de casa sabe-se Deus quantas horas - ou dias - antes, não estava chovendo, nem com cara de chuva). Excelente. A sorte é que, a princípio, eu não tinha que ir muito longe. Andei apenas 3 quarteirões debaixo de uma chuva gelada e logo cheguei ao abrigo temporário de Flo. Quem abre a porta é um mocinho simpático, que acha que eu estou lá para uma aula de piano. "Não, só vim encontrar a Flo. Mas eu estou atrasada... marquei com ela às 10h00..." Eram 10h25.

"Ela está dormindo, mas eu vou chamar. Entre." E o pianista desaparece. E eu fico no meio dessa sala dessa casa onde eu nunca estive, meio sem saber o que fazer. Adoro quando o dia começa com essa vibe David Lynch. Me dá esperança na humanidade.

Flo aparece depois de uns 5 minutos, com mais cara de sono do que eu (bom, ela com cara de quem dormiu demais, eu com cara de quem dormiu pela metade). Resolvo as coisas que tenho que resolver com ela, reticente. Porque não estava com a menor vontade de ter que lidar com pegar o metrô, voltar para casa e lidar com o mundo. Não naquele momento. Flo propõe irmos tomar um café. Ótima ideia.

Andamos, na chuva, mais alguns quarteirões. Flo pede um café e um croissant. Eu não estou com estômago para pensar em nada a essas alturas. Não antes de poder chegar em casa e dormir mais umas 4 horas, pelo menos. "Chá verde."

Mas cinco minutos com Flo deixam qualquer pessoa automaticamente de bom humor. Primeiro porque ela é linda (e a beleza vai salvar o mundo, blá, blá, blá), e segundo porque ela está basicamente na merda (mas na merda mesmo) e está super de bom humor. Super de bem com a vida. Eu lá, de mau humor por conta do cansaço, da chuva, da falta de lar (três problemas facilmente solucionáveis), e ela super pra cima. Te faz pensar, né. Esse encontro com a Flo foi basicamente o ponto determinante da semana, por uma série de motivos (o principal sendo que já estávamos adiando isso fazia uns 10 dias, e aí calhou de marcarmos na quinta-feira e tudo o mais, porque era o único dia em que nós duas estávamos livres de manhã).

Tomei meu chá, criei coragem e voltei pra casa. Virei gente e saí, porque tinha uma reunião às 14h. O plano era chegar na universidade lá pelas 13h. e trabalhar um pouco, tranquila, antes da minha reunião.

Santa ingenuidade, Batman. A essa altura, já estava começando a manifestação nacional dos estudantes contra a alta das "mensalidades" das universidades. O que significou que TODAS as portas da minha universidade estavam barradas por manifestantes. Bom, trabalhar, eu podia trabalhar em casa, mas e minha reunião?

Mandei um e-mail para os envolvidos, perguntando como proceder. Enquanto esperava resposta, fui até o banco, a uns 2Km dali (e ainda embaixo de chuva - mas dessa vez com guarda-chuva), sacar dinheiro para levar pra minha viagem pros EUA. Achando que minha reunião seria cancelada.

Saindo do banco recebo um e-mail, sugerindo nos encontrarmos em um café ao lado da universidade. Volto os tais 2Km. Novamente debaixo de chuva. Mas o mais legal é que, essa vez, os manifestantes já estavam "marchando". Em direção contrária a minha. Mais de 20 MIL pessoas. E eu com meu guarda-chuva gigantesco. Enfim, tudo errado. Tudo muito errado.

Chego no café exasperada, atrasada depois de ter que lidar com a massa de gente e trombar com cartazes, faixas e afins. "Uma água, por favor."

Reunião. Falta de vontade de ir embora e lidar com o mundo. Tema recorrente. Enrolo um pouco conversando com PrettyBoy, com quem eu meio que nunca tinha conversado.

Descubro que PrettyBoy, que eu achava ser uma pessoa unidimensional, é até uma pessoa legal. Meio unidimensional, de fato, mas uma pessoa legal. Eu julgo as pessoas e não deveria, blá, blá, blá. Sou uma pessoas menos boa por isso, blá, blá, blá. Mas tive meu momento fofura e redenção. Crédito, por favor.

