jeudi 31 mars 2011

Étudiants poils aux dents

Aliás, quando cheguei no JFK ontem, achei que tinha desembarcado no meio de uma Apple Store:


Almocinho rápido, confraternização rápida com a família do Respectivo e... bora pro Bronx. Por incrível que pareça, eu nunca tinha pegado um trem errado em NY. Tem uma primeira vez para tudo. Estava tentando conduzir mais 4 pessoas falando alto e perdidas (vulgo, a família do Respectivo, pois mesmo o irmão dele e a "cunhada-to-be" morando em NY há mais de 5 anos, eles ainda não sabem se locomover pela cidade, a não ser que seja de táxi). Mas não foi tão mal: percebi, no Harlem, que tínhamos pegado o Metro-North expresso, em vez do local. Percebi a tempo de fazermos a baldeação para o trem certo e não nos atrasarmos para a defesa.

A defesa foi aquela coisa de sempre. Longa, chata, tal. Mas pelo menos dessa vez deu para entender bem a discussão, já que eu já tinha revisado o texto quase na íntegra. E também, por conhecer bem a maioria dos professores da banca, já tinha uma ideai de o que eles perguntariam. Tudo foi bem, o Respectivo passou e todos fomos, felizes, comer comida italiana na Arthur Ave.

Só foi uma pena que a maioria do pessoal não ficou para o jantar. Só D. S. e C. R. foram. E M., claro, sempre fofa e elegantérrima.

Todo mundo dando os parabéns e eu pensando "Thank God this is over!"

mercredi 30 mars 2011

New York, I love you (but you're bringing me down)

Acabei de desembarcar no JFK. Peguei o ônibus direto para Midtown East. Me preparando psicologicamente (eu também!) para a defesa do Respectivo. Mas aí só tem uma coisa passando pela minha cabeça...

Vai ser uma boa estada.

Demain c'est l'heure

Amanhã cedinho vou a NY, para a defesa de doutorado do Respectivo. As preparações para esse dia incluem anos de tortura intelectual (e revisões de textos, que fiz incessantemente), e foram coroadas com uma tarde no cabelereiro, hoje.

Vou ser bem sincera: meu cabelo estava em petição de miséria. Cortei pela última vez em novembro do ano passado lá no Sam Brocato, no SoHo (em NY). Para quem não sabe, o Sam Brocato é um dos melhores salões de NY, e não digo isso para me gabar, mas sim para demonstrar o cuidado que agora eu tenho para escolher um salão (depois de algumas experiências desastrosas, em NY mesmo).

Fiquei em dúvida entre o melhor salão (em geral) e a melhor cabelereira de Montreal. Decidi pela melhor cabelereira. Liguei e descobri que ela estava viajando, e só voltaria no final de abril. Bom, a alternativa era o melhor salão. Nada mal.

Liguei, marquei e fui lá para a Ariane cortar meu cabelo. Foi todo um processo longo, de lavar, cortar, acertar o corte etc. Muito mais lento do que eu previ/gostaria. Mas o corte ficou legal. Pelo menos é o que parece por enquanto. Depois que eu lavar e e mesma secar e ajeitar o cabelo... aí é outra história. Aí, sim, vou saber se gostei do corte.



O corte não foi lá muito barato, mas não chegou nem perto dos preços de NY, então, fiquei satisfeita. O que mais me incomodou, na verdade, é que nas duas horas (quase duas e meia) em que eu fiquei sentada naquela cadeira, tocava Adele, em loop. Podem franzir a testa, mas não curto Adele, e entrei em estado de sufocação existencial. Mas saí de lá looking like a million bucks. Pronta para voltar a NY. E para um jantarzinho hoje à noite com uns acadêmicos brasileiros que vieram para Montreal essa semana.

mardi 29 mars 2011

Mieux respirer

Domingo passado foi dia de corrida. Minha primeira 5K desde aquela que fiz no Harlem em agosto do ano passado, quando ainda morava em NY.