Volto para casa e trabalho um pouco. Não consigo raciocionar e paro. Ligo pra Cassy, para dar feliz aniversário. Desligo. Sento e olho as paredes. Tenho que fazer o raio da minha mala, para o meu voo que sai às 5h30 da manhã, e que vai me fazer acordar às 2h45 para ir pro aeroporto. Não tenho vontade de fazer as malas. Jogo algumas roupas dentro, na esperança de que elas combinem (e que eu não esqueça de levar calças, como fiz quando fui a Boston). Contemplo o marrom das paredes.

Estaria eu (logo eu?) sofrendo de mau humor seguido de ressaca moral? (parte do meu M.O.: mau humor seguido de chilique, seguido de ressaca moral por conta do chilique, seguido por mau humor por conta da ressaca moral... ad infinitum) Estaria eu precisando voltar a me conformar com o fato de que o Woody Allen baixou de vez e voltar para a terapia? Estaria nossa heroína em sérios apuros???

Ben chega em casa, pergunta se-eu-comi-se-eu-estou-com-fome. Puxa, FOME! Me dei conta de que as únicas coisas que consumi o dia inteiro foram: chá verde com Flo e uma água com PB e M.

Resto du Village. Poutine. Imediatamente.

Veredito: achei que era ressaca moral, mas era fome (e sempre é, afinal!). A flexibilidade moral continua intacta.

Mas, peraê, que nenhuma história minha tem um final feliz que não seja aquele tapa na cara, ainda que de leve: obviamente que, eu lá, toda contente de estar me entupindo de uma poutine toute garnie (porque paranoia com obesidade não trabalhamos), e entra um cara louco-e-bêbado (NENHUM exagero) e senta pra comer. Ele começa a gritar palavrões sem parar, numa vibe Tourette bem esquisita ("Crisseostietabarnak!"), sem parar MESMO. Gritando. E comendo. E fazendo barulhos nojentos. E aí ele começa a cuspir no chão do restaurante! E por aí a coisa foi... SEM PARAR. Por uns 40 minutos.

Desnecessário dizer que desisti da minha poutine pela metade.

Volto para casa - já sem fome, ao menos - e programo meu alarme para as 2h45 da manhã. O único final possível.

lundi 7 novembre 2011

Salomé

Ou: notas sobre o sábado à noite de alguém que nunca quis ser Carrie Bradshaw.
[*alerta de post mulherzinha - não digam que eu não avisei*]

Porque a gente não tem vida por aqui. É. Faz frio e a vida está em algum lugar subterrâneo ou bem longe daqui.

Acordei meio estragada, meio insone no sábado, provavelmente por já estar lutando contra um resfriado chato que se instalou plenamente no domingo.

Fato é que motivação para fazer alguma coisa produtiva no sábado: faltou. Faltou muito.

Passei algumas horas na cama com Ockham. Levantei pra tomar banho e ver se me animava a fazer alguma coisa. Não conseguir passa da louça acumulada na pia da cozinha e de uma máquina de roupa suja (as outras vão ficar para durante a semana).

Em um determinado momento, vamos chamá-lo de "21h.", me dei conta de que tinha esquecido de comer (fato recorrente ultimamente, como vocês devem ter notado - aliás, tô virando Tales; se eu desaparecer, favor vasculhar os poços mais próximos). Preguiça de fazer comida. Ia demorar muito. Mas é por isso que Deus (ou a Marie Curie) inventou a pipoca de microondas. Meu jantar de anoréxica preferido: pipoca e água com gás (se bem que anoréxicas talvez prefiram sem gás; bom, sei lá). Peguei umas provas para ir corrigindo para passar o tempo e liguei a TV.

Tenho poucos canais e 90% deles são francófonos. Não respeito muito a TV francófona e odeio muito TV dublada em francês. Mas eis que... eu descobri que eu tenho o "Cosmo Channel" (alerta de FALTA DE DIGNIDADE!), em inglês e que, das 21h às, sei lá, 4h da manhã, eles iam passar reprises de vários episódios de Sex & The City.

Aí, eu pensei em textos como esse e esse e me lembrei de o quanto sempre achei a Carrie meio assustadora (tu-dum-tshhh!) e, não, nunca quis ser Carrie Bradshaw (sim, eu trabalho bastante com ThoughtCatalog, se vocês também não perceberam), e achava muito psicótica a relação que ela tinha com o Mr. Big, e com o Aidan, e com o Russo (sem falar com as ex de cada um, aka Carrie psicopata, hein?). Enfim, muito mulherzinha louca-do-cu da TPM. Tudo errado.

Heroína mesmo era a Miranda. Moderna, com uma carreira, terninhos (wearing the fucking pants!), independente, a voz da razão, enfim. Sempre achei a Miranda um role-model bem razoável. E podem tomar isso com quaisquer ressalvas, visto que esse comentário vem de alguém que assistiu 3749 vezes a cada episódio de Sex & The City (mas não assisti a nenhum dos dois filmes, alas!). Mas a Miranda é um padrão exigente. A conclusão a que eu cheguei foi a seguinte: "You aim for Miranda, you end up like Samantha." Porque é difícil não exagerar na praticidade (da mesma forma que eu acho que "You aim for Carrie, you end up like Charlotte", algo até mais comum).

Por outro lado, (spoiler alert) a Miranda acaba a série no Brooklyn, casada, com um filho. E a Samantha acaba lutando contra um câncer de mama, e, depois de pegar o ator bonitão, mudar para a costa oeste e coisas do tipo, ela acaba... livre. LIVRE! Levando em consideração coisas como essa e essa, estou começando a digerir a ideia de que eu talvez seja bem mais Samantha (ainda que com ressalvas, porque, né).

Bom, desde que eu não termine Charlotte, acho que ainda estou no lucro.

Desnecessário dizer que eu só corrigi umas quatro ou cinco provas no meio dessa digressão toda aí, né.

O resfriado, aliás, também passou à la Samantha: in on Sunday night, out by Monday morning.

Hakuna Matata!

dimanche 6 novembre 2011

samedi 5 novembre 2011

Ma chanson leur a pas plu...

Pedi mixtapes, ceis me ignoraram (exceto o J., que sugeriu Dale Earnhardt Jr Jr, que me quebrou um galho). E agora, eu tenho que lavar louça, lavar roupa, lavar banheiro (é, vida de glamour) e não tem mixtape para ouvir. Ia desejar o mal a vocês, mas como acordei proativa (a misantropia tá numa fase mais seletiva) resolvi fazer minha própria mixtape, com músicas recicladas (i.e. não descobri nenhuma música nova que me despertou amor enorme, mas vou fazer uma mixtape com músicas que eu já tinha aqui no meu player).

Preciso de trilha sonora para trabalho doméstico. E podem achar ruim, mas não reclamem, porque esse playlist não vai fazer sentido para as pessoas que vivem fora da minha cabeça. Vou chamar essa mixtape virtual à la tudojuntoemisturado de...

Songs for Mephistopheles
1. Bonnie Tyler. Two Out Of Three Ain't Bad (single mix)
2. Massive Attack. Unfinished Sympathy
3. Depeche Mode. Enjoy The Silence
4. Teenage Fanclub. The Concept
5. The Postal Service. Such Great Heights
6. New Order. Bizarre Love Triangle
7. Joy Division. Love Will Tear Us Apart
8. Moby. The Great Escape
9. Arcade Fire. Rebellion (Lies)
10. Pavement. Shady Lane
11. Matt Nathanson. Come On Get Higher
12. The Cure. Just Like Heaven
13. LCD Soundsystem. Can Change
14. Pulp. Babies

Preciso de uma máquina de lavar louças.

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Corta para duas horas depois, falando com Juju ao telefone enquanto lavava louça. Ela me lembra de uma conversa digna de YouTube que eu tive com A.E., um amigo nosso, durante o Evento do Ano.

A.E.: Mas, Aline, você tem que casar.
Eu: Não, obrigada.
A.E.: Por que não?
Eu: Porque eu quero ser livre.
A.E.: Mas você TEM que casar.
Eu (gritando): Eu quero ser livre! EU QUERO SER LIVRE!!
A.E.: Mas, Aline...
Eu (gritando): EU QUERO SER LIVRE!
(duas últimas frases são repetidas ad infinitum)

Mesa inteira olha para mim em choque. Risos nervosos. Entram os noivos. Descem as cortinas. Fim.
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Como eu queria ser capaz de lembrar dessas conversas! Preciso de um cérebro novo. Mas, sério: eu preciso MESMO é de uma máquina de lavar louças. E de mixtapes.

vendredi 4 novembre 2011

Écoutez-moi les gavroches

A pessoa deve ter deixado a noção pendurada no mesmo chaveiro Swarowski que tinha a chave do meu apartamento de NY e do escritório em Montreal (e que ficou perdido em algum lugar do Brasil).