Como estava me preparando (intensamente!) há um mês, estava confiante de que ia bem. O único problema é que a corrida era em LaSalle, suburb de Montreal, de manhã cedinho. Para ir de metrô e ônibus, ia demorar mais ou menos uma hora. É, não ia rolar. Só que aí eu arrumei uma carona, no couchsurfing, o que salvou minha vida e não me deixou desistir.

P. me buscou em casa às 8h00 e fui com ele e mais 2 corredores para LaSalle. Chegando lá, peguei meu kit de corrida, e fui me aquecer. Ou tentar. Porque estava -20C. É.

Quando fiz minha inscrição, a previsão é de que estaria -5C. Por isso, resolvi encarar a prova. Mas -20C eu realmente não estava esperando. Mas aí já não dava mais para desistir.

Corri bravamente os 5Km, mesmo achando que a morte estava um só um passinho atrás de mim em algumas partes da prova. Lá pela metade, meus pulmões meio que se recusaram a funcionar apropriadamente por conta do frio (mesmo eu correndo com ums 5 camadas de roupa). Lá pelo quilômetro 3,5 peguei um copo d'água. Quando virei na boca, notei que, como os copinhos tinham ficado ao ar livre (e, lembro: fazia -20C), a água congelou! Virei uma proção de cubinhos de gelo na boca, que deu aquela dorzinha de cabeça (brainfreeze) maldita.

Completei a prova em menos de 32 minutos, o que estava dentro do previsto, especialmente com o frio brutal. O único problema é que, depois de passar na linha de chegada, eu continuei sem conseguir respirar direito. Fiquei tossindo aquela tosse asmática por uns bons 2 dias. Achei que tivesse sido acometida por uma pneumonia instantânea. Coisa horrível. Seriamente achei que fosse morrer. Ainda não. Ficamos no aguardo.



O pior foi ter precisado andar mais uns 3 quilômetros, no mesmo frio brutal, para pegar o ônibus e o metrô para voltar para casa. Dessa viagem não deu para escapar, já que minha carona ia correr a prova de 10Km, e eu não estava muito interessada em ficar eserando, no frio.

Fora que já tinha combinado com Max e L. de vermos um apartamento em NDG. Pois é, já estou começando a investir na mudança, além de tudo. Phew!

lundi 28 mars 2011

La bouffe, pt. 11

Nada de especial nas atividades culinário-gastronômicas da semana. Durante nossa breve viagem a Trois-Rivières, acabamos comendo só lá na UQTR, já que estávamos em tempo integral no colóquio FODAR. Pelo menos a comida lá estava excelente! O problema foi só no jantar principal, que tinha como opções de pratos principais frango ou camarão com vieiras. Optei pelo frange, e meio que engoli sem mastigar.

Para compensar, no dia em que chegamos de volta, o Respectivo e eu com preguiça para cozinhar, acabamos indo jantar no Batô Thaï, que é um dos nossos restaurantes favoritos na vizinhança.

Ah, sim, e a melhor descoberta da semana que passou foi no domingo à tarde, com Max e L., depois que fomos ver um apartamento onde potencialmente poderíamos morar. Shaïka Café. Como tinha acabado de participar de uma corrida, resolvi almoçar bem: fui de sopa de gengibre com cenoura e sanduíche (panini) de brie com pêra no pão ciabatta. Não sei se era a fome, mas achei tudo uma delícia! Não sei se alguma vez na vida vou volta a NDG, mas, se voltar, venho comer aqui de novo. Certeza.

Le frimas

Alguns dias em Trois-Rivières. Turismo acadêmico. That's what I live for, babe!


Dessa vez a viagem foi para Trois-Rivières, na província de Québec, para minha segunda apresentação acadêmica "oficial" em francês.

O Respectivo e eu conseguimos uma carona pelo allostop: viagem mais barata e mais rápida. Se bem que, dessa vez, os gastos não eram minha preocupação principal, já que a faculdade iria me reembolsar.

Fomos direto ao hotel Delta, onde ficamos hospedados. O hotel era ótimo, e ficava bem no... centrinho? Algo do tipo, já que a cidade não tem um centro, propiamente dito. Aí fomos logo para o almoço na Université du Québec à Trois-Rivières. Pelo mapa, achei que ficava perto, então, fomos andando.