A pessoa reclama tanto de ter que micro-gerenciar as 8 pessoas a seu redor que esquece como lidar com coisas básicas de sua própria vida. Tipo comer. Ou sair de casa com objetos básicos para sua sobrevivência.

Acordei cedo para lidar com toda a leitura que eu tinha que fazer para amanhã. Mas me distraio facilmente com objetos brilhantes ou conversas filosóficas que não tenham nada a ver com qualquer tipo de trabalho que eu esteja fazendo no momento. O tipo mais digno e arrogante de procrastinação, diga-se de passagem.

Mas tive dignidade suficiente para ir à academia - e me arrepender um pouco, porque mal estava conseguindo andar de volta para casa tamanha a dor nas minhas pernas (pilates com kickboxing só recomendo para pessoas com muito preparo espiritual). E ainda consegui me atrasar para a conferenciazinha a que ia assistir à tarde. Cheguei atrasada, mas cheguei.

Deu 17h. e eu resolvi ir fazer a primeira refeição do dia (café da manhã e almoço são para fracos) antes de encarar 3 horas de aula na graduação. Teria dado super certo se minha carteira tivesse sido colocada na minha bolsa em algum momento. Mas, é. Ela ficou na malinha da academia.

Blanche DuBois que se cuide, porque além de um amigo ter me emprestado um dinheiro para eu pelo menos comer uma pizza antes da aula, depois da aula ainda filei um canto de comida coreana e uma sobremesa de outros amigos.

Fora a gentileza alheia, dias infernais e intermináveis... tomorrow's not looking good either.

Ao menos agora tenho uma nova chave para o meu escritório na faculdade, graças à AC que mandou pelo correio a chave antiga do N. Porque a minha chave original continua desaparecida em algum lugar dentro da casa dos meus pais em SP. Ela deve estar se divertindo horrores brincando de pique-esconde com minha noção e meu bom senso.

É. Me arrumem uma roupa laranja sexy, que eu tô cotada pra viver a Lindsay Lohan no cinema.

jeudi 3 novembre 2011

Déserteur

E aí tem aqueles dias que eu acordo com crise de misantropia, a saber: segunda-feira passada. Crises como essa podem durar algumas horas ou alguns anos. O difícil é lutar contra elas. Não é à toa que, em NY, eu dei uma de Woody Allen e, em um determinado momento, tinha 2 terapeutas. E um não sabia do outro. Enfim, toda uma coisa doente, que só a vida em NY (ou a minha cabeça) explica.

Mas, enfim. Como evitar que a misantropia se prolongue? Bom, o importante é entender a causa. É fácil demais dizer que a causa são as pessoas estúpidas, então, vamos fazer um esforço um pouco maior.

Uma primeira parte da misantropia é explicada por uma certa "teoria das cadeirinhas", que eu estou com uma super preguiça de explicar e que ninguém vai entender, anyway.

Também não descarto a possibilidade de ser crise de abstinência de TOk, imediatamente depois de um final de semana de muito terror tocado em Toronto.

Outra grande parte do problema são os malditos hormônios. Não sejam simplistas e não achem que isso aqui é bitch-talk de TPM. Não trabalhamos com TPM. E quando falo de hormônios, falo de uma forma bem mais geral. Tipo, você levanta da cama e seu corpo parece dizer "cordei, kd endorfina?". As supra-renais só produzem adrenalina na base da paulada, etc. E tudo fica chato. Flat. Menopausa precoce me ligou e mandou abracinho.


Aí a pessoa se mata no pilates, bola suíça, kickboxing. Medámuitaendorfinapelamordedeusthefirstruleaboutfightclubisyoudonttalkaboutfightclubetc. Ajuda? Um pouco. Mas aí tem aquela menina da academia que eu o.d.e.i.o. e tenho vontade mortal de esganar cada vez que ela me olha e dirige a palavra a mim, dando a entender que minha vida é um tédio. Oh, darling, if only you knew... Isso aqui de tédio não tem nada. Tem mais coisa rolando que bola de sinuca na casa maluca do parque de diversões.