E aí andamos, andamos.... E aí começou a nevar. Uma neve semi-derretida; meio chuva, meio neve. E andamos e andamos... e achei que tívessemos nos perdido. Acionei o GPS do meu telefone, e vi que ainda estávamos a uns 1,2 Km do campus. Andamos uns 45 minutos, no total, num frio absurdo. Chegamos, almoçamos. Eu assisti a algumas apresentações enquanto o Respectivo foi tentar fazer algum turismo.

Obviamente, ele não conseguiu. Obviamente, porque Trois-Rivières é a cidade mais triste do Canadá (minha definição). Uma Volta Redonda ou Cubatão da América do Norte. É uma cidade industrial/portuária, que não tem absolutamente nada de turístico a oferecer. O passeio do Respectivo se resumiu a ir à Canadian Tire, e comprar produtos de limpeza (sim, ele às vezes encoraja meu T.O.C.).



O highlight da viagem foi o hotel, mesmo. Depois de várias viagens alternativas por aqui, ficar num hotel quatro estrelas, com aqueles cafés da manhã completos anima o dia de qualquer pessoa, mesmo se a cidade é podrinha.

A vantagem de ter ficado num hotel bom é que, como a tonta aqui não é muito assídua no hábito de pentear os cabelos (sério, meu cabelo é sempre caído, grudado na cabeça - durmo e acordo com ele igual, juro!). Só que também juro que penteio o cabelo sempre que o lavo (viu, só: acaba que eu penteio uma vez por dia, não me julguem!). Mas esqueci de trazer a escova de cabelos para a viagem. Lavei o cabelo, saí do banho com ele todo torcido, em pé, emaranhado e... a essas alturas, o Respectivo já tinha ido até a recepção e (não sei de que jeito, já que ele não fala uma palavra de francês!) me descolado um pente. Salvou minha vida, já que eu ainda tinha uma apresentação a fazer no dia seguinte.



Ah, faltou dizer que eu também levei um tombo histórico entrando no banho. Enfiei a canela na borda da banheira e quase quebrei a perna ao meio, mas sobrevivi.

Também sobrevivi à apresentação. Fiz um PowerPoint dessa vez, para desviar a atenção das pessoas (para elas não ficarem prestando atenção na minha má pronúncia de algumas palavras e ocasionais erros gramaticais). Por fim, acho que me fiz compreender.

Depois, de volta ao hotel. Rodoviária. E ônibus de volta para Montréal.

Ainda bem! Porque essa cidade já estava me deixando deprimida. Para uma cidade que é a tal capital da poesia, Jesus! Que tristeza. Mas as plaquinhas até que são bonitinhas. E fica só nisso, mesmo.




jeudi 24 mars 2011

La bouffe, pt. 10

Essa semana, rolou mais uma sessão bagels no St. Viateur, seguida por um almoço de rodízio de comida japonesa no Yuki Sushi Bar, ao qual eu já tinha ido. A comida lá não é lá essas coisas, mas o rodízio de almoço é bem baratinho ($13). Não recomendo muito, a não ser que o desejo de comer comida japonesa seja intenso. Porque os peixes não são lá muito frescos, e você é obrigado a se entupir de todas aquelas entradas fritas antes de eles trazerem os sushis e sashimis.

Pelo menos, no caminho entre o St. Viateur e o Yuki, fiz um passeio no Plateau e aproveitei para fazer comprinhas na Urban Outfitters.

O final da semana, passamos em Québec.

Lá, comemos nos seguintes lugares:

Popote Papote et Potins, um café bem simpático, onde só paramos para um almoço rapidinho. Por um momento, me senti no interior da Bahia: olhei o menu (que consistia em saladas, quiches e sanduíches) e pedi duas saladas. A moça disse que salada não tinha; só sanduíche ou quiche. Expliquei a restrição ao glúten, e ela disse que até poderia fazer uma salada, mas ia demorar... (Como assim, demorar? É só uma salada! Mas aí me lembrei de uma vez, quando estava em Salvador e pedi uma porção de fritas no bar do hotel - um hotel 5 estrelas, mind you! -  e eles demorarm 45 minutos para trazer as fritas! Aí, não arrisquei. Pedi um quiche, e o Respectivo se contentou com um shake de proteína.)

Le Petit Coin Latin, que é um dos poucos lugares dentro da parte antiga de Québec que não é uma armadilha para turistas. Tem uma table d'hôte de almoço que tem opções boas, com preços bem decentes. Além disso, o lugar é bem bonitinho, e o dono é super simpático (e foi bem legal na hora de acomodar a restrição ao glúten).

Presse Café: outra parada rápida, só para um mini-almoço. O Presse Café é uma rede. Nada de especial.

De resto, comemos em casa, mesmo, visto que o nosso anfitrião cozinhava muito bem. Uma noite, ele fez um wok tailandês, com camarões (comi tudo, menos os camarões!), e, na noite seguinte, pâté chinois, que está longe de ser uma iguaria, mas, quando bem feita, é ótima assim mesmo.
Anteontem de manhã cedinho, peguei o ônibus que vai até a Université Laval e apresentei minha comunicação (a primeira comunicação na vida que eu apresentei em francês - ufa!). Depois fui encontrar o Respectivo lá no centrinho velho de Québec, onde fizemos um pouco de turismo feliz (Château Frontenac, Vieux Marché etc.), antes desistirmos de andar no frio, voltarmos para a casa do nosso anfitrião e comermos outro jantar maravilhoso. A J., que é uma fofa, me emprestou o Lonely Planet dela, que usamos principalmente para recomendações de restaurantes, já que Québec tem muitos tourist traps (mas eu farei um post separado para falar das comida...)

Rue du Petit Champlain, n. 71 e meio. Coisas de Québec...

Aí hoje só demos um passeio rápido no Museu da Civilização, antes de irmos de volta a Ste.Foy para pegarmos nossa carona de volta para Montréal. Novamente, uma van, bem confortável.

Por coincidência maior do mundo, as outras passageiras da van eram duas velhinhas e... M., uma amiga minha, que é de Québec, mas faz várias aulas para o doutorado dela aqui em Montréal, comigo. Aproveitamos e fomos juntas para a aula. Que fofinhas!

Fadiga master esses dias. E agora, a tendência é piorar. Melhor eu não me animar muito...

lundi 21 mars 2011

Échapper au sort

Ou, viagem alternativa - all the way.

Ontem, saímos de Montréal e fomos, de rideshare (covoiturage), para Québec City. Aqui em Montreal tem dois sistemas principais de rideshare: Amigo Express e Allo-Stop. São sistemas de oferta e "disponibilização" de caronas. O motorista cadastra seu perfil e seu carro, e potenciais passageiros fazem cadastro como passageiros. Amboas pagam uma anuidade, que é baratinha (grátis para estudantes). Aí, quando um motorista vai viajar para outra cidade, coloca o dia, horário e ponto de encontro no site. Aí, os potenciais passageiros (no caso, eu), entram no site, fazem busca pelo dia, horário e destino para que precisam de carona - e aí aparecem todos os motoristas, carros disponíveis e quantidade de assentos vagos. Paga-se uma pequena taxa para fazer a reserva do assento, pelo site, e o resto da tarifa paga-se direto ao motorista.

É mais barato, mais confortável e muito mais rápido que viajar de ônibus. A viagem para Québec, de ônibus, duraria três horas e meia. Fomos em duas hora e meia, numa van super confortável (Dodge Grand Caravan).

Para completar nossa viagem alternativa e low-budget, o Respectivo e eu arrumamos onde ficar no CouchSurfing (já que minha experiência em Ottawa foi ótima).

Nosso anfitrião nos pegou onde nossa carona nos deixou e nos levou à casa dele. Uma casa enorme, ótima, perto do centrinho de Québec. Depois de comermos alguma coisa rápida, ele nos levou à cachoeira Montmorency, que é a que da d'água mais alta do Canadá. Uma boa parte estava congelada, e com neve, formando um montinho de neve (ponto ideal de observação) que eles chamam de pão de açúcar.