E falando em casa. Bom, isso é parte do problema. Estou meio homeless. Semi-habito 3 apartamentos em 3 países, mas nenhum é minha casa. Tem a casa dos meus pais, em SP. Que é a casa dos meus pais, apesar de o meu quarto ainda estar lá, quase intacto (ver: vantagens de ser filha única). Tem a casa do Respectivo, no Kansas, que não é minha casa. Só tenho umas 8 peças de roupa e um secador de cabelo permanentemente lá. E uma bicicleta (porque, né, ou eu casava ou comprava uma bicicleta, e aí...). Mas não sei onde ficam os pratos, as xícaras etc. Enfim, não é a minha casa. E tem minha casa em Montreal, que é meio albergue espanhol, como eu já disse. Adoro. Adoro muito. Mas não é minha casa.

Vontade de ir embora e, quem sabe, encontrar um lugar e ficar lá para sempre.

Os anos 2000 eram anos felizes, porque eu assumidamente podia fugir dos meus problemas e, no final, ficava tudo bem. Crise? A solução era ir embora pra Europa, recarregar a bateria por pelo menos um mês e voltar, como se nada tivesse acontecido. Infelizmente, já faz quase um ano e meio que não piso na Europa, então, a bateria está no limite do esgotamento (e, a essas alturas, não sei se ir para a Europa solucionaria meus problemas, porque os problemas da nova década são maiores). E, pior, não tenho nenhuma previsão concreta de atravessar o atlântico tão cedo.

Mas é verdade que agora meio que eu precisava parar de fugir para a Europa e arrumar uma casa minha, de verdade. Em algum lugar do mundo.

O Kansas está fora de questão, porque né. São Paulo... ah, gente. Eu bem que queria, mas as chances reais de eu reatar minhas relações com São Paulo sem consequências desastrosas são bem pequenas. São Paulo é meu playground, não minha casa. Montreal é uma cidade que eu amo, amo, amo, mas ainda não estou convencida de que viveria aqui o resto da minha vida. Não nas condições atuais.

Sim, minha vontade pequeno-burguesa é fazer minhas malas e fugir pra Europa (e não voltar nunca mais). E me instalar em Berlim, ali na Paul-Linke Ufer, pertinho do metrô Kottbusser Tor e parar no tempo, em algum bar com mesa de bilhar do Kreuzberg. E comer um lahmacun de 1 euro na volta pra casa. E dormir e sonhar com as tílias. Mas a Europa está quebrada, sejamos realistas. E já não conheço mais quase ninguém em Berlim. E Berlim sem pessoas para caminhar para casa com você de madrugada, ou passar para tomar um café da manhã rápido na sua casa antes de pegar o trem para ir à praia (saudades...) deve ser bem chato.

E, acho que é isso que resolve um pouco minha misantropia: algumas pessoas que não são um pé no saco. O problema é que elas não estão dando sopa por aí, usando crachás de "oi, como posso ajudá-lo(a)?"

Mas aí hoje estava falando com S. E já fazia bastante tempo que não nos falávamos. Depois de falarmos mal de todas as pessoas que odiamos e de como eu era a pessoa mais qualificada para fazer o trabalho que eu fazia em NY (muito verdade!), e que meus substitutos são um fracasso (outra verdade, à la #eujásabia), fizemos os melhores planos do mundo. Na maior vibe highschoolers, decidimos como vamos viver os próximos 5 anos. Ela vai sair de NY e continuar sua pós-graduação em Portland, Oregon (ou Eugene - a definir). E eu posso escrever minha tese de doutorado de lá, enquanto trabalho em uma coisa qualquer para me sustentar. Nós seríamos roommates e viveríamos o sonho dos anos 90 e seríamos muito felizes. Fim.

Contudo, no mundo real, a misantropia continuava. Li mais algumas páginas de Ockham e depois peguei o metrô para atravessar a cidade e jantar com Ben e um casal de amigas que moram bem depois de lugares que tem uma distância adequada daqui do centro da cidade. Não estava muito a fim de ir (justamente por conta da crise), mas resolvi que era melhor comer um rango argentino a ficar em casa odiando o mundo e contemplando uma overdose de codeína. Na volta para casa, ainda passamos na casa de um outro casal de amigas, só para tomar um drink e falar mal dos québecois (o esporte favorito dos franceses, caso vocês não saibam).

Voltando, de fato, para casa, no ponto de ônibus, combinamos o próximo encontro com esse grupinho de amigas: sexta-feira, no Il Motore, para uma noite só com músicas dos anos 90, para dançar até a morte (tô Vegas Volt, tô player) e esquecer que as pessoas existem. Enquanto eu não vou a Portland, isso deve resolver.