Pão de Açúcar, versão hemisfério norte

Depois disso, voltamos para a super casa dele, onde ele cozinhou um jantar sensacional para nós (ele é meio chef).

Até agora, nossa experiência de opções alternativas de viagem tem sido excelentes. Mais por vir, que amanhã eu ainda tenho que apresentar uma comunicação na Université Laval (em Québec City). Porque viagem exclusivamente a lazer é para fracos.

lundi 14 mars 2011

La bouffe, pt. 9

Mais comidinhas, dessa semana que passou:

Na quarta-feira, fui com um amigo ao Noodle Factory, em Chinatown. Comi, obviamente, noodles. Competentes, mas nada excepcional. Emendamos com uma cerveja no bar Amère à Boire (o de sempre). Finalmente tomei uma stout lá. Yum!

Sexta-feira foi dia de (finalmente!) ir comer bagels no St. Viateur. Melhores bagels do mundo (dau um pau nos de NYC)!




O que sobrou para a foto

No final de semana, tínhamos planejado ir ao Doki Doki, comer comida japonesa boa e barata. É. Só que fomos no domingo. O restaurante estava fechado. Acabamos indo ao Miyako, que não fica muito longe. O rodízio foi meio carinho, mas a qualidade do peixe, em geral estava ótima. Mas o serviço foi hor-ren-do. Entre a entrada e o prato principal (lembrem: é sushi - não precisa cozinhar!!) esperamos mais ou menos 50 minutos!!! E aí trouxeram vários sushis com kani, mesmo depois de termos enfatizado loucamente que o Respectivo não podia comer kani. Tivemos que mandar o prato de volta. Um inferno.

Eu não comi o rodízio, pedi só uns maki, que estavam bons, apesar de terem demorado uma eternidade para vir. Um dos peixes do Respectivo, pelo que ele me disse (eu não quis conferir) estava estragado. Reclamamos com a garçonete, mas ela só deu de ombros e disse que o gosto era aquele mesmo. Insulto.

A conta, que demorou horrores para chegar, não foi muito barata. É, mas não deixamos gorjeta. Azar.

vendredi 11 mars 2011

Il pleut



É. É isso aí mesmo. O que vocês estão vendo aí na foto são pantufas de papel. Mais especificamente: eu usando pantufas de papel (Aline veste também jeans Zoomp e meias argyle termais Uniqlo).

Tive que sair hoje de manhã para encontrar o psicólogo comportamental que está me acompanhando no programa de seis semanas que eu ganhei da academia da faculdade.

E o que acontece é que aqui em Montréal (assim como no resto do Canadá e em boa parte dos EUA), como as pessoas andam com botas de neve a maior parte do tempo, é comum que se tire o sapato ao se entrar em um lugar, seja na casa de alguém, ou no salão de beleza, por exemplo. O mesmo vale, aparentemente, para consultórios.

A maioria das instituições de serviços (salões de beleza, clínicas etc.) oferecem pantufas para se usar enquanto se está lá dentro. Só que aí tem gente como eu, com T.O.C., que não curte compartilhar calçados com terceiros. E é provavelmente por isso que, no consultório do psicólogo, as pantufas tem um teor mais "descartável": são de papel. Assim, acho que depois de alguns usos (não um só, porque tem toda a coisa do meio-ambiente, aquecimento global, tal), a pantufa de papel naturalmente se auto-destrói (leia-se: rasga, dissolve, sei lá).

Deixei as minhas botas ensopadas (as ruas estavam um nojo hoje - grandespiscinas de neve derratida, por conta da alta da temperatura, que chegou a 4C!!) ao lado da porta (sempre com a paranoia de que alguém poderia passar ali e roubá-las... olha o TOC aí, gente!) e desfilei de pantufas de papel por um tempo. É mais difícil do que parece andar com essas coisas. Mas não trabalho com andar de meia por aí. E nem sou tão preparada como a senhorinha que aguardava ao meu lado, que trouxe suas próprias sapatilhas (estilo bailarina) enroladinhas dentro da bolsa.

lundi 7 mars 2011

La bouffe, pt. 8

Pessoal vai achar que eu só falo de comida, o que não deixa de ser verdade. Mas as dessa semana valem o post.

Dia 01 de março foi aniversário de L.-C., uma amiga minha da faculdade. Como ela é fanática por coisas medievais, ela resolveu comemorar no Dragon Rouge, que é uma espécie de versão light e menos cafona do Medieval Times. É meio que uma taverna com decoração com tema medieval, com garçons vestidos a caráter, um trovador fazendo improv (em francês medieval, mind you), tal. É um lugar divertido, mas com poucas opções de pratos sem glúten, então o Respectivo meio que teve que comer um confit de pato, que estava com uma cara ok, mas não espetacular. Eu comi um prato bem gostoso chamado"Quenelle des Vikings": uma massa folhada recheada de carne e calabresa moída, pimentão, muito alho e um pouco de queijo. As batatas e maçãs fritas estavam sensacionais!

Os preços são médios. Alguns pratos tem preço bom. Outros, como os confits, já são meio caros (na faixa de $25). Some-se a isso o couvert artístico do trovador ($5 por pessoa) e fica meio cara para um jantar que é apenas ok - mas vale a pena para quem vai com uma turma grande (meu caso) e animada, do tipo de gente que se veste a caráter (também era o caso de algumas pessoas que estavam comigo, incluindo L.-C., a aniversariante).

Aí, também fomos finalmente comemorar o aniversário do Respectivo, com uma semana de atraso, na quinta-feira. Eu estava com a maior vontade de ir ao Pied de Cochon, mas ele não aderiu. Acabamos indo ao Les Deux Singes de Montarvie, que tem um site horroroso e uma das melhores comidas de Montréal.

O restaurante, que é minúsculo, fica ao lado da mais famosa loja de bagels de Montréal, Bagel St.-Viateur, e muita gente nem repara que ele está lá. Azar o deles.

Tudo o que pedimos estava delicioso. O garçon que nos atendeu também nos deu boas sugestões de vinho. Ele importam os próprios vinhos, então tem garrafas e safras que não se encontra em todo lugar, o que é bem legal. Ok, eles não tinham nenhum Sauvignon Blanc e nenhum Bordeaux, mas tendo por base os tipos de vinho que o Respectivo e eu queríamos (para começar, justamente um Sancerre, e, depois, um Cabernet Sauvignon - para o Respectivo - e um Bordeaux/Carmenère para mim), ele nos trouxe ótimas alternativas. Apesar de uvas diferentes os vinhos que acabamos tomando por sugestão dele tinham as mesmas notas do que queríamos - e ele nos deixou experimentar algumas variedades, para termos certeza. Funcionou. (Não me lembro os nomes dos vinhos que tomamos porque eles não tem uma carta de vinhos, mas sim uma espécie de lousa com a lista do que está disponível naquele dia. Foram tantas considerações que acabei esquecendo o que tomamos...).

O que comemos: de entrada, eu fiquei com a sopa do dia, que era uma sopa de alho-poró. O Respectivo comeu a entrada que era a sugestão do dia, um coulis de tomate, servido ao lado uma terrine de espinafre, queijo de cabra e salmão, e gelatina de gengibre, com uma guarnição de salada de brotos de feijão com molho asático. Um prato bem bonito, colorido e com muito, MUITO sabor. Eu achei que era quase coisa demais para uma entrada, mas até que funcionou. Acho que só a terrine já daria uma boa entrada, no entanto.

(as fotos toscas sempre vem do meu celular)

Como prato principal, o Respectivo escolheu a bavette marinada, acompanhada de batatas rôti e confit de legumes. Mas aí, o moho que eles usam para marinar tinha glúten. Eles substituíram por uma manteiga de alcaparras que estava muito boa! E eles também cortaram as batatas!! Depois que explicamos que batata não tinha glúten, eles as trouxeram, à parte.
Já o meu prato, só pelo cheiro dava para saber que estaria divino. Pedi o ravióli de pato à Périgourdine, ou seja, com molho à base de creme de leite e trufas negras. É um prato ultra-pesado (por conta do molho, principalmente), mas mesmo assim, a porção tina um tamanho bem razoável.

Sobremesa, claro. Já sabia que eles eram famosos por serem um dos poucos lugares em Montréal que ainda servem Île Flottante, que é uma das sobremesas mais espetaculares do mundo: merengue/suspiro feito na hora, servido com crème anglaise (e blueberries). O Respectivo ficou com o crème brûlée, que levava ainda um toque de côco e leite de côco (-- e ele é super adepto).

Rolamos de volta para casa. Foi um bom jantar. Paga-se bem por uma boa comida, mas não é nada absurdo... Mas voltamos para casa sem bagels. Vão ficar paa a próxima viagem.

samedi 5 mars 2011

La dernière minute

Final de semana passado fui pra Ottawa. Fui apresentar um trabalho numa conferência de filosofia e teologia no Dominican University College. O único problema é que os organizadores da conferência, apesar de terem me comunicado o aceite do trabalho com uma antecedência razoável, só foram me avisar na véspera a data e a hora da minha apresentação. Ótemo.

A vantagem é que Ottawa fica relativamente perto daqui (duas horas e meia, de ônibus), com ônibus saindo de hora em hora da rodoviária central de Montreal. Outra vantagem é que e já tinha me cadastrado no couchsurfing (por recomendação do Paulo) e achado um lugar pra ficar semanas antes. Daí foi só comprar a passagem de última hora e embarcar na manhã seguinte.

Outra vantagem que eu tenho é que a rodoviária fica a mais ou menos 1km da minha casa - ou seja, dá pra ir a pé em quinze minutos.

Sexta-feira de manhã cedo, lá vou eu, sempre com aquele medo de passar mal no ônibus (sim, eu sou do tipo que passa mal em viagens e faz jorrar aquela mangueirada de vômito na galera). Ônibus lotado (= eu em pânico), mas deu tudo certo. Duas horas e meia, sem enjôo, e sem vômito e... tah!dah! Ottawa!

Quando cheguei à rodoviária de Ottawa me dei conta de que lá não havia serviço de informação, nem mapas e... nem táxis! GREAT.

Determinada a pegar um ônibus até a faculdade, saí e fui até o ponto, olhar os mapas e horários (sim, isso aqui ainda é primeiro mundo - ponto de onibus tem mapa do trajeto e horários). O único ônibus que passava pela rodoviária não ia para onde eu queria. E agora, Bóris?

Bom, eu sabia que tinha que ir para a região de Chinatown. A minha esperança é que fosse perto o suficiente. Bingo! Perguntei para uma moça no ponto de ônibus e ela me falou que dava para ir a pé. Demorou uns 25 minutos, debaixo de uma neve chata, mas eu cheguei!




Cheguei justamente a tempo de pegar uma pêra (almoço é para fracos) e ir para o meu painel. Coincidentemente - porque, como eu sempre digo, o mundo tem 300 pessoas; o resto é figurante - o cara que apresentou logo antes de mim também era brasileiro, e era conhecido de uns amigos meus aqui de Montréal. Sério, quais as chances?




Enfim, apresentei meu trabalho (foi até legal, mas isso interessa a poucos), socializei com pessoas estranhas (notem: era uma conferência de filosofia e teologia em uma faculdade dominicana, ou seja, nada surpreendente), tomei uma taça de vinho e... fui-me.

Me mandei logo para o centro de Ottawa (mais uma meia hora de caminhada), para encontrar minha anfitriã: uma moça fantástica, que mora em um apartamento super bonitinho bem na esquina da rua Elguin, que é a rua do comércio e dos bares/restaurantes do centro de Ottawa.






De lá, fomos para a região do ByWard Market, jantar e conhecer os bares. Depois de termos feito algum sucesso com garotinhos de Ottawa, que aparentemente tem dificuldade em distinguir tias balzacas de garotinhas universitárias, voltamos para o apto. da minha anfitriã de táxi (porque a essas alturas, o frio e o vento já estavam para lá de brutais).

Dia seguinte de manhã, passada rápida para pegar um chá na Second Cup, e me mandei para a faculdade dominicana. Mais uma rodada de comunicações. Almoço. A pior comida de bandejão que eu já comi. Sério. Os oito dólares canadenses mais desperdiçados do mundo.

E lá voltei eu para a desgraçada rodoviária de Ottawa (uma das piores do mundo, sério). Mas, novamente, é tão trágica, que chega a ser cômica. Atentem para a foto (cliquem para ver em tamanho gigantesco e poder ler a plaquinha abaixo dos cachorros):



É. Eu avisei.

Ônibus de volta para Montréal. Lotado.

A sorte é que só comecei a me sentir mal quando já estávamos chegando na rodoviária de Montréal. Porque, né, uma hora ou outra isso ia ter que acontecer. E eu torcendo para não baixar a pomba-gira do vômito à la Regan MacNeil (aka Linda Blair). Sorte minha (tragédia para os três leitores desse blógue, que provavelmente estavam esperando uma história com clímax de vômito), não rolou. Consegui manter meu estômago (e o resto de minhas entranhas, for that matter) em ordem.

Essa coisa de fingir ser pobre não é mesmo comigo. Planos para a próxima viagem: alugar um carro.

Agora, vamos avaliar o poder de clarividência do pessoal: As fotos patéticas postadas acima ficaram assim, tão horríveis, porque...

(a) foram tiradas com meu telefone, e não com uma máquina fotográfica de verdade.
(b) a fotógrafa (no caso, eu) estava usando luvas, e num vento de 40Km/h, em condições nada próximas a CNTP;
(c) a fotógrafa (no caso, eu) é tosca mesmo;
(d) todas as alternativas acima.

vendredi 4 mars 2011

P'tite conne

Seria cômico não fosse trágico:

Tem umas duas semanas, estava sofrendo de um final de resfriado bem brutal. Tinha evitado laticínios a semana toda (lenda ou não, dizem por aí que laticínios contribuem para o aumento  da produçao de muco, sei lá), e estava tomando só leite de soja - nada do meu tradicional iogurte grego - de manhã.

Quando comecei a me sentir um pouco melhor, achei que já dava para me aventurar no café da manhã de sempre. Coloquei meu cereal na tigela e uma... duas... três colheradas de iogurte grego. Como ainda tinha um resquício de resfriado, não senti o gosto de nada, mas comi assim mesmo. Enquanto isso, o Respectivo comendo ovos.

Aí, ele termina de comer seus ovos, e pega o pote de iogurte para comer também uma colherada. Ao que ele imediatamente cospe o iogurte no prato (é, eu sei...) e grita: "Ugh. Que nojo!... Esse iogurte está estragado!"

Lógico que ele disse isso depois de eu ter devorado uma tigela inteira de iogurte (estragado, notem!) com cereal.

Ótimo. Delícia. Super curti esse resfriado.

mardi 1 mars 2011

J't'emmene au vent

E o que mais?



Outro dia fui ao Vieux-Port, porque estava rolando o festival Montréal en Lumière, e tinha roda gigante lá. De graça. Respectivo e eu nos aventuramos a andar uns 40 min. pra chegar lá (qualquer coisa para evitar o transporte público). O problema é que, quando chegamos lá, o frio estava tão insuportável que não tinha a menor condição de ficarmos esperando na fila para a roda-gigante, atrás de um bando de crianças ranhetas.





Pelo menos, deu pra explorarmos o Marché Bonsecours (que, hoje em dia, é um troço altamente turístico, mas bonito, quand-même) e a Place Jacques-Cartier (que é um dos lugares mais bonitinhos de Montréal), antes de irmos jantar.



O Vieux-Port tem esse estigma de ser muito turístico e tal, mas, sabendo onde ir, é um lugar bem interessante, cheio de galerias de arte e ruas charmosas, de paralelepípedo.



Não deu para aproveitar tanto quanto queríamos, mas deu pra tirar umas fotos legais. E, quando chegamos na Place Jacques-Cartier, estava tocando minha música favorita do Louise Attaque, o que ajudou a melhorar meu humor. Montréal é dessas cidades que, se você realmente quiser odiar, vai ter que fazer um esforço descomunal